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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Nuvem de sujeiras


Segundo a edição do jornal “O Globo” de hoje, em matéria assinada por Merval Pereira, a Procuradoria-Geral da República tem em seu poder uma série de e-mails que revelaram que Dilma tinha conhecimento das transações em Pasadena e que até seu cabeleireiro, Celso Kamura era pago com dinheiro desviado da Petrobrás. Cada viagem de Kamura para Brasília custava R$ 5.000,00. A PGR conseguiu estes e-mails acessando uma “nuvem” do Gmail.

O termo de delação da Odebrechet foi assinado esta semana. Segundo a PGR, elas não começaram ainda, mas conforme prometido nas mensagens do celular de Marcelo Odebrechet, não vai ficar pedra sobre pedra. As despesas pessoais de Dilma foram pagas pelos operadores do Petrolão e o crime de recebimento de vantagens ilícitas não é restrito a dinheiro, ele acontece também com o recebimento de bens e outras facilidades. O advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, queria juntar as gravações de Sérgio Machado na defesa contra o processo de Impeachment no Senado. Deveria juntar a afirmação de Renan Calheiros de que “a mulher é corrupta”.

Não importa se foi muito ou pouco, ao que parece, ela também se beneficiou do Petrolão. Se juízo, bom senso e responsabilidade tivesse, renunciaria. Como eu disse várias vezes, antes renunciar por crimes que ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal do que por crimes tipificados na Lei de Improbidade Administrativa, que prevê penas que podem ser aplicadas concomitantemente àquelas previstas no Código Penal.

Mas, cada um tem sua natureza e Dilma mostrou bem a sua na saída. Antes de ser afastada, denunciou um golpe que continua repercutindo internacionalmente, colocando em dúvida o Governo Temer e atrasando negociações que poderiam ajudar o Brasil nesta crise que já é chamada de depressão. Antes de sair do Planalto, assinou uma porção de decretos que comprometeram o atual governo. O reajuste do funcionalismo, por exemplo, se negado colocaria a Administração Federal em pé de guerra com Temer. Como quem tem muito a explicar e deve muito, formatou hard drives dos computadores, deu fim em papéis públicos e outras coisinhas, para deixar quem chegou mais perdido que pato em temporada de caça.

Gráfico publicado na Revista Istoé - Janeiro/2016
Há mais coisas que devem ser explicadas e no caso, ressarcidas. Uma delas é a explosão de gastos dos cartões corporativos. Só em 2015, a Presidência da República gastou R$ 4 milhões com este cartão. Se todas as despesas para exercício do cargo são pagas pela Administração Pública e há salário e moradia, os gastos foram com o quê? O detalhamento das faturas é protegido por sigilo, mas diante do quadro de corrupção e desvios de verbas institucionalizado, não se justifica uma aberração destas.

Aos poucos o mito da mulher honrada e corajosa, que em duas ocasiões, nos discursos feitos no dia do afastamento, repetiu para o Brasil que “podia ter cometido erros, mas nunca cometeu um ato desonesto” e que o Jornal New York Times defendeu, dizendo que ela estava pagando um preço “alto demais, vai se esfacelando”. Estamos no meio do fim.


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