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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 20 de março de 2015

Por enquanto


“ Mudaram as estações,
  nada mudou.
  Mas eu sei que alguma coisa aconteceu,
  está tudo assim, tão diferente.

  Se lembra quando a gente
  chegou um dia a acreditar,
  que tudo era para sempre,
  sem saber,
 que para sempre, sempre acaba.

 Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém só penso em você
e ai então, estamos bem.

Mesmo com tantos motivos para deixar tudo como está
nem desistir e nem tentar,
agora tanto faz,
estamos indo de volta para casa”

Legião Urbana

domingo, 15 de março de 2015

Prazer em conhecer

Gostaria de apresentar ao PT , aos cientistas políticos, alguns membros da esquerda e da imprensa quem são as pessoas que participaram das manifestações de hoje: Somos os “eles”, a “zelite de Lula”, a “direita reacionária” ou como gostamos de nos apresentar, as pessoas de bem que estão indignadas com tudo o que ocorre neste país. Somos os que trabalham, os aposentados que durante anos contribuíram para o crescimento deste país e que não constatam que sua renda diminuiu quando mais precisam; os que pagam impostos que não param de subi; que estão fartos de ver uma minoria barulhenta contar e exigir direitos que muitos, para tê-los, tiveram que suar a camisa e fazer sacrifícios; que não concorda com os empréstimos e investimentos em países com os quais não temos a menor afinidade; dinheiro que faz falta no país para gerar empregos e honrar compromissos assumidos pelo governo; os que acreditam que o valor de uma pessoa é medido por suas realizações e atitudes  e que não enxerga classes sociais ou castas. Somos aqueles que cantamos em nosso Hino Nacional a beleza de nosso céu, de nossas riquezas naturais, pedimos paz e enaltecemos nossas florestas ( verde, amarelo, azul e branco) que estão representadas em nossa bandeira.

Somos aqueles que acreditam no valor do trabalho, do estudo; não tomamos atalhos. Quando nos comprometemos ou assumimos compromissos, pagamos nossas contas com sacrifício. Gostamos de acreditar na palavra de uma pessoa e reconhecemos as leis, os princípios e a autoridade, mas gostamos de salientar sempre que “ o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido”. Talvez por isso,estejamos todos envergonhados e revoltados por termos como Presidente da República uma mulher mentirosa, que não representa a população feminina deste país. Não queremos o “terceiro turno” das eleições, pois entendemos que o processo eleitoral acabou. Tanto temos esta certeza que não dividimos nosso país, apesar dos discursos de Lula e de Dilma durante a campanha eleitoral. Não sentimos prazer em assistir o sofrimento alheio e não nos aproveitamos da miséria alheia. Fome é o último estágio do ser humano antes que ele se torne um animal perigoso. Não nos importamos em compartilhar, mas não toleramos mais o assistencialismo e a manipulação dos necessitados com programas sociais populistas, que dão uma migalha a alguém que pode criar asas e voar.

Para que não restem dúvidas sobre quem de fato somos, já que tantos adjetivos infelizes são pregados em nossa testa enquanto estamos preocupados em fazer nosso melhor para mantermos nosso emprego e colocar comida em nossa mesa, quero deixar claro que a feiúra e a beleza estão nos olhos de quem contempla. Não nos importamos com a beleza ou ausência dela nas pessoas que freqüentam aeroportos. Queremos apenas que eles funcionem melhor. Em nossa opinião, quando alguém assume um cargo em uma empresa, à semelhança daquilo que ocorre conosco diariamente, esta empresa tem obrigação de crescer, aproveitando as oportunidades do mercado ou, na pior das hipóteses, ficar do mesmo tamanho. Se alguém rouba a empresa em que trabalhamos, tira de cada um de nós  um pouco do que pertence a nós e aos sócios por direito. Quando descobrimos que bilhões foram desviados de uma empresa pública, com anuência e conhecimento do Partido que elegeu a Presidente, dela mesma e de seu antecessor, além de outros partidos que sustentam esta monstruosidade no poder, isso feriu a todos. É indigno, independente da nacionalidade, é um comportamento monstruoso e criminoso.

Hoje, milhões de pessoas saíram às ruas deste país para que ele nos conheça melhor. Não recebemos nenhum dinheiro por nossa participação, não havia ônibus à nossa disposição ou lanche. Pelo contrário, ainda há muitos de nós que dependem do transporte público esperando para voltar para casa. Não quebramos nada, ajudamos a limpar as ruas por onde passamos. Não está em nossa natureza depredar o patrimônio privado ou público, porque dependemos do último para nossas necessidades básicas e do primeiro para ganhar nosso sustento.

Para os que acham que nossas reivindicações são “difusas”, vou simplificar para vocês:

- Queremos que a investigação do Petrolão vá até o fim, doa a quem doer. Se chegar à Dilma, que ela responda também pelos crimes que porventura tenha cometido. Não estamos pedindo seu Impeachement porque gostamos, mas porque acreditamos que a lei é para todos. Não conhecer aquilo que se tem obrigação em conhecer e errar por omissão também é crime.
- Queremos saber o papel de Lula no Mensalão e no Petrolão. Queremos que todas as denúncias, entre elas aquela uma que a Polícia Federal demorou um ano para ouvir Lula seja esclarecida. O PT recebeu ou não uma doação vinda de Macau, feita pela Portugal Telecom? Se recebeu, foi ele que negociou.
- Queremos que os culpados sejam punidos
- Queremos uma reforma política que não permita o assalto às empresas e ao patrimônio público e que os que estão no poder não se aproveitem dos aviões, do orçamento e da caneta para permanecer no poder. A disputa tem que ser em pé de igualdade.
- Não aceitamos mais justificativas ou comparações com governos que terminaram seu mandato há 12 anos atrás. Elegemos nossos governantes para fazer melhor e não para se esconderem atrás de desculpas esfarrapadas.
- Queremos a verdade. Quando sabemos das dificuldades e somos tratados como adultos, nos unimos para superá-las. Está sendo assim com a crise hídrica. Não aceitamos mais mentiras, principalmente as elaboradas pelos marqueteiros.
- Queremos que os “movimentos sociais” como MTST e MST paguem por seus crimes e não aceitamos mais o financiamento por parte de empresas e órgãos públicos. Queremos que o “Exército de Stédile” seja desmantelado. Entendemos que, se as terras são doadas, fruto da reforma agrária e já existem linhas para financiar a produção da agricultura familiar e de cooperativas, que o patrocínio dado pelo Governo Federal,m direta ou indiretamente, através de Organizações não governamentais e empresas públicas é dispensável.
- Queremos que uma minuciosa auditoria seja feita sobre os cargos comissionados na administração direta, indireta e nas autarquias e empresas públicas. Não aceitamos mais que o dinheiro de nossos impostos mantenha uma máquina administrativa inchada, para acomodar a “companheirada”. Gostaríamos de lembrar que o Sesi, Sesc, Sest-Senai são autarquias e que nós sabemos disso. Os sacrifícios têm que ser feitos de cima para baixo!
- Queremos o Poder Legislativo independente. Queremos que cada deputado ou senador vote em propostas que tragam melhorias ao povo brasileiro, mas que também tenham responsabilidade com o que é público. Eles foram eleitos pelo povo e trabalham para o povo, não em troca de “mesadas” e poder de indicação de cargos na Administração Federal. Mudando esta mentalidade, não há necessidade de 39 ministérios para acomodar “a base”.
- Queremos também o Judiciário independente. Que cada juiz suba na carreira por méritos no desempenho de sua função, na celeridade da justiça e pelo conhecimento das leis para aplicá-las com responsabilidade e não para atender demandas de quem os indicou.
- Queremos instituições fortes, como um dia elas foram. Queremos o Ministério Público independente, um fiel vigilante das leis e dos que não podem se representar.
Prazer em te conhecer e em te amar, Brasil e brasileiros!  Motivo de orgulho no passado, no presente e certeza de realizações para o futuro. Hoje mais do que nunca, manhã mais do que hoje.

sábado, 14 de março de 2015

Por que o ciclo do PT ruiu


Ontem, dia 13, estávamos trabalhando quando uma multidão tomou as ruas de várias cidades pelo país afora. Com balões, vestindo vermelho, protestando contra as perdas que o decreto de Dilma trará aos trabalhadores, manifestando seu apoio ao Governo Federal , acusando a “direita” de golpismo e “defendendo” a Petrobrás, Centrais Sindicais, MST, MTST saíram ás ruas para mostrar sua força. A defesa da Petrobrás é tão relativa quanto o entendimento de alguns (haitianos e africanos aliciados em abrigos e que receberam R$ 35,00 por sua participação) e a moral de outros. A Petrobrás financia as manifestações do MST, todos sabem. Esse financiamento em si já é um desvio, porque se legitimo fosse, o MST não precisaria dele. Algumas Centrais Sindicais devem muitas explicações quanto à gestão, aplicações e perdas milionárias que alguns fundos de pensão, entre eles o Petros fizeram. Por trás de tantas siglas, via-se a mão já não tão invisível do Governo Federal e do PT. Com um índice de aprovação de 7% de Dilma, era preciso mostrar a força e principalmente quem são e onde estão os 7% da população que ainda a aprovam.  Infelizmente, o pessoal de Brasília não pode comparecer.

O Ciclo do PT no comando do Brasil vai chegando ao fim de forma melancólica e sem surpresas. Onde estavam os metalúrgicos de cujo sindicato saiu Lula para criar o PT? Trabalhando, pois como vítimas dos erros cometidos pelo Governo Dilma, o que se negocia não é aumento de salário, é manutenção de emprego. Onde estavam os demais trabalhadores cujo partido diz representar? Trabalhando, pois com o aumento dos índices de desemprego, não dá para faltar ao trabalho e perder um dia de salário para apoiar um Governo que vive dos impostos que todos pagamos e que consegue gastar mais do que arrecada em um país cuja carga tributária é de 30% em média.

Ao chegar ao poder, o PT se perdeu e se distanciou da classe trabalhadora. Ao tentar construir uma base aliada forte no Congresso, decidiram que era mais fácil pagar que negociar. Para pagar, veio o Mensalão e agora o Petrolão. Depois do depoimento de Paulo Barusco na CPI da Petrobrás onde ficou claro de 2% ia para o PT e 1% era dividido entre ele e Renato Duque, nos mesmos percentuais que Paulo Roberto Costa já denunciou, fico me perguntando para onde ia os 97% restantes de aumento dos aditivos contratuais. O dinheiro da propina sequer era pago pelas construtoras, era pago pela própria Petrobrás através das intermináveis alterações contratuais. Ao legislar e priorizar as minorias e os movimentos sociais que nasceram das mãos do próprio PT, esqueceram-se dos trabalhadores, de manter uma política econômica saudável que propiciasse o crescimento econômico, a manutenção e o aumento das vagas existentes. O MST pode invadir uma propriedade particular e destruir um projeto que levou 15 anos para ser desenvolvido, ninguém investiga quem está por tras disso, quem se beneficiou com isso. Um caminhoneiro em greve porque não obtém ganhos com seu trabalho está sujeito a pagar uma multa que varia de R$ 5.000,00 a R$ 10.000,00 de não desocupar uma rodovia. Que inversão é esta, onde quem trabalha está sujeito a todos rigores da lei e quem a viola está a salvo dela, pelo poder da sigla?

Não foi para garantir o emprego que Dilma conduziu sua política econômica e utilizou amplamente os recursos públicos. Foi para construir uma ilusão, para colocar em prática o modo de governar de acordo com o viés ideológico do PT, de acordo com aquilo que o Partido acredita que é melhor para o Brasil. Nem eles aceitam as mudanças econômicas que sua Presidente tem que implementar. Ainda acreditam que estão no período de bonança econômica mundial, acreditam nos números que foram maquiados e nas pedaladas que eles aplicaram nas contas públicas desde o primeiro ano de Governo Dilma.

Agora, para se manterem no poder, começam a dar ênfase na luta de classes apregoada por Lula. E dá-lhe Bolsa-família, cujos beneficiários são peões, utilizados para a manutenção de um projeto de governo que no mundo inteiro ruiu quando foi confrontado com a realidade. Esta semana, o jornalista Juca Kfouri, o mesmo que protagonizou um dos momentos mais baixos da corrida presidencial publicou um artigo sobre o panelaço, onde acusava a elite branca e rica de protestar com a barriga cheia do alto de suas “varandas gourmet”. Esqueceu-se, como funcionário de uma multinacional americana, que motivo havia de sobra para protestar e que mesmo que o protesto viesse dos ricos, este seria um momento em que se demonstrou solidariedade com os mais pobres. Para quem o valor gasto em alimentação pesará mais? Quem sofrerá mais com as alterações do seguro-desemprego e da pensão por morte? Quem está sendo mais prejudicado pelas alterações do Fies?

O Ciclo do PT está ruindo pela sua incompatibilidade com a realidade, com sua incapacidade em assumir seus erros, pela pobreza de seus quadros, pelos métodos utilizados para conquistar e manter o poder, pela forma como tratam como inimigos os adversários políticos, como usurpam os louros na vitória e abandonam os “filhos” na derrota, por golpearem e lotearem sem dó todas as instituições deste país, por sua incapacidade em reconhecer e multiplicar o mérito como objetivo final, pela sua inabilidade em manter e atrair valores. Aos que saem por ai gritando que este é o terceiro turno das eleições, vem ai um recado amargo dado pelo PSDB. Não apóiam por enquanto o Impeachement e nem endossarão o Governo do PT ou do PMDB, se este tiver que assumir com Michel Temer a Presidência.

Ou limpamos as estruturas do poder, e entendemos de fato como as coisas funcionam para não cair mais no conto do marqueteiro ou veremos este quadro se repetir novamente em 2018, com Lula. Os mesmos que hoje protestam contra Dilma, esquecem que ela está lá por obra e esforço de Lula e votariam nele hoje. Sairemos às ruas amanhã, mas a verdadeira mudança começa de dentro para fora, com um real estudo de valores.

domingo, 8 de março de 2015

Para o quê preciso de você?

A lista de Janot foi divulgada, o sigilo sobre as delações (e são apenas as duas primeiras) de Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa foi quebrado e as aberturas de inquérito para os agentes políticos com fórum privilegiado já foram autorizadas. Se o conteúdo da lista decepcionou por não ter os nomes de Dilma ou Lula, os conteúdos das delações deixam claro que seria impossível que tamanho esquema ocorresse longe do conhecimento e anuência ( tácita ou explícita) da Presidência da República, da Casa Civil, do Ministro de Minas e Energias e de membros do Conselho da Petrobrás. É uma questão de tempo e de salvar a própria pele para que indícios mais concretos comecem a aparecer. Para Dilma, a situação é desconcertante porque ela foi Presidente do Conselho da Petrobrás, Ministra de Minas e Energia, da Casa Civil e Presidente da República.

Se sua campanha e seus pronunciamentos hoje não deixam dúvidas quanto à existência de intenções ocultas que justificam o jorro de mentiras em sua luta pelo segundo mandato, é certo também que este será um dos mais curtos períodos de permanência de um Presidente no Planalto. As perguntas a serem feitas aqui são quando e como ela sairá. Se por vontade própria diante da incapacidade em governar ou se após a abertura de um desgastante processo de Impeachment.

Ao perpetuar o processo de compra de votos e da fidelidade de uma base parlamentar sem qualquer identidade ideológica em comum a não ser utilizar o poder para conquistar benefícios próprios, ao lotear cargos em troca de apoio político, ao aparelhar a máquina do Estado para que ela funcionasse de acordo com sua conveniência, ao inchar a máquina administrativa para acomodar a companheirada, elevando os gastos a limites estratosféricos, ao tocar três projetos de aceleração do crescimento, repleto de obras de infra-estrutura faraônicas simultaneamente a uma Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos, ela conseguiu obter déficits astronômicos em todas as contas públicas, sanável apenas por um ajuste fiscal sem precedentes. Manter os “aliados” na bonança e na fartura, qualquer um consegue, agora no aperto é outra história.
Além dos problemas econômicos, Dilma enfrenta agora o início de uma tempestade que ela mesma criou com o Congresso. Incapaz de perceber quem é quem no meio político e acostumada a fazer valer sua vontade pela compra de assentos ou pela chantagem política, ela agora é vítima das manobras maquiavélicas elaboradas por sua equipe para atingir e aparar resistências e ambições. Se estas manobras foram úteis na época do “faxinão” em seu primeiro mandato, quando vários ministros caíram por obra de vazamentos seletivos, a tentativa de enfraquecer e diminuir o PMDB e suas demandas, através de Kassab e da criação de PL com membros descontentes do PMDB ruiu, conquistou inimigos e provavelmente vai custar-lhe a alma.O apoio a candidatura de Arlindo Chinaglia à Presidência da Câmara em oposição a Eduardo Cunha, a chancela dada de última hora a Renan Calheiros na campanha pela Presidência do Senado, o vácuo político relegado a Michel Temer, que o aliena das decisões do Governo mas o aciona para trabalhar em quase oposição ao partido que ele preside e o vazamento após pressão sobre Janot do nome de Cunha e de Renan Calheiros dias antes da divulgação da lista completa lhe custará o mandato.
Para que o PMDB e os partidos da base aliada precisam de Dilma agora? Um inimigo declarado é preferível a um aliado de ocasião. Defender-se com unhas e dentes e dar voz à Oposição para salvar a biografia política é melhor do que ir para a Papuda. E se for para cair, levar o máximo de pessoas junto, não deixar pedra sobre pedra ou lacunas para Dilma, João Santana e sepultar para sempre as ambições de Lula, autor de discursos disparatados, que já chegou ao cúmulo de ameaçar a população brasileira com o “Exército de Stedile”. Com este discurso, Lula conseguiu atingir duas frentes: a população honesta que trabalha e que foi escolhida para pagar a conta no ajuste fiscal de Levy e receber uma crítica do Clube dos Militares, que após anos de silêncio e de defesa de seus interesses próprios o “lembrou” que só existe um só Exército no Brasil.
Manter Dilma na Presidência e o PT no governo agora não interessa a ninguém. Pelo contrário, diante do teor das delações que já foram feitas e que também chegarão ao conhecimento do público, passa a ser um dever tirá-la de lá. É preciso lembrar que na atual fase de depoimentos e de delações, o que se investiga é a participação do Cartel em outros setores do Governo, como o energético e mais uma vez, como ex-Ministra de Minas e Energia, da Casa Civil e Presidente da República por dois mandatos, será impossível alegar desconhecimento. E para aqueles que o Supremo autorizou abertura de inquérito, a delação premiada também vale. Dilma conseguiu mais um feito inédito : tornou-se obsoleta.    

domingo, 1 de março de 2015

Platoon

A Guerra do Vietnã (1955-1965) foi uma ferida custou a cicatrizar e que custou a vida de aproximadamente 58.000 soldados americanos cuja idade variava entre 19 e 24 anos. Filhos da “Grande geração”, ou seja, dos soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial, estes jovens deram sua vida por seu país, em um local distante e em um conflito que carecia de legitimidade. Embora somente nos dois últimos anos do conflito o alistamento passasse a ser por sorteio, a maioria dos soldados era composta por jovens negros e pobres. A guerra se alastrou por países vizinhos, fez milhares de vítimas entre civis e teve ampla cobertura da imprensa o que levou ao aumento da pressão da opinião pública pelo fim do conflito. As passeatas em Washington, os protestos de familiares e de veteranos que levou o então
desconhecido John Kerry, então um jovem herói de guerra,que se alistou voluntariamente e foi condecorado três vezes com o “Coração Púpurpura”, a depor no Congresso Americano sobre a condução da guerra e dos crimes acontecidos lá.  A guerra terminou para os americanos com a queda de Saigon e são famosas as imagens da evacuação da Embaixada Americana e dos helicópteros que foram lançados ao mar de um porta-aviões para abrir mais espaço para os simpatizantes dos americanos que deixaram o Vietnã às pressas.
Depois de anos de silêncio sobre o conflito, onde os veteranos foram recebidos em casa sem glória nenhuma e que filmes como o “ Apocalypse now”,  “O Franco atirador” e “Amargo regresso” focavam principalmente em conflitos no campo de batalha e no retorno ao lar, “Rambo” de Sylvester Stallone abriu novamente a discussão. Sim, os americanos perderam uma guerra que não era deles, sim, crimes foram cometidos lá, mas a maioria lutou até o fim pelo seu país e merecia pelo menos gratidão.  Depois de “Rambo”, uma porção de filmes procurou glorificar e mistificar os soldados, as tropas de elite e os esforços que foram feitos lá, muitos de forma ufanista. Então veio “Platoon”, de Oliver Stone, que também era um veterano condecorado  de guerra e que escreveu a história em poucos dias após seu retorno, retratando o conflito em sua etapa quase final  e de maneira bem realista.
Usando como música de fundo o “Adágio para cordas” de Samuel Barber, o filme conta a história de Chris Taylor, que tem muito em comum com Oliver Stone, um jovem que desiste da universidade e se alista no exército americano para honrar o legado de seu pai e de seu país. Chegando lá, ele passa a fazer parte de um pelotão que tem dois sargentos, Barnes e Elias, encarnações do Bem e do Mal, que “brigarão sempre por sua alma”. A escolha do então desconhecido Charlie Sheen para protagonizar o filme, foi simbólica embora o papel tenha sido oferecido até para Jim Morrison. Sheen é filho de Martin Sheen, que foi o protagonista de “Apocalypse Now” e o recurso da narrativa é utilizado em ambos os filmes. A dura realidade do conflito, a convivência com os amigos do pelotão, o uso de drogas por parte dos soldados, a falta de liderança e de estratégia para a guerra, os crimes cometidos contra os civis, tudo é visto através dos olhos de Taylor, que perde sua inocência e parte de seus ideais ali.
O filme foi rodado em 56 dias nas Filipinas e com baixo orçamento e além de Charlie Sheen, trabalharam no filme Johnny Deep que Oliver Stone percebeu que seria um grande ator,  Tom Berenger, que até então interpretava apenas mocinhos, Willem Dafoe, que era famoso por interpretar vilões. A inversão funcionou e Willem protagonizou uma das mais famosas e significantes cenas de morte do cinema. Para muitos, foi o filme de uma vida, para outros, o início de uma grande carreira. O próprio Oliver Stone participa de uma seqüência no filme e os personagens Sargento Barnes e Sargento Elias foram baseados em pessoas que de fato Stone conheceu e conviveu durante a guerra. Dificilmente saberemos em quem Stone baseou o personagem Barnes, mas Elias foi baseado na figura do Sargento Juan Angel Elias, morto em combate ferido por uma explosão de granada. A cena da morte de Elias também é baseada em uma foto icônica de Art Greenspon, considerada uma das melhores fotos da guerra, onde um soldado sinaliza o local de retirada dos feridos após uma batalha.

Platoon com todas suas referências e simbolismos, está entre os 100 melhores filmes já realizados. O maior trunfo do filme é contar a história e deixar que a audiência sinta todas as emoções que ele desperta. Sua principal mensagem talvez seja a de que não há nada de belo em uma guerra, são vidas colocadas em jogo, histórias abreviadas de jovens que tem sonhos, planos e que tombam em lugares inóspitos. O início e o fim são decididos em gabinetes, longe dos locais onde ela ocorre e que o inimigo não é apenas contra quem lutamos, mas aquilo que temos dentro de nós.