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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 31 de maio de 2016

As perguntas são diferentes


Em 2008, quando a bolha imobiliária estourou nos Estados Unidos, houve campanhas nacionais para ajudar aqueles que estavam vivendo em abrigos e nas "cidades de tendas", depois de perderem suas casas e o emprego. Muitos americanos descobriram em suas casas que tinham, por exemplo, três aspiradores de pó e que pelo menos um deles nunca tinha sido usado. Com o longo período de recessão que o país atravessou, a diminuição dos salários e a vivência das consequências claras do aquecimento global, os EUA descobriram que o consumo não poderia continuar impulsionando sua economia. Quando a economia americana desaquece, o mundo sente, porque eles ainda são o maior mercado consumidor. Os reflexos de 2008 estão presentes ainda na estagnação da economia europeia, que têm ainda a Alemanha como motor.

Não se consome como antes da crise mundial. A China, que foi é nosso maior mercado para o minério de ferro vem apresentando sinais preocupantes e sua economia não tem crescido no padrão de anos anteriores, o que desperta apreensões em analistas e economistas. A produção industrial passou por um a grande transformação, através das cadeias transnacionais, onde itens de um produto final são produzidos em locais diferentes, aproveitando os pontos fortes de cada país produtor. A preocupação com o aquecimento global faz com que a busca por produção de energia limpa seja maior. É preciso encontrar soluções a longo prazo para a sobrevivência de regiões que vivem da mineração, pois este ciclo de produção é finito. Trazendo para nossa realidade, o que será por exemplo, de Mariana se a Samarco parar de operar?

Estas mudanças afetam também o mercado de trabalho, que será seriamente impactado pelo desenvolvimento de equipamentos baseados em Inteligência Artificial. Parece ficção científica, mas não é. Profissões podem desaparecer com a evolução destas tecnologias. A Microsoft recentemente disponibilizou um dispositivo deste em seu site para interação com os internautas. Outro sinal dos tempos é o crescimento da produção e comercialização de carros elétricos nos últimos anos, haja vista o crescimento da Tesla e a participação do Prius, da Toyota no mercado americano. A indústria do petróleo tem mais este concorrente e dentro deste panorama, vale a pena os investimentos pesados que são necessários para extração de petróleo da camada do pré-sal?

As perguntas são diferentes porque o mundo muda rapidamente. Dentro desta nova ordem mundial, precisamos de lideranças que nos incluam nestes processos e que pensem em estratégias e soluções a longo prazo. Para qual destas perguntas partidos como Rede, Psol, PT, PC do B e os que compõem a bancada evangélica ou a bancada da bala tem respostas? Da mesma forma que precisamos nos preparar e enfrentar estes desafios, é preciso desenvolver novas lideranças politicas, que se contraponham ao atraso em que vivemos.

A sociedade brasileira também mudou e a classe política não acompanhou estas mudanças. Mergulhados em um sistema de trocas, eles se afastaram de suas bases, das ruas e não entendem que o brasileiro quer, o que ele espera. Esquecem que os brasileiros que tiveram oportunidade de viajar para o exterior em tempos de dólar barato, encontraram lá fora um mundo onde os produtos têm qualidade, o valor é justo, os sistemas de saúde, transporte, educação e justiça funcionam e que o dinheiro de seus impostos é bem aplicado. Não entendem que o brasileiro está mais vigilante, que quer participar. Entendem o poder das redes sociais, entendem que estão sendo observados de perto, mas não entendem que seu comportamento também tem que mudar.

Precisamos de lideranças para enfrentar todos estes desafios e nós não podemos continuar votando em velhas raposas, em fichas sujas, na turma que vive perdida nos anos 60. Precisamos de líderes, de pessoas competentes, compromissadas com a ética e a gestão responsável dos recursos públicos e do meio ambiente. A seca que atingiu a Região Sudeste nos últimos anos é uma parcela do preço que pagamos por Belo Monte. Precisamos de renovação da classe política, mas nos esquecemos que quem a faz somos nós. Cabe a sociedade acabar com esta “sopa de letrinhas” de partidos políticos que se formam para se beneficiar do Fundo Partidário e para negociar os minutos do horário eleitoral por milhões e benefícios.

O mundo muda continuamente e nós, brasileiros, também temos que continuar mudando e nos aperfeiçoando.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ações preventivas


Quando Delcídio do Amaral fez sua deleção, ele disse que a partir daquele momento os fatos acompanhariam o mesmo roteiro da música “Cartomante”, de Ivan Lins: “Cai o rei de Espadas, cai o rei de Ouros, cai o rei de Paus, cai, não fica nada”. Hoje caiu o segundo ministro do Governo Temer atingido pelas gravações de Sérgio Machado no âmbito da Operação Lava Jato.

Fabiano Silveira foi um “efeito colateral” das gravações de Sérgio Machado. Ele foi funcionário de carreira do Senado, a visita seria normal se ele não fosse também membro do Conselho Nacional de Justiça – CNJ, órgão de controle do Poder Judiciário que foi criado com várias atribuições, sendo a principal o aperfeiçoamento do próprio Judiciário. Como membro do CNJ ele jamais poderia ter ido à Procuradoria-Geral da República procurar se inteirar sobre a situação de Renan Calheiros. A partir do momento que as gravações foram divulgadas, ele deveria ter pedido sua exoneração e a situação teria terminado ali, sem maiores dissabores.

Há 12 ministros citados na Operação Lava-Jato; contra alguns não há inquérito porque seus nomes aparecem nas relações de doações de campanha. Outros, foram citados em delações. O ministério foi formado assim para atender todos os partidos e construir uma base aliada sólida, pois os rombos são tão grandes e a situação econômica do país é tão grave que o governo precisará de maioria para votar pelo menos duas PECs (Propostas de Emenda a Constituição) com urgência: A prorrogação da DRU (Desvinculação de Receitas da União) e a Proposta de limitação dos gastos públicos corrigidos pela inflação. Como não há seriedade e razoabilidade em muitos partidos que estão presentes na composição deste Congresso que temos, o que impera a lei do “é dando que se recebe” e os acordos são selados com cargos.

Parece que foram poucos os que entenderam a gravidade da situação e a necessidade de um pacto para salvar o Brasil, como já foi feito antes, em nossa História. Antigamente, os partidos indicavam os seus melhores membros, porque o trabalho apresentado era a demonstração do compromisso com o país. Bem diferente do que se vê em nossos dias, mas esta é outra história. Com um Congresso assim e depois da lavada que Eduardo Cunha deu em Dilma, ficou claro para todos que ninguém governa sozinho, então acabamos com um ministério com estes fios desencapados.

Os padrinhos e apadrinhados tem que entender que não há mais espaço ou tolerância na sociedade para um escândalo por semana, como nos tempos de Dilma. É preciso que eles pelo menos entendam que quem tiver pedido de investigação protocolado pela Procuradoria-Geral da República tem que sair na hora, não dá para esperar 24 horas. Além da opinião pública, tem a turma do PT por trás das “manifestações” e bem ou mal tem uns gritos aqui e ali de “Fora Temer”. O que está em jogo é a estabilidade política e social do país e tem um processo de impeachment que precisa ser finalizado o quanto antes. Hoje, vários países-membros da União Europeia pediram para suspender as negociações com o Mercosul porque “ há sérias dúvidas quando a legitimidade do atual governo brasileiro”.

Temer deveria conduzir uma reunião com seus ministros e perguntar quem esteve com Sérgio Machado nos últimos 6 meses. Para quem esteve, “foi muito bom ter você aqui conosco, mas até logo!” Cada crise dessa acrescenta um grau a mais em um clima extremamente quente. O próximo ministro que pode fazer a terra tremer em Brasília é Henrique Eduardo Alves, do Turismo, que por sinal, já deveria pedir exoneração preventivamente.

Além de atender os partidos, é preciso “agradar” Renan Calheiros, pois é ele quem colocará em pauta os projetos apresentados pelo governo e poderá facilitar ou dificultar o máximo as votações, pelos caminhos e descaminhos do Regimento Interno do Senado. Renan hoje é um homem acuado e por natureza, imprevisível. Nas gravações feitas por Sérgio Machado, fica claro que Renan nunca apoiou a “Solução Temer” e que preferia o ‘parlamentarismo branco, com Lula como Primeiro-Ministro.

É preciso que os escândalos acabem e é preciso transmitir uma imagem de tranquilidade, continuidade, esforço e esperança para a população brasileira, que está cercada pela crise econômica e pelas lambanças dos políticos, que ainda não perceberam que podem ser os próximos alvos de passeatas gigantescas.

Gigantes do Brasil


Adorei e recomendo a série do History Channel “Gigantes da Indústria”.  Para quem não é assinante do canal, pode-se encontrar todos os episódios no Youtube, e eles são dublados. Esta minissérie, tem quatro episódios e conta a história de Cornelius Vanderbilt (Ferrovias), John D. Rockfeller, Andrew Carnegie, Henry Ford e J.P Morgan ( GE). Eles são considerados como os grandes Titãs dos EUA e com exceção de J.P Morgan, todos os outros construíram seus impérios do nada. A série narra as oportunidades, os desafios, a ascensão e queda de alguns e os erros cometidos por eles, principalmente com relação aos trabalhadores e alguns episódios narrados são revoltantes e chocantes. Entretanto, leis e regulações de mercado foram criadas para estabelecer limites e fixar direitos, o que até então não existia.

Rockfeller e Carnegie foram rivais até a morte e ambos, no final da vida, organizaram fundações e centros onde aplicaram grandes somas de dinheiro ( estima-se que em valores atualizados, a Família Rockfeller tenha doado algo em torno de U$1 bilhão) para educação, saúde, pesquisas e cultura. A Fundação Rockfeller foi responsável pelos primeiros estudos sobre o vírus Zika em 1947 e faz o controle epidemiológico na região onde ele foi encontrado, em em Uganda. É uma mentira ridícula que a Fundação detém a patente ou o use para controle populacional, como anda circulando ai na Internet.

Nos dias 4 e 5 de Junho, a partir das 21h45, será exibida a série “Gigantes do Brasil”, que contará as histórias do Conde Francisco Matarazzo (Indústrias Matarazzo), Guilherme Guinle (Docas de Santos), Giusseppe Martinelli (Lloyde Brasil) e Percival Farquhar (Light do Brasil). São homens que construíram grandes empresas e deixaram um grande legado na História do Brasil, mas que infelizmente são quase desconhecidos do grande público. As Famílias Matarazzo e Guinle construíram hospitais, escolas e o parque Piqueri, no Tatuapé, foi uma propriedade dos Matarazzo.

Tivemos grandes homens e mulheres na história brasileira e costumamos estudar nossa história apenas pelos fatos. Toda oportunidade que tivermos em conhecer as pessoas por trás dos fatos é importante para entendermos suas motivações, o que deu certo ou errado. Estes homens, tanto os americanos como brasileiros construíram grandes empresas em tempos difíceis, com muito trabalho e pouco capital. Giusseppe Martinelli era um imigrante italiano e trabalhava como açougueiro. Andrew Carnegie era paupérrimo e começou a trabalhar aos dez anos, ajudando a sustentar a família. Todos materializaram seus sonhos e projetos e mudaram a história de seus países. Vivemos tempos difíceis é verdade, mas temos muitas facilidades que eles não tiveram. A dificuldade, entretanto, é a mãe das invenções e estes homens nos mostram que em épocas assim, grandes talentos florescem.

Assista ao trailer da série no Youtube

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Leitura equivocada


Desde hoje de manhã, quando terminei minhas leituras diárias estou em dúvida se de fato vivo no Brasil. Tenho acompanhado as transcrições e áudios desta semana, li a reportagem da Veja sobre a delação de Pedro Corrêa tenho acompanhado algumas matérias e análises que causam estranheza. Cobranças, agendas secundárias, análises sobre divisões profundas da sociedade e do país que me fazem questionar a mensagem e o mensageiro.

As gravações de Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney feitas por Sérgio Machado evidenciam que há um “negócio” entre eles, que a Procuradoria-Geral da República crê que Sérgio Machado era o caixa deles, que Sérgio Machado faz de tudo para obter provas para sua delação. Engraçado é que eles conversam sobre tudo, menos sobre o que é o “negócio”. Outro ponto interessante é que Sérgio Machado vai colocando os nomes de todos os políticos nas conversas e cada um deles vai dando sua opinião sobre eles e sobre o momento político em Brasília, afirmando que não vai sobrar ninguém. Mais estranho ainda é que estes áudios, quando derrubaram Romero Jucá, foram analisados como positivos pelo PT! Estas gravações vão derrubar o PMDB do Senado e alguns deputados e vai colocar mais lenha sob o caldeirão que está cozinhando Eduardo Cunha

Neles, fica claro que a estratégia do “auto-golpe” com Lula como “Primeiro-Ministro”, não foium blefe da oposição; se desenvolveu até certo ponto e foi alavancada por lideranças do PT e do PMDB, principalmente Renan Calheiros. A “Solução Temer” não era do agrado da oposição. A falta de condição política para Dilma continuar na presidência é unanimidade. Dilma procurou José Roberto Marinho para pedir “um tratamento” diferenciado pela Globo na cobertura dos acontecimentos em Brasília. Otávio Frias, da Folha de São Paulo (que surpresa!) foi mais receptivo. Todos sabiam que a queda de Dilma seria uma questão de tempo, inclusive Lula e todos sabem que quando Marcelo Odebrechet falar, acabou Dilma, acabou golpe, acabou PT e muita gente também vai para o buraco. E a cereja do bolo é a expectativa de Dilma em tratar com o Presidente do Supremo Ricardo Lewandowski sobre a atuação do STF enquanto guardião da Constituição.

Dentro deste panorama, Temer correu por fora e não deve nada a Renan Calheiros, que só abraçou o projeto quando os áudios de Lula enterraram o “parlamentarismo” de ocasião. A montagem do “governo de transição” foi feita às pressas, com um olho na maioria do Congresso e com os dados da economia. Soluções foram propostas por Skaf, Meirelles, Serra, Armínio Fraga, Delfim Neto e muitos outros. A equipe que Temer queria, com notáveis teve que ser substituída pelo pragmatismo político e pelas alianças partidárias. Para atender os partidos, os ministérios teriam que ser mantidos. A solução encontrada para atender as reivindicações das ruas foi a junção de pastas, sendo que o Ministério da Fazenda abarcou as áreas mais problemáticas e sem espaço para ingerências políticas. E assim, Temer assumiu a presidência.

Não foi a solução que os que foram as ruas queriam, mas foi a melhor solução dentro de um ambiente político em que a Lava-Jato é um fator determinante. O candidato de hoje pode ser o investigado de amanhã. O que aconteceu com Romero Jucá e que provavelmente atingirá Henrique Eduardo Alves, Ministro do Turismo pode acontecer com qualquer um. Antes um ministro que um presidente! E há outro detalhe: O investigado hoje, pode ser inocentado amanhã. É preciso que a Lava-Jato vá até o fim, antes de outra eleição. É preciso saber quem ficará de pé no final. Nem o brasileiro sabe em quem votaria hoje!

Não há neste momento uma divisão significativa dentro da sociedade brasileira. O que há é expectativa. Sabe-se que este governo foi montado às pressas e que idas e vindas acontecerão. Nada do que aconteceu até agora chega aos pés em gravidade e ingerência ao que se viu no Governo Dilma. Até o problema de Jucá foi solucionado rapidamente e espera-se que Henrique Eduardo Alves renuncie antes que seus problemas se tornem problemas do governo. Sabe-se que este governo terá que reconstruir a configuração da Administração Pública, uma vez que todas as decisões importantes de todos ministérios foi direcionada para a Casa Civil, ocupada por José Dirceu, Dilma, Erenice Guerra, Gleisi Hoffmann, Aluizio Mercadante e Jaques Wagner.E sabe-se que o cofre está vazio.

Novas gravações e delações virão, cada uma trará uma crise para pessoas, setores e para o Governo, mas neste momento é preciso priorizar. Primeiro a economia precisa funcionar para que o desemprego e a inflação parem de crescer. A imprensa noticiou que as rescisões trabalhistas estão sendo parceladas em até 60 vezes! Tem gente que já recebeu o seguro-desemprego e já gastou o valor recebido como rescisão. Vai comer o que? Vai pagar as contas com o que? Estamos a beira de uma crise que pode se tornar humanitária! Tudo o mais seguirá seu ritmo e provavelmente viveremos uma agonia ou duas por semana.

Não é hora para desavenças políticas, não é hora para agendas oportunistas, não é hora sequer para pesquisas de popularidade. Para quem entende o que está acontecendo, tudo o que pode ser feito está sendo feito. Não é justo ou digno cobrar de Temer, que assumiu o governo há 15 dias, que ele resolva todos os problemas de um país, em que a presidente anterior ficou quase dois anos lutando para se salvar e para continuar governando. É de se perguntar qual o programa do Partido Verde para ele ter se declarado independente. Deve ser o “programa” porque, se não tiver, se a “independência” foi uma jogada política na hora em que o povo brasileiro mais precisa de ajuda e união, então não precisamos deste partido nem hoje e nem amanhã.

Ou nos conscientizamos que o momento é mais do que crítico e damos espaço e tempo necessário para o Governo Temer trabalhar ou nos tornaremos uma republiqueta latino-americana. É preciso ter paciência, bom senso e fazer a nossa parte. Se há uma crítica a ser feita é que se esperou demais para se tomar uma atitude. Ou vamos juntos para cima, ou afundamos juntos. Não há Plano C.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sobre Alexandre Frota


A visita de Alexandre Frota ao Ministro da Educação Mendonça Filho causou furor nas redes sociais. Entre os críticos mais ferrenhos está José de Abreu, eterno defensor do PT, amigo de José Dirceu e ultimamente conhecido como o cara que cuspiu em um casal em um restaurante em São Paulo. José de Abreu descreveu a visita como “chacota”. Aliás, Alexandre Frota publicou um vídeo onde dizia estar "louco para encontrar" José de Abreu depois da cusparada. Patrícia Pillar, ex-mulher de Ciro Gomes, aquele que está se tornando conhecido mais pelo desequilíbrio e pelo amplo vocabulário de palavrões e expressões de baixo calão, quando se refere a autoridades ou adversários políticos também se manifestou. Aparentemente, a classe artística brasileira teve um ataque de “moral relativa”, ou seja, aquela que existe conforme as conveniências, ou, como disse uma amiga minha, de profunda hipocrisia.

Alexandre Frota é uma pessoa polêmica por natureza. Não sou fã ou apoiadora, mas sei que cometeu erros, teve acertos, foi um bom amigo para alguns, para outros, um inimigo, gosta de se autointitular como “casca grossa”, é desagradável quando quer e soube lucrar com esta característica como ninguém. Já foi acusado de estupro, já fez filme pornográfico, inclusive com travesti, já posou nu. Foi diretor artístico de programas de humor, trouxe o funk para São Paulo, ajudou a criar a liga de Futebol Americano jogando pelo Corinthians Steamrollers e publicou sua biografia em 2013. De lá para cá, tem aparecido menos. Aparentemente é fã do Bolsonaro e milita ao lado dos Revoltados on line.

Acho que muitos de nós conhece um ou uma “Frota” na vida. É aquela pessoa rude nos modos, mas que escapa daquele maniqueísmo que é tão fácil de mergulhar e rotular pessoas. É aquele um que tem gestos surpreendentes quando menos se espera, é aquele que você olha e pensa: “Nossa, olha o que este cara está fazendo, podia estar tão melhor!” ou então: “Nossa, mergulhou de vez, agora não escapa mais”. É aquele um que vai fundo no lado mais selvagem da vida, se afunda e quando você pensa que não, está nadando de costas, apreciando a vista. Para os que se acham no direito de condenar ou absolver,, deixo aqui uma citação Lygia Fagundes Telles: “ Se é feliz, não precisa de sua condenação, se é infeliz, não precisa de sua compaixão”.

Uma das características mais interessantes de Alexandre Frota é que ele assume tudo o que fez. Briga, faz barulho, mais assume seus erros e acertos, ao contrário de uns e outros que andam por ai, que fazem da negação quase que profissão. Com todas suas características, Alexandre Frota continua sendo um cidadão, que tem direito a dar suas opiniões e também tem direito de ser ouvido. Seguir ou não, concordar ou discordar, é outra coisa. Aliás, para quem viveu as vidas que Frota viveu, vale a pena escutar o que ele tem a dizer sobre educação sexual, não?

Ultimamente algumas coisas me incomodam mais moralmente falando, do que a visita de Alexandre Frota ao Ministério da Educação: Levar ao Papa Francisco um libelo denunciando um golpe que não existiu, sendo que ele é um líder religioso, ou seja, literalmente “mentiu até para o Papa”, não abrir a boca quando o Ministério da Cultura perde quase 13% de sua verba, mas invadir prédios públicos quando é incorporado ao Ministério da Educação, a absoluta indiferença que boa parte dos “moralistas de plantão” demonstram pelos 11 milhões de desempregados, com os milhões que foram parar nas contas de José Dirceu e outros, não ter respeito nenhum pelas instituições e pelas pessoas, usar crianças e adolescentes para invadir escolas, para defender greves expondo-os a riscos para “atacar governador tucano” e defender seus interesses, a ideia fixa que alguns detêm o monopólio da moralidade, a facilidade como classificam pessoas como “fascistas”ou “homofóbicas” quando conveniente, a leveza com que “matam” reputações entre outras coisas.

Tenham pelo menos vergonha, caros “moralistas”! Todos os dias vocês não estão denunciando as intolerâncias da sociedade brasileira com a diversidade? Ou a diversidade é aquela que lhes convêm? E parabéns ao Ministro Mendonça Filho, que demonstrou ter mais educação, menos preconceito e mais tolerância do que muitos, inclusive com aqueles que, segurando cartazes com mensagens de “Vaza daqui” o receberam no Ministério da Cultura. E outra, em tempos de redes sociais, smartphones e etc é questão de tempo para que alguns “pecadinhos” apareçam por ai. Se tem alguma coisa que o brasileiro aprendeu nos últimos tempos é que quem tem telhado de vidro, não pode jogar pedras nos outros.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Uma conversa sobre Prince, Superbowl e oportunidades


Neste final de semana tive uma grata surpresa. Encontrei um querido amigo que há tempos não via. Partilhamos várias coisas em comum e temos profundas diferenças ideológicas e de conceitos. Meu amigo é economista, formado por uma universidade pública e um excelente músico por natureza. Desde Abril, quando Prince faleceu, compartilhei alguns vídeos para meu amigo, uma vez que o trabalho de Prince vai muito além de “Purple Rain”. Miles Davis, que gravou um disco com ele considerava que ele era uma mistura de Stevie Wonder, James Brown e Little Richards.  Para mim, ele foi um músico sem rótulos, compositor virtuoso e multi-instrumentista, um dos caras mais legais do mundo e que foi uma presença positiva e construtiva na vida de muitas pessoas.

No meio da conversa, perguntei se ele tinha assistido ao show de Prince no intervalo do Superbowl 2007, que realmente foi “o show”. Aproveito a ocasião para recomendar aos leitores que assistam também à apresentação dele, com Tom Petty e outros músicos no “Rock'n Roll Hall of Fame 2004”, em homenagem a George Harrison.

Mas, voltando o assunto, resolvemos acessar o vídeo. É um espetáculo muito americano mesmo, com todos exageros que eles fazem, mas muito bom. Meu amigo achou que era demais, típico dos americanos que exploram tudo. Argumentei que o Superbowl é um acontecimento que garante quase que 90% de audiência, que os intervalos são os mais caros da TV, que muitas empresas aproveitam a ocasião para divulgar novos lançamentos. Quem já se esqueceu do épico comercial da Apple para lançamento do Macintosh? Finalizei dizendo que aquele “espetáculo” gerou emprego, renda e arrecadação, pois todos os que trabalharam ali, inclusive os que se apresentaram com Prince ganharam seu dinheiro de forma legal, cada um pagando seus impostos, ou seja, todo mundo ganhou. Na minha opinião é aproveitar a ocasião em todos aspectos. Mas meu amigo manteve seu ponto de vista, inflexível. Então fiz a seguinte comparação:

Na Copa do Mundo, os turistas conheceram o guaraná, caipirinha e sandálias Havaianas, além das festas na Vila Madalena. O Brasil tem indústria, produtos e serviços para mais do que isso e deixou escapar uma oportunidade excelente de divulgação. Agora vêm as Olimpíadas. O que as empresas estão fazendo? Quais são as estratégias? Quantos eventos ocorrerão simultaneamente com os Jogos para demonstrar estes produtos e fazer pontes, estabelecer contatos para possíveis vendas ao exterior? Ou mesmo em vendas locais, que geram renda, empregos e arrecadação em um Estado que está com problemas financeiros profundos?

Estes tipos de eventos são uma importante janela e não estamos podendo perder oportunidades. Realmente não sei quantos ou quais projetos ocorrerão durante os jogos, mas realmente não precisam ocorrer apenas no Rio de Janeiro, podem ocorrer em São Paulo ou em outras cidades. É uma excelente ocasião para todos. Estamos preparados? Quantos empresários e pessoas se dispuseram a aprender um segundo idioma para facilitar a comunicação com os turistas e possíveis clientes, sendo que esta foi a principal reclamação deles na Copa? E os preços de comida e acomodação, que também foram fonte de reclamações constantes, estão mais adequados?

Nem tanto ao mar e nem tanto a terra, meu amigo! Precisamos de mais profissionalismo e organização, para que todos possam ganhar honestamente seu dinheiro, fruto de seu trabalho. Precisamos aproveitar mais os eventos que acontecem aqui no Brasil para que outros setores da economia também sejam beneficiados. É preciso que cada um de nós tenha uma visão empreendedora, que saibamos pensar fora da caixa. Em um país com 11 milhões de desempregados, são iniciativas como estas que podem ajudar estas famílias a passar por este momento difícil. Terminei dizendo ao meu amigo que errado é roubar, desviar dinheiro, cobrar propinas, ficar pendurado nas pernas do Governo esperando uma boquinha, uma bolsa daqui outra ajuda dali. Trabalhar ainda é um direito e dever de todos. Depois, mudamos de assunto, porque nossa amizade vale mais que as diferenças.
Deixo aqui os links para os vídeos que mencionei e mais um com Miles Davis :



terça-feira, 24 de maio de 2016

Estilos e propostas

Acompanhei hoje o lançamento das primeiras propostas do Governo Temer para a Economia. São projetos que exigirão a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para fixação de teto para o gasto público, que acompanhará a inflação, reversão de R$ 100 bilhões do BNDES para o Tesouro e aporte de R$ 2 bilhões do Fundo Soberano do Pré-Sal também para o Tesouro Nacional. Além dessas, outras medidas estão em estudo e tem por objetivo melhorar a governança e impedir o loteamento político das estatais e dos fundos de pensão. São medidas de médio e longo prazo, que tem por objetivo impedir o aumento da dívida pública, que cresce 6% ao ano.

No conjunto, estes projetos e propostas trazem transparência, credibilidade e previsibilidade na condução da política econômica do governo e, se aprovadas e implementadas, trarão reflexos positivos para os empresários e consequentemente para os trabalhadores. Havendo confiança na economia, pode-se fazer investimentos que, em um primeiro momento manterão os postos de trabalho atuais para depois propiciar o surgimento de novas vagas. O trabalhador por sua vez, tendo certeza que manterá seu emprego, pode consumir e assim a roda da economia volta a girar, devagarzinho mas de forma constante.

Há ainda um conjunto de projetos para concessão de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, que estão sendo modificados para que passem a ser mais atraentes para o investidor. Ninguém quer assumir uma concessão para empatar ou perder, há sempre que se colocar o interesse público em primeiro lugar, mas o negócio tem que ser atraente para o mercado também.

Aos poucos, vai ficando claro para todos a diferença entre o Governo Dilma e o de Temer. É preciso destacar a competência da equipe econômica, que é formada por grandes economistas e pessoas com profundo entendimento das contas públicas e do mercado. Estamos em boas mãos e eles estão trabalhando e muito para tirar o Brasil deste circo de horrores que se tornou a administração das contas e do patrimônio público. Pessoas de grande capacidade se uniram em torno de um projeto de “salvação” do Brasil e pessoas assim são movidas por um ideal de tamanho semelhante às competências que possuem e se unem em torno de pessoas e projetos que se identificam. Cada um acrescenta uma parte e não se curvam aos gritos e intervenções constantes do tipo “eu é quem sei”, como ocorreu nos últimos seis anos no Brasil.

Digna de destaque também foi a rapidez da “Solução Jucá”. O ex-ministro do Planejamento Romero Jucá foi o homem forte por trás da formação do governo e da negociação com outros partidos e facções existentes dentro do PMDB. Aloízio Mercadante afundou com Dilma... Agora a maior diferença foi dada pelo próprio Temer, ao chamar os líderes dos partidos para uma reunião, comunicar as medidas e pedir empenho nas votações no Congresso. Ninguém governa sozinho no Brasil e Dilma aprendeu ( será?) isto com Eduardo Cunha.

Um outro destaque positivo foi a questão de assumir erros, corrigi-los e repará-los, Ao afirmar que errar e reconhecer seu erro não constitui sinal de fraqueza, ele se distancia da turma do “eu não sabia” e de Dilma que dizia que “podia até ter cometido alguns erros”. Um bom exemplo para sociedade em geral, que também precisa se responsabilizar por seus erros e por suas escolhas.

Estamos no caminho certo e ainda ouviremos muitas coisas que não concordaremos ou que não agradarão a todos, mas um governo não pode ambicionar a popularidade como meta principal. Nos últimos 14 anos, a popularidade andou de braços dados com o populismo neste país. Não será fácil, algumas coisas podem piorar antes de melhorar, mas o compromisso assumido com a sociedade não pode estar restrito ao presente, tem que ter o futuro como objetivo também.

A limitação de teto para os gastos públicos não é uma medida popular, já que imporá limites no crescimento dos gastos com educação e saúde e não é um arrocho nestas áreas. É preciso aprender a gastar bem nestas áreas e não simplesmente despejar dinheiro sem mecanismos de controle para evitar desvios e mal uso dos recursos públicos. A palavra-chave aqui é gestão, e estas áreas estão carentes de gestores.

Outras medidas serão anunciadas e esperamos todos pelos cortes nos cargos comissionados. Hoje a boa notícia foi que nenhum ministério pode anunciar subsídios, o que ajuda a diminuir as renúncias e o endividamento do governo. Para a classe política de Brasília, seria interessante agora que cada um fizesse seu melhor, para apagar esta imagem de “gafanhoto comedor de cargos e verbas”. Se tudo der certo, cada um deles poderá se orgulhar de ter contribuído com o Brasil, em uma das horas de maior necessidade da História deste país. Mesmo que muitos tenham contribuído de uma forma ou de outra para chegarmos onde estamos.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Guerra de gravações


Acordamos hoje sob o impacto causado pela gravação de uma conversa nada republicana entre o então Ministro Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Na gravação, escutamos Romero Jucá afirmar que a “sangria” causada pela Lava-Jato precisa ser “estancada” através da queda de Dilma e de um acordo entre Governo e STF para “salvação nacional”. Não foi possível sequer salvar Romero Jucá, que se "licenciou" do Ministério do Planejamento" e as consequências para Sérgio Machado são imprevisíveis, já que para fechar uma delação, o primeiro passo é o sigilo e se vazar, negar que ela exista.

Em primeiro lugar, vamos ao agradecimento: cada vez que um político ou empresário é pego em atividades como esta, temos um problema a menos na política nacional. É um elo a menos na imensa corrente que se mantém no poder para alcançar seus objetivos, mesmo que estes não coincidam com os interesses do povo brasileiro. Tendo dito isto, vamos as perguntas: como a Folha de São Paulo teve acesso a estas gravações, que estavam sob guarda da Procuradoria-Geral da República? Houve participação de Rodrigo Janot? Qual o interesse em vazar estas gravações? Quantas mais existem? Por que a Abin não nega ou confirma se há gravações de Sérgio Machado com José Sarney e Renan Calheiros? Quem é o beneficiário direto do vazamento?

No domingo o jornal “O Globo”, na coluna de Lauro Jardim, já noticiava que a PGR tinha em seu poder gravações de conversas entre um integrante do governo e uma outra pessoa e que nesta conversa havia fortes provas que pessoas trabalhavam para acabar com a Lava-Jato. Hoje, quase que simultaneamente à publicação, integrantes do PT já argumentavam que este áudio “vicia” o Processo do Impeachment, tornando-o nulo. O mesmo argumento foi usado pela presidente afastada Dilma Rousseff, no início da noite, que sempre falou que um dos objetivos dos que queriam seu afastamento era sufocar a operação. Se você leu com atenção os jornais de domingo, ficou claro que a divulgação das devassas nas contas e cartões da presidência, além do pente fino nos programas sociais era quase que uma ameaça velada. Aqui já respondemos duas perguntas.

A única coisa certa neste episódio é que a Operação Lava-Jato tem vida própria. O Presidente da República, o Ministro da Justiça, o Diretor-Geral da Polícia Federal, pouco ou nada podem fazer para “estancar” a operação. As únicas pessoas que podem causar dano à Lava-Jato são os próprios delegados e equipes da Polícia Federal, ao colher provas sem autorização legal ou outra derrapada jurídica qualquer e o próprio Juiz Sérgio Moro, se ultrapassar seus limites de atuação, o que não é o caso. Se a Operação terminará em Dezembro, há material de sobra para novos desdobramentos e operações menores. É quase como se ela se tornasse permanente. Ameaças como estas são impossíveis de serem cumpridas por quem quer que seja, já que a opinião pública acompanha todos os passos da investigação e a aprova. E há estudos para torná-la permanente, como controle de governança.

O que veremos daqui para a frente será uma “guerra de gravações”, como já houve antes “guerras de dossiês”. Veremos também gente ser atingida pelo "fogo amigo" e alguns tiros no pé. Cada vez que uma gravação vazar, causará comoção como a de hoje. Estamos assistindo um “cabo de guerra” entre quem perdeu e quem assumiu o poder. No meio, estão os milhões de brasileiros, que sofrem na pele as consequências das escolhas infelizes do pior governo que este país já teve. A melhor forma do Governo Temer se proteger é afastar todos os investigados pela Lava-Jato e por outras investigações e manter distância de Eduardo Cunha, que já empurrou o Deputado André Moura, que tem uma ficha corrida impressionante, como líder do Governo na Câmara.


Mesmo assim, áudios e transcrições de delações fechadas continuarão a aparecer e a fazer estrago. Como pau que bate em Chico bate em Francisco, logo assistiremos a hemorragia que tomará conta de Brasília com as transcrições da delação de Marcelo Odebrecht.

Para quem quiser ler as matérias que citei, seguem links:

sábado, 21 de maio de 2016

O tamanho do buraco


Ontem foi anunciado o tamanho do deficit no Orçamento de 2016. O valor, que é de R$ 170,5 bilhões, causou perplexidade nos jornalistas que transmitiram a entrevista coletiva dos Ministros Henrique Meirelles e Romero Jucá. Alguns comentaristas falaram que o valor foi calculado a maior, uma estratégia para mostrar resultados positivos com cortes que serão anunciados no decorrer das próximas semanas. Concordo que pode ser uma estratégia, já que o valor do rombo da Eletrobrás, cujas estimativas variam entre R$ 9 e R$ 40 bilhões não foi contemplado na avaliação. Porém nesta estimativa, já estão incluídas as perdas com o pagamento das dívidas dos Estados, quase que paralisados pela falta de dinheiro em caixa.

O que me causa perplexidade é que a imprensa brasileira é movida por fatos. Após o anúncio, comentaristas ressaltaram que este é o maior rombo das contas do Governo, o dobro do projetado pelo Governo Dilma e coisas assim. Esqueceram de falar que o rombo do ano passado, somado com as “pedaladas” na ordem de R$ 50 bilhões, foi de R$ 115,8 bilhões. Esqueceram que no Orçamento deste ano, os “Restos a Pagar”foi de R$ 41,7 bilhões. Só nesta soma, o total alcançado é de R$ 154,2 bilhões. A conta “Restos a pagar” é o que sobra de contas de um ano para outro, quando já não há mais dinheiro disponível no Orçamento para pagamento. Desde 2015 sabia-se que o Governo Federal não pagava a conta de Organismos Internacionais como a ONU, OEA e outros, que o valor de auxílio-moradia dos funcionários que estão no exterior não estava sendo pago, que algumas embaixadas estavam com o aluguel atrasado e que os pagamentos de obras executadas dentro do PAC estavam sendo feitos com atraso.

O Governo Dilma agiu como uma pessoa que não sabe fazer conta do quanto ganha e gasta o que não tem. Mesmo sabendo que a arrecadação estava caindo e que os pagamentos dos juros (os mais altos do mundo, atrás apenas da Rússia que sofreu sanções internacionais) estavam comprometendo quase que o Orçamento inteiro, continuou a gastar, usou todo o especial, o cartão de crédito e estava pagando só o que não podia ficar sem, as outras contas, estavam sendo empurradas com a barriga, que são os famosos Restos a Pagar. O Orçamento proposto para este ano já era uma peça de ficção. No ano passado, quando viram que não conseguiriam fechar a conta, passaram a obrigação para o Congresso, avisando que haveria um deficit de R$ 60 bilhões. Esta manobra causou a perda do grau de investimento nas Agências de Classificação de Risco internacionais. Depois disso, ele foi refeito e a previsão foi de um superavit de R$ 30 bilhões, que já tinha sido mudado para deficit duas vezes.

A verdade é que o dinheiro disponível para todos os órgãos públicos, dos três Poderes, era suficiente até Agosto. Chegamos ao ponto em que a Justiça Eleitoral avisou que não tinha dinheiro disponível para as eleições deste ano! E é preciso lembrar que todos Ministérios sofreram imensos cortes, como por exemplo, o da Saúde perdeu R$ 2,5 bilhões em tempo de Zika e surto de H1N1, o da Educação, de R$ 1,3 bilhão. O Ministério da Cultura, que está na boca da classe artística, teve um corte de 12,17% para este ano. Com um Orçamento anual de R$ 1,5 bilhão, qual a diferença entre ser Ministério ou Secretaria Especial? O que é importante é que funcione, que os bons projetos, para quem realmente precisa, sejam tocados. Quem pode receber retorno financeiro de bilheteria, como foi o caso do Rock in Rio, não precisa, né?

Este ano está perdido, é temporada de ajuste, de recuperação dos princípios macroeconômicos e de transparência das contas públicas, de lutar pela volta da credibilidade do país no cenário internacional. Já falei várias vezes e repito: É importante contar com investimentos estrangeiros para que a economia volte a crescer a partir de 2017. Se passarmos por este processo, cresceremos com bases sólidas, não como foi o crescimento de 2008 a 2010, impulsionado pelo bomm das commodities, mas dentro do novo cenário econômico global.

A pergunta agora é como aumentar receitas. A sociedade brasileira não suporta mais impostos ou majoração das alíquotas. Em meu post anterior falei sobre a Previdência Social. É fundamental que o Governo explique este rombo, antes de falar em reforma. Eu acredito em privatizações, não em empresas como Petrobras, mas de outras tantas que foram criadas e aparelhadas no Governo PT e que não são estratégicas para a nação.

Nas próximas semanas novas medidas serão anunciadas e saberemos mais sobre os “buracos” deixados por Dilma. Nas revistas desta semana, já se fala sobre as “canetadas” dadas no apagar das luzes, que deixaram verdadeiras “bombas” para o Governo Interino. Saberemos mais sobre como funcionava a “máquina petista” na administração da coisa pública, os cortes que foram feitos desde Dezembro/2015 nos programas sociais e nos programas “vitrine”. Prepare-se para emoções fortes e para eventualmente, ter que pagar o pato. E se tiver que pagar, não culpe o mensageiro! A culpa é de quem andou cavando, sem preocupação nenhuma com a realidade.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Primeiros dias, primeiras impressões


O Governo Temer e a sociedade sabem que os problemas que o país enfrentam são imensos. No terceiro dia de fato, algumas atitudes demonstram que o caminho a ser seguido é o certo.No âmbito da Saúde as declarações e postura do Ministro Ricardo Barros
são muito coerentes com a realidade do país. Com cortes orçamentários sucessivos na pasta, é preciso gastar bem o pouco dinheiro disponível. A reunião que ele teve em São Paulo com médicos para conhecer a opinião deles sobre o SUS foi muito proveitosa. Ele ouviu conselhos e pareceres sobre abordagens e tratamentos que são caros e nem sempre eficazes e ele parece realmente interessado em entender e enfrentar as causas da diminuição constante de leitos e serviços de diagnóstico oferecidos pelo SUS. Não basta apenas ter o médico, é preciso ter medicamentos, exames e leitos. A declaração dele sobre a Saúde Suplementar, que engloba seguros e convênios médicos é acertada: quanto maior for a cobertura de atendimento, em muitos casos determinada pelas agências e processos judiciais, maior será o preço dos serviços e menor será o acesso de pacientes. É preciso lembrar que o Ministério da Saúde só tem dinheiro disponível até Agosto para programas como a Farmácia Popular.

A resposta de José Serra, Ministro das Relações Exteriores aos países que estão propagando a ideia do golpe foi firme e casou um silêncio “na linha”. Os estudos que ele e sua equipe desenvolverão para verificar a necessidade ou não de embaixadas em países da África e do Caribe é acertado. Decisões devem ser tomadas após estudos e não no calor do momento ou por interesses diversos, como por exemplo das empreiteiras que fecharam negócios por lá. O Itamaraty está sem verbas desde o último ano. Em muitas representações além do aluguel dos prédios em atraso, falta o básico e há meses, diplomatas e pessoal administrativo não recebem dinheiro do auxílio-moradia.

A decisão do Ministro das Cidades, Bruno Araújo, em suspender a nova etapa do programa “Minha casa, minha vida”, que operaria em parceria com entidades, aprovada no apagar das luzes do governo Dilma, é acertada. Há um número expressivo de unidades residenciais do programa que estão sendo tomadas pela Caixa por falta de pagamento. Estas unidades, por lei, devem ser destinada aos inscritos no programa. Como algumas prestações são acessíveis, é possível fazer um remanejamento e se for para construir novas unidades, que seja de acordo com uma base real no número de usuários. Obviamente, MTST foi o primeiro a colocar a boca no trombone.

A formação da equipe econômica é ótima. A chegada de Mansueto Almeida como Secretário de Acompanhamento Econômico será extremamente positiva, já que ele éum estudioso das contas públicas. Ele já declarou que a queda na arrecadação de tributos não explica por si só a falta de dinheiro no Tesouro. Em suas análises, ele diz que os impostos no Brasil estão fora do padrão da América Latina e se aproximam, em percentuais, do que é cobrado por países de primeiro mundo. Na opinião dele, a falta de dinheiro é ocasionada pelas despesas do Governo, que continuam crescendo. Dentro deste olhar, a reforma na Previdência tem que ser discutida com a sociedade com muita objetividade e clareza. Algumas mudanças, como o sistema de pontos 95/85 são boas, mas é injusto que quem contribuiu a vida inteira sobre um pouco mais que o mínimo ganhe o mesmo valor do BPC, que é dado aos idosos e aos deficientes físicos, independente de contribuição. Além disso, um BPC da Assistência Social pode ser concedido a um segundo idoso que more na mesma casa. Para a esposa de um trabalhador receber uma aposentaria neste valor, ela deverá , contribuir sobre 5% de um salário mínimo. Dentro deste raciocínio, se for ter direito ao BPC aos 65 anos sem nunca ter contribuído, para que contribuir sobre o mínimo?

A Previdência tem diversas fontes de financiamento e é preciso entender como hoje ela ocupa 50% das despesas do Orçamento, se a União contribui apenas para complementar insuficiências. É preciso lembrar que além das contribuições que as empresas e trabalhadores pagam, há contribuição sobre construção de imóveis, importação, renda com transmissão e jogos de futebol, loterias e outras. O que intriga é que a previdência vem registrando déficits crescentes, quando o país passou por quase 8 anos de expansão imobiliária e de nível de desemprego de quase 5%, além de ter batido recordes de importação. O problema existe e muitas explicações devem ser dadas, antes de se tomar alguma atitude. Outra coisa: A CUT, enquanto entidade sindical não pode se recusar a participar do debate sobre a Refoma da Previdência por fidelidade ao Governo Dilma. Quem a paga para ser representado?

Aos poucos vamos vendo que Temer não é um presidente decorativo e que faz questão de seguir a risca a Constituição. Com a composição de parlamentares para seu Ministério, ele conseguiu costurar uma boa base política no Congresso, para aprovar as medidas que forem necessárias. O que está faltando é a equipe ministerial e o próprio Temer mostrar a real situação do Brasil para a população.Ele particularmente não aprova a majoração ou criação de novos impostos, mas Agosto está chegando, prazo final do dinheiro disponível para as despesas do ano. As coisas vão piorar antes de melhorar, o próprio Henrique Meirelles já afirmou isto, inclusive declarando que o índice de desempregados no país pode chegar até 14% até o final do ano. Mas há luz no final do túnel para 2017.

Além disso, com o endividamento de algumas empresas e a baixa lucratividade de outras, o Brasil hoje é um país barato para os investidores internacionais. É possível que tenhamos um grande aporte de capital estrangeiro interessado nestas “liquidações”. Na minha opinião, isto ocorreria após o encerramento do processo do Impeachment no Senado. Ninguém se arriscará a investir no Brasil com Dilma no comando e enquanto esta possibilidade não for definitivamente descartada, eles não virão.

Outra coisa que chama a atenção, é que o presidente e a equipe estão muito antenados com os anseios da sociedade. Uma mulher foi nomeada para presidir o BNDES e eles querem outra à frente da Secretaria da Cultura. E outro fato positivo são as exonerações dos "companheiros" dos cargos estratégicos.Prepare-se para algumas turbulências, algumas declarações que um ou outro Ministro pode dar e que pode te chocar. Algumas serão resultado da falta de entrosamento de uma equipe que foi formada às pressas. Outras podem ser de cunho pessoal. Temos que vigiar sempre!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O que esperar do Governo Temer


Era o que queríamos? Não. Foi o que era possível? Sim. Há esperanças? Há. As mudanças serão rápidas? Depende.

Hoje Michel Temer tomou posse como Presidente interino do Brasil. A despedida de Dilma foi triste, o semblante de Lula era dramático. Ele expressava claramente, ao olhar Dilma, o assombro com o tamanho de seu erro. Sofrimento desnecessário o dele e o nosso, que para satisfação de sua vaidade e comprovação de seu poder, fez de uma completa desconhecida, sua herdeira e sucessora política. Deu no que deu…

Todas as fichas foram colocadas no cesto de Temer. A intensa articulação política para costurar uma base de apoio trouxe ao governo dois ex-ministros de Dilma e contemplou quase todos os partidos que o apoiaram. Mais do mesmo, desta política que se faz no Brasil do “é dando que se recebe”. Aos que foram às ruas protestar, não é hora de descansar. O preço do combate à corrupção é a eterna vigilância e há muito o que cuidar. São poucos os que estão ali, que assinaram seu termo de posse pensando em fazer o melhor para o Brasil. São poucos os que realmente entendem que não há mais espaço para conchavos e briga por cargos. São poucos que entendem que estamos à beira de um imenso precipício.

De acordo com seu discurso, a lei será cumprida. O que uma comentarista política tratou como “ar vintage”, inclusive pelos termos usados por Temer e a citação de uma frase do General Dutra aludindo à Constituição - “O que o livrinho diz?”- é antigo, é uma cerimônia e um linguajar que estamos desacostumados, mas que é necessário em tempos de resgate. E é preciso lembrar que os maiores resgates serão o da credibilidade e da legitimidade. A opção por usar os dizeres da bandeira brasileira faz uma clara alusão a necessidade de reorganização do Estado para que o Brasil cresça. A tarefa é árdua para um prazo tão curto, mas tem que ter um início.

Em seu discurso, Temer fez alusão ao “Estado Mínimo”, ou seja, o Estado cuida da saúde, educação e segurança, e abre caminho seguro e previsível para a retomada do crescimento econômico, cujo reflexo no nível de desemprego só começará a ser sentido no próximo ano. O último indicador que cresce em economias em recuperação é o do emprego. Ele também garantiu a continuidade dos programas sociais, que serão aperfeiçoados. Acredito que ele sinaliza com um controle maior destes programas e com a imposição de contrapartidas ou de fixação de períodos de recebimento. O que ele afirmou é que, com certeza, haverá um corte grande nos cargos comissionados, ou seja, dos nomeados e apadrinhados.

As mudanças na área econômica serão anunciadas por Henrique Meirelles, que passa a ser um Superministro. Ele comandará o Ministério da Fazenda e da Previdência Social, que como todos já sabem, será objeto de uma reforma. Por enquanto, não haverá abertura de crédito ou baixa nas taxas de juros. O que certamente acontecerá será a desvinculação do salário mínimo para fins previdenciários e incentivo de concessões e de Parcerias Público Privadas. Hoje inclusive ele já assinou uma medida provisória para o Programa de Parceria de Investimentos com linha de crédito do BNDES. Este programa está vinculado ao Projeto Crescer, que tem uma porção de medidas para incentivar o crescimento da economia e a geração de empregos Outra aposta será na privatização de algumas empresas ou desestatização, nada a nível de Petrobrás, mas é preciso lembrar que o Governo PT criou uma série de novas estatais que já consumiram muitos recursos e não deram resultados, como a Hemobrás.

A escolha de José Serra no Ministério das Relações Exteriores é um nome que pode fazer diferença na política externa brasileira. Serra viveu e lecionou em países como o Chile e o EUA, onde completou seu PHD em Ciências Econômicas na Universidade de Cornell além de ter sido professor na Universidade de Princeton. Ele tem  boas conexões e relacionamentos com outros governos. Com as agências de comércio exterior dentro do Itamaraty, ele terá mais rapidez no fechamento de acordos comerciais, e isto é extremamente importante para a indústria e para o agronegócio. Além dele, Ilan Goldfadjan é o novo presidente do Banco Central. Ele foi Economista-Chefe e sócio do Banco Itaú e já trabalhou com Meirelles anteriormente.

Agora precisamos de um governo que funcione sem ideologias, onde agências reguladoras sejam fortes e não optem, por exemplo, em impor limites a banda larga, mas cobrem investimentos em infraestrutura, mesmo com a abertura do mercado, gerando empregos e melhorando a qualidade dos serviços

Para os que criticam a falta de mulheres no atual governo, eu acho que antes não ter do que, na correria, escolher alguém para nos representar porcamente.O que importa agora é experiência e competência para lidar com falta de dinheiro e excesso de expectativas. Tudo o mais pode ser consertado com o tempo, menos o fracasso.

As intenções são boas, alguns ministros escolhidos são muito bons e o momento é crítico. Se ele conseguir tomar as medidas certas, mesmo que demore um pouco mais, caminharemos em terreno seguro. Se conseguirmos conquistar credibilidade e a confiança de investidores, conseguiremos crescer novamente com bases mais sólidas. Até lá, vigiar, trabalhar e colaborar.

terça-feira, 10 de maio de 2016

A Operação Maranhão


A primeira medida do Deputado Waldir Maranhão ao receber a notificação sobre o afastamento de Eduardo Cunha foi ligar para o Deputado José Carlos Aleluia, pedindo orientações. O primeiro ato dele como Presidente da Câmara dos Deputados foi encerrar a sessão que estava em curso e se reunir com os membros da Mesa Diretora para saber o que fazer. A sucessão de Eduardo Cunha sempre provocou arrepios na Oposição pois sabia-se que o vice está sob investigação da Operação Lava Jato. O que ninguém imaginava e na sexta-feira, através de seu site, a revista Veja divulgou não só informações, mas também áudios que comprovavam a atuação dele como um operador, um assessor Fayed Trambousi, considerado uma sucursal de doleiros como Alberto Yousseff, Na sexta-feira já se discutia o que fazer com Waldir Maranhão e como afastá-lo da Presidência da Câmara, já que o regimento não dá brecha para nova eleição. Ainda na sexta-feira, Waldir Maranhão avisava aos companheiros da Mesa Diretora que eles iriam de surpreender com ele.

No domingo a noite ele voltou do Maranhão, no avião da FAB, em companhia do Governador Flávio Dino – PC do B, de quem ele é bem próximo. Ambos se dirigiram à residência do Deputado Sílvio Costa do PT do B. Se você não ligou o nome a pessoa, ele é aquele deputado um pouco acima do peso, que fez as defesas mais “eloquentes” do Governo Dilma na Comissão da Câmara. Na residência do deputado, estava o Ministro da AGU José Eduardo Cardozo. Depois da conversa, foram jantar. Hoje, o primeiro ato de Waldyr Maranhão foi anular três sessões da Câmara, tendo como base um recurso protocolado no dia 25 de Abril por José Eduardo Cardozo. Simples assim. Hoje o dolar bateu em R$ 3,70, a Bolsa chegou a registrar queda de 3,5% e ações como Petrobrás e Vale puxando a baixa. Tudo isso é resultado de mais uma tentativa de avacalhar o processo do Impeachment orquestrada por José Eduardo Cardozo e que não chegaria a lugar nenhum sem conhecimento e anuência de Dilma.

É preciso que isto fique bem claro para todos: José Eduardo Cardozo não iria à esquina com um projeto desses sem conhecimento e aprovação por parte de Dilma, que é a beneficiária direta da nulidade do processo. Isto sim é golpe e como já falei em meu post anterior, não faltam crimes cometidos por Dilma Rousseff e sua equipe desde a aceitação do processo de Impeachment por Eduardo Cunha. Aliás, para tornar a coisa ainda melodramática, Cunha foi responsabilizado pela manobra.

Tudo isto que aconteceu precisa e deve ser investigado pela polícia. É no mínimo, uma invasão de competência de um Poder em outro. Precisamos saber o que fez Waldir Maranhão tomar esta decisão, que passou bem longe do fator convicção. Aliás, nem ele é capaz de explicar o que e por que fez, tendo optado por um brevíssimo pronunciamento, decorado às pressas, onde não foi permitido que os repórteres fizessem perguntas. E esse deputado tem que ser cassado e preso. Não se brinca com o destino de milhões de pessoas dessa forma.

A insensibilidade que o Governo Dilma e sua base aliada demonstram pelo sofrimento que os brasileiros estão passando, principalmente os 11 milhões de pessoas que perderam seus empregos é assombrosa. A incapacidade para respeitar a lei, os regimentos e a base do Estado é nauseante. Eles sabem que mais delações virão por aí e a cada semana vão surgindo fatos que comprovam ser impossível para Dilma não saber o que acontecia nos meandros da Administração. Hoje, seu ex-ministro da Fazenda e ex-membro do Conselho da Petrobrás Guido Mantega foi levado coercitivamente à Polícia Federal, para prestar depoimento no âmbito da Operação Zelotes e o surgimento dos mesmos nomes nas Operações Lava Jato, Acrônimo e Zelotes não são coincidência. Em uma delas, senão na três, Dilma será responsabilizada por ação ou omissão e isto é fato.

Os reflexos dos acontecimentos de hoje no Brasil estão na imprensa mundial e custam caro ao país. Cada vez mais a situação do Brasil frente a potenciais investidores estrangeiros vai se esfacelando. Acredita-se que o país até o final do ano não honrará seus compromissos e isto afugenta capital. O único dinheiro que entra no país é atrás dos estratosféricos 14,25% de juros que são pagos nas aplicações. Boa parte deste dinheiro é fruto de especulação, é um dinheiro que não fica no país. As maiores empresas nacionais estão endividadas e os bancos oficiais estão com problemas sérios. As medidas de Dilma na semana passada, como aumento no valor do benefício pago ao Bolsa-Família e correção na Tabela do Imposto de Renda, já tiram bilhões do Orçamento. Além do deficit oficial previsto para este ano, acredita-se que tem R$ 250 bilhões em “esqueletos” (dívidas que aparecerão no final do exercício constituída por despesas discricionárias) escondidos. Este Governo não consegue sequer ajudar o país, sendo que para isto é preciso apenas que eles não façam mais nada.

Para abreviar o sofrimento, só com a mudança de governo e depois da Operação Maranhão, ou "Tabajara" assim batizada pelo Ministro do STF Gilmar Mendes, é imperativo que o afastamento de Dilma se consolide, pois a partir de amanhã ela já não terá também condições morais para governar.

Atualização: Às 00:20 Waldir cancelou seu ato.

Leia a transcrição dos áudios das "conversas" de Waldir Maranhão publicada pela Revista Veja:
Transcrição dos áudios