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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Nuvem negra no horizonte - Os planos de saúde


Quando ouvimos uma notícia ruim na economia, temos uma imensa dificuldade em entender o impacto daquilo que acreditamos ser um fato isolado para o nosso dia a dia. Foi assim com a realidade econômica disfarçada e repleta de subsídios em 2014 e com as análises econômicas de então.  Todos economistas sérios diziam já em 2013 que deveriam ter ocorridos ajustes setoriais, que uma vez não feitos gerariam um efeito cascata: inflação, recessão, desemprego, rebaixamento das notas do Brasil e de empresas brasileiras pelas agências internacionais e a saída dos investidores e de empresas do país.

Estelionato intelectual
Além da crença absoluta no "governo do povo", somos vítimas também dos estelionatos intelectuais cometidos por  determinados meios de comunicação, que se pautam mais pelas verbas publicitárias vindas do Governo do que pela veracidade e importância dos fatos. Repito aqui o que todos dizem: Esta crise será longa e veremos ainda muitas consequências da irresponsabilidade e incompetência dos que  dirigiram nosso país pelos últimos 12 anos. Isto precisa ficar claro nas notícias dadas, não adianta tapar o sol com a peneira, não adianta colocar matérias sobre cinco empresas que estão desafiando a crise e esconder as próprias demissões e dificuldades que alguns destes grupos, donos destes veículos de comunicação, estão passando.

O desemprego está crescendo comprovadamente, não é "quanto pior, melhor". O índice de setembro está aí para provar. Lentamente, o que ouvíamos falar que tinha acontecido lá no Nordeste ou em algumas capitais vai chegando perto de nossa realidade. Já estamos naquele patamar onde todo mundo conhece alguém que está desempregado porque a empresa cortou postos, porque fechou, porque diminuiu as vendas e assim vai. A empresa que mais cresce no Brasil é a "Aluga-se". Tem placas em quase todos os bairros deste país.

Corte nos planos de saúde empresariais
Os que perderam emprego perderam também o convênio ou seguro saúde. Os que ficaram perderam também este benefício ou passaram para a categoria co-participação, onde pagam um valor acordado por cada procedimento médico realizado. Faz todo sentido iniciar o corte de despesas por ai, já que não se pode diminuir aleatoriamente salários,  que é uma medida meio que extrema, que  precisa ser acordada entre empresa e sindicatos, requer diminuição da carga horária ou,  para se enquadrar no programa do governo que permite até 30% de diminuição dos salários, é preciso comprovar a precariedade da saúde financeira da empresa. O convênio médico é o primeiro benefício a ser cortado e não há muito o que fazer porque a concessão não está prevista em lei. 

Do outro lado, temos as operadoras, que apostaram forte no seguimento empresarial, já que o plano familiar ou individual é caro para o padrão de renda do brasileiro e é trabalhoso para as operadoras. Há dois meses atrás, na cidade de São Paulo havia três operadoras que aceitavam beneficiários individuais. Uma delas era a Unimed Paulistana. Temos ainda no meio da relação a ANS, que atualiza o rol de procedimentos que os planos devem cobrir, o aumento dos custos de procedimentos e insumos e por fim, a importação de muitos equipamentos e materiais utilizados diariamente em muitos atendimentos. Importar com dolar a R$ 2,00 é uma coisa, a R$ 4,00 é bem outra.

Efeito dominó
A intervenção feita na Unimed Paulistana foi a medida mais desastrada que já se viu em um setor cujo indicador é o número de vidas. Os beneficiários estão até hoje vendo para onde vão correr. Interessante é que a saúde financeira da Unimed Paulistana não era segredo para ninguém e justamente por isso a ANS deveria ter tido mais cautela com os beneficiários, que deveriam ter sido informados em primeiro lugar. Aliás, no comunicado que deveria ter sido enviado a eles, já deveria haver a sugestão de quais  Unimeds iriam assumir a carteira. Teve gente que ficou quase dois meses esperando pela liberação de uma cirurgia. Teve gente que foi atrás de liminar para obrigar a Unimed Brasil a atender. Agora, a Unimed Rio de Janeiro também está com problemas.

É preciso levar em conta também a diminuição de receita ocasionada pelas baixas nas carteiras das operadoras está causando nos prestadores de serviço. Algumas empresas médicas investiram pesado na compra de equipamentos, muitos deles importados e na ampliação do atendimento. As demissões neste setor serão inevitáveis e algumas destas empresas estarão financeiramente comprometidas por anos. É preciso lembrar que em um mesmo dia, foram demitidos na cidade de São Paulo, 1.500 funcionários da Unimed Paulistana e 1.500 da Santa Casa de São Paulo. Foram eliminadas 3.000 vagas no setor de saúde em um só dia!

Tabela do SUS e diminuição de leitos
Além dos problemas com as operadoras, que chegaram a crescer 10% em um ano, há uma realidade que ninguém pode esconder: O Sus é incapaz de absorver este contigente todo que está saindo da Saúde Suplementar, ou seja, dos convênios. A tabela do SUS não é reajustada desde 2007 e o número de leitos oferecidos pela rede pública caiu drasticamente.Entre 2010 e 2014 o SUS perdeu 13.000 leitos.

Para que qualquer hospital possa atender SUS ele tem estabelecer uma quota e contar com atrasos no repasse dos recursos. Um hospital tem que ter outras fontes de renda e gerenciar muito bem os atendimentos, caso contrário ele quebrará. Há anos a situação das Santas Casas está parada no Congresso sem solução. Da mesma forma que aconteceu em outros setores da economia, o Ministério da Saúde passou complementos para algumas instituições, de acordo com o número e complexidade dos atendimentos. O que se pagava por uma consulta médica em 2007 hoje não cobre o custo de um curativo.

Cortes no orçamento do Ministério da Saúde
Ampliar a rede do SUS este ano é impossível. No esteio do Ajuste Fiscal, o Ministério da Saúde teve um corte de R$ 11 bilhões. Sendo pouco "administrar a escassez" como disse a Presidente Dilma no início do ano, este Ministério foi passado de porteira fechada para o baixo clero do PMDB, como moeda de troca para manter a maioria no Congresso, manobra esta que beira a imoralidade. As declarações do atual Ministro da Saúde já dão uma amostra de sua capacidade em administrar a pasta.

E os beneficiários?
Para quem tem doenças crônicas, carências cumpridas e previsão de cirurgias ou de tratamentos clínicos caros, é fundamental manter seu plano de saúde. É importante pesquisar preços em outras operadoras e lembrar que há uma norma de portabilidade de carências, assim não é preciso começar do zero. Os planos que oferecem co-participação são interessantes, mas é preciso manter uma reserva para os casos de emergência .  As operadoras terão que negociar diretamente com os beneficiários que perderam os planos, oferecendo condições para que eles continuem contribuindo, mesmo em planos diferentes. 

A ANS poderia também editar normas que autorizem a criação de planos para atender por exemplo, somente internações ou que estabeleça limites de consultas. Talvez um híbrido dos produtos que estão no mercado.
O importante é que as cooperativas, a Associação Brasileira de Medicina em Grupo ( Abramge) e a ANS cheguem a um acordo e se antecipem ao efeito dominó. Basta lembrar que o maior incentivo para se optar por um plano de saúde é o medo que todo mundo tem do SUS.

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