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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 12 de abril de 2015

Sobre o 12 de Abril

Cheguei a pouco da manifestação que ocorreu em minha cidade e tenho acompanhado as outras pela televisão e pela internet. As reivindicações basicamente são as mesmas em todos os pontos do país. Estas são algumas que mais se repetem.

1.Manifesto dos 51 : Ao final da manifestação, que concentrou cerca de 7.000 participantes em minha cidade, foi lido o Manifesto dos 51, que será lido ao final de todas as manifestações no dia de hoje. O documento recordava as promessas que se transformaram em mentiras de campanha, denunciava o maior estelionato eleitoral da História da República, falava sobre o ajuste fiscal, o desemprego, aumento de impostos e de combustíveis e pedia:
- Corte de 50% dos Ministérios e pente fino nos cargos de confiança, diminuindo também este número pela metade.
- Retirada das medidas de corte dos benefícios previdenciários do pacote de Ajuste Fiscal
- Fim do loteamento da máquina administrativa, dividida entre partidos
- Investigações profundas em todos os órgãos do governo, empresas públicas e autarquias como BNDES, ministérios, Receita Federal, Petrobrás, Correios e Fundos de pensão.
- Punição exemplar aos que tiveram participação comprovada nos esquemas de corrupção e desvio do dinheiro público.
- Repatriação dos fundos frutos da corrupção que estejam no exterior e devolução dos que estão no Brasil a quem pertence de direito.

2. Exaltação ao Juiz Sérgio Moro e a Operação Lava-Jato em cartazes e adesivos

3. Protestos contra a presença do Ministro Dias Toffoli no STF: Em vários cartazes e pronunciamentos o nome do Ministro foi citado, com vários questionamentos em relação a sua “imparcialidade” para exercer o cargo de juiz do Supremo. Em um deles estava escrita a seguinte frase: “ Dias Toffoli, escolha entre o PT e o STF. Não há espaço para bigamia”.

4. Fora Dilma, Fora Lula, Fora PT: Está bem claro para todos os participantes que a figura por trás de Dilma é Lula e que os esquemas e o loteamento da máquina administrativa começou com ele. Não há dúvida nenhuma para os participantes que eles sabiam de tudo e que são responsáveis por este momento que o país está passando. Se para os petistas e simpatizantes havia esperança que a imagem de Lula permanecesse intacta para 2018, para todos os que saíram às ruas hoje a percepção é bem diferente.

5. Impeachment para Dilma, para Toffoli e ninguém quer Michel Temer no poder. Se houver impeachment, outra eleição terá que ser convocada.

6. Muita raiva com relação ao “nós contra eles”. Este é um dos pontos que mais desperta raiva mesmo. É visto como um argumento cínico, como manipulação do eleitorado e tentativa de dividir o país. Este discurso já custa muito caro ao PT, a Lula e à Dilma.

Há sim os que pedem intervenção militar, mas são poucos e eles também têm direito de se expressar. A presença deles nas manifestações deveria levantar uma reflexão profunda, depois de 20 anos de ditadura e dos crimes cometidos por que alguns ainda pedem a volta dos militares? Na minha opinião e é apenas a minha opinião, é uma resposta, um sentimento que foi despertado naqueles que assistiram a manipulação dos beneficiários do Bolsa Família e viram as mentiras que foram contadas. É repulsa ao estelionato eleitoral. Limites que nunca deveriam ter sido tocados foram derrubados na campanha eleitoral e o que o que move estas pessoas é uma percepção falha  do poder punitivo que se atribui às Forças Armadas, justamente pela forma que eles chegaram ao poder e como agiram com a oposição. É como se apenas eles fossem capazes de livrar o Brasil das artimanhas de poucos de forma rápida e eficaz. Onde brota esta simpatia, jaz a Oposição. A Oposição precisa ser mais forte, ser mais presente. Se eles não querem tomar as manifestações que são livres, que criem movimentos de alcance, que se manifestem nas ruas.

Precisamos de pessoas de bem, de homens e mulheres probos na política. E precisamos de coragem para enfrentar o que virá a partir de Maio. Será quando veremos o que é ânimo popular extremamente exaltado. De minha parte, estou feliz por ter participado, de não ter ficado em minha casa de braços cruzados. De 15/03 para cá, muitas coisas já mudaram, inclusive, temos um Congresso Nacional mais ativo. Que diferença entre hoje e o Congresso que fechou o ano, brigando por cargos, nomeações e verbas para emendas! Ninguém governa o Brasil sem o Congresso e a corrupção, os desmandos e tudo o mais que aconteceu poderia ter sido evitado mil vezes com um Congresso soberano. Você faz a diferença sim e o Brasil mais do que nunca precisa de você

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sobre a redução da maioridade penal

Após o aval dado pela Comissão de Constituição e Justiça do Congresso, que não considerou a redução da maioridade penal inconstitucional, o projeto, de 22 anos tem agora um longo percurso e votações à frente. Além dos debates em plenário e nas duas casas ( Câmara dos  Deputados e Senado) o projeto precisa ser aprovado em votação por 3/5 dos deputados.  Vários parlamentares já se pronunciaram contra ou a favor e pesquisas indicam que 95% da população brasileira é favorável ao projeto. Duvido que este percentual tenha sido menor que 50% ao longo dos 22 anos em que o projeto ficou engavetado no Congresso. Cada um de nós tem uma opinião formada sobre o assunto há tempos e causa estranheza (ou espécie!) a incapacidade que nossos representantes têm em encerrar um assunto, mesmo com os dispositivos que a Lei coloca à disposição para dirimir dúvidas. Não há também questionamento sobre o peso que as manifestações populares, principalmente a do dia 15/03 tiveram para que o projeto seguisse seu caminho.  O que causa ainda mais estranheza é a discussão acalorada que o assunto continua despertando, já que boa parte do mundo está discutindo se os menores de 16 anos devem ser tratados como adultos dependendo da natureza de seu crime, além da incapacidade que muitos setores de nossa sociedade têm em enxergar a realidade em que vivemos e de avaliar como chegamos onde estamos.
É mais fácil etiquetar e classificar os que são a favor da redução da maioridade como “direita raivosa e retrógrada” do assumirmos nossos erros. É mais fácil polarizar do que aceitar argumentos. É assim que vivemos no Brasil nos últimos anos. O que menos importa na discussão é o que fazer para que o menor não se torne um criminoso irrecuperável e tenha proteção contra aqueles que o colocam neste caminho, por ação ou omissão do que “vencer” a briga. De preferência carregando a bandeira partidária e ideológica. Implodimos (às vezes literalmente) instituições e deixamos um vácuo onde elas existiam. Esquecemos que havia um problema real por trás dela. E fingimos que a razão da existência deste ou daquele modelo continua viva, até que ele bata em nossa porta. Temos milhares de jovens e crianças em estado de risco. Nosso sistema educacional é falho, somos referência na produção de analfabetos funcionais. A família não é a mesma de 20 anos atrás. Pai e mãe estão no mercado de trabalho, quando estão presentes. Sabe-se que o número de avós que cuidam de netos e que são responsáveis por seu sustento e educação vem crescendo vertiginosamente. Faltam creches para os menores e para os maiores há um vácuo imenso depois da aula, na escola. Sobra tempo e “professores” nas ruas. E são estes, os que estão à margem de tudo, os que não tem mais nada a perder  que acabam adotando ou sendo “adotados” pelos criminosos.
O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente funcionaria perfeitamente na Dinamarca, mas é um natimorto para nossa realidade e sociedade. Implodimos a FEBEM e comemoramos o ECA como um avanço social, só que nos esquecemos da realidade de nossas periferias,as  reais ou as demarcadas. Internamos um menor para aplicação de medidas sócio-educativas. Eles ficam lá pelo tempo que a lei determina e saem de lá piores do que entraram. Não há nenhuma instituição que acompanhe a família, para que ela não continue a fornecer menores para as “Casas de recuperação”, não há punição dos pais que abandonam os filhos, não se investiga e não se agrava a pena de quem conduz o menor ao crime. Não fazemos perguntas básicas, como por exemplo: um menor que mata alguém é recuperável? E se ele já matou mais do que um? E os elementos do crime: houve crueldade, há atenuantes, houve premeditação? Há uma separação nas “Fundações Casa” entre os que entram por roubo dos assassinos e criminosos quase profissionais? Como é feito o trabalho de recuperação? O que se ensina, como estas crianças são tratadas? Eles saem de lá sabendo que roubar, agredir e matar é errado? Como é feito o trabalho de reinserção na sociedade?
A antecipação da maioridade, dentro deste panorama servirá apenas como uma sinalização clara de que alguma coisa muito grave poderá acontecer com ele e, para os que já praticaram crimes é uma conseqüência de suas atitudes. Se não mudarmos, se a sociedade não mudar a forma como vê, previne e enfrenta as ameaças ao sistema, formaremos os criminosos da geração “os 12 são os novos 16”. Criança na rua é problema. Se ela está na rua, tem que ser recolhida, tem que se entender porque ela está lá. Pais devem ser responsabilizados sim pelas atitudes de seus filhos enquanto são menores, civil e criminalmente, doa a quem doer. Quem lucra com a atividade criminosa de uma criança ou adolescente tem que ter um aumento brutal da pena. Criminoso tem que cumprir pena e conforme diz a Lei “ em estabelecimento diferenciado, de acordo com o crime e as condições do apenado”. As “Fundações Casas” da vida não podem ser um depósito de infratores que de vez em quando tocam fogo em tudo e agridem os funcionários. Tem que recuperar. A medida de sua eficiência é a diminuição dos retornos. A medida da eficiência das instituições de uma sociedade é a diminuição dos números de crianças que enviamos para lá.

Se o projeto de redução da maioridade for aprovado, estaremos corrigindo os erros de percurso pelo fim e volto a salientar que ele é insuficiente para resolver os problemas que criamos ao longo destes anos todos. Mas ele é necessário, não porque protegerá o cidadão comum, mas porque antes de tudo é uma barreira final ao exercito invisível que já anda por ai. Ele sozinho é incapaz de ser uma resolver todos os problemas, o resto dependerá de nós. E não podemos continuar nos omitindo. Não podemos também nos esquecer que será preciso implementar uma grande e longa campanha informativa sobre as mudanças na lei. Os que serão diretamente afetados e suas famílias são os que tradicionalmente menos sabem sobre seus direitos e deveres como cidadãos.

domingo, 5 de abril de 2015

O que nunca deveria ser dito ou escrito

Em nossas relações, afetivas, de trabalho ou familiares algumas vezes manifestamos nossos sentimentos negativos. É aquela invejinha que brota pela promoção de um amigo de trabalho, do conhecido que se mudou para aquela casa que seria perfeita para você, a vontade de responder uma ofensa fisicamente, já que as palavras parecem não ser suficientes. A maioria de nós geralmente percebe estes sentimentos e os freiam porque sabe que a promoção foi merecida, reconhecem que aquele amigo batalhou e fez grandes sacrifícios para comprar a casa, alguns até que você não estava disposto a fazer e outros, sabem que agir sobre o domínio da raiva não trará nada de bom para ninguém. Costumam contar até dez, deixam para discutir o assunto com mais calma . Os mais racionais sabem que uma promoção implica em aumento das responsabilidades, que às vezes são superiores aos benefícios do cargo. Para alguns, situações como estas são lições de aprimoramento, é uma chance que a vida dá para você buscar o melhor, para que você se esforce mais e mesmo para que você repense alguns relacionamentos.

O que é obscuro, aquilo que nos surpreende por termos dentro de nós, geralmente é guardado ou discutido em terapia, com um padre, com um pastor, com um amigo e procura-se entender de onde sentimentos e tendências ruins apareceram para que possam ser trabalhados e transformados. Ter consciência que todos nós temos um lado que nos assusta é racionalizar as emoções. É uma das coisas que nos difere dos animais. Somos capazes de controlar nossas emoções e nossos instintos. Temos emoções mas não precisamos ser guiados por elas.

Estamos sendo inundados por artigos de opinião. Não temos mais um jornalismo investigativo que se preocupa em denunciar ao público as verdades que ocorrem nos bastidores. Isto não acontece porque temos poucos profissionais ou porque os tempos são outros. O que aconteceu dentro da Petrobrás, o Mensalão, os problemas agora detectados na Receita Federal não eram estranhos no ninho dentro das grandes redações.  O problema maior eram as verbas publicitárias, oficiais ou não. Não basta vender jornal ou assinatura de revista. É preciso rechear estas publicações de anúncios e aí, em alguns casos, vende-se a alma por pouco, porque o jornal tem que se alinhar com quem paga. Eu chamo isto de “censura econômica”. Lemos algumas reportagens que claramente foram feitas sob medida, mas que não tem o título de “Informe publicitário”. Tem algumas colunas em jornais que são absurdas. Tem gente da área de esportes e de entretenimento que publicaram artigos verdadeiramente ruins, rasos como pires sobre assuntos que passam ao largo de suas áreas de conhecimento. Este blog é um canal onde expresso minha opinião sobre diversos assuntos e há os que concordam e os que discordam abertamente. A essência do blog é esta.

Lembrando que não existe crime de opinião, não posso me furtar ao que acontece também nas redes sociais. Tenho lido alguns comentários de algumas pessoas que são realmente baixos, despidos de qualquer sentimento, de qualquer freio, como se a rede social fosse um imenso consultório psiquiátrico aberto.  Simplifica-se a morte, compara-se o incomparável, deseja-se o mal abertamente, questiona-se sentimentos familiares. O mais recente exemplo disto foram reações registradas no Twitter e no Facebook sobre a morte de Thomás Alckimin e do menino Eduardo, que foi atingido por uma bala perdida no Morro do Alemão. O primeiro não mereceria simpatia, porque era filho do Governador Geraldo Alckimin. Lamentar a morte de Thomás seria um ato de insensibilidade diante da morte de Eduardo. São os incapazes, os que não conhecem a verdadeira natureza do amor ao próximo. Para quem ama, o coração nunca está cheio. Não é preciso tirar um para colocar o outro. Cabem os dois. Independentemente da origem, foram dois jovens que perderam a vida de forma abrupta e que vão deixar um vazio, uma saudade que só quem sentiu na pele a perda de alguém entenderá. Um estava começando, construindo seu futuro com esforço e dedicação. O outro, deixou dois filhos. Os dois deixaram pais destroçados. A dor os iguala.
Os comentários hipócritas publicados podem ser até deletados, mas já deixaram seu rastro. Perdi alguns amigos do Facebook, deixei de seguir outros no Twitter. Se o objetivo era polemizar, polarizar ou até mesmo sensibilizar, o tiro saiu pela culatra. Para tudo tem limites e tem coisas que jamais devem ser ditas. O que essas pessoas conseguiram de fato foi mostrar sua verdadeira natureza e neste momento, temos que ser gratos pela convivência ser virtual. Já pensou ter que lidar como alguém assim no dia a dia, no trabalho,na família?