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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sobre Charlie Sheen e a AIDS


Nesta terça-feira Charlie Sheen participará do programa "Today" na rede NBC. Segundo algumas fontes, ele revelará que é portador do vírus HIV há alguns anos.  Charlie, 50 anos, avô e pai de cinco filhos, filho de Martin Sheen e irmão de Emilio Estevez, atuou em filmes como "Platoon", "Wall Street" e "Jovem demais para morrer", além de marcar presença  na televisão com o personagem Charlie, da série "Two and half men" . Por este papel, ele chegou a ser o ator mais bem pago da TV americana durante dois anos. Charlie também teve problemas com drogas desde a juventude, além de ser também um ativo cliente de prostitutas. No julgamento da cafetina Heidi Fless, escândalo que expôs  políticos e celebridades , ele foi arrolado como testemunha.

Em algumas entrevistas, Charlie Sheen se gabava de ter estado com mais de 5.000 mulheres durante sua vida e engatou romances com atrizes pornôs, tendo tido um noivado relâmpago com uma delas em 2014. Polêmica, promiscuidade e problemas com a polícia o acompanham e agora descobre-se que mesmo sabendo ser portador do vírus HIV, ele continuou a manter relações sexuais sem avisar as parceiras que estava contaminado. Segundo ainda as mesmas fontes, ele acreditou que,  por fazer tratamento com o coquetel e pelo vírus já não poder ser detectado em  exames de sangue, que ele não precisaria comunicar ninguém. Fala-se em U$ 10 milhões em indenizações já pagas por ter exposto parceiras ao risco de contaminação,  valor que pode ser aumentado se novas queixas surgirem.

Há vários fatos que chamam  atenção: Charlie não é uma pessoa desinformada e vivenciou todo pânico que surgiu em com o avanço da doença. Provavelmente perdeu amigos e viu outros definharem.  Já sabia há muito tempo que não havia grupo de risco e sim comportamento de risco. Por relacionar-se com atrizes da indústria pornográfica americana, sabia que os atores atores devem obrigatoriamente passar por testes periodicamente, pois atuam sem preservativos. Por ter alto poder aquisitivo, sempre teve acesso ao melhor sistema de saúde, onde provavelmente pôde obter informações mais do que suficientes para evitar não só a Aids mas outras doenças sexualmente transmissíveis também. Mesmo assim, ele não sabe como e exatamente quando foi contaminado. 

O uso do coquetel e a associação com  uso drogas

A interação entre os medicamentos que compõem o coquetel e o uso de drogas pode ser desastrosa. O uso de álcool inibe a ação de algumas drogas em até 41%. Anfetaminas podem ter seus efeitos potencializados e o uso Ecstasy pode ser fatal. Charlie Sheen tem problemas sérios com álcool e drogas diversas.

Desinformação e comportamento de risco

Promiscuidade e o uso de drogas pesadas explicam esta tragédia pessoal e talvez estejam também por trás do número crescente de novos casos no Brasil, que atingem principalmente jovens. Por aqui, há dois agravantes: o primeiro é o quase desconhecimento da doença e o segundo é a crença que a AIDS é curável. Não só o número de soropositivos cresceu, mas também de contaminações por DST, o que evidencia que não há uma grande preocupação com o uso de preservativos em relações sexuais com parceiros novos e habituais, que não tenham sido testados. Aliás, muitos jovens não tem a cultura dos exames periódicos, que detectariam  a doença precocemente e auxiliariam na eficácia tanto do tratamento como no controle da proliferação da doença.

Uso do coquetel e transmissão do vírus

Antes que as drogas imunossupressoras fossem reunidas em um coquetel, que aparentemente conseguiu conter a evolução da doença tornando-a tratável, a AIDS foi o grande flagelo da humanidade e ainda o é na África. No Brasil, graças à quebra de patentes e o fornecimento pela rede pública destes medicamentos, conseguimos ser uma das referências mundiais no controle da doença.  O número de casos baixou tanto que perdeu-se a cautela. Esquece-se que os medicamentos imunossupressores serão eficientes até o momento  que o organismo os aceite assim. Quando eles deixam de ser efetivos, a pessoa está sujeita a todos os problemas decorrentes da AIDS, entre eles às infecções oportunistas que atacam um corpo já fragilizado.  E o maior erro é a crença que uma pessoa com carga viral zerada deixa de ser um transmissor da doença.  As chances que ele não transmita o vírus é pequena, mas ainda assim existem. A medida que a carga viral aumenta, o risco de transmissão também cresce, por isso é necessário repetir exames para verificação da carga viral com frequência.

Um novo símbolo na luta contra a AIDS?

Por ser portador do vírus e pelo seu estilo de vida, Charlie Sheen pode se transformar em um símbolo do comportamento de risco e de suas consequências. Há muito tempo a AIDS deixou de chamar atenção, não vendia muitos jornais e revistas. Pode ser que a popularidade de Charlie ajude que pessoas prestem mais atenção em seu comportamento, que se submetam a testes e que adotem uma postura mais cautelosa em seus relacionamentos. Particularmente, acredito que ele esteja vindo a publico mais para se proteger de possíveis processos e para resguardar o que sobrou de sua carreira do que para alertar sobre os riscos da doença.  Alguma coisa de bom tem que vir disto, então, que seja a conscientização e o cuidado redobrado com a vida de cada um e dos parceiros. O amor deve transcender o ato físico e deve começar pelo cuidado que cada um tem consigo.

domingo, 15 de novembro de 2015

Ou isto ou aquilo

As manhãs de domingo para mim são um prazer. Gosto de acordar cedo e ler meus jornais e revistas sem pressa, passando depois para sites e minhas redes sociais. As notícias se repetem mas é sempre possível encontrar um ângulo novo e checar na internet o desenrolar dos fatos. Nos dois últimos anos, tenho sentido um profundo desprazer quando chego na metade do caminho.

Primeiro você se depara com a notícia, em seguida com um artigo, de preferência politicamente correto, que explica de acordo com um ponto de vista muito particular o fato e de quebra levanta uma certa polêmica. Depois vêm os infindáveis debates, contra ou a favor. Para concluir, os rótulos. Ou você é reacionário e de direita (não há como excluir um do outro) ou você é de vanguarda e da esquerda. Ou você se importa pelo desastre ambiental ocorrido em  Mariana ou lamenta pelas mortes em Paris, polêmica que já tinha sido levantada no início do ano, contrapondo os ataques à capital francesa e as atrocidades cometidas pelo grupo Boko Haram na Nigéria. Ou assiste a um filme que aborda um fato histórico ou se vê mergulhado em um debate interminável sobre as minorias. Li um artigo em um site americano em que o autor protestava contra as mortes de atores asiáticos em filmes de Hollywood, bem como li algumas críticas ao filme "Stonewall", porque a história é contada a partir de personagem branco.

O tempo todo estamos escolhendo causas e lados, usando argumentos novos para repetir paradigmas antigos e comportamentos detestáveis. Assim, se você protesta contra a corrupção, a ineficiência do governo atual, a forma como poder foi tomado e loteado, você é reacionário e golpista. Não importa os R$ 42 bilhões apurados em desvios da Petrobrás, investigações sem fim, delações, provas e a repetição dos mesmos nomes em crimes diferentes.  Não importa se a máquina do governo e milhões pagos em impostos foram utilizados para garantir um novo mandato. O pedido, acatado pela Justiça Eleitoral para investigar o abuso de poder econômico que obviamente ocorreu nas eleições passadas é golpe.

Da mesma forma, há que se elogiar os programas sociais, isto não faz de mim uma bandida, mas há que se concluir que o viés ideológico que o governo petista escolheu para governar o Brasil está ultrapassado, é letra morta. Na política externa, lados foram escolhidos, foram criadas alianças ineptas com países como Irã, Venezuela, Argentina e ditaduras africanas. Deram "o pé" nos EUA o tempo todo, esquecendo que é o país que mais compra produtos industrializados brasileiros. Ou isto, ou aquilo. Resultado: o Irã e Cuba negociaram seus acordos com os americanos, a Venezuela é uma ditadura escancarada, com um pé calcado no narcotráfico, a Argentina é a Argentina; Os EUA estão em negociação para implantar o Tratado de Comércio Transpacífico (TPP), que beneficiará o Chile, o Peru, a Austrália e até o Vietnã...

Com relação à França e Mariana, tem gente agindo como se fosse uma partida de futebol. Um é alvo da intolerância, travestida de religião e do desejo de impor e de conquistar território, de espalhar um conflito mundo afora. Ignorar isto é ignorar a História. No mínimo, o que estamos vendo requer reflexão. O que aconteceu em Mariana foi obra do descaso, da falta de vigilância, que custou até agora 23 vidas, um distrito, a sobrevivência de um rio, de um ecossistema completo. É resultado da política do progresso pelo progresso, dos erros de engenharia, do descaso com o meio ambiente e com os habitantes. Há que se lembrar que há mais barragens em Minas Gerais que também podem se romper a qualquer momento. E há que se lembra do viaduto que caiu, do estádio que precisa de reformas um ano depois de ter sido inaugurado, dos conjuntos habitacionais com falhas estruturais em seus projetos que precisaram ser demolidos antes da inauguração.

Há portanto várias coisas que aproximam Mariana e Paris, sendo que a principal é o valor da vida humana. Nas duas, a possibilidade de perdas são imensas, seja pelo agravamento de um conflito que pode se tornar global, seja por outro "tremor" que derrube uma barragem ou uma obra.  Não há que se escolher causas, há muito o que se lamentar e temer. Para os que acham que os atos terroristas estão longe de nós, procurem saber mais sobre o que acontece na Tríplice Fronteira e saiba que o Brasil não tem controle nenhum de quem entra em nosso país. Lembrem-se do atendado à Sinagoga na Argentina, há 21 anos atrás, lembrem-se que nossas aeronaves fazem vôos internacionais. 

A questão aqui é de humanidade e de amor. Quanto você é capaz de amar, quanto você é capaz de se importar. Para terminar, deixo aqui o poema de Cecília Meireles, publicado em um livro do mesmo nome, no ano de 1964, há 51 anos atrás. Bom domingo a todos!

 Ou isto ou aquilo
"Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo."
Cecília Meireles, 1964

domingo, 1 de novembro de 2015

O novo movimento de Consciência Negra no Brasil


Há coisa de uns três meses,  um novo "movimento social" está crescendo na surdina, com todas as distorções inerentes aos que já conhecemos, que são criados, patrocinados e utilizados conforme a conveniência de  alguns  que  insistem  em utilizar uma causa "contra a sociedade", mas que exigem dela prerrogativas que ferem normas, direitos e enfrentamento e posteriormente criarão despesas. Como alguém disse a "rebeldia no Brasil é paga pelos cofres públicos".

O novo Movimento de Conscientização Negra
Composto por jovens e nascido nas universidades, principalmente nas de São Paulo que adotaram o sistema de cotas para estudantes negros, estes movimentos tem feito manifestações que em nada contribuem para o debate da causa, pelo contrário, por suas atitudes criam um sentimento de antipatia em quem os vê em ação.  Em setembro, 300 estudantes participavam de um debate na PUC-SP sobre Programas Assistenciais, quando foram interrompidos por 6 a 7 militantes do movimento "Coletivo de Negros e Negras da PUC", que invadiram o auditório reclamando por não terem sido convidados para o debate. Mesmo após serem chamados pelos palestrantes para que um deles participasse da mesa, não houve negociação. Houve sim discursos sobre a situação dos negros no Brasil e o término do debate decretado por um deles. A ação do grupo causou indignação nos alunos que assistiam ao debate, a mesma descrita pelos estudantes da USP Ribeirão Preto que tiveram suas aulas invadidas e foram acusados de "dever até a alma para os negros", em Maio. Duas semanas atrás, veio a público uma inscrição em uma parede de um banheiro da Faculdade Mackenzie que dizia que "lugar de negro é no presídio e não na faculdade". Na sexta-feira, dia 20/10,  um novo incidente aconteceu na  Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, precisamente no banheiro feminino. A mensagem dizia: "Faculdade não é coisa de preto. Turbante não é coisa de faculdade. FDSBC sem pretos."

Ku Klux Kan tupiniquim
Quem será que foi o autor destas pichações, já que há mais de 20 anos sabe-se que o racismo é um crime inafiançável? A quem interessa a propagação do ódio explícito, da denúncia de segregação, do estabelecimento de "lugares" pré-determinados pela "sociedade branca", impossíveis de serem superados pelos negros? Quem ganha com a divisão?
Será que os autores não são aqueles que mais se beneficiariam da visibilidade, ganhariam justificativas e seguidores para a "luta", que servirão aos propósitos de quem  criou, organizou e está financiando estes grupos? Dividir para conquistar ou para se manter no poder. O preconceito racial existe e é forte no Brasil, mas ocorre de maneira velada, rasteira e na surdina, se manifestando em situações de emoção ou que envolvem riscos da perda do "status quo" imaginário. Cruzes não são queimadas, ninguém anda por aí de camisolão e máscara. Não é declarado, não é assumido, porque ninguém quer ir para a cadeia por ter cometido um crime inafiançável. Alguém já viu passeatas, organizações que atuam à luz do dia para defender a exclusão ou o cerceamento de direitos dos negros?

Não temos leis segregatórias e a Constituição Federal, aquela senhorita quase balzaquiana,  defende a igualdade e condena o preconceito de cor, pele e religião. Pela lei somos iguais, ao contrário dos personagens do livro "Revolução dos Bichos", que concluíram que alguns animais são "mais iguais" que os outros. Qualquer lei que diga o contrário deve ser questionada quanto ao caráter inconstitucional de sua natureza, geralmente pelas "Adins" (Ações Declaratórias de Inconstitucionalidade) que são julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição . No ordenamento jurídico, as leis tem que estar de acordo com o previsto na CF, que é a lei maior.

O lado trágico destes movimentos é a criação de polêmicas, o acirramento de posições, as ofensas de cunho pessoal, que tem por objetivo criar lutas, com base em mentiras. Guardadas as devidas proporções, este foi o objetivo de Dyllan Roof, aquele rapaz que matou negros em uma igreja de Charleston, no sul dos EUA fara fomentar a guerra racial. Charles Mason acreditava que os assassinatos que cometia serviriam de combustível para o "Helter Skelter" uma guerra apocalíptica entre brancos e negros.

Estudos questionáveis
Em 2013 foi publicada uma pesquisa feita pelo Dieese, indicando que os salários dos negros é menor do que os pagos aos funcionários brancos que exercem a mesma função, de acordo com dados do SPED (Sistema de Emprego e Desemprego).  Gostaria que este estudo fosse realizado com empresas, já que os dados do sistema não são minuciosos. É preciso levar em conta o salário médio pago pela empresa, função, etc. Para que possamos chegar a uma conclusão clara sobre o papel do racismo nas relações profissionais é preciso comprovar que funcionários que exerçam a mesma função na mesma empresa recebam salários diferentes. Este cenário precisa ser replicado em várias empresas, em várias cidades, em diversos estados para que a afirmação seja consistente.  Para início de conversa, a afirmação que uma empresa adota uma prática destas é confirmação de crime. Questiono e muito este estudo, porque por exemplo, se o ramo de atuação da empresa é Construção Civil e eu tenho curso superior em  Psicologia, não significa que meu título me dará direito à remuneração de um engenheiro. De qualquer forma,  a afirmação final foi de que sob qualquer perspectiva o negro ganha menos que o branco.

Ao mesmo tempo, não me lembro da publicação de nenhum estudo que mostra o percentual de negros em cargos de chefia, cuja presença cresceu e pode ser facilmente verificada em várias empresas.
Individualmente, poucos devem algo a alguém.
Em uma sociedade em que a presença de imigrantes é forte e temos a miscigenação como característica preponderante na formação da população,  é desrespeitoso abordar indivíduos e acusá-los de racismo por sua posição social ou pela cor de sua pele.

Tomo como exemplo minha família. Boa parte dela chegou ao Brasil depois da libertação dos escravos. Temos italianos, portugueses e libaneses nesta turma. A parte mais antiga da família é produto da miscigenação entre brancos, índios e negros. Em algum ponto, alguém passou a ser classificado como branco, o que não foi suficiente para que os bebês que nascessem carregassem até hoje uma mancha negra, como se fosse um hematoma, no quadril e nas costas. Esta mancha tem vários nomes, entre eles, "Mancha de Caim", "Mancha mongólica", 'jenipapo" e revela ascendência africana (80%) ou asiática (90%), que não é o caso. Nas conversas de algumas tias antigamente, quando um bebê nascia, era comum perguntar se tinha a "bunda roxa". Meus filhos, que carregam a herança genética de minha família e da do pai, eram crianças louras com alguns pontinhos pretos no bumbum. Embora tenhamos este sinal ao nascer, ninguém foi beneficiado por nenhum sistema de cotas.

Ninguém em minha família conheceu ou manteve escravos, mesmo a parte mais antiga, que está no Brasil há mais tempo. Perguntei a minha mãe e a minha avó se elas conheceram pessoas que os possuíam ou sabiam de histórias do período da escravidão. Ninguém sabia. Perguntei a amigos e a resposta foi a mesma. Curiosamente, a parte que veio do Líbano poderia saber algo, já que no Oriente Médio, a servidão foi recorrente até o início do século passado. Por este prisma, não devemos "nossa alma a ninguém".

Uma questão de consciência e de justiça
A sentimento que temos em relação à comunidade negra nasce da consciência, do respeito ao semelhante e do amor pela justiça. Houve sim escravidão, muitos foram tratados como "peças", famílias foram separadas, pessoas foram vendidas como animais em praça pública e após a abolição eles saíram da  escravidão para a miséria. A dívida com os negros é da sociedade em geral e é preciso criar e manter instrumentos de inserção e de fortalecimento do conceito de cidadania, onde todos são sabedores de seus direitos e obrigações, que é preciso respeitar uma pessoa pela sua condição humana, sem apostos. Uma sociedade justa se constrói principalmente pelo respeito.  As cotas nas universidades são um caminho, mas não são a solução. As cotas nos concursos públicos, em minha opinião, são injustas, porque colocam em xeque o mérito.

Devemos estudar nossa história racionalmente e entender como as coisas aconteceram e lembrar que ao fazer este estudo é preciso contextualizar o fato com o que ocorria no mundo. A escravidão é um capítulo vergonhoso na história da humanidade e jamais deverá ser repetida, em circunstância alguma com ninguém e isto inclui os bolivianos que trabalham em confecções e os haitianos que vêm para cá em busca de uma vida melhor. Punir os que exploram imigrantes e trabalhadores em geral, que oferecem condições de trabalho análogas à escravidão é um dever permanente da sociedade. A radicalização destes movimentos de defesa dos negros não é positiva para ninguém e não pode crescer baseada em mentiras, em fatos construídos para dar visibilidade a situações irreais. Toda luta deve ser baseada na verdade e nada se aproveitará do confronto construído e alimentado por interesses escusos.

Chegamos até aqui, o desafio é saber como e para onde vamos. Aproveitar as conquistas de muitos que lutaram com muita dignidade por seus direitos e não desperdiçar esta caminhada com factoides e embates pessoais. Para os pichadores, fica aquele velho ditado repleto de sabedoria: Nenhuma mentira dura para sempre. A última coisa que o Movimento Negro precisa é ter sua legitimidade questionada por pessoas que dizem agir em defesa, mas na verdade, não respeitam sua luta.