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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 31 de maio de 2016

As perguntas são diferentes


Em 2008, quando a bolha imobiliária estourou nos Estados Unidos, houve campanhas nacionais para ajudar aqueles que estavam vivendo em abrigos e nas "cidades de tendas", depois de perderem suas casas e o emprego. Muitos americanos descobriram em suas casas que tinham, por exemplo, três aspiradores de pó e que pelo menos um deles nunca tinha sido usado. Com o longo período de recessão que o país atravessou, a diminuição dos salários e a vivência das consequências claras do aquecimento global, os EUA descobriram que o consumo não poderia continuar impulsionando sua economia. Quando a economia americana desaquece, o mundo sente, porque eles ainda são o maior mercado consumidor. Os reflexos de 2008 estão presentes ainda na estagnação da economia europeia, que têm ainda a Alemanha como motor.

Não se consome como antes da crise mundial. A China, que foi é nosso maior mercado para o minério de ferro vem apresentando sinais preocupantes e sua economia não tem crescido no padrão de anos anteriores, o que desperta apreensões em analistas e economistas. A produção industrial passou por um a grande transformação, através das cadeias transnacionais, onde itens de um produto final são produzidos em locais diferentes, aproveitando os pontos fortes de cada país produtor. A preocupação com o aquecimento global faz com que a busca por produção de energia limpa seja maior. É preciso encontrar soluções a longo prazo para a sobrevivência de regiões que vivem da mineração, pois este ciclo de produção é finito. Trazendo para nossa realidade, o que será por exemplo, de Mariana se a Samarco parar de operar?

Estas mudanças afetam também o mercado de trabalho, que será seriamente impactado pelo desenvolvimento de equipamentos baseados em Inteligência Artificial. Parece ficção científica, mas não é. Profissões podem desaparecer com a evolução destas tecnologias. A Microsoft recentemente disponibilizou um dispositivo deste em seu site para interação com os internautas. Outro sinal dos tempos é o crescimento da produção e comercialização de carros elétricos nos últimos anos, haja vista o crescimento da Tesla e a participação do Prius, da Toyota no mercado americano. A indústria do petróleo tem mais este concorrente e dentro deste panorama, vale a pena os investimentos pesados que são necessários para extração de petróleo da camada do pré-sal?

As perguntas são diferentes porque o mundo muda rapidamente. Dentro desta nova ordem mundial, precisamos de lideranças que nos incluam nestes processos e que pensem em estratégias e soluções a longo prazo. Para qual destas perguntas partidos como Rede, Psol, PT, PC do B e os que compõem a bancada evangélica ou a bancada da bala tem respostas? Da mesma forma que precisamos nos preparar e enfrentar estes desafios, é preciso desenvolver novas lideranças politicas, que se contraponham ao atraso em que vivemos.

A sociedade brasileira também mudou e a classe política não acompanhou estas mudanças. Mergulhados em um sistema de trocas, eles se afastaram de suas bases, das ruas e não entendem que o brasileiro quer, o que ele espera. Esquecem que os brasileiros que tiveram oportunidade de viajar para o exterior em tempos de dólar barato, encontraram lá fora um mundo onde os produtos têm qualidade, o valor é justo, os sistemas de saúde, transporte, educação e justiça funcionam e que o dinheiro de seus impostos é bem aplicado. Não entendem que o brasileiro está mais vigilante, que quer participar. Entendem o poder das redes sociais, entendem que estão sendo observados de perto, mas não entendem que seu comportamento também tem que mudar.

Precisamos de lideranças para enfrentar todos estes desafios e nós não podemos continuar votando em velhas raposas, em fichas sujas, na turma que vive perdida nos anos 60. Precisamos de líderes, de pessoas competentes, compromissadas com a ética e a gestão responsável dos recursos públicos e do meio ambiente. A seca que atingiu a Região Sudeste nos últimos anos é uma parcela do preço que pagamos por Belo Monte. Precisamos de renovação da classe política, mas nos esquecemos que quem a faz somos nós. Cabe a sociedade acabar com esta “sopa de letrinhas” de partidos políticos que se formam para se beneficiar do Fundo Partidário e para negociar os minutos do horário eleitoral por milhões e benefícios.

O mundo muda continuamente e nós, brasileiros, também temos que continuar mudando e nos aperfeiçoando.

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