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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Leitura equivocada


Desde hoje de manhã, quando terminei minhas leituras diárias estou em dúvida se de fato vivo no Brasil. Tenho acompanhado as transcrições e áudios desta semana, li a reportagem da Veja sobre a delação de Pedro Corrêa tenho acompanhado algumas matérias e análises que causam estranheza. Cobranças, agendas secundárias, análises sobre divisões profundas da sociedade e do país que me fazem questionar a mensagem e o mensageiro.

As gravações de Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney feitas por Sérgio Machado evidenciam que há um “negócio” entre eles, que a Procuradoria-Geral da República crê que Sérgio Machado era o caixa deles, que Sérgio Machado faz de tudo para obter provas para sua delação. Engraçado é que eles conversam sobre tudo, menos sobre o que é o “negócio”. Outro ponto interessante é que Sérgio Machado vai colocando os nomes de todos os políticos nas conversas e cada um deles vai dando sua opinião sobre eles e sobre o momento político em Brasília, afirmando que não vai sobrar ninguém. Mais estranho ainda é que estes áudios, quando derrubaram Romero Jucá, foram analisados como positivos pelo PT! Estas gravações vão derrubar o PMDB do Senado e alguns deputados e vai colocar mais lenha sob o caldeirão que está cozinhando Eduardo Cunha

Neles, fica claro que a estratégia do “auto-golpe” com Lula como “Primeiro-Ministro”, não foium blefe da oposição; se desenvolveu até certo ponto e foi alavancada por lideranças do PT e do PMDB, principalmente Renan Calheiros. A “Solução Temer” não era do agrado da oposição. A falta de condição política para Dilma continuar na presidência é unanimidade. Dilma procurou José Roberto Marinho para pedir “um tratamento” diferenciado pela Globo na cobertura dos acontecimentos em Brasília. Otávio Frias, da Folha de São Paulo (que surpresa!) foi mais receptivo. Todos sabiam que a queda de Dilma seria uma questão de tempo, inclusive Lula e todos sabem que quando Marcelo Odebrechet falar, acabou Dilma, acabou golpe, acabou PT e muita gente também vai para o buraco. E a cereja do bolo é a expectativa de Dilma em tratar com o Presidente do Supremo Ricardo Lewandowski sobre a atuação do STF enquanto guardião da Constituição.

Dentro deste panorama, Temer correu por fora e não deve nada a Renan Calheiros, que só abraçou o projeto quando os áudios de Lula enterraram o “parlamentarismo” de ocasião. A montagem do “governo de transição” foi feita às pressas, com um olho na maioria do Congresso e com os dados da economia. Soluções foram propostas por Skaf, Meirelles, Serra, Armínio Fraga, Delfim Neto e muitos outros. A equipe que Temer queria, com notáveis teve que ser substituída pelo pragmatismo político e pelas alianças partidárias. Para atender os partidos, os ministérios teriam que ser mantidos. A solução encontrada para atender as reivindicações das ruas foi a junção de pastas, sendo que o Ministério da Fazenda abarcou as áreas mais problemáticas e sem espaço para ingerências políticas. E assim, Temer assumiu a presidência.

Não foi a solução que os que foram as ruas queriam, mas foi a melhor solução dentro de um ambiente político em que a Lava-Jato é um fator determinante. O candidato de hoje pode ser o investigado de amanhã. O que aconteceu com Romero Jucá e que provavelmente atingirá Henrique Eduardo Alves, Ministro do Turismo pode acontecer com qualquer um. Antes um ministro que um presidente! E há outro detalhe: O investigado hoje, pode ser inocentado amanhã. É preciso que a Lava-Jato vá até o fim, antes de outra eleição. É preciso saber quem ficará de pé no final. Nem o brasileiro sabe em quem votaria hoje!

Não há neste momento uma divisão significativa dentro da sociedade brasileira. O que há é expectativa. Sabe-se que este governo foi montado às pressas e que idas e vindas acontecerão. Nada do que aconteceu até agora chega aos pés em gravidade e ingerência ao que se viu no Governo Dilma. Até o problema de Jucá foi solucionado rapidamente e espera-se que Henrique Eduardo Alves renuncie antes que seus problemas se tornem problemas do governo. Sabe-se que este governo terá que reconstruir a configuração da Administração Pública, uma vez que todas as decisões importantes de todos ministérios foi direcionada para a Casa Civil, ocupada por José Dirceu, Dilma, Erenice Guerra, Gleisi Hoffmann, Aluizio Mercadante e Jaques Wagner.E sabe-se que o cofre está vazio.

Novas gravações e delações virão, cada uma trará uma crise para pessoas, setores e para o Governo, mas neste momento é preciso priorizar. Primeiro a economia precisa funcionar para que o desemprego e a inflação parem de crescer. A imprensa noticiou que as rescisões trabalhistas estão sendo parceladas em até 60 vezes! Tem gente que já recebeu o seguro-desemprego e já gastou o valor recebido como rescisão. Vai comer o que? Vai pagar as contas com o que? Estamos a beira de uma crise que pode se tornar humanitária! Tudo o mais seguirá seu ritmo e provavelmente viveremos uma agonia ou duas por semana.

Não é hora para desavenças políticas, não é hora para agendas oportunistas, não é hora sequer para pesquisas de popularidade. Para quem entende o que está acontecendo, tudo o que pode ser feito está sendo feito. Não é justo ou digno cobrar de Temer, que assumiu o governo há 15 dias, que ele resolva todos os problemas de um país, em que a presidente anterior ficou quase dois anos lutando para se salvar e para continuar governando. É de se perguntar qual o programa do Partido Verde para ele ter se declarado independente. Deve ser o “programa” porque, se não tiver, se a “independência” foi uma jogada política na hora em que o povo brasileiro mais precisa de ajuda e união, então não precisamos deste partido nem hoje e nem amanhã.

Ou nos conscientizamos que o momento é mais do que crítico e damos espaço e tempo necessário para o Governo Temer trabalhar ou nos tornaremos uma republiqueta latino-americana. É preciso ter paciência, bom senso e fazer a nossa parte. Se há uma crítica a ser feita é que se esperou demais para se tomar uma atitude. Ou vamos juntos para cima, ou afundamos juntos. Não há Plano C.

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