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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Há um oceano de diferenças entre educar e doutrinar.


O Brasil é um país de dimensões continentais. Cronicamente atrasado também, inserido perfeitamente dentro do pensamento dominante na América Latina. O continente latino-americano é um oásis do atraso, um porto seguro de ideias e políticas que a realidade já demonstrou não uma, mas várias vezes, que são ineficazes e perigosas a longo prazo. Mas elas não morrem e não são recicladas; quem as exibe e as divulga geralmente é visto como de “vanguarda”, de “esquerda”. No Brasil, em tempos de desmonte da máquina petista, vimos claramente que temos “eles” de um lado e de outro o resto da população, os “fascistas” de “direita”,

Esta semana a Assembleia Legislativa de Alagoas aprovou uma lei que proíbe que o professor doutrine os alunos na sala de aula. Esta mesma lei tinha sido vetada pelo Governador Renan Filho no ano passado. Boa parte da imprensa brasileira reagiu com horror à lei, tratada como mordaça, retrocesso, um absurdo, uma lei “fascista”. Eu sou contra a lei por um único motivo: Não há crime de opinião e sou contra qualquer dispositivo que limite as liberdades individuais, como está previsto na nossa Constituição e como muitos quiseram cercear.

Tendo dito isto, vamos aos fatos. A doutrinação por parte dos professores, com objetivo de construir um pensamento de “esquerda” é um fato real no Brasil. E esta atitude começa com as reclamações sobre salário, passam por situações ilustrativas e terminam com uma versão dos fatos, para fundamentar os argumentos, baseadas em grandes distorções de fatos históricos.

Eu passei por isso, meus filhos também e posso provar. Meu filho mais novo, quando chegou na antiga sétima série, teve como livro didático de História, distribuído gratuitamente pelo MEC ,“A História da Reforma Agrária”. Foi o ano da eleição de Lula para o primeiro mandato. Como mãe, fiquei indignada, estavam roubando conhecimentos de meu filho em nome de ideologias. Fui à escola de meu filho para perguntar o que era aquilo. Conversei com a Coordenadora, com a Diretora e com a Professora, que candidamente me disse que aquele livro seria utilizado para consultas, que o livro que seria utilizado para as aulas, com os temas relevantes como feudalismo e etc, seria o mesmo do ano passado. Perguntei por que ele não tinha o livro e ela me disse que sentariam dois alunos por carteira para estudar. Todas me perguntaram quem eu era, se eu era professora. Eu respondi que era mãe, que conhecia o mercado de trabalho e que sabia o que ele precisaria durante a vida.

Recentemente, em um curso particular que fiz tiveram dois acontecimentos e que espero que sirva mais para os professores do que para mim. Em uma aula sobre Direito Constitucional, veio a insinuação do “golpe”. Eu argumentei, frente a uma sala onde pelo menos 72 alunos aguardavam o desenrolar da aula que o Impeachment estava previsto na Constituição. Não houve argumentos contrários, só um “é”, bem constrangido. Em outra aula, o professor citou a eterna “Guerra do Paraguai” como exemplo de uma carnificina que ocorreu para atender os interesses econômicos da Inglaterra. Eu disse a ele que o Paraguai invadiu o Brasil, tanto no Sul como no Mato Grosso e ele disse que isto nunca aconteceu. Eu respondi que ele deveria fazer uma pesquisa, que conhecia o livro que ele citava e que houve excessos sim, por parte do Brasil, mas que nem tudo que aquele livro afirmava condizia com a realidade dos fatos históricos. Qualquer um que saiu da sala e entrou no Google percebeu que a versão dele ai era furada ou que no mínimo, ele estava mal informado.

O professor é antes de tudo um profissional e tem que agir como tal na sala de aula. É uma das poucas categorias que rejeitam o mérito pessoal para fins de promoção ou de pagamento. O merecimento individual cai diante do pensamento dominante que as conquistas são coletivas. Há exceções, é claro e são muitos os que fazem seu trabalho de tal forma, que muitos de nós, na idade adulta, acaba por se lembrar deles em várias situações. Eu tenho alguns dentro de mim, que são conhecidos por meus filhos, meus pais, por quem convive comigo.

Educar é preparar para a vida, é ser um instrumento de transformação de uma pessoa em indivíduo, capaz de pensar, formular conceitos, analisar problemas e buscar soluções. Doutrinar politicamente é um ato de demérito diante da grandeza do ofício, é apequenar-se. É se aproveitar da ingenuidade e do desconhecimento do aluno para impor sua visão política, que é pessoal. Educar é um ato de grandeza, é sua oportunidade de deixar sua marca. Doutrinar sobre falsos dogmas, tendo como base fundamentos que não resistem a uma análise ou uma pesquisa mais aprofundada é vergonhoso. E não adianta, depois que um professor perde o respeito diante dos alunos, ai não tem como recuperar.

Deixar de transferir conhecimentos reais em detrimento de ideologias é roubar oportunidades futuras de seus alunos, tanto no campo profissional como pessoal. Quando algum professor faz isto, esquece completamente que nem a Esquerda é a mesma. A França tem um governo de Esquerda não tem traços remotos com seus pares no Brasil. Ignora que até sua ideologia precisa ser reciclada porque os desafios são outros, as perguntas são diferentes. Quem faz isto se arrisca além de tudo a ser confrontado com fatos criminosos provados nos últimos anos no Brasil e ter inclusive sua dignidade pessoal questionada. Afinal, “diga-me com quem tu andas ...”

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