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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 18 de outubro de 2015

Sharon Tate Recollection


Como a história terminou,  todos sabem. Em uma noite, uma gangue de jovens liderada por Charles Mason, assassino já condenado e líder espiritual de um seita invadiu uma casa em
Los Angeles e assassinou todas as pessoas presentes na casa. Entre elas, estava um jovem de rara beleza, grávida de 8 meses e meio, que chamou por sua mãe nos últimos minutos de sua vida.
A jovem é a atriz Sharon Tate, esposa do então já consagrado diretor Roman Polanski. Na época ela tinha 26 anos e além da aparência, era muito talentosa. Embora tenha tido uma curta carreira, sua participação no filme "O Vale das bonecas" lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro. Sobre suas conquistas e quão longe chegaria  é uma pergunta em aberto, comum quando pensamos nos jovens que partem cedo demais. Durante anos seu nome e sua existência para muitos sempre esteve associada a Mason, mas passados quarenta e cinco anos de sua morte, em 2014, sua irmã, Debra Tate lançou um livro de memórias, para que Sharon possa ser lembrada pela pessoa que foi, por suas realizações, pelos amigos e familiares que deixou.

Sharon e Polanski 

Eles se conheceram em Londres, através do agente de Sharon que sabia que Polanski iria filmar  " A dança dos vampiros".  Durante o jantar de apresentação, Polanski não falou com ela o tempo todo. Quando a levou para sua casa, pediu que ela esperasse na sala e voltou usando uma máscara de Frankestein, agindo como um louco. Após ela partir aos gritos ele ligou para o agente e disse que ela tinha ganhado o papel. Durante as filmagens, eles se apaixonaram e depois de viverem um tempo morando juntos, se casaram. Sobre ela, Polanski deu um depoimento tocante no livro: " Ela não era inexperiente ou ingênua, o clichê de uma jovem atriz. O que mais me impressionou nela não foi sua beleza, mas a gentileza e bondade que ela irradiava.  Viver comigo naquela era época já demonstra sua paciência porque era uma provação. Ela nunca foi temperamental, nunca teve variações de humor. As pessoas e a imprensa destacavam sua beleza, mas poucos sabiam que ela tinha uma belíssima alma e isto é algo que somente seus amigos mais próximos sabiam.
Ela gostava da vida de esposa, era uma dona de casa nata que gostava de cozinhar e fazia pratos maravilhosos. Gostava de cortar meus cabelos, de arrumar minha mala quando eu viajava, sabendo exatamente o que colocar. Até hoje para mim é impossível fazer ou desfazer minhas malas sem pensar nela. Mesmo depois de tantos anos, eu não consigo assistir um pôr do sol, entrar em uma adorável casa antiga ou ver uma paisagem sem pensar instintivamente que ela adoraria isto. E são coisas como estas que me manterão fiel a ela até o dia de minha morte."

Tess

Ela queria ter o bebê perto de sua família e Polanski precisava ficar em Londres por mais tempo, pois estava procurando locações para o filme "O dia do golfinho". Quando Sharon partiu para os Estados Unidos a bordo do navio "Queen Elizabeth", ela deixou para ele o livro " Tess of the D'Ubervilles" de Thomas Hardy com um bilhete pedindo sua opinião sobre uma possível adaptação da obra para o cinema. Polanski filmou "Tess" em 1979,dez anos após a morte de Sharon. O filme, até então a mais cara produção da França, foi sucesso mundial, com Nastassja Kinski interpretando Tess. Na abertura há uma dedicatória para Sharon. Este é o único filme de amor que ele dirigiu.

Barbie Malibu

A boneca lançada em 1971 foi baseada no personagem que Sharon fez no filme "Não faça onda". Certa vez ela disse que gostaria de ser uma princesa de contos de fadas, com asas delicadas e usando um vestido esvoaçante, cheio de pequenos objetos brilhantes.




Os amigos

Os amigos e os que conviveram  Sharon destacam sua gentileza,  docilidade, a amizade e o carinho que tinha por todos. Mia Farrow é uma das amigas que deixou seu depoimento no livro, pois Sharon às vezes visitava Polanski no set de "O bebê de Rosemary", onde colaborou com algumas sugestões para o projeto. Além dela, o livro traz também os depoimentos de Jane Fonda, Warren Beatty, Joan Collins entre outros. Todos falam também sobre o amor e a felicidade do casal.

O livro não chegou a ser lançado no Brasil, mas é possível comprá-lo pela Amazon. É uma leitura interessante sobre uma época distante. Foi feito para celebrar a vida de Sharon, sua beleza, suas conquistas e sua juventude.  O prefácio é de Roman Polanski e traz fotos lindas da atriz, do marido e amigos. Tanto a mãe como as irmãs de Sharon dedicaram a vida a ajudar mulheres vítimas de violência. Durante muitos anos foi como se Mason tivesse conseguido matar não só a pessoa, mas também a memória de Sharon. O livro celebra a vida e encerra o ciclo.

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