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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sábado, 21 de maio de 2016

O tamanho do buraco


Ontem foi anunciado o tamanho do deficit no Orçamento de 2016. O valor, que é de R$ 170,5 bilhões, causou perplexidade nos jornalistas que transmitiram a entrevista coletiva dos Ministros Henrique Meirelles e Romero Jucá. Alguns comentaristas falaram que o valor foi calculado a maior, uma estratégia para mostrar resultados positivos com cortes que serão anunciados no decorrer das próximas semanas. Concordo que pode ser uma estratégia, já que o valor do rombo da Eletrobrás, cujas estimativas variam entre R$ 9 e R$ 40 bilhões não foi contemplado na avaliação. Porém nesta estimativa, já estão incluídas as perdas com o pagamento das dívidas dos Estados, quase que paralisados pela falta de dinheiro em caixa.

O que me causa perplexidade é que a imprensa brasileira é movida por fatos. Após o anúncio, comentaristas ressaltaram que este é o maior rombo das contas do Governo, o dobro do projetado pelo Governo Dilma e coisas assim. Esqueceram de falar que o rombo do ano passado, somado com as “pedaladas” na ordem de R$ 50 bilhões, foi de R$ 115,8 bilhões. Esqueceram que no Orçamento deste ano, os “Restos a Pagar”foi de R$ 41,7 bilhões. Só nesta soma, o total alcançado é de R$ 154,2 bilhões. A conta “Restos a pagar” é o que sobra de contas de um ano para outro, quando já não há mais dinheiro disponível no Orçamento para pagamento. Desde 2015 sabia-se que o Governo Federal não pagava a conta de Organismos Internacionais como a ONU, OEA e outros, que o valor de auxílio-moradia dos funcionários que estão no exterior não estava sendo pago, que algumas embaixadas estavam com o aluguel atrasado e que os pagamentos de obras executadas dentro do PAC estavam sendo feitos com atraso.

O Governo Dilma agiu como uma pessoa que não sabe fazer conta do quanto ganha e gasta o que não tem. Mesmo sabendo que a arrecadação estava caindo e que os pagamentos dos juros (os mais altos do mundo, atrás apenas da Rússia que sofreu sanções internacionais) estavam comprometendo quase que o Orçamento inteiro, continuou a gastar, usou todo o especial, o cartão de crédito e estava pagando só o que não podia ficar sem, as outras contas, estavam sendo empurradas com a barriga, que são os famosos Restos a Pagar. O Orçamento proposto para este ano já era uma peça de ficção. No ano passado, quando viram que não conseguiriam fechar a conta, passaram a obrigação para o Congresso, avisando que haveria um deficit de R$ 60 bilhões. Esta manobra causou a perda do grau de investimento nas Agências de Classificação de Risco internacionais. Depois disso, ele foi refeito e a previsão foi de um superavit de R$ 30 bilhões, que já tinha sido mudado para deficit duas vezes.

A verdade é que o dinheiro disponível para todos os órgãos públicos, dos três Poderes, era suficiente até Agosto. Chegamos ao ponto em que a Justiça Eleitoral avisou que não tinha dinheiro disponível para as eleições deste ano! E é preciso lembrar que todos Ministérios sofreram imensos cortes, como por exemplo, o da Saúde perdeu R$ 2,5 bilhões em tempo de Zika e surto de H1N1, o da Educação, de R$ 1,3 bilhão. O Ministério da Cultura, que está na boca da classe artística, teve um corte de 12,17% para este ano. Com um Orçamento anual de R$ 1,5 bilhão, qual a diferença entre ser Ministério ou Secretaria Especial? O que é importante é que funcione, que os bons projetos, para quem realmente precisa, sejam tocados. Quem pode receber retorno financeiro de bilheteria, como foi o caso do Rock in Rio, não precisa, né?

Este ano está perdido, é temporada de ajuste, de recuperação dos princípios macroeconômicos e de transparência das contas públicas, de lutar pela volta da credibilidade do país no cenário internacional. Já falei várias vezes e repito: É importante contar com investimentos estrangeiros para que a economia volte a crescer a partir de 2017. Se passarmos por este processo, cresceremos com bases sólidas, não como foi o crescimento de 2008 a 2010, impulsionado pelo bomm das commodities, mas dentro do novo cenário econômico global.

A pergunta agora é como aumentar receitas. A sociedade brasileira não suporta mais impostos ou majoração das alíquotas. Em meu post anterior falei sobre a Previdência Social. É fundamental que o Governo explique este rombo, antes de falar em reforma. Eu acredito em privatizações, não em empresas como Petrobras, mas de outras tantas que foram criadas e aparelhadas no Governo PT e que não são estratégicas para a nação.

Nas próximas semanas novas medidas serão anunciadas e saberemos mais sobre os “buracos” deixados por Dilma. Nas revistas desta semana, já se fala sobre as “canetadas” dadas no apagar das luzes, que deixaram verdadeiras “bombas” para o Governo Interino. Saberemos mais sobre como funcionava a “máquina petista” na administração da coisa pública, os cortes que foram feitos desde Dezembro/2015 nos programas sociais e nos programas “vitrine”. Prepare-se para emoções fortes e para eventualmente, ter que pagar o pato. E se tiver que pagar, não culpe o mensageiro! A culpa é de quem andou cavando, sem preocupação nenhuma com a realidade.

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