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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Quando as passeatas se encontrarem

Na primeira quinzena de Janeiro, São Paulo assistiu a volta dos movimentos dos metalúrgicos. Diante da ameaça de demissão de empregados da Volks e da Mercedes, cerca de 11.000 metalúrgicos saíram em passeata e fecharam a Via Anchieta. Ainda no mesmo período, 300 trabalhadores do Consórcio Coeg,  que é um dos contratados para a construção da Refinaria de Abreu e Lima, fizeram uma greve em protesto contra 337 demissões ocorridas em Dezembro cujas indenizações trabalhistas não haviam sido pagas. Além disso, reclamam do atraso nos pagamentos de salários. Este consórcio é formado pelas empresas Conduto e Engesa e está sendo investigado na Operação Lava-Jato.

No interior de São Paulo, a cidade de Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, maior pólo sucroenergético brasileiro e que já foi considerada parte da “Califórnia brasileira” e que durante anos figurou na lista das 10 melhores cidades para se viver, graças aos índices alcançados na qualidade de emprego, renda, saúde e educação, parou em protesto contra as 2.000 demissões de metalúrgicos ocorridas somente em 2014. A demissão dos metalúrgicos afetou a indústria de base na região que também demitiu, afetando assim o comércio . Desde 2009 a região vem pedindo providências claras em relação ao setor ao Governo Federal e foi um dos mais afetados com o represamento artificial de preços feito pela Petrobrás. Foi elaborado um documento com sete pontos a serem considerados pelo Governo e um deles é o aproveitamento da biomassa para geração de energia elétrica, que poderia aumentar a demanda de energia, barateando as tarifas.

No dia 28 de Janeiro houve uma grande manifestação no Paraná, também de metalúrgicos protestando contra demissões e contra as Medidas Provisórias 664 e 665 que alteram as regras para concessão do seguro-desemprego, benefícios previdenciários e aumento de impostos. Calcula-se que cerca de 40.000 trabalhadores participaram do ato promovido pelas Centrais Sindicais. O Governo do Paraná se comprometeu a criar um fórum permanente para debates e acompanhamento destas demissões, já que muitas empresas têm benefícios fiscais concedidos pelo Estado. E no Rio de Janeiro, as empreiteiras Odebrecht, UTC e Mendes Junior pretendem demitir 1.600 funcionários ainda no primeiro trimestre de 2015, já que algumas etapas da obra já foram concluídas. As primeiras 600 demissões já foram realizadas e o total certamente será atingido já que após a divulgação do balanço da Petrobrás, Graça Foster  declarou que a empresa reduzirá ao mínimo os investimentos até 2016 e que os projetos de Abreu e Lima e do Complexo Comperj serão reavaliados. É importante salientar que neste ponto, ao contrário do que foi feito nos últimos anos, a Petrobrás acompanha o mercado internacional, já que há uma super-oferta de petróleo e as gigantes do setor como a Shell também anunciaram cortes nos investimentos.

Ontem em São Paulo manifestantes voltaram a tomar a Avenida Paulista pedindo o Impeachemnt de Dilma e apuração dos casos de corrupção. De norte a sul do país, os reflexos dos ajustes feitos na economia são sentidos. Em um efeito dominó, um setor leva o outro e agora é a vez do setor naval . Uma boa parte destes empregos perdidos é conseqüência direta das políticas equivocadas de Dilma em seu primeiro mandato e seriam desnecessários se ajustes pontuais, como o aumento dos combustíveis e da energia fossem feitos na época correta. É curioso um governo que acredita que aumentar os combustíveis quando o barril de petróleo chegou a ser negociado a U$ 100 dólares impediria sua reeleição como também é curioso o mesmo governo saber que o nível dos rios da região Sudeste do país estavam baixos e que não havia previsão de chuvas fortes o suficiente para reverter a situação, não autorizar aumentos de tarifa ou incentivar pelo menos o uso consciente de energia elétrica.  Mas a seca era só em São Paulo, afinal como eleger o Padilha nestas terras?

Todos os movimentos protestam contra medidas tomadas pelo Governo Federal. O problema para Dilma será quando eles perceberem que todos querem a mesma coisa: um governo decente que não financie partidos políticos com recursos públicos, condução coerente e séria da economia e o fim do populismo como fio condutor da política. Dilma ainda habita seu mundo bizarro e trata como boatos o que cada um está sentindo na pele. Para lutar contra todas as conseqüências de seus erros, só acelerando o processo de controle da mídia, afinal longe dos olhos, longe do coração.O problema será quando todas as passeatas se encontrarem.

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