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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Condomínios e sustentabilidade



Em minha cidade houve uma explosão de condomínios, verticais e horizontais. Não é um acontecimento isolado; o crescimento de novos empreendimentos nos últimos anos puxou a economia. Tanto em minha cidade como em outras tivemos problemas com animais silvestres. De uma hora para outra, eu, que aos 47 anos só tinha visto onça no zoológico, comecei a ler notícias sobre atropelamentos destes animais.  Em 2013 apareceu uma onça em uma garagem de uma casa em condomínio. Não só a cidade cresceu e expandiu seus limites, avançando em áreas rurais e de mata como a cultura da cana de açúcar, matéria prima do etanol se aproximou dos centros urbanos. Toda a cadeia natural que havia nas matas foi destruída e estes animais vem buscar alimento nas cidades. Dia desses, saiu uma notícia sobre um abrigo de animais que não estava aceitando mais "moradores" novos. 
Alguns podem ler este parágrafo e dizer que é um sinal dos tempos, que coisas assim são tristes, mas fazer o que, a cidade tem que crescer, as pessoas precisam trabalhar. Eu prefiro acreditar que somos inteligentes o suficiente para planejar nosso crescimento. Em minha cidade, alguns destes condomínios estão com cerca de 50% a 70% dos terrenos desocupados e procurando um pouco mais, você ainda consegue comprar terrenos e casas em vários deles. Outra coisa que percebo é a mobilidade; pessoas mudam de um condomínio para outro, não é população nova. Mas a derrubada de mata, a infraestrutura e cercas já estão prontas. Não há como limitar esta especulação imobiliária travestida de progresso? Não seria melhor condicionar a criação destes condomínios, principalmente os que necessitem de derrubada de áreas verdes  ao esgotamento das unidades existentes? O próprio mercado imobiliário não estaria a salvo de uma desvalorização, pelo excesso de oferta? E com relação aos animais? Não seria razoável a elaboração de um estudo e a criação obrigatória de pequenas reservas, que seriam custeadas pelo vendedor, incorporador e pelo comprador?

Ontem, feriado nacional, decidi visitar um empreendimento novo, vertical, de duas torres e cerca de 100 apartamentos, cujas primeiras unidades estão sendo vendidas. A corretora foi extremamente simpática e acessível. Apartamento decorado visitado, valor informado e decidi perguntar sobre quais medidas de sustentabilidade foram incorporadas ao projeto. Com muito orgulho ela me informou que há um projeto para reaproveitar a água dos aparelhos de ar-condicionado. Perguntei sobre o lixo e águas pluviais. Não, não há projeto. Se o prédio não foi construído ainda, ficaria tão mais caro assim um projeto de reuso das águas pluviais? Não é nossa obrigação poupar os recursos do nosso planeta? Não deveria ser lei?

Estamos engatinhando na questão da sustentabilidade e não é por falta de informação, é porque estamos acostumados com a fartura. Os avisos que o sistema Cantareira e os grandes reservatórios das usinas deram no último ano foram insuficientes. Não pensamos no dia de amanhã, somos como crianças. Se acontecer algum problema, a culpa é do governo. No ano passado, pelo menos trezentas pessoas saíram às ruas em São Paulo, protestando pela falta de água e acusando o Governador Geraldo Alckmin de "estelionato eleitoral". Quantas, dessas pessoas se dedicaram a economizar água, a replantar árvores em locais que tem nascentes ou mesmo na região da Cantareira, que tem um déficit na vegetação? 

Há iniciativas belíssimas como a do fotógrafo Sebastião Salgado, que praticamente sozinho, reflorestou uma grande área no Espírito Santo. Os olhos d'água voltaram a aparecer e os resultados são visíveis. Há várias iniciativas como estas, feitas por pessoas que anonimamente recuperam áreas, protegem nascentes de rios ou constroem parques, mesmo contra a vontade inicial dos comerciantes, como foi o caso do empresário Hélio Silva, que plantou sozinho 17.685 árvores. Ele acabou por criar em Tiquatira, na Penha, o primeiro parque linear da cidade. Todas as espécies de árvores são nativas da Mata Atlântica.  Outro exemplo valioso é do Professor Rodolfo de Oliveira Souza, que já plantou mais de cem árvores, com dinheiro do próprio bolso, para recuperar uma área mata na Serra do Engenho Novo, em Vila Izabel.

Exemplos como estes precisam ser multiplicados. A tarefa é de todos e não exclui o papel dos Poderes Executivo e Legislativo, em todas as esferas. Criar leis para barrar o crescimento desordenado, exigir que novos projetos residenciais e comerciais tenham soluções sustentáveis como reaproveitamento das águas pluviais é um começo.  Respeitar às áreas com vegetação nativa, plantar árvores, ter mais seriedade com o problema do lixo e consumir conscientemente é tarefa individual e inescusável de todos nós. É melhor administrar a distribuição e renovação de recursos enquanto abundantes e quando várias frentes de atuação são possíveis, porque na escassez, não há muito o que fazer.

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