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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ações preventivas


Quando Delcídio do Amaral fez sua deleção, ele disse que a partir daquele momento os fatos acompanhariam o mesmo roteiro da música “Cartomante”, de Ivan Lins: “Cai o rei de Espadas, cai o rei de Ouros, cai o rei de Paus, cai, não fica nada”. Hoje caiu o segundo ministro do Governo Temer atingido pelas gravações de Sérgio Machado no âmbito da Operação Lava Jato.

Fabiano Silveira foi um “efeito colateral” das gravações de Sérgio Machado. Ele foi funcionário de carreira do Senado, a visita seria normal se ele não fosse também membro do Conselho Nacional de Justiça – CNJ, órgão de controle do Poder Judiciário que foi criado com várias atribuições, sendo a principal o aperfeiçoamento do próprio Judiciário. Como membro do CNJ ele jamais poderia ter ido à Procuradoria-Geral da República procurar se inteirar sobre a situação de Renan Calheiros. A partir do momento que as gravações foram divulgadas, ele deveria ter pedido sua exoneração e a situação teria terminado ali, sem maiores dissabores.

Há 12 ministros citados na Operação Lava-Jato; contra alguns não há inquérito porque seus nomes aparecem nas relações de doações de campanha. Outros, foram citados em delações. O ministério foi formado assim para atender todos os partidos e construir uma base aliada sólida, pois os rombos são tão grandes e a situação econômica do país é tão grave que o governo precisará de maioria para votar pelo menos duas PECs (Propostas de Emenda a Constituição) com urgência: A prorrogação da DRU (Desvinculação de Receitas da União) e a Proposta de limitação dos gastos públicos corrigidos pela inflação. Como não há seriedade e razoabilidade em muitos partidos que estão presentes na composição deste Congresso que temos, o que impera a lei do “é dando que se recebe” e os acordos são selados com cargos.

Parece que foram poucos os que entenderam a gravidade da situação e a necessidade de um pacto para salvar o Brasil, como já foi feito antes, em nossa História. Antigamente, os partidos indicavam os seus melhores membros, porque o trabalho apresentado era a demonstração do compromisso com o país. Bem diferente do que se vê em nossos dias, mas esta é outra história. Com um Congresso assim e depois da lavada que Eduardo Cunha deu em Dilma, ficou claro para todos que ninguém governa sozinho, então acabamos com um ministério com estes fios desencapados.

Os padrinhos e apadrinhados tem que entender que não há mais espaço ou tolerância na sociedade para um escândalo por semana, como nos tempos de Dilma. É preciso que eles pelo menos entendam que quem tiver pedido de investigação protocolado pela Procuradoria-Geral da República tem que sair na hora, não dá para esperar 24 horas. Além da opinião pública, tem a turma do PT por trás das “manifestações” e bem ou mal tem uns gritos aqui e ali de “Fora Temer”. O que está em jogo é a estabilidade política e social do país e tem um processo de impeachment que precisa ser finalizado o quanto antes. Hoje, vários países-membros da União Europeia pediram para suspender as negociações com o Mercosul porque “ há sérias dúvidas quando a legitimidade do atual governo brasileiro”.

Temer deveria conduzir uma reunião com seus ministros e perguntar quem esteve com Sérgio Machado nos últimos 6 meses. Para quem esteve, “foi muito bom ter você aqui conosco, mas até logo!” Cada crise dessa acrescenta um grau a mais em um clima extremamente quente. O próximo ministro que pode fazer a terra tremer em Brasília é Henrique Eduardo Alves, do Turismo, que por sinal, já deveria pedir exoneração preventivamente.

Além de atender os partidos, é preciso “agradar” Renan Calheiros, pois é ele quem colocará em pauta os projetos apresentados pelo governo e poderá facilitar ou dificultar o máximo as votações, pelos caminhos e descaminhos do Regimento Interno do Senado. Renan hoje é um homem acuado e por natureza, imprevisível. Nas gravações feitas por Sérgio Machado, fica claro que Renan nunca apoiou a “Solução Temer” e que preferia o ‘parlamentarismo branco, com Lula como Primeiro-Ministro.

É preciso que os escândalos acabem e é preciso transmitir uma imagem de tranquilidade, continuidade, esforço e esperança para a população brasileira, que está cercada pela crise econômica e pelas lambanças dos políticos, que ainda não perceberam que podem ser os próximos alvos de passeatas gigantescas.

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