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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 20 de outubro de 2015

É preciso querer mais


Hoje, infelizmente, assistimos a mais uma tragédia no Rio de Janeiro ocasionada pelo uso incorreto de gás de cozinha. Infelizmente, porque estas explosões ocorrem no Brasil inteiro e embora o que aconteça no Rio  naturalmente tenha uma maior visibilidade, esta é a segunda grande ocorrência em menos de um ano. 

A primeira aconteceu em um prédio residencial e tirou uma vida. Em ambas, o prejuízo material foi imenso e dificilmente poderá ser reparado por quem foi responsável. Como estamos acostumados a ver depois de uma tragédia destas, a irresponsabilidade e a falta de fiscalização são sempre apontadas como fatores que favorecem estes tipos de acidentes. Veja bem a conclusão que chegamos: o indivíduo que possui um estabelecimento comercial não tem responsabilidade para lidar com gás, que é explosivo, que vem com várias advertências no lacre, que poderia ocasionar sua própria morte ou de pessoas em seu estabelecimento. Será que foi só neste quesito que faltou responsabilidade? E no manejo dos produtos que ele serve?

Se pensarmos que há mais de 20 anos somos assolados pela dengue, que muitas cidades deste país não tratam o próprio esgoto e o despejam em rios, às vezes perto de nascentes,  que nas comunidades carentes há um problema crônico com lixo, que a Baia de Guanabara tem qualidade da água muito próxima a de um despejo de esgoto, que na época das chuvas há inúmeros relatos de deslizamentos e soterramentos em locais onde não poderiam ter construções, que bueiros explodem em ruas, não uma, mais diversas vezes, enfim, na quantidade absurda de tragédias, doenças e mortes que temos anualmente ocasionada pelos mesmos problemas, chegaremos a conclusão que falta responsabilidade ao poder público e ao cidadão.

Todos nós sentimos que a justiça foi feita quando um empresário, um político ou outro figurão responde processo, é obrigado a ressarcir os prejuízos que causou ou é preso por corrupção ou outros crimes. Quantos de nós ouviram falar em alguém que pagou uma multa ou foi obrigado a pagar os custos de tratamento de alguém que teve dengue por manter em sua casa um criadouro de mosquitos? Quantas vezes ouvimos falar que um condomínio foi multado por despejar esgoto sem tratamento em rios? Quantos prefeitos perderam seus mandatos por não tratarem esgoto e não cuidarem da coleta de lixo? Quantas pessoas foram impedidas de construir casas em áreas com risco de contaminação ou desabamento? As leis são para todos e a Justiça também, para os grandes e pequenos, para educar a sociedade através dos erros e falhas que se transformaram em tragédias, de forma que elas não se repitam.

No caso da fiscalização, ela tem que ter um caráter educacional, mas se há reincidência, há que se punir o rico e pobre igualmente. Se toda pessoa que se recusasse a abrir sua porta para os agentes de saúde ou que tivesse criadouros em sua casa fosse multada e processada, não teríamos epidemias cavalares como as que temos anualmente. Se a multa fosse recolhida para a Previdência Social, a dengue já estaria erradicada no Brasil, uma vez que os encargos por atraso ou não pagamento de débitos relativos à Previdência são gigantescos. Se os poucos fiscais que vistoriam estabelecimentos comerciais recebessem uma remuneração digna, com metas de visitas e fosse acrescida alguma verba por produtividade, as únicas explosões que ouviríamos seriam de fogos de artifício
É preciso querer mais, basta de falar "que é difícil, que as coisas não vão mudar, que é assim mesmo". Este tipo de pensamento mata a vontade de se fazer melhor, é conformista, justifica a omissão. É preciso querer ter uma vida melhor e para isso é preciso denunciar o que está errado, cobrar pelo prejuízo que se sofreu em virtude do descaso alheio e começar a agir. Culpar o Poder Público é cômodo, denunciar o vizinho já é outra coisa. É preciso deixar de lado também o "coitadismo". Quantas vezes não escutamos as pessoas justificarem os erros das outras com frases como: "Coitado, ele não fez por mal", "Coitado, tão gente boa". Ter boas intenções e ser uma pessoa do bem não o absolve de seguir a lei, de ter responsabilidade naquilo que faz, de agir de forma a não prejudicar o próximo. Além de não ajudar em nada, este sentimento é muito bem explorado por aqueles que fazem divisão ridículas entre classes sociais, estados, ect, o famoso "nós contra eles".

E embora tenhamos uma presidente e um ex-presidente que justificam todos seus erros na base do "eu não sabia de nada", é preciso que a sociedade entenda que não se pode evocar o desconhecimento da lei e das normas como motivo para o seu não cumprimento.  Neste caso, talvez, a título didático, seria melhor começar a punir os de cima.

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