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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Sobre o fechamento de escolas em São Paulo


A taxa de crescimento da população brasileira vem caindo e a expectativa de vida do brasileiro é hoje de 81,3 anos. As famílias já não são numerosas e é comum nos surpreendemos com casais com mais de dois filhos. Em parte devido à urbanização, em parte devido a uma política de   controle de natalidade mais eficiente e em parte também por ser possível escolher o momento  certo e se um casal deseja ter filhos.  A "multiplicação" já não é uma demanda obrigatória em um casamento. Filho é um assunto sério, é para a vida inteira, demanda cuidados, educação, investimentos constantes e literalmente não é para qualquer um. É preciso querer e se comprometer com este ser que não pede para nascer, mas cuja presença será sentida, com maior ou menor intensidade até o final dos seus dias.  
Crescimento das escolas particulares
Há dez anos atrás participei de um simpósio sobre o setor de educação particular e a diminuição do número de alunos já era prevista. Em várias cidades do interior de São Paulo pré-escolas municipais foram fechadas pelo número baixo de alunos matriculados. Os prédios foram utilizados paras outras funções, como por exemplo para apoio à população de rua.

O crescimento do número de alunos matriculados em escolas particulares explica-se pelo crescimento econômico que o Brasil teve entre 2008 e 2010.  Com a ascensão da nova classe média, os pais optaram por qualidade em educação e em saúde, o que levou vários alunos da rede pública para a rede particular. Da mesma forma que a melhor estratégia de marketing na área de saúde é o medo do SUS, a baixa qualidade de ensino oferecida pela rede pública e o aumento dos casos de violência envolvendo alunos e professores não deixaram para os pais muito espaço para escolha

O mundo se transforma em uma velocidade assombrosa, conhecimento é indispensável e o aperfeiçoamento deve ser constante. O mercado de trabalho é extremamente competitivo. Quantas pessoas não conhecemos que tem dois cursos superiores? Quantos alunos mal terminam a faculdade e já ingressam em cursos de especialização e pós-graduação? Em tempos de poucas oportunidades de emprego, o critério de escolha levará em conta a experiência e a  formação do candidato.
Distribuição de alunos por escolas e ciclos.
Há aproximadamente 15 anos, esta distribuição já é feita na rede pública no interior de São Paulo. Foi uma transição relativamente tranquila. Enquanto mãe, achei que foi melhor para meus filhos. Eles tiveram a escola para eles, puderam desenvolver seus padrões de comportamento mais livremente, sem aquela pressão do grupo. Há mais espaço para o reforço que vem de casa. Para os alunos da primeira fase do ensino fundamental, a escola é mais limpa, os intervalos são separados e foi o fim dos "encontrões" . As turmas se fortaleceram e formaram amizades que duraram até o fim do Ensino Médio.

Não posso comparar a realidade de uma cidade de 300.000 habitantes com a Grande São Paulo. Se meus filhos percorriam praticamente a mesma distância, nos grandes centros a história é diferente. O próprio transporte público já expõe o aluno a riscos. Uma solução possível seria os ônibus escolares gratuitos. O custo do  fornecimento de transporte é bem inferior ao custo de uma escola com número pequeno de alunos, afinal, há que se pagar professores, coordenadores, inspetores de alunos e todos os outros membros da equipe, além das contas de água, luz, telefone e as despesas com a manutenção predial.

Outra coisa que é preciso levar em conta é o número de alunos por sala de aula. Classes numerosas são sinônimo de problemas, de baixo aproveitamento e de alta rotatividade de professores. Acho que esta é uma daquelas medidas que terão seus resultados avaliados a médio prazo e a participação dos pais é fundamental.

Evasão escolar
Uma vez que a questão do transporte, do número de alunos por salas de aula, da qualidade das instalações e do corpo docente não implique em perdas para os alunos, é uma tentativa válida em solucionar alguns problemas crônicos do ensino público. Os professores advindos de escolas que obtiveram bons resultados devem obrigatoriamente continuar a ter condições de desenvolver um bom trabalho. Através de sua experiência profissional, de seus resultados eles passarão a ser um modelo para os demais. É uma questão de respeito e reconhecimento do mérito de cada um. O que não pode é jogar todos na mesma vala comum, há que se ter muito cuidado com o corporativismo da classe, que é forte.

Com relação à possibilidade de evasão escolar, há leis para manter o aluno na escola até o término do Ensino Fundamental. Com relação ao Ensino Médio, que é o grande gargalo da educação, a transformação dos prédios das escolas que serão desativadas em ETECs e FATECs é um ganho e um incentivo imenso para os alunos, já que neste tipo de escolas eles aprendem uma profissão. É a tão almejada ligação entre o ensino teórico e a vida profissional, além de ser uma política extremamente positiva em relação ao mercado de trabalho, que precisa de mão de obra qualificada. Neste quesito, acho que a mudança é extremamente positiva, pois traz para perto de casa e gratuitamente, a oportunidade de construir um futuro melhor.

Escolas da periferia
Como dizia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". O critério foi o número de alunos e não o desejo maligno de punir os mais pobres, que alguns acreditam que figuras políticas tem e que alguns órgãos da imprensa, principalmente aqueles que recebem fartas "verbas publicitárias" do Governo Federal propagam. Por que não questionar se depois eles não irão querer dominar o mundo?

Acho que se de fato houver a transformação destas unidades em ETECs e FATECs, é um ganho para a população da região em geral. Nada impede que um adulto faça seu curso técnico à noite, que ele volte a estudar. As FATECs oferecem cursos de excelente qualidade, inclusive com programas de especialização e pós-graduação, além de serem gratuitas. É  democrático e justo a instalação delas nas periferias das grandes cidades, onde elas são mais do que necessárias. 

Agora é hora de dialogar, de negociar, de superar as dificuldades e não de acirrar posições. O que o Estado de São Paulo não pode de forma nenhuma é reduzir ainda mais a qualidade do ensino oferecido à sua população. 

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