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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 15 de janeiro de 2017

Ecos de um passado não muito distante

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A imprensa mundial noticiou em maior ou menor escala a chagada de 3.000 soldados americanos à Polônia, para fortalecer o exército da esquecida OTAN. O que poucos noticiaram foi que há meses a Rússia vem fazendo “exercícios de guerra” em várias áreas da Europa. São esparsas as notícias também sobre a reativação de antigas bases da OTAN, que receberam pessoal e equipamentos novos para deter um possível avanço inimigo (leia-se russo). Para quem não se lembra, já que o último grande combate que a OTAN participou foi a Guerra dos Balcãs, na década de 1990, a Organização do Tratado do Atlântico Norte foi criada em 1949, para fins de defesa mútua de seus membros, no auge da Guerra Fria. Do outro lado do muro, havia os países da Cortina de Ferro, liderados pela Rússia.

A Rússia tem sido protagonista de várias ações na Europa, da anexação da Crimeia ao fomento à guerra civil no leste da Ucrânia, Não sendo suficiente, teve participação decisiva na Guerra Civil da Síria, conflito em que a população foi a maior vítima dos excessos dos três lados desta guerra: rebeldes, Assad e Estado Islâmico. Depois do fracasso econômico interno e das sanções do Ocidente, a Rússia, comandada por Putin, eleito em um pleito cheio de irregularidades mostra ao mundo que não está morta e que por bem ou por mal, quer seu protagonismo da Era Soviética de volta. Some-se a isto o nebuloso papel desempenhado nas eleições americanas que elegeu Trump presidente.

Na Península da Coreia, os americanos enviam armas estratégicas capazes de abater os mísseis norte-coreanos no ar. O envio destas armas, os exercícios do exército americano, a desocupação de áreas na fronteira mandam um recado claro à Coreia do Norte, que de vez em quando dispara um míssil nuclear em uma sórdida chantagem com o Ocidente. O envio destas armas deixou China e Rússia descontentes e o Japão apreensivo.

Tudo o que temos visto são resultados dos erros cometidos após a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia, da queda da União Soviética e a invasão americana ao Iraque e Afeganistão, que provocaram uma série de conflitos no Oriente Médio, criando um ambiente propício ao nascimento do Estado Islâmico e que também explica a onda de refugiados que chegou à Europa. Se o quadro não fosse preocupante o bastante, os EUA elegeram Trump para presidente, um homem que diz não se importar com o papel do Reino Unido nas relações internacionais, que ataca pessoalmente os que criticam suas declarações permeadas de preconceito e ódio e que ninguém sabe do que será capaz.

O que sabemos é que os americanos terão um papel menor nessa nova “desordem mundial” e que o um dos legados de Obama é a menor participação direta americana em combate. A NSA e os drones estão ai para isso. Como dizem os analistas, a “Pax Americana” chegou ao fim. Temos uma Europa enfraquecida, atordoada e dividida pelas consequências da chegada em massa de imigrantes. As barreiras se ergueram novamente e com elas vemos um crescimento dos discursos radicais nacionalistas. Não é a “direita” que dita os acontecimentos, é o medo e o desejo de sobrevivência em uma época em que todos se sentem ameaçados, onde o “politicamente correto” provou ser tão perigoso quanto o preconceito descarado, onde falta bom senso ou a mínima concordância sobre o menor dos temas. Para onde olhamos há divisões, questionamentos e discordância. Ninguém quer perder nada, ninguém abre mão de nenhum interesse.


Curiosamente, em uma sociedade que busca e incentiva líderes, não há ninguém grande o bastante, confiável o suficiente para diminuir a temperatura dos embates, para ser um conciliador, iniciando e conduzindo o diálogo entre as nações. O final da Era Obama deixa isto evidente: um bom homem está indo embora e deixará saudades. Quem governa são os fatos e atos, as potências mundiais reagem, não agem. Ou encontramos pontos maiores de concordância, ou pagaremos um preço alto com nossas vidas, com as vidas de nossos filhos pela nossa incapacidade em concordar em pontos mínimos. Temos tempos preocupantes a nossa frente e não é hora de radicalizar, de discordar pelo prazer da confrontação, é hora de união. Creio na capacidade que a sociedade tem em aprender com seus erros passados e tenho sérias dúvidas se Trump chegará ao fim de seu mandato. A globalização nos uniu para o melhor e o pior, busquemos portanto a grandeza.

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