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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 1 de março de 2015

Platoon

A Guerra do Vietnã (1955-1965) foi uma ferida custou a cicatrizar e que custou a vida de aproximadamente 58.000 soldados americanos cuja idade variava entre 19 e 24 anos. Filhos da “Grande geração”, ou seja, dos soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial, estes jovens deram sua vida por seu país, em um local distante e em um conflito que carecia de legitimidade. Embora somente nos dois últimos anos do conflito o alistamento passasse a ser por sorteio, a maioria dos soldados era composta por jovens negros e pobres. A guerra se alastrou por países vizinhos, fez milhares de vítimas entre civis e teve ampla cobertura da imprensa o que levou ao aumento da pressão da opinião pública pelo fim do conflito. As passeatas em Washington, os protestos de familiares e de veteranos que levou o então
desconhecido John Kerry, então um jovem herói de guerra,que se alistou voluntariamente e foi condecorado três vezes com o “Coração Púpurpura”, a depor no Congresso Americano sobre a condução da guerra e dos crimes acontecidos lá.  A guerra terminou para os americanos com a queda de Saigon e são famosas as imagens da evacuação da Embaixada Americana e dos helicópteros que foram lançados ao mar de um porta-aviões para abrir mais espaço para os simpatizantes dos americanos que deixaram o Vietnã às pressas.
Depois de anos de silêncio sobre o conflito, onde os veteranos foram recebidos em casa sem glória nenhuma e que filmes como o “ Apocalypse now”,  “O Franco atirador” e “Amargo regresso” focavam principalmente em conflitos no campo de batalha e no retorno ao lar, “Rambo” de Sylvester Stallone abriu novamente a discussão. Sim, os americanos perderam uma guerra que não era deles, sim, crimes foram cometidos lá, mas a maioria lutou até o fim pelo seu país e merecia pelo menos gratidão.  Depois de “Rambo”, uma porção de filmes procurou glorificar e mistificar os soldados, as tropas de elite e os esforços que foram feitos lá, muitos de forma ufanista. Então veio “Platoon”, de Oliver Stone, que também era um veterano condecorado  de guerra e que escreveu a história em poucos dias após seu retorno, retratando o conflito em sua etapa quase final  e de maneira bem realista.
Usando como música de fundo o “Adágio para cordas” de Samuel Barber, o filme conta a história de Chris Taylor, que tem muito em comum com Oliver Stone, um jovem que desiste da universidade e se alista no exército americano para honrar o legado de seu pai e de seu país. Chegando lá, ele passa a fazer parte de um pelotão que tem dois sargentos, Barnes e Elias, encarnações do Bem e do Mal, que “brigarão sempre por sua alma”. A escolha do então desconhecido Charlie Sheen para protagonizar o filme, foi simbólica embora o papel tenha sido oferecido até para Jim Morrison. Sheen é filho de Martin Sheen, que foi o protagonista de “Apocalypse Now” e o recurso da narrativa é utilizado em ambos os filmes. A dura realidade do conflito, a convivência com os amigos do pelotão, o uso de drogas por parte dos soldados, a falta de liderança e de estratégia para a guerra, os crimes cometidos contra os civis, tudo é visto através dos olhos de Taylor, que perde sua inocência e parte de seus ideais ali.
O filme foi rodado em 56 dias nas Filipinas e com baixo orçamento e além de Charlie Sheen, trabalharam no filme Johnny Deep que Oliver Stone percebeu que seria um grande ator,  Tom Berenger, que até então interpretava apenas mocinhos, Willem Dafoe, que era famoso por interpretar vilões. A inversão funcionou e Willem protagonizou uma das mais famosas e significantes cenas de morte do cinema. Para muitos, foi o filme de uma vida, para outros, o início de uma grande carreira. O próprio Oliver Stone participa de uma seqüência no filme e os personagens Sargento Barnes e Sargento Elias foram baseados em pessoas que de fato Stone conheceu e conviveu durante a guerra. Dificilmente saberemos em quem Stone baseou o personagem Barnes, mas Elias foi baseado na figura do Sargento Juan Angel Elias, morto em combate ferido por uma explosão de granada. A cena da morte de Elias também é baseada em uma foto icônica de Art Greenspon, considerada uma das melhores fotos da guerra, onde um soldado sinaliza o local de retirada dos feridos após uma batalha.

Platoon com todas suas referências e simbolismos, está entre os 100 melhores filmes já realizados. O maior trunfo do filme é contar a história e deixar que a audiência sinta todas as emoções que ele desperta. Sua principal mensagem talvez seja a de que não há nada de belo em uma guerra, são vidas colocadas em jogo, histórias abreviadas de jovens que tem sonhos, planos e que tombam em lugares inóspitos. O início e o fim são decididos em gabinetes, longe dos locais onde ela ocorre e que o inimigo não é apenas contra quem lutamos, mas aquilo que temos dentro de nós.

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