Quem sou eu

Minha foto

Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O que esperar da economia e da política nestas semanas


Até Domingo

Começaram hoje os debates na Câmara dos Deputados. A acusação e a defesa já foram ouvidas e deputados contra e a favor do Impeachment defenderão seu ponto de vista até domingo. Será um longo e cansativo debate, já que as discussões devem se ater a dois pontos: as “pedaladas fiscais” e os decretos assinados autorizando aumento de despesa sem prévia aprovação dos deputados. No domingo, o processo de Impeachment será aprovado por uma boa margem. Não chegará aos 400 votos, como alguns deputados afirmam, mas vai superar os 342 necessários. Depois disso, será encaminhado ao Senado Federal, que é onde de fato o julgamento acontecerá. Acatado o pedido, a presidente será afastada por até 180 dias. Por enquanto, a oposição já tem os votos necessários para condenar a Presidente pelos crimes de responsabilidade.

Os grupos que são contrário ao Impeachment já começaram a fazer seus atos de protesto. Já está comprovado que não há divisão no país, a maioria quer a saída de Dilma e acredita que ela não tem condições de governar. A minoria e arrisco dizer que ela represente 15% do eleitorado é ruidosa, mas não é ela que está presente nas ruas, são os ditos “movimentos sociais”, entre eles MST, os manifestantes importados da Bolívia e Venezuela e a companheirada de sempre, muitos deles pagos com dinheiro público, direta ou indiretamente. Os demais, intelectuais, artistas e apoiadores históricos do partido não perceberam ainda que apoiar o governo é dar as costas para a maioria da população e endossar outras práticas nada republicanas. Uma coisa é certa: o número de apoiadores de Dilma diminuirá drasticamente ao longo das próximas semanas.

Depois de Domingo

Espera-se que até 11/05 o processo tenha terminado com a condenação da presidente. Os próximos dez dias serão tensos. As delações de Léo Pinheiro e de Marcelo Odebrecht já começaram. As duas colocarão Lula em uma posição delicadíssima e sem foro especial. Os depoimentos de Marcelo Odebrecht podem ser fatais para Dilma. Com certeza, “vazamentos” ocorrerão e para aqueles que ficaram surpresos diante das revelações que a Andrade Gutierrez fez sobre a compra de pesquisas eleitorais e de doações legais e ao Caixa 2 das campanhas de Dilma de 2010 e 2014 como forma de pagamento de propina, cairá por terra, com as novas delações, a teoria de que o mandato de Dilma foi legítimo. Se ela de alguma forma escapar do Impeachment, cairá no TSE ou será denunciada por Janot, não por um, mas por diversos crimes.

Economia e posse de Michel Temer

O mercado de ações e o dolar só terão estabilidade depois que Michel Temer assumir. Há disposição por parte dele e de “notáveis” em fazer um governo de transição que tire o país desta situação terrível que estamos. As reformas serão administrativas, políticas e econômicas. Este ano já está comprometido e os esforços que serão feitos a partir de agora terão por objetivo os anos de 2017 e 2018.

Espera-se diminuição dos gastos públicos e uma política de austeridade fiscal. Acredito que a inflação comece a ceder lentamente, não pelos efeitos de qualquer manobra, mas porque não há mais dinheiro na mão de ninguém. O desemprego atinge quase 10% da população, os salários perderam parte de seu poder de compra corroídos pela inflação e o endividamento do brasileiro ainda é alto, calcula-se que 59,6% dos brasileiros estão com suas rendas comprometidas. O mais importante é que a mudança na chefia e composição do governo trarão maior confiança ao mercado, mais pela transparência e políticas de longo prazo do que pelos efeitos que medidas aleatórias de curto poderiam trazer. Por tudo o que foi dito até aqui, haverá diminuição de ministérios e corte nos cargos comissionados. Pode não ser a solução, mas é uma medida de bom senso, simpática à população em geral. Neste meio tempo, eu particularmente não descarto um pacote do FMI, uma vez que o cofre está vazio, a arrecadação caiu e não há clima para criação ou majoração de impostos.

Não espere que na segunda as coisas comecem a melhorar. O buraco que o Governo Dilma cavou é profundo, a disposição para continuar cavando é imensa. Com certeza, o STF será chamado a intervir, mesmo com o julgamento do Impeachment sendo presidido por Ricardo Lewandowski, Presidente do Supremo. A situação econômica no Brasil é grave, grandes empresas estão endividadas em dolar e demissões continuarão a ocorrer até o segundo semestre. Ainda não sabemos como de fato está o setor bancário, porque a inadimplência começou a disparar. Primeiro é preciso colocar o país para funcionar e a estabilização econômica será lenta, pois depende da diminuição das incertezas e de terreno firme para caminhar. O aumento da oferta de emprego é praticamente a última etapa do processo de recuperação.

Até lá, é preciso ter confiança e esperança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário: