Quem sou eu

Minha foto

Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 8 de março de 2015

Para o quê preciso de você?

A lista de Janot foi divulgada, o sigilo sobre as delações (e são apenas as duas primeiras) de Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa foi quebrado e as aberturas de inquérito para os agentes políticos com fórum privilegiado já foram autorizadas. Se o conteúdo da lista decepcionou por não ter os nomes de Dilma ou Lula, os conteúdos das delações deixam claro que seria impossível que tamanho esquema ocorresse longe do conhecimento e anuência ( tácita ou explícita) da Presidência da República, da Casa Civil, do Ministro de Minas e Energias e de membros do Conselho da Petrobrás. É uma questão de tempo e de salvar a própria pele para que indícios mais concretos comecem a aparecer. Para Dilma, a situação é desconcertante porque ela foi Presidente do Conselho da Petrobrás, Ministra de Minas e Energia, da Casa Civil e Presidente da República.

Se sua campanha e seus pronunciamentos hoje não deixam dúvidas quanto à existência de intenções ocultas que justificam o jorro de mentiras em sua luta pelo segundo mandato, é certo também que este será um dos mais curtos períodos de permanência de um Presidente no Planalto. As perguntas a serem feitas aqui são quando e como ela sairá. Se por vontade própria diante da incapacidade em governar ou se após a abertura de um desgastante processo de Impeachment.

Ao perpetuar o processo de compra de votos e da fidelidade de uma base parlamentar sem qualquer identidade ideológica em comum a não ser utilizar o poder para conquistar benefícios próprios, ao lotear cargos em troca de apoio político, ao aparelhar a máquina do Estado para que ela funcionasse de acordo com sua conveniência, ao inchar a máquina administrativa para acomodar a companheirada, elevando os gastos a limites estratosféricos, ao tocar três projetos de aceleração do crescimento, repleto de obras de infra-estrutura faraônicas simultaneamente a uma Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos, ela conseguiu obter déficits astronômicos em todas as contas públicas, sanável apenas por um ajuste fiscal sem precedentes. Manter os “aliados” na bonança e na fartura, qualquer um consegue, agora no aperto é outra história.
Além dos problemas econômicos, Dilma enfrenta agora o início de uma tempestade que ela mesma criou com o Congresso. Incapaz de perceber quem é quem no meio político e acostumada a fazer valer sua vontade pela compra de assentos ou pela chantagem política, ela agora é vítima das manobras maquiavélicas elaboradas por sua equipe para atingir e aparar resistências e ambições. Se estas manobras foram úteis na época do “faxinão” em seu primeiro mandato, quando vários ministros caíram por obra de vazamentos seletivos, a tentativa de enfraquecer e diminuir o PMDB e suas demandas, através de Kassab e da criação de PL com membros descontentes do PMDB ruiu, conquistou inimigos e provavelmente vai custar-lhe a alma.O apoio a candidatura de Arlindo Chinaglia à Presidência da Câmara em oposição a Eduardo Cunha, a chancela dada de última hora a Renan Calheiros na campanha pela Presidência do Senado, o vácuo político relegado a Michel Temer, que o aliena das decisões do Governo mas o aciona para trabalhar em quase oposição ao partido que ele preside e o vazamento após pressão sobre Janot do nome de Cunha e de Renan Calheiros dias antes da divulgação da lista completa lhe custará o mandato.
Para que o PMDB e os partidos da base aliada precisam de Dilma agora? Um inimigo declarado é preferível a um aliado de ocasião. Defender-se com unhas e dentes e dar voz à Oposição para salvar a biografia política é melhor do que ir para a Papuda. E se for para cair, levar o máximo de pessoas junto, não deixar pedra sobre pedra ou lacunas para Dilma, João Santana e sepultar para sempre as ambições de Lula, autor de discursos disparatados, que já chegou ao cúmulo de ameaçar a população brasileira com o “Exército de Stedile”. Com este discurso, Lula conseguiu atingir duas frentes: a população honesta que trabalha e que foi escolhida para pagar a conta no ajuste fiscal de Levy e receber uma crítica do Clube dos Militares, que após anos de silêncio e de defesa de seus interesses próprios o “lembrou” que só existe um só Exército no Brasil.
Manter Dilma na Presidência e o PT no governo agora não interessa a ninguém. Pelo contrário, diante do teor das delações que já foram feitas e que também chegarão ao conhecimento do público, passa a ser um dever tirá-la de lá. É preciso lembrar que na atual fase de depoimentos e de delações, o que se investiga é a participação do Cartel em outros setores do Governo, como o energético e mais uma vez, como ex-Ministra de Minas e Energia, da Casa Civil e Presidente da República por dois mandatos, será impossível alegar desconhecimento. E para aqueles que o Supremo autorizou abertura de inquérito, a delação premiada também vale. Dilma conseguiu mais um feito inédito : tornou-se obsoleta.    

Um comentário:

Deixe aqui seu comentário: