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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sábado, 10 de outubro de 2015

A arte do desapego: Renúncia


A necessidade de liderança é inerente à condição humana. Diria até que é algo biológico, porque os animais também tem seus líderes e  quando chega a hora em que um dos membros do bando quer assumir a liderança, há uma luta, que pode terminar em morte ou não. Se este for o caso, o vencido aceita e ocupa seu lugar junto aos demais liderados sem maiores traumas.

Ser líder exige muitas qualidades e pré-requisitos e  não é para todos. O poder, a posição, as facilidades do cargo são menores do que a responsabilidade, a visão e a capacidade em avaliar e decidir questões que afetarão a muitos, positiva ou negativamente durante pouco ou muito tempo. E é preciso também ter sabedoria para deixar o cargo, às vezes antes de ser desafiado por outro membro do grupo. Aliás, uma escolha recorrente é entre construir um legado ou se agarrar ao cargo, entre ter poder ou manter a capacidade de influenciar, de ser uma voz e uma permanente fonte de consulta. 

Trazendo este entendimento para a nossa realidade, estamos vendo diariamente duas figuras públicas de desmancharem diante da nação e levarem junto as instituições que representam. As semelhanças entre Dilma e Eduardo Cunha  são imensas. Há algum tempo atrás, escrevi um artigo durante o período eleitoral em que dizia que se o que acontecesse aqui estivesse ocorrendo em qualquer outro país do mundo, que Dilma já teria renunciado à sua candidatura. O tempo passou e hoje vemos que teria sido melhor para ela, para o PT e para o país que a história tivesse sido assim. Tivemos que ver a nossa presidente  mentir várias vezes em cadeia nacional, adotar a tática do rolo compressor e tratar oponentes como inimigos, questionar seu conhecimento e envolvimento em escândalos que se sucederam em ritmo alucinante e enfrentar uma das crises econômicas mais severas pela qual o Brasil já passou, causada por erros cometidos por ela  na escolha e  condução de políticas sócio econômicas. Além disso, temos uma presidente sitiada, com um discurso confuso e desconexo que assombra a todos. 

O deputado Eduardo Cunha encontra-se em situação pior. A escolha e eleição dele para comandar a Câmara dos Deputados é um mistério que só o tempo e a determinação de Dilma, aconselhada por Aloizio Mercadante em eleger Chinaglia poderão explicar. Há muito tempo Eduardo Cunha tem muitas explicações para dar. Há vários processos que só a morosidade da justiça brasileira é capaz de explicar a ausência de uma condenação formal. O próprio comportamento dele no  mandato anterior já deixava muito claro o que vinha por ai e mesmo assim ele foi eleito para a presidência da Câmara com maioria significativa.

Tanto Dilma como Cunha são intransigentes na defesa de seus mandatos. Quando dizem que não renunciarão  e que cumprirão suas tarefas até o fim, o que se pretende é passar a imagem de guerreiros, dos que estão prontos ao martírio em nome do Brasil. A realidade é que ambos estão encastelados em seus cargos, apegados a ilusões. No caso de Dilma, o engodo é a legitimidade do processo eleitoral; no caso de Cunha, a confiança na impunidade que o acompanha até aqui e no enorme influência que exerce sobre os que surpreendentemente ainda o apoiam.

A permanência de ambos não traz benefício nenhum às instituições que representam e ao país pelo qual acreditam estar prestando relevantes serviços. No caso de Dilma, a falta das qualidades necessárias ao desempenho do cargo é latente; Cunha por sua vez, não reúne condições morais, diante do que até agora já foi comprovado, em liderar a Câmara em mar revolto, o que acontecerá fatalmente em um processo de impeachment. São represas construídas por castores, que certamente não aguentarão a pressão e espalharão muitos detritos no rompimento.

A arte do desapego é praticada principalmente em nome de um bem maior. A renúncia, embora desistência, é um ato de sabedoria de um líder em nome do bem coletivo. Ela não precisa ser dramática, não precisa ser tomada no último minuto, ela pode ser planejada de forma a propiciar uma transição tranquila. Renunciar também é um ato de grandeza, de sabedoria e também de coragem. Só que também é preciso reconhecer a hora certa e no caso dos dois, a janela está se fechando. 

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