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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sábado, 14 de março de 2015

Por que o ciclo do PT ruiu


Ontem, dia 13, estávamos trabalhando quando uma multidão tomou as ruas de várias cidades pelo país afora. Com balões, vestindo vermelho, protestando contra as perdas que o decreto de Dilma trará aos trabalhadores, manifestando seu apoio ao Governo Federal , acusando a “direita” de golpismo e “defendendo” a Petrobrás, Centrais Sindicais, MST, MTST saíram ás ruas para mostrar sua força. A defesa da Petrobrás é tão relativa quanto o entendimento de alguns (haitianos e africanos aliciados em abrigos e que receberam R$ 35,00 por sua participação) e a moral de outros. A Petrobrás financia as manifestações do MST, todos sabem. Esse financiamento em si já é um desvio, porque se legitimo fosse, o MST não precisaria dele. Algumas Centrais Sindicais devem muitas explicações quanto à gestão, aplicações e perdas milionárias que alguns fundos de pensão, entre eles o Petros fizeram. Por trás de tantas siglas, via-se a mão já não tão invisível do Governo Federal e do PT. Com um índice de aprovação de 7% de Dilma, era preciso mostrar a força e principalmente quem são e onde estão os 7% da população que ainda a aprovam.  Infelizmente, o pessoal de Brasília não pode comparecer.

O Ciclo do PT no comando do Brasil vai chegando ao fim de forma melancólica e sem surpresas. Onde estavam os metalúrgicos de cujo sindicato saiu Lula para criar o PT? Trabalhando, pois como vítimas dos erros cometidos pelo Governo Dilma, o que se negocia não é aumento de salário, é manutenção de emprego. Onde estavam os demais trabalhadores cujo partido diz representar? Trabalhando, pois com o aumento dos índices de desemprego, não dá para faltar ao trabalho e perder um dia de salário para apoiar um Governo que vive dos impostos que todos pagamos e que consegue gastar mais do que arrecada em um país cuja carga tributária é de 30% em média.

Ao chegar ao poder, o PT se perdeu e se distanciou da classe trabalhadora. Ao tentar construir uma base aliada forte no Congresso, decidiram que era mais fácil pagar que negociar. Para pagar, veio o Mensalão e agora o Petrolão. Depois do depoimento de Paulo Barusco na CPI da Petrobrás onde ficou claro de 2% ia para o PT e 1% era dividido entre ele e Renato Duque, nos mesmos percentuais que Paulo Roberto Costa já denunciou, fico me perguntando para onde ia os 97% restantes de aumento dos aditivos contratuais. O dinheiro da propina sequer era pago pelas construtoras, era pago pela própria Petrobrás através das intermináveis alterações contratuais. Ao legislar e priorizar as minorias e os movimentos sociais que nasceram das mãos do próprio PT, esqueceram-se dos trabalhadores, de manter uma política econômica saudável que propiciasse o crescimento econômico, a manutenção e o aumento das vagas existentes. O MST pode invadir uma propriedade particular e destruir um projeto que levou 15 anos para ser desenvolvido, ninguém investiga quem está por tras disso, quem se beneficiou com isso. Um caminhoneiro em greve porque não obtém ganhos com seu trabalho está sujeito a pagar uma multa que varia de R$ 5.000,00 a R$ 10.000,00 de não desocupar uma rodovia. Que inversão é esta, onde quem trabalha está sujeito a todos rigores da lei e quem a viola está a salvo dela, pelo poder da sigla?

Não foi para garantir o emprego que Dilma conduziu sua política econômica e utilizou amplamente os recursos públicos. Foi para construir uma ilusão, para colocar em prática o modo de governar de acordo com o viés ideológico do PT, de acordo com aquilo que o Partido acredita que é melhor para o Brasil. Nem eles aceitam as mudanças econômicas que sua Presidente tem que implementar. Ainda acreditam que estão no período de bonança econômica mundial, acreditam nos números que foram maquiados e nas pedaladas que eles aplicaram nas contas públicas desde o primeiro ano de Governo Dilma.

Agora, para se manterem no poder, começam a dar ênfase na luta de classes apregoada por Lula. E dá-lhe Bolsa-família, cujos beneficiários são peões, utilizados para a manutenção de um projeto de governo que no mundo inteiro ruiu quando foi confrontado com a realidade. Esta semana, o jornalista Juca Kfouri, o mesmo que protagonizou um dos momentos mais baixos da corrida presidencial publicou um artigo sobre o panelaço, onde acusava a elite branca e rica de protestar com a barriga cheia do alto de suas “varandas gourmet”. Esqueceu-se, como funcionário de uma multinacional americana, que motivo havia de sobra para protestar e que mesmo que o protesto viesse dos ricos, este seria um momento em que se demonstrou solidariedade com os mais pobres. Para quem o valor gasto em alimentação pesará mais? Quem sofrerá mais com as alterações do seguro-desemprego e da pensão por morte? Quem está sendo mais prejudicado pelas alterações do Fies?

O Ciclo do PT está ruindo pela sua incompatibilidade com a realidade, com sua incapacidade em assumir seus erros, pela pobreza de seus quadros, pelos métodos utilizados para conquistar e manter o poder, pela forma como tratam como inimigos os adversários políticos, como usurpam os louros na vitória e abandonam os “filhos” na derrota, por golpearem e lotearem sem dó todas as instituições deste país, por sua incapacidade em reconhecer e multiplicar o mérito como objetivo final, pela sua inabilidade em manter e atrair valores. Aos que saem por ai gritando que este é o terceiro turno das eleições, vem ai um recado amargo dado pelo PSDB. Não apóiam por enquanto o Impeachement e nem endossarão o Governo do PT ou do PMDB, se este tiver que assumir com Michel Temer a Presidência.

Ou limpamos as estruturas do poder, e entendemos de fato como as coisas funcionam para não cair mais no conto do marqueteiro ou veremos este quadro se repetir novamente em 2018, com Lula. Os mesmos que hoje protestam contra Dilma, esquecem que ela está lá por obra e esforço de Lula e votariam nele hoje. Sairemos às ruas amanhã, mas a verdadeira mudança começa de dentro para fora, com um real estudo de valores.

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