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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sábado, 7 de maio de 2016

Sobre Lindbergh Farias


O PT, Dilma, os movimentos sociais, os juristas, os artistas, os “intelectuais”, ou seja, todos aqueles que defendem Dilma e acusam golpe tem uma certeza: antes o Impeachment agora, com as pedaladas fiscais e decretos, do que com outros atos que começam a vir à tona, na Operação Lava Jato ou com o processo de cassação da chapa no TSE. Nestas duas vertentes, sobram crimes mais do que comprovados, entre eles, corrupção ativa pela compra de votos contra o processo na Câmara dos Deputados, obstrução de justiça e omissão dolosa. Depois que tudo o que tiver que vir a luz aparecer, acabará o mito da “Presidente honrada, legitimamente eleita pelo povo brasileiro”.

Sabendo disso, a defesa deveria ser sóbria, que José Eduardo Cardozo cometa os excessos que achar conveniente no cumprimento de seu dever de advogado, que ele crie a teses, que enxergue conspirações, que ele vá a todas instâncias para que, como disse o Senador Aloysio Nunes busque lã e saia tosquiado”. Agora que se respeite os milhões de brasileiros que estão assistindo as transmissões das sessões e que estão sentindo na pele e no bolso, as consequências das pedaladas fiscais, da maquiagem criativa das contas públicas e dos desmandos e ingerências na área econômica, que começaram em 2012 e sabe-se agora que durante 2013 a Presidente e equipe já tinham plena consciência do descalabro e dos erros cometidos, mas buscavam consertá-los pela arrecadação de tributos, que realmente é desproporcional em um país com a renda per capta do Brasil e pela qualidade dos serviços oferecidos à população.

Dentro deste panorama, onde os que tem bom senso e sabem que devem muito, deveriam ao menos demonstrar um certo “constrangimento institucional”, vemos o Senador Lindbergh Farias agir como uma inconsequência que beira a loucura, em defesa do indefensável, acusando, com dedo em riste, tudo e todos. Em uma das sessões, foi chamado de “merda” por Caiado, depois de acusá-lo de mentir. Os Senadores Anastasia e Aécio Neves foram os alvos principais de seus avanços. Antes do início dos trabalhos, na escolha do relator, Aécio já tinha chamado Lindbergh de “medíocre”. Em uma sessão mais antiga, Aécio, após uma intervenção do senador durante um pronunciamento seu, já tinha disparado que “era de se perguntar em que país o senador vive.”
Não custa lembrar que Lindberg apareceu no cenário nacional liderando os jovens, os então “caras pintadas” pelo Impeachment de Collor. Na época, em uma manifestação que ocorreu na frente da faculdade em que eu estudava, onde nos chamaram de todos os nomes possíveis por não participarmos do movimento (curso noturno e particular, como ocorre no Brasil com quem vêm de escola pública e não têm muitos recursos), eu, que votei em Covas no Primeiro turno e anulei meu voto no segundo, disse a meus amigos que não participaria, porque o desrespeito com a população era inadmissível.

Muito tempo se passou e ouvi notícias novas sobre Lindbergh Farias. O jovem pernambucano que queria mudar o Brasil teve todos os bens bloqueados, seus e de sua família porque estava sendo acusado de desvios de dinheiro público ocorrido durante o exercício do mandato de prefeito de Nova Iguaçu , na Baixada Fluminense. Aparentemente, ele inclusive tinha um PC Farias de ocasião, um funcionário cujo apelido era “Chico”, que era destinatário dos desvios e encarregado de pagar despesas de Lindbergh e da mãe. Em 2014, ele foi candidato ao governo do Rio de Janeiro e acabou fechando o comitê diante do fracasso de sua campanha. Para minha surpresa, o nome dele apareceu logo nas primeiras delações de Paulo Roberto Costa, que foi chamado para integrar sua campanha e buscar patrocínio com as empreiteiras. Ainda de acordo com Paulo Roberto, a campanha de Lindbergh teria recebido R$ 1 milhão, proveniente de recursos do Petrolão.

A ação sobre sua gestão em Nova Iguaçu, que contou inclusive com uma gravação em que um assessor de Lindbergh comenta com a esposa de um empresário que um desembargador poderia atuar para favorecer Lindbergh em processos judiciais, foi arquivada em 2014, no STF. Na decisão pelo arquivamento, o juiz Gilmar Mendes fundamenta sua decisão na falta de provas apresentada pelo MPF, embora reconheça que havia indícios de participação espúria de autoridades. 

Nas sessões da comissão, Lindbergh atacou a tudo e a todos, com uma veemência que faria inveja aos pacientes de qualquer hospital psiquiátrico. Na sua última e perfeitamente dispensável intervenção, com olhos esbugalhados e voz tremulante, a beira do choro, defendeu mais uma vez o PT, acusou o golpe e usou os nomes de Mário Covas e Tancredo Neves em defesa de seu ponto de vista. Na noite anterior, fez uma série de acusações falsas sobre Aécio em seu perfil em uma rede social, parabenizou estudantes pelas invasões de escolas em São Paulo e terminou o espetáculo sendo ameaçado de representação no Conselho de Ética do Senado, o que eu realmente espero que aconteça. 

Há um oceano de diferenças entre a liberdade para exercer a atividade política e a semeadura do caos social e da propagação de mentiras. Até comentaristas políticos que já viram de tudo neste país se surpreenderam com as atitudes dele, como foi o caso de Merval Pereira. Se partirmos do princípio que Lindbergh sabe muito mais do que todos nós, é um comportamento estarrecedor, de flagrante falta de caráter e de condições pessoais para representar o Estado do Rio de Janeiro no Senado, no processo do Impeachment ou no cafezinho, Ele personificou o macaco da fábula, que senta sobre o próprio rabo para criticar o dos outros.
Não precisamos deste tipo de comportamento em nenhuma das casas do Congresso Nacional. Precisamos de mais pragmatismo nas ações, mais realismo nas declarações dos políticos e de mais educação e caráter nas atitudes da vida parlamentar. Menos questões de ordem e mais eficiência, menos discursos e mais trabalho. Até hoje as contas do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso ainda não foram apreciadas pela Câmara dos Deputados. Menos ideologia e mais sensibilidade com a violência que assola o Brasil. Menos bate-boca e mais respeito com os que estão sofrendo na pele as consequências da Gestão Dilma e da omissão de boa parte do Congresso por 12 anos. Menos complacência com seus erros e mais respeito à lei e ao eleitor. Mais empatia com o trabalhador brasileiro em final de ajuste fiscal e menos cobiça cor cargos, ministérios e orçamentos. Mais respeito, senhores congressistas!   


Caso você queira se aprofundar sobre os casos que envolvem Lindbergh Farias, acesse estes links:
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/lava-jato-lindbergh-depoe-e-entra-em-contradicao-com-ex-diretor-da-petrobras

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