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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Há um oceano de diferenças entre educar e doutrinar.


O Brasil é um país de dimensões continentais. Cronicamente atrasado também, inserido perfeitamente dentro do pensamento dominante na América Latina. O continente latino-americano é um oásis do atraso, um porto seguro de ideias e políticas que a realidade já demonstrou não uma, mas várias vezes, que são ineficazes e perigosas a longo prazo. Mas elas não morrem e não são recicladas; quem as exibe e as divulga geralmente é visto como de “vanguarda”, de “esquerda”. No Brasil, em tempos de desmonte da máquina petista, vimos claramente que temos “eles” de um lado e de outro o resto da população, os “fascistas” de “direita”,

Esta semana a Assembleia Legislativa de Alagoas aprovou uma lei que proíbe que o professor doutrine os alunos na sala de aula. Esta mesma lei tinha sido vetada pelo Governador Renan Filho no ano passado. Boa parte da imprensa brasileira reagiu com horror à lei, tratada como mordaça, retrocesso, um absurdo, uma lei “fascista”. Eu sou contra a lei por um único motivo: Não há crime de opinião e sou contra qualquer dispositivo que limite as liberdades individuais, como está previsto na nossa Constituição e como muitos quiseram cercear.

Tendo dito isto, vamos aos fatos. A doutrinação por parte dos professores, com objetivo de construir um pensamento de “esquerda” é um fato real no Brasil. E esta atitude começa com as reclamações sobre salário, passam por situações ilustrativas e terminam com uma versão dos fatos, para fundamentar os argumentos, baseadas em grandes distorções de fatos históricos.

Eu passei por isso, meus filhos também e posso provar. Meu filho mais novo, quando chegou na antiga sétima série, teve como livro didático de História, distribuído gratuitamente pelo MEC ,“A História da Reforma Agrária”. Foi o ano da eleição de Lula para o primeiro mandato. Como mãe, fiquei indignada, estavam roubando conhecimentos de meu filho em nome de ideologias. Fui à escola de meu filho para perguntar o que era aquilo. Conversei com a Coordenadora, com a Diretora e com a Professora, que candidamente me disse que aquele livro seria utilizado para consultas, que o livro que seria utilizado para as aulas, com os temas relevantes como feudalismo e etc, seria o mesmo do ano passado. Perguntei por que ele não tinha o livro e ela me disse que sentariam dois alunos por carteira para estudar. Todas me perguntaram quem eu era, se eu era professora. Eu respondi que era mãe, que conhecia o mercado de trabalho e que sabia o que ele precisaria durante a vida.

Recentemente, em um curso particular que fiz tiveram dois acontecimentos e que espero que sirva mais para os professores do que para mim. Em uma aula sobre Direito Constitucional, veio a insinuação do “golpe”. Eu argumentei, frente a uma sala onde pelo menos 72 alunos aguardavam o desenrolar da aula que o Impeachment estava previsto na Constituição. Não houve argumentos contrários, só um “é”, bem constrangido. Em outra aula, o professor citou a eterna “Guerra do Paraguai” como exemplo de uma carnificina que ocorreu para atender os interesses econômicos da Inglaterra. Eu disse a ele que o Paraguai invadiu o Brasil, tanto no Sul como no Mato Grosso e ele disse que isto nunca aconteceu. Eu respondi que ele deveria fazer uma pesquisa, que conhecia o livro que ele citava e que houve excessos sim, por parte do Brasil, mas que nem tudo que aquele livro afirmava condizia com a realidade dos fatos históricos. Qualquer um que saiu da sala e entrou no Google percebeu que a versão dele ai era furada ou que no mínimo, ele estava mal informado.

O professor é antes de tudo um profissional e tem que agir como tal na sala de aula. É uma das poucas categorias que rejeitam o mérito pessoal para fins de promoção ou de pagamento. O merecimento individual cai diante do pensamento dominante que as conquistas são coletivas. Há exceções, é claro e são muitos os que fazem seu trabalho de tal forma, que muitos de nós, na idade adulta, acaba por se lembrar deles em várias situações. Eu tenho alguns dentro de mim, que são conhecidos por meus filhos, meus pais, por quem convive comigo.

Educar é preparar para a vida, é ser um instrumento de transformação de uma pessoa em indivíduo, capaz de pensar, formular conceitos, analisar problemas e buscar soluções. Doutrinar politicamente é um ato de demérito diante da grandeza do ofício, é apequenar-se. É se aproveitar da ingenuidade e do desconhecimento do aluno para impor sua visão política, que é pessoal. Educar é um ato de grandeza, é sua oportunidade de deixar sua marca. Doutrinar sobre falsos dogmas, tendo como base fundamentos que não resistem a uma análise ou uma pesquisa mais aprofundada é vergonhoso. E não adianta, depois que um professor perde o respeito diante dos alunos, ai não tem como recuperar.

Deixar de transferir conhecimentos reais em detrimento de ideologias é roubar oportunidades futuras de seus alunos, tanto no campo profissional como pessoal. Quando algum professor faz isto, esquece completamente que nem a Esquerda é a mesma. A França tem um governo de Esquerda não tem traços remotos com seus pares no Brasil. Ignora que até sua ideologia precisa ser reciclada porque os desafios são outros, as perguntas são diferentes. Quem faz isto se arrisca além de tudo a ser confrontado com fatos criminosos provados nos últimos anos no Brasil e ter inclusive sua dignidade pessoal questionada. Afinal, “diga-me com quem tu andas ...”

domingo, 24 de abril de 2016

Muito além da banda larga


A imposição de limite para a banda larga despertou discussões acaloradas nas duas últimas semanas. O pronunciamento do Diretor da Anatel deixou um cheiro de “Caoa” no ar, já que vários questionamentos foram levantados como por exemplo o papel das agências reguladoras, que loteadas e dadas como mercadoria de troca em busca de apoio político, dão evidentes sinais de deterioração. Em que país do mundo opta-se por impor limites à internet, contrariando inclusive o Marco Civil, antes de cobrar desenvolvimento e ampliação de investimentos em infraestrutura? Se há demanda e as empresas não conseguem cumprir as metas, por que não abrir o mercado para outras companhias? Não foi este o passo dado na área de telecomunicações, que tirou o monopólio do Estado? Se hoje cada brasileiro tem mais de um aparelho de celular, foi graças à abertura feita no Governo Fernando Henrique Cardoso. Para quem não se lembra, uma linha de telefone custava um absurdo. Era tão caro que era comum dar-se um telefone como parte de um negócio, como por exemplo, na compra de imóvel.
Para mim, o que pesou na decisão das operadoras foi também o fator Netflix e o crescimento da oferta de serviços por streaming. Algumas das empresas solicitantes exploram o setor de televisão por assinatura. Uma delas chega a triplicar o preço de aquisição da banda larga se o cliente optar por assinar apenas este serviço, em detrimento do combo. A diferença é cobrada na “taxa de instalação” e desde o ano passado as assinaturas vendidas já vem com franquia. Os pacotes de canais oferecidos são ruins e caros, havendo uma diferença de cerca de 30% nos valores cobrados por estas operadoras quando comparados com outros comercializados por outras empresas. Enquanto isso, a Netflix vem surpreendendo inclusive a indústria de entretenimento, com séries como “House of Cards”, “Narcos” entre outras, que levaram atores, diretores e grandes roteiristas a apostarem no seguimento.

Mas as aberrações não ficam no ramo das comunicações. A “herança maldita” vai além. A indústria brasileira, que vem sofrendo um processo rápido de “desertificação”, em parte vêm assinando sua sentença de morte há anos. Os produtos brasileiros são caros e a qualidade de muitos deixa a desejar, isto não é novidade. O que vêm acontecendo também, em parte devido ao aumento de preços gerados pela alta da eletricidade, do combustível e do dólar e em parte pelas opções feitas por um empresariado que não respeita seu consumidor, é a diminuição da qualidade e da quantidade de alguns produtos.

Os biscoitos, muito antes do dólar bater em R$ 4,00 e terem sua produção afetada pelo preço do trigo, já tinham diminuído de peso. Um pacote de bolachas que antes pesava 200 gramas, agora pesa 147 gr, ou seja, uma diminuição de mais de  50 gramas. O requeijão, cujo peso variava entre 200 e 220 gr, agora varia entre 200 e 196 gr. Há caixas de sabão em pó com 900 gramas e o detergente aparentemente está mais diluído. No caso específico deste produto, algumas empresas alegam que a adição do tensoativo biodegradável causa este efeito. Se for este o caso, espero que este ano não vejamos mais algumas cidades serem engolidas por nuvens de espuma. De qualquer forma, se levarmos em consideração a diminuição de quantidades, o preço de muitos itens subiram muito mais que os índices oficiais demonstram.

O desgoverno que atinge o Brasil trouxe de volta uma inflação que não cede, nem diante da queda do dólar, que vem se acentuando no último mês. Pior que a inflação é a mentalidade inflacionária. Para deter esta última ameaça, é preciso tomar medidas estridentes, que podem levar indústrias a um perigoso patamar. Por enquanto, medidas como a abertura de importações estão fora da mesa. O valor do dólar torna este remédio ineficiente. A falta de critério na formação de preços será debelada por uma queda ainda mais acentuada no consumo, alimentada sobretudo pelo desemprego e também pela diminuição do real poder aquisitivo dos salários. Quando a situação chega neste ponto, opções tem que ser feitas.

Interessante é que até agora ninguém pôs a boca no trombone sobre estas “maquiagens”. Isto que está acontecendo é inaceitável e perigoso para a sobrevivência destas empresas. Há anos afirma-se o Custo Brasil está atrelado às leis trabalhistas, questões de logística e carga tributária. Ninguém fala da falta de critério dos empresários na formação de preços, na falta de investimentos e de desenvolvimento de processos para tornar esta indústria mais eficiente, diminuir custos de produção e evitar desperdícios. Se hoje, como aconteceu com a “linha branca de eletrodomésticos”, o Governo retirasse parte dos impostos que incidem sobre a produção, a vantagem para o consumidor final seria mínima. Eis uma das razões principais do fracasso das políticas de desoneração e do conteúdo nacional adotada por Dilma. Mentalidade não se muda com leis.

A indústria nacional vai continuar a regredir, infelizmente. Se agora, que muitos compram sem critério, a situação é esta, imagina quando chegar por estas terras, as iniciativas para o consumo consciente. Tanto na Europa quanto os Estados Unidos as medidas contra o desperdício são importantes aliadas na preservação do meio ambiente e no fortalecimento das economias locais. Compra-se exatamente aquilo que será consumido, privilegia-se a indústria e a produção periférica, que gera empregos e renda localmente, opta-se por comprar a granel, evitando grandes embalagens. Além destas iniciativas, governos vêm criando leis contra a obsolecência programada, que é a duração de produtos. A França está na vanguarda destas leis. Medidas como estas impactam diretamente na produção, na geração de lixo, principalmente o eletrônico e no desmatamento para agricultura e pecuária.

Os tempos são outros e os desafios também. Não há mais espaço para medidas como estas que os empresários brasileiros estão tomando, que além de tudo são muito antipáticas. Fosse em outros países, empresas que tomaram medidas como estas já teriam entrado para uma “lista negra” e veriam alguns protestos bem constrangedores em suas portas. Explicações teriam que ser dadas, que justificassem a prática. Ao que parece, por aqui, as coisas só voltam ao normal quando o Ministério Público entra em ação. Coincidência ou não, um dia depois do MPF pedir um estudo que comprovasse a necessidade de franquia na internet, o projeto foi suspenso por tempo indeterminado na Anatel.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Algumas considerações são necessárias


Terminou agora a pouco a sessão da Câmara dos Deputados que decidiu por dar andamento ao processo de Impeachment. Como eu disse no meu post anterior, o placar não foi tão elástico como alguns deputados da oposição previam. Por 367 votos a favor, foi aprovada a abertura do processo. As traições foram grandes e as abstenções foram vergonhosas. Ninguém pode se omitir em uma hora dessas, é sinal de fraqueza e ninguém pode ignorar que o final da História de Dilma Rousseff será sombrio. Uma coisa é ser blindada por partidos políticos em busca de governabilidade, outra são as evidências crescentes de pelo menos 7 crimes diferentes cometidos pela Presidente, como por exemplo, obstrução à justiça.

Mas mesmo assim, algumas considerações sobre a votação e discursos proferidos na Câmara são necessárias:

1. Os partidos de esquerda, principalmente o PC do B e o PT afirmam que o projeto político em curso é em defesa daqueles que tombaram pela democracia. Mentira. Nenhum dos que pegaram em armas na época da Ditadura tinham um projeto democrático. A ideia era substituir a Ditadura militar pela Ditadura do proletariado, como já foi dito por inúmeros ex-participantes dos movimentos. Não havia plano de governo, o plano era chegar lá e depois decidir.

2. Os que tombaram nesta luta não tinham como plano assaltar as estruturas do Estado, tomando para si o que pertencia ao povo, como aconteceu agora. Pelo contrário, a ideia era distribuir riquezas de forma igualitária. Se algum deles tivesse conseguido sobreviver, eles se envergonhariam do que aconteceu no Brasil. Todos eles acreditavam na educação. Há reportagens de Luís Carlos Prestes, que alfabetizou soldados no quartel dizendo que a superação dos problemas estruturais do país se daria pela educação de qualidade e não pelo consumo.

3. É uma vergonha para qualquer um invocar 1964. Os que estão no poder são indignos dos ideais daquela geração. Os que apoiam o Coronel Ustra, aplaudem um assassino.

4. Invocar os ideais e os que tombaram nesta luta é vergonhoso. O lugar e o sacrifício deles já está reconhecido na História. Muita água passou por baixo desta ponte e sofremos as consequências políticas e econômicas das atitudes daqueles que se recusam a aceitar que os tempos são outros e que as perguntas são diferentes. Além disso, quando Dilma adota a política econômica de Geisel, dá para perceber que o que os unia era maior do que os separava. As mortes, as prisões e as torturas foram desnecessárias. E o maior sofrimento é o das famílias dos que se foram e que sequer tiveram um corpo para enterrar.

5. Dilma não tem condições políticas e morais de governar uma quitanda, que dirá um país. Ela é incapaz de aprender com os sofrimentos e constrangimentos que passou. Depois de enganar um país, de tirar conquistas como o seguro-desemprego, de praticar o maior estelionato eleitoral da História do Brasil, na sexta-feira ela repete as mesmas mentiras contra Temer e com a imprensa internacional, a ponto de ser apoiada pela OEA, que por sua vez deveria ter perguntado a alguns países membros quem gostaria de tê-la como presidente, antes de se posicionar. Afinal, poucas pessoas no mundo secariam o Tesouro Nacional da forma e com a rapidez que ela fez.

6. Não há divisão entre Norte e Sul, entre brancos e negros, entre ricos e pobres. Há uma minoria que luta para continuar sendo financiada com dinheiro público. Qual a relevância do MST? Aliás, como pode existir Sem Terra em um país em que incompetentes distribuíram 570 mil lotes de terra para quem não precisava? Se levarmos em consideração que este número corresponde a 30% dos lotes distribuídos e que a carência é de 300.000 lotes, tem terra sobrando. Aliás, se escolhe onde se quer lote ou é onde há disponibilidade?

Depois da votação, teremos pelo menos três dias de calmaria na Câmara dos Deputados. A pressão agora é no Senado. A vitória lá não será também por um placar elástico, será por poucos votos além do necessário e esta maioria terá que ser conquistada duas vezes. Se Dilma tivesse noção do significado de Estado, renunciaria agora, como Collor fez. Se ela se importasse com o país, com a economia, com as contas públicas, com a saúde, com a condição precária das finanças dos estados, ela renunciaria. Não há mais o que fazer por ela, a não ser arrastar este processo no STF. O Brasil não pode esperar, as pessoas que perderam empregos e renda não podem esperar.


Boa noite a todos e uma ótima semana! Infelizmente, teremos emoções fortes. Gim Argello resolveu delatar. Para os que apostava que ele ia começar a fazer a delação no avião da Polícia Federal, até que demorou. Mas a Lava Jato começa cedo e não podemos nos esquecer que as delações de Marcelo Odebrecht, de Léo Pinheiro e da esposa do marqueteiro estão em curso. Como eu disse, melhor seria para Dilma renunciar.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O que esperar da economia e da política nestas semanas


Até Domingo

Começaram hoje os debates na Câmara dos Deputados. A acusação e a defesa já foram ouvidas e deputados contra e a favor do Impeachment defenderão seu ponto de vista até domingo. Será um longo e cansativo debate, já que as discussões devem se ater a dois pontos: as “pedaladas fiscais” e os decretos assinados autorizando aumento de despesa sem prévia aprovação dos deputados. No domingo, o processo de Impeachment será aprovado por uma boa margem. Não chegará aos 400 votos, como alguns deputados afirmam, mas vai superar os 342 necessários. Depois disso, será encaminhado ao Senado Federal, que é onde de fato o julgamento acontecerá. Acatado o pedido, a presidente será afastada por até 180 dias. Por enquanto, a oposição já tem os votos necessários para condenar a Presidente pelos crimes de responsabilidade.

Os grupos que são contrário ao Impeachment já começaram a fazer seus atos de protesto. Já está comprovado que não há divisão no país, a maioria quer a saída de Dilma e acredita que ela não tem condições de governar. A minoria e arrisco dizer que ela represente 15% do eleitorado é ruidosa, mas não é ela que está presente nas ruas, são os ditos “movimentos sociais”, entre eles MST, os manifestantes importados da Bolívia e Venezuela e a companheirada de sempre, muitos deles pagos com dinheiro público, direta ou indiretamente. Os demais, intelectuais, artistas e apoiadores históricos do partido não perceberam ainda que apoiar o governo é dar as costas para a maioria da população e endossar outras práticas nada republicanas. Uma coisa é certa: o número de apoiadores de Dilma diminuirá drasticamente ao longo das próximas semanas.

Depois de Domingo

Espera-se que até 11/05 o processo tenha terminado com a condenação da presidente. Os próximos dez dias serão tensos. As delações de Léo Pinheiro e de Marcelo Odebrecht já começaram. As duas colocarão Lula em uma posição delicadíssima e sem foro especial. Os depoimentos de Marcelo Odebrecht podem ser fatais para Dilma. Com certeza, “vazamentos” ocorrerão e para aqueles que ficaram surpresos diante das revelações que a Andrade Gutierrez fez sobre a compra de pesquisas eleitorais e de doações legais e ao Caixa 2 das campanhas de Dilma de 2010 e 2014 como forma de pagamento de propina, cairá por terra, com as novas delações, a teoria de que o mandato de Dilma foi legítimo. Se ela de alguma forma escapar do Impeachment, cairá no TSE ou será denunciada por Janot, não por um, mas por diversos crimes.

Economia e posse de Michel Temer

O mercado de ações e o dolar só terão estabilidade depois que Michel Temer assumir. Há disposição por parte dele e de “notáveis” em fazer um governo de transição que tire o país desta situação terrível que estamos. As reformas serão administrativas, políticas e econômicas. Este ano já está comprometido e os esforços que serão feitos a partir de agora terão por objetivo os anos de 2017 e 2018.

Espera-se diminuição dos gastos públicos e uma política de austeridade fiscal. Acredito que a inflação comece a ceder lentamente, não pelos efeitos de qualquer manobra, mas porque não há mais dinheiro na mão de ninguém. O desemprego atinge quase 10% da população, os salários perderam parte de seu poder de compra corroídos pela inflação e o endividamento do brasileiro ainda é alto, calcula-se que 59,6% dos brasileiros estão com suas rendas comprometidas. O mais importante é que a mudança na chefia e composição do governo trarão maior confiança ao mercado, mais pela transparência e políticas de longo prazo do que pelos efeitos que medidas aleatórias de curto poderiam trazer. Por tudo o que foi dito até aqui, haverá diminuição de ministérios e corte nos cargos comissionados. Pode não ser a solução, mas é uma medida de bom senso, simpática à população em geral. Neste meio tempo, eu particularmente não descarto um pacote do FMI, uma vez que o cofre está vazio, a arrecadação caiu e não há clima para criação ou majoração de impostos.

Não espere que na segunda as coisas comecem a melhorar. O buraco que o Governo Dilma cavou é profundo, a disposição para continuar cavando é imensa. Com certeza, o STF será chamado a intervir, mesmo com o julgamento do Impeachment sendo presidido por Ricardo Lewandowski, Presidente do Supremo. A situação econômica no Brasil é grave, grandes empresas estão endividadas em dolar e demissões continuarão a ocorrer até o segundo semestre. Ainda não sabemos como de fato está o setor bancário, porque a inadimplência começou a disparar. Primeiro é preciso colocar o país para funcionar e a estabilização econômica será lenta, pois depende da diminuição das incertezas e de terreno firme para caminhar. O aumento da oferta de emprego é praticamente a última etapa do processo de recuperação.

Até lá, é preciso ter confiança e esperança.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Novas eleições: os interessados


As eleições de 2014 vão ressoar durante muito tempo na história brasileira. Ela foi um divisor de águas na arena política e muitas avaliações e apostas que são feitas sobre os resultados do pleito cairão por terra com o passar dos tempos. É, porém, indiscutível que ela foi extremamente didática. Nunca mais o sistema político será o mesmo e muitos fundamentos como o papel das instituições, o presidencialismo de coalizão, a passividade e percepção do eleitor, a representação partidária serão objetos de longos estudos para que possamos entender o que começou em 2013. E as fraturas que o processo causou na sociedade levarão muito tempo para serem superadas.

O país está passando por um intenso e doloroso processo de mutação. A estagnação econômica que enfrentamos, os erros na condução econômica e administrativa do Governo, a incapacidade em dar soluções e indicar o caminho para a superação, as mentiras, os rombos bilionários, os grampos que trouxeram à luz do dia as personalidades que se escondem atrás de personagens, são na verdade, elementos de depuração de um eleitorado que será muito mais exigente e pouco leniente com as demoras e mazelas dos políticos brasileiros. As trocas por cargos, a política do toma-lá-dá-cá exauriu-se e levou junto a paciência do eleitor.

Porém é preciso tempo. É preciso que os que têm foro privilegiado sejam julgados. É preciso que aqueles que foram acusados em delações e depoimentos sejam investigados a fundo. É preciso que a Operação Lava-jato avance para sabermos realmente com quem estamos lidando. Dentro deste ambiente, é inegável que o processo de Impeachment de Dilma tem que terminar o mais rápido possível e que ela tem que ser afastada. Para os que ainda tem dúvidas sobre os crimes de responsabilidade, agora há provas fartas de crimes de obstrução de justiça, desobediência, desvio de finalidade e outros. Ela não tem mais condição nenhuma em exercer o cargo e isto é ponto pacífico. Uma vez afastada, o Governo será assumido por Temer. Pode não ser o que você queria, mas é a melhor solução para esta crise monstruosa que estamos enfrentando.

Os que querem novas eleições agora são os oportunistas, os que sabem que depois que o tempo passar, um novo perfil de eleitor emergirá desta confusão, com necessidades e interesses menos difusos e que procurará um candidato ou uma candidata que faça por merecer a confiança dele. Os que querem eleições agora são os que tem o pleito em 2018, onde muitos mitos cairão por terra. Os que querem novas eleições agora são os que se beneficiam da colcha de retalhos partidária que o Brasil tem, onde muitos partidos são criados para se beneficiar do Fundo Partidário e que negociam minutos no programa eleitoral em troca de cargos. Os que querem eleições agora são aqueles que querem se proteger da Lava-Jato e que querem manter suas conquistas. Os que querem eleições agora são principalmente aqueles que não querem arcar com o ônus de votar contrariamente ao Impeachment. Os que querem eleições agora são aqueles que querem destruir e reunir em uma só categoria todos aqueles que podem fazer diferença futuramente.

De Marina, cujo partido Rede já se inscreveu para ser parte favorável à Dilma se o processo de Impeachment chegar ao STF a Renan Calheiros, com seus nove processos no Supremo, são estes os que querem novas eleições. Primeiro, é preciso colocar o país em pé e depois atacar um a um, todos os componentes que nos ajudaram a chegar ao abismo.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Preocupe-se com as ausências



Enquanto os “Muros da Vergonha” com os nomes dos deputados indecisos e contrários ao Impeachment se multiplicam no Brasil, o Governo Dilma deslancha novas estratégias. Sabendo que não tem os votos necessários (172 votos) para barrar o pedido de Impeachment na Câmara dos Deputados, o Palácio do Planalto vai desenvolvendo seus planos nada republicanos de ação. Lula faz a articulação política com os deputados de outros partidos, no corpo a corpo, inclusive abordando parlamentares do PMDB individualmente, mesmo após o anúncio do desembarque feito na semana passada.

A distribuição de cargos e ministérios está sendo feita no varejo. A barganha do Ministério da Saúde é emblemática. Em tempos de Dengue, Febre Chikungunya, Zika e surto de gripe H1N1, o PP - Partido Progressista, aquele mesmo cuja metade da bancada está sendo denunciada no Petrolão, bate o pé pela pasta. Desnecessário dizer que o interesse maior é pelas verbas e não por aquilo que pode ser feito pela saúde do brasileiro.

Aliada a mais esta imoralidade, os esforços são dirigidos no sentido de se trabalhar pelas ausências dos deputados na votação do processo. Os que aceitarem se ausentar da votação receberão R$ 400.000,00. Os que votarem contra o processo, receberão R$ 1.000.000,00. Obviamente, o dinheiro do soldo é nosso, vindo do Tesouro ou do Panamá.

O comentarista político Gerson Camarotti, em sua participação no programa “Em Pauta”, da Globonews, lembrou que os deputados atuam como juízes nesta ação. Sendo assim, a compra dos juízes acaba por ratificar o pedido de Impeachment. Interessante é que a Turma do Planalto não entende que, se não for pelo Impeachment, fatalmente será pelo TSE.

Com certeza os parlamentares que assistem o Brasil descer a ladeira e continuam a apoiar este Governo são indignos do mandato que exercem. As iniciativas dos “Muros da Vergonha” são mais do que válidas, porque os expõe ao julgamento da opinião pública e da História. O que ninguém poderia imaginar é a falta de pudor e limites éticos que imperam no Palácio do Planalto. Este tipo de iniciativa é criminosa, uma vez que pagamento de propina a agente público ainda é crime neste país.


Caros amigos, termino meu post deixando aqui um conselho: escrevam ou liguem para o deputado no qual você votou. Deixe claro que neste momento, o Brasil conta com a dedicação e participação dele neste processo. Relembre ao ilustre congressista que a última passeata pelo Impeachment reuniu a maior multidão já vista neste país, sem pagamento de lanche e ajuda de custo. Deixe claro que você conta com ele neste momento em que 10 milhões de pessoas estão desempregadas, mas deixe claro também que se ele se ausentar, ele será denunciado por corrupção junto à Procuradoria Geral da República e à Receita Federal. Qualquer ganho com a transação acabará sendo gasto com advogados. Será que eles aprendem?

domingo, 3 de abril de 2016

A fina flor da Esquerda Brasileira


O livro “1984” talvez seja a obra mais famosa de George Orwell, principalmente em tempos “Big Brother”. As vezes nos esquecemos de outro livro intrigante do autor, que é a “Revolução dos Bichos”. Neste livro, os animais tomam o poder em uma fazenda e instauram um regime totalitário. Depois de muitas agruras, eles descobrem que a maior dificuldade é garantir os mesmos direitos e obrigações a todos, que se não há diferenças individuais, em tese, há muitas na prática. Para que o sistema funcione, eles chegam então a uma conclusão: Todos os animais são iguais, porém, alguns são mais iguais que os outros. Este pensamento poderia se adaptar à dita Esquerda Brasileira, mas ele sofreu uma pequena adaptação por aqui: “Nem todos os animais são iguais e mesmo entre os que são, há alguns que são bem mais iguais que outros.”

Quais são as bandeiras de um governo dito de esquerda? O bem estar social acima dos interesses individuais, os direitos trabalhistas acima dos das corporações, o capital empregado em benefício da sociedade, a exploração das riquezas do país devem ser conduzidas para a educação, saúde e atendimento da sociedade, para a superação das misérias e diferenças sociais e regionais.

O que de fato aconteceu no Brasil nestes 14 anos de Governo PT? As riquezas geradas pelo país foram distribuídas a poucos. O Estado incentivou o surgimento de grandes corporações como o JBS em detrimento dos pequenos e médios empresários, que poderiam ter gerado empregos através da diversificação das atividades econômicas. O Estado criou e aparelhou estatais para exploração de atividades, com o objetivo de tirar destas mesmas empresas o capital necessário para se manter no poder. O Governo patrocinou ações de empresas brasileiras em países africanos e latino-americanos que não ficam a dever em quase nada às ações de nações chamadas de “imperialistas”. Os programas sociais não são tem como lastro uma contrapartida dos beneficiados e acabaram por aprisionar muitos em um círculo de benefícios, concedidos e financiados pela sociedade, mas condicionados à iniciativa de um Partido. Ainda para perpetuar-se no poder, criou uma gigantesca máquina de arrecadação, que funcionou em toda a administração pública, operando através de repasses ridículos (3%) sobre contratos bilionários. Lembre-se: o dinheiro arrecadado não saiu do bolso das empreiteiras. Saiu do bolso do cidadão que pagou o triplo para receber metade.

E por fim, mas não menos importante, arrebentaram a economia do país e deixaram 10% da população do país sem empregos, depois de adotar princípios já testados e que não deram certo em nenhum outro país do mundo. Mentiram descaradamente e falsearam dados, violaram leis, utilizaram a imensa máquina pública para vencer uma eleição, cujo mote da campanha já era a divisão da sociedade brasileira entre o Norte e o Sul e entre os ricos e pobres. Criaram e replicaram “Cunhas” dentro do Congresso Brasileiro, através de praticas como o Mensalão.

E onde andava a fina flor da Esquerda Brasileira? Perdida em algum hiato quântico, em um buraco no tempo que teve início em 1964 e terminou em 1984, professando as mesmas ideias e repetindo o mesmo mantra. Os que gritam agora que “não vai ter golpe”, que colocaram a pecha de “coxinhas” nos que trabalham, pagam seus impostos e financiam diretamente o Tesouro Nacional, que está vazio, depois de ter sido saqueado são os mesmos que calaram-se quando Lula ameaçou a sociedade com o “exército de Stédile”, mesmo sabendo que este “exército” é financiado pelo governo. Calaram-se quando as provas dos desvios, desmandos, omissões dolosas se materializaram para o mundo inteiro ver. Calaram-se quando em Outubro/2014, duas semanas depois das eleições, começaram os tarifaços. Calaram-se quando o Governo do Partido dos Trabalhadores mandou uma série de medidas ao Congresso, extinguindo direitos sociais dos trabalhadores.

São os mesmos que não apresentam um argumento sequer quando confrontados os resultados da maior crise econômica que o Brasil já enfrentou. Que são incapazes de explicar a inércia do Governo Federal e sua incapacidade em propor soluções concretas para a superação deste período extremo que estamos vivendo. Que estão vendo a troca de cargos estratégicos por apoio no Congresso contra o Impeachment. Que sabem que os interessados nestes cargos não têm qualquer ideal republicano em prestar serviços dignos à nação e que estão mais do que interessados nos orçamentos e vantagens estratégicas que estes cargos e pastas podem oferecer. Quem, em sã consciência, defende a posse de quem quer que seja para assumir um cargo que permitirá no mínimo adiar por muito tempo, investigações na Justiça que levariam qualquer um para a cadeia? Se o Juiz Sérgio Moro é o bandido desta história, então os réus confessos como Alberto Yousseff, Paulo Roberto Costa e etc são inocentes? Realmente, para estes, alguns animais são bem mais iguais que os outros.

Quem são e onde estão as figuras da Esquerda que hoje podem ser olhadas pela sociedade como lideranças legítimas? Lula e sua “dasha” de Atibaia e ao que parece, prestador de serviços da Odebrecht? Jandira Feghali e suas constantes referências à Ditadura Militar e ao Araguaia, mas que nasceu em 1957 e na época ainda era criança? Dilma e seus discursos tortuosos? Rui Falcão? Ou algum dos ministros petistas cujos nomes aparecem semanalmente nas investigações policiais? Dá até para escutar o barulho de um grilo enquanto releio este parágrafo.

E para terminar, para acabar com o clima de intolerância que reina no Brasil ultimamente, deixo aqui a receita do bolo:
- Parem de acusar “golpe”, “o outro lado”, de discursos que vocês adotaram durante e depois das eleições.
- Parem de ameaçar os 68% da sociedade brasileira que apoiam o Impeachment de golpista.
- Parem de utilizar o Estado como se fosse algo que pertencesse a vocês.
- Parem de atacar e usar as instituições conforme sua conveniência.
- Tenham atitudes de acordo com a moral, os costumes e a lei brasileira.
- Assumam seus erros, a começar, por suas mentiras.
- Parem de utilizar servidores públicos, comissionados ou não, para protestos dentro do Congresso ou na frente do Planalto.

- Parem pagar manifestantes para participarem de suas manifestações.