Quem sou eu

Minha foto

Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Uma conversa sobre Prince, Superbowl e oportunidades


Neste final de semana tive uma grata surpresa. Encontrei um querido amigo que há tempos não via. Partilhamos várias coisas em comum e temos profundas diferenças ideológicas e de conceitos. Meu amigo é economista, formado por uma universidade pública e um excelente músico por natureza. Desde Abril, quando Prince faleceu, compartilhei alguns vídeos para meu amigo, uma vez que o trabalho de Prince vai muito além de “Purple Rain”. Miles Davis, que gravou um disco com ele considerava que ele era uma mistura de Stevie Wonder, James Brown e Little Richards.  Para mim, ele foi um músico sem rótulos, compositor virtuoso e multi-instrumentista, um dos caras mais legais do mundo e que foi uma presença positiva e construtiva na vida de muitas pessoas.

No meio da conversa, perguntei se ele tinha assistido ao show de Prince no intervalo do Superbowl 2007, que realmente foi “o show”. Aproveito a ocasião para recomendar aos leitores que assistam também à apresentação dele, com Tom Petty e outros músicos no “Rock'n Roll Hall of Fame 2004”, em homenagem a George Harrison.

Mas, voltando o assunto, resolvemos acessar o vídeo. É um espetáculo muito americano mesmo, com todos exageros que eles fazem, mas muito bom. Meu amigo achou que era demais, típico dos americanos que exploram tudo. Argumentei que o Superbowl é um acontecimento que garante quase que 90% de audiência, que os intervalos são os mais caros da TV, que muitas empresas aproveitam a ocasião para divulgar novos lançamentos. Quem já se esqueceu do épico comercial da Apple para lançamento do Macintosh? Finalizei dizendo que aquele “espetáculo” gerou emprego, renda e arrecadação, pois todos os que trabalharam ali, inclusive os que se apresentaram com Prince ganharam seu dinheiro de forma legal, cada um pagando seus impostos, ou seja, todo mundo ganhou. Na minha opinião é aproveitar a ocasião em todos aspectos. Mas meu amigo manteve seu ponto de vista, inflexível. Então fiz a seguinte comparação:

Na Copa do Mundo, os turistas conheceram o guaraná, caipirinha e sandálias Havaianas, além das festas na Vila Madalena. O Brasil tem indústria, produtos e serviços para mais do que isso e deixou escapar uma oportunidade excelente de divulgação. Agora vêm as Olimpíadas. O que as empresas estão fazendo? Quais são as estratégias? Quantos eventos ocorrerão simultaneamente com os Jogos para demonstrar estes produtos e fazer pontes, estabelecer contatos para possíveis vendas ao exterior? Ou mesmo em vendas locais, que geram renda, empregos e arrecadação em um Estado que está com problemas financeiros profundos?

Estes tipos de eventos são uma importante janela e não estamos podendo perder oportunidades. Realmente não sei quantos ou quais projetos ocorrerão durante os jogos, mas realmente não precisam ocorrer apenas no Rio de Janeiro, podem ocorrer em São Paulo ou em outras cidades. É uma excelente ocasião para todos. Estamos preparados? Quantos empresários e pessoas se dispuseram a aprender um segundo idioma para facilitar a comunicação com os turistas e possíveis clientes, sendo que esta foi a principal reclamação deles na Copa? E os preços de comida e acomodação, que também foram fonte de reclamações constantes, estão mais adequados?

Nem tanto ao mar e nem tanto a terra, meu amigo! Precisamos de mais profissionalismo e organização, para que todos possam ganhar honestamente seu dinheiro, fruto de seu trabalho. Precisamos aproveitar mais os eventos que acontecem aqui no Brasil para que outros setores da economia também sejam beneficiados. É preciso que cada um de nós tenha uma visão empreendedora, que saibamos pensar fora da caixa. Em um país com 11 milhões de desempregados, são iniciativas como estas que podem ajudar estas famílias a passar por este momento difícil. Terminei dizendo ao meu amigo que errado é roubar, desviar dinheiro, cobrar propinas, ficar pendurado nas pernas do Governo esperando uma boquinha, uma bolsa daqui outra ajuda dali. Trabalhar ainda é um direito e dever de todos. Depois, mudamos de assunto, porque nossa amizade vale mais que as diferenças.
Deixo aqui os links para os vídeos que mencionei e mais um com Miles Davis :



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário: