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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Terceirização do custeio

Na última semana, os tolos que ainda não tinham entendido a dimensão do estelionato eleitoral aplicado contra os brasileiros mesmo após o Vice-Presidente da República Michel Temer afirmar que as medidas tomadas em relação ao seguro desemprego, auxílio-doença e pensão por morte foram discutidas em Agosto de 2014, dois meses antes das eleições portanto, começaram a pagar a conta. A cobrança do Pis e Cofins é para ser cobrada apenas na gasolina e no diesel, mas o preço do álcool subiu também. Nos supermercados é visível o aumento de preços e no comércio em geral a multiplicação das liquidações. Em todos os setores da economia já dá para perceber o corte de postos de trabalho. Boa parte destes trabalhadores que estão perdendo seus empregos tem no máximo 12 meses de tempo de serviço na empresa e quem está perdendo o emprego agora pelo menos terá direito ao Seguro, ao contrário dos que serão dispensados no final do mês, que é quando a Medida-Provisória começará a valer.
O impacto do aumento dos combustíveis e da conta de luz serão sentidos mais profundamente a partir de março e como se não fosse suficiente o aumento e as bandeiras, a Anaeel prevê um aumento extraordinário de 19,97% para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e de 3,89% para o Norte e Nordeste. Este aumento é para cobrir as despesas, que até então eram pagas pelo Tesouro Nacional da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE referente ao Programa Luz para todos, subsídios à conta de consumidores de baixa renda e do combustível utilizado nas termelétricas. Depois deste aumento, já foi aprovado os percentuais de reajuste de acordo com as distribuidoras que em alguns locais poderá chegar à 40%.

A transferência de custos para o trabalhador que também é consumidor é conseqüência direta da irresponsabilidade e do voluntarismo do Governo Federal. Não há a menor possibilidade de continuar contado com recursos do Tesouro para cobrir os rombos nas contas. A conta da Previdência Social, cujos recursos são utilizados não só para o pagamento de benefícios e aposentadorias, mas também para investimentos em saneamento básico é mais uma vítima da falta de planejamento das obras que se multiplicaram no país durante os últimos anos. Ao Governo Federal cabe apenas repasse da diferença deficitária, o resto é financiado por diversas fontes diferentes. Pesquise nos sites do Governo quantas leis alteraram o Orçamento da Previdência e abriram créditos suplementares com finalidades diversas, desde tratamento de água até integralização de contas em fundos e organismos financeiros internacionais ( Lei nº 12.938 de 27/12/1983). Esta é a conta correta para sair tantos recursos, já que a expectativa de vida do brasileiro cresceu? Em compensação, o Ministro do Trabalho se reúne hoje em São Paulo com a Força Sindical para discutir cortes e medidas que podem gerar R$ 10 bilhões em economia.

São repasses pesados na conta do trabalhador, cujo salário está sendo corroído por uma inflação média de 7% e sobra pouco para consumir. Sem consumo, não há comércio, não há industria. Como segurar empregos? Estamos caminhando para uma recessão profunda. Ao mesmo tempo não vemos cortes ou maior diligência na concessão de benefícios sociais ou sinal algum de austeridade e diminuição da máquina administrativa que obviamente está inchada. Estão penalizando os que trabalham e os que produzem.

Enquanto isto, multiplicam-se notícias sobre obras financiadas pelo Governo Federal que tinham graves falhas no projeto original e mesmo assim foram tocadas. Emblemático é o caso no VLT de Cuiabá, que não teve projeto executivo e nem calculo de tarifas e que para ser terminado custará mais R$ 800 milhões depois de já ter consumido R$ 1 bilhão. Curiosamente, entre as empresas que fazem parte do Consórcio, está pelo menos uma das denunciadas no famoso Cartel de trens de São Paulo e denúncias de pagamento de propinas para políticos. Já era de conhecimento geral que a atuação destas empresas não foi restrita a São Paulo e que o maior volume de obras contratadas foi com o Governo Federal, mas mesmo assim este assunto foi explorado durante toda campanha como contraponto ao Mensalão e agora ao Petrolão. Ao que tudo indica parece ser mais uma variante do esquema que ocorreu na Petrobrás.  O nome do consórcio vencedor da licitação foi divulgado um mês antes da apuração final e houve denúncias que era um jogo de cartas marcadas. A obra deveria ter ficado pronta para a Copa e ainda falta muito para sua conclusão.
Dinheiro jogado fora, sem critério, sem seriedade, sem planejamento e que agora o setor produtivo (trabalhadores e empresas) tem que cobrir os rombos. Dia após dia recebemos notícias sobre aumentos com percentuais que ninguém no mundo ousa aplicar. E a responsabilidade é de quem? Até quando Dilma se esconderá atrás de Joaquim Levy e deixará de dar as explicações reais sobre o que nos trouxe até aqui?

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