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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O Fator Aécio




O Ministro do STF, Marco Aurélio de Mello, em uma entrevista sobre a Operação Lavajato afirmou que vivemos tempos estranhos. Vivemos em uma pseudo democracia, onde o Poder Executivo teve poderes quase absolutos durante doze anos, governando sem interferência de uma base aliada, alimentada por cargos e posições estratégicas, que garantiram  que o patrimônio público fosse colocado à disposição de sua voracidade. Para assegurar sua permanência, empossou em posições estratégicas pessoas de sua confiança ou que lhe deviam favores.  Ao primeiro sinal de perigo, reputações foram moídas e em alguns casos, a verdade era o que menos interessava. Os fins justificaram os meios durante muito tempo, talvez até demais.

Depois dos eventos de Junho de 2013, percebemos que pagamos muito por serviços de péssima qualidade, que o bolo, cobertura e cereja estavam em outras mãos. A percepção do cidadão sobre os políticos, independente de partidos, era que  eles não representavam seu eleitorado.  Havia uma diferença abissal entre o que ocorria no Congresso e nas Assembleias Legislativas e as necessidades dos cidadãos, do pagador de tributos. Então veio a Eleição Presidencial de 2014. Os mesmos partidos, candidatos diferentes em alguns casos e nada que deixasse claro que a rua tivesse sido ouvida. Para a Presidente Dilma, de acordo com as projeções dos institutos de pesquisa, seria um passeio, mas ai o Brasil conheceu o outro lado do neto de Tancredo Neves, daquele ex-governador muito paz e amor de Minas Gerais.

Durante a campanha, com muita decisão, ele foi desmontando todos aqueles argumentos do Lulopetismo sobre o "neoliberalismo" e a política direcionada às elites,  o determinismo em arrochar, em tirar dos mais pobres. Um dos momentos mais marcantes dos debates foi quando ele respondeu à Dilma, sobre as privatizações: " Se hoje todos tem um telefone, um celular, é porque estas empresas foram privatizadas. Se hoje a Vale e a Embraer são gigantes, é porque foram privatizadas e foram geridas com competência. Já imaginou estas empresas na mão do Estado e a senhora nomeando seus diretores?".  De forma corajosa, ele conseguiu reagir a uma campanha de infâmias e mentiras, dizendo muito daquilo que muitos gostariam de dizer. Mas, deu no que deu. A presidente Dilma foi reeleita e estamos na situação que estamos e que vai perdurar até as vésperas da eleição de 2018, para a volta de Lula.
Se, durante a campanha, ficou claro que é preciso muito mais do que coragem e oratória para vencer as eleições, depois do pleito questionamos o papel de Aécio. Juntamente com o PSDB, que se reencontrou com a população brasileira e que tem crescido graças a ele e ao reconhecimento das qualidades de seus membros, foram protocoladas ações junto ao TSE, que foram tachadas por membros do PT de revanchismo, de não aceitação do resultado do pleito. Durante meses, enquanto os escândalos em Brasília eram trazidos à luz pelas mãos do Juiz Sérgio Moro, as atitudes de Aécio e do PSDB foram entendidas como tentativas de fazer o "terceiro turno". Quando o impeachemnet começou a ser pedido nas ruas, houve aquela indecisão que mata dentro do partido, mas novamente coube a Aécio dizer que a palavra não era proibida. Quando ele defendeu que se o TSE entendesse que houve abuso de poder político e cassasse a diplomação da presidente e do vice, que houvesse novas eleições, ele foi incompreendido por membros de seu próprio partido e da imprensa, que afirmavam que isto seria golpe. Mas mesmo assim, ele seguiu em frente.
A decisão de abertura de investigações sobre a campanha eleitoral é uma vitória da coragem e da determinação em não aceitar que a sujeira ficasse debaixo do tapete, de não temer os dois ex-advogados do PT e seguir em frente lutando por aquilo que se acredita. De certa forma,  é  didático para aqueles que fazem tudo e mais um pouco para se manter no poder. É uma forma de demonstrar que há limites. Se esta ação dará resultados concretos, isto quem dirá é o tempo. Agora fica aqui uma diferença gritante de postura política  e de crença nos papéis das instituições: onde estão os outros candidatos? Onde está Marina Silva neste momento?

A rejeição das contas de 2014 por parte do TCU, na mesma semana da sessão que determinou a abertura de investigações das contas da campanha, é uma estranha coincidência. Além de fortalecer o papel do TCU, como membro autônomo, houve a demonstração evidente, feita por analistas técnicos,  de que 2014 não foi um ano típico no Governo Federal, que houveram excessos absurdos ali e que a maquiagem das contas e as pedaladas fiscais de Dilma são diretamente responsáveis pela situação caótica da economia brasileira hoje. É evidente que o "ajuste fiscal" que ela negociou como o Congresso, dando ministérios de porteira fechada, deveria ter ocorrido em março ou agosto de 2014. O excesso de gastos só agravou situações que já eram insustentáveis. Defender este governo é tarefa para quem está recebendo muito além do que devia por serviços que não deveriam ser prestados. Cito aqui uma resposta a um post que eu fiz no Facebook: "Chegará um dia neste país em que será tão vergonhoso afirmar que se foi petista, como é e foi vergonhoso na Alemanha e no mundo, afirmar que se foi nazista." 
De tudo isto que estamos vivenciando nestes "tempos difíceis" fica a certeza de que é preciso coragem para lutar, para debater, para discordar e para buscar em todas as instâncias o respeito pelo seu direito. O silêncio diante do mal só o alimenta. A luta de Aécio e do PSDB é didática também para os brasileiros, porque ele poderia ter se calado após as eleições, após cumprimentar Dilma pela vitória e pedir que ela reunificasse o país, como Serra e Alckmin o fizeram. Ele continuou a falar. Quando as ações foram propostas na Justiça Eleitoral, ele foi acusado de ser mau perdedor. Ai também ele poderia ter parado, poderia ter se poupado, mas seguiu em frente. Quando ele disse em sessão do Congresso Nacional que o decreto de Dilma deixava o Congresso Nacional "de cócoras" e com uma etiqueta na testa de R$ 770.000,00  de cada congressista, uma vez que condicionava a liberação de verbas para emendas parlamentares à aprovação do  PLN 36/2014 que alterava a LDO, ele também foi criticado. Como disse o colunista Josias de Souza, hoje quem está de cócoras é Dilma. 

Aos que querem se lançar em uma corrida presidencial, depois de Aécio fica a certeza que além de formação é preciso preparo, porque o pleito é só uma etapa do processo. É preciso muito mais que isto para governar. Quem já se esqueceu daquele "cadernão" da Dilma nos debates? É preciso coragem, conhecimento do que se fala, da estrutura do governo, do papel de cada poder. É preciso ter bagagem, é preciso saber negociar e isto não significa abrir as portas dos cofres para o butim. Ao PSDB, é preciso que cada um de seus membros, que são pessoas realmente capazes, percebam que é preciso união e coragem. Se hoje o legado de FHC é melhor compreendido, é graças à Aécio. Se ele será o próximo candidato à presidência, eu não sei. O que sei é que hoje existe uma forma bem diferente de disputar um pleito eleitoral, de se analisar um candidato e isto começou com ele.

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