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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Os resultados das barganhas políticas

Acabou a folia, o confete e a serpentina. O ano começou no Brasil. Para as mães e bebês nascidos com microcefalia, causado pelo vírus Zika, não houve pausa no sofrimento. Para as grávidas, a cada notícia, a cada descoberta dos cientistas aumenta o medo. Para a população em geral, a preocupação se restringe às gestantes. Ninguém fala na Síndrome de Guillain Barre, que fez inúmeras vítimas no Nordeste e que apresenta um aumento expressivo de  casos na Colômbia, segundo país mais afetado pelo Zika vírus depois do Brasil. Por lá já há o registro de três óbitos.

Alguém viu alguma campanha de esclarecimento do Ministério da Saúde? Aliás, alguém viu alguma campanha de prevenção às DST e Aids feita por este órgão no Carnaval? No vácuo deixado pelo poder público, quem desempenha o papel de noticiar os riscos da epidemia, as consequências brutais do Zika vírus é a imprensa, a mesma que o PT e PC do B querem censurar. As notícias chegam em cascata, intercaladas com informações sobre a prevenção e combate ao mosquito transmissor.

O que as gestantes estão passando, em um momento que já gera expectativa e ansiedade na vida de qualquer mulher é desumano. De acordo com as informações recebidas,  resta a elas a opção de se trancar em casa, aparentemente evitar sexo sem proteção com o companheiro e usar repelente até no banho. Quem pode seguir todas estas recomendações se a mulher é responsável pelo sustento da família em um número expressivo de lares brasileiros? Quem pode seguir estas orientações, em tempos de desemprego e inflação em alta se a mão de obra e os ganhos das mulheres são decisivos para outra grande parte das famílias?  Há uma escolha de Sofia para muitas mulheres, que deverão optar por suas necessidades e dos familiares ou pela saúde o bebê.

E o Ministério da Saúde, o que tem feito? Há o teste rápido para detectar o Zika vírus, mas aparentemente ele não foi fornecido para todos, basta ver os números de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, que ao que tudo indica vive uma epidemia sem nenhum caso confirmado. Há filas nos postos de saúde da cidade,  há um número expressivo de gestantes que tiveram a doença, mas nem todas tiveram a certeza de que foi o Zika vírus mesmo. Fala-se em casos importados na Região Sudeste, mas já há casos registrados em que a gestante não viajou para nenhuma das regiões mais afetadas. E depois do Carnaval, como será? O grande número de foliões que viajou para estas regiões não vão aumentar em muito as estatísticas, já que ao que tudo indica o vírus está presente na saliva?

Dilma Rousseff não é um "Winston Churchill",  não é uma visionária,  não é alguém que pode reconduzir o Brasil à segurança econômica e ao crescimento sustentável. Ela entrará para a História como alguém que sofre de uma estranha miopia, como alguém que foi incapaz de enxergar em suas esferas de atuação, como Ministra de Minas e Energia, Chefe do Conselho da Petrobrás, Ministra da Casa Civil e Presidente da República por dois mandatos consecutivos, o maior esquema de corrupção que se tem conhecimento no mundo. Como alguém que foi eleita em cima de mentiras no maior estelionato eleitoral da História do Brasil.

Mas mesmo assim, parece que é fundamental que ela permaneça no poder, custe o que custar, inclusive em vidas. O atual Ministro da Saúde Marcelo Castro não tem experiência alguma na área. É um médico psiquiatra, dono de declarações polêmicas, nomeado na barganha política feita com Leonardo Picciani, que foi apoiado pelo Planalto para ser o líder do PMDB na Câmara, com a missão explícita de enterrar o processo de Impeachment. O Ministério da Saúde foi passado à esfera de Picciani de porteira fechada, com todas as verbas para campanhas, cargos de confiança para loteamento e orçamento cheio. Nesta barganha, ninguém foi para lá por amor à saúde ou com projetos para a área. Haja vista a competência demonstrada até agora e a capacidade de enfrentar o avanço da doença.

"Saúde é direito de todos e dever do Estado". É assim que está escrito na Constituição Federal que Dilma jurou defender em sua posse. O dever de informar foi passado à imprensa, os postos de saúde estão cheios. Quem está lutando contra os mosquitos é o Exercito Brasileiro. Imagens mostram os soldados revirando lixo sem luvas ou material de proteção. Faltam vacinas nas redes estaduais. O governo pede calma à população, mas não informa, não orienta, não distribui sequer repelentes às gestantes e não autoriza o compartilhamento do material genético do vírus Zika com organismos internacionais para a pesquisa e desenvolvimento de uma vacina.

Até quando veremos e seremos vítimas deste desgoverno e desta vergonha que se alojou em Brasília? Até quando os políticos trocarão cargos por votos para manter uma indecência destas? Até quando os que tem por obrigação defender a população se calarão? 

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