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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Era necessário perder R$ 13 bilhões?

No próximo mês a Operação Lava-Jato completará um ano. Há motivos de sobra para lamentar o que aconteceu com a Petrobrás e para investigar até onde o esquema e as empresas envolvidas atuaram, mas de certa forma há motivo para celebração. Quando todos apostavam na falência de todas as instituições, a Polícia Federal e a Justiça Federal de Curitiba mostraram que não é bem assim. E graças à tenacidade de Joaquim Barbosa na condução do processo do Mensalão descobrimos que corrupção dá cadeia sim, e com penas que podem chegar a 47 anos de prisão, no caso específico de Marcos Valério. E graças ao instinto de sobrevivência do PT, sabe-se claramente que quando um companheiro cai os outros viram as costas e a saída é colaborar e negociar delações. Alguns dão até entrevista em Portugal falando que os amigos de longa data não eram pessoas de sua confiança...
Mas hoje, quase um ano depois do início das investigações e da prisão de Paulo Roberto Costa, dos depoimentos contraditórios e outros mentirosos em plenário, de dúvidas que precisam ser explicadas em obras de sua diretoria, como foi o caso do Gasene, de seu aparente conhecimento sobre as cobranças de propinas em pelo menos duas diretorias da Petrobrás, Graça Foster deixará a Presidência da Petrobrás. Ela poderia ter sido substituída na época em que PwC se recusou a assinar os balanços ou quando a Petrobrás passou a valer menos que seu valor patrimonial no mercado de ações, ou ao término do primeiro mandato de Dilma ou em Janeiro, no início do segundo mandato de Dilma ou semana passada após a divulgação do balanço, quando a Petrobrás perdeu R$ 13 bilhões em valor de mercado em um só dia.
Houve tempo e oportunidade para evitar todo este desgaste, para dar um recado claro ao mercado que a empresa caminhava rumo à transparência e a eficiência, para que todos os brasileiros soubessem que as mudanças seriam feitas independente de ideologia e de amizades. Durante este tempo desperdiçado seria mais fácil encontrar um nome de peso para a presidência da empresa e não ficaria este vácuo entre a demissão e a nomeação do substituto. Agora os requisitos para o novo presidente são maiores pois além da competência profissional e conhecimento na área que já são muito específicos, é preciso que seja alguém muito corajoso e muito bem articulado para explicar as perdas calculadas mas não incluídas no balanço de R$ 88 milhões.

A Presidente Dilma dá sinais contraditórios à população e ao mercado. Se por um lado, a nomeação de Gilberto Kassab para o Ministério das Cidades e a missão que lhe foi confiada de esvaziar o PMDB é digna de um Bórgia, por outro lado perdem-se oportunidades e dinheiro para mostrar quem de fato chefia o Governo, em um momento que é preciso mostrar e praticar austeridade, onde o caixa está tão baixo que a conta está sendo dividida com todos os brasileiros. A permanência de Graça Foster na presidência da Petrobrás contra tudo e todos passa uma imagem de capricho infantil, incompatível com o cargo que Dilma Rousseff ocupa. O povo brasileiro está pagando a conta (literalmente) do peso de uma máquina administrativa criada e ampliada para atender um projeto de poder, que troca cargos e acesso privilegiado por votos no Congresso. Os resultados das votações no Congresso prejudicam o cidadão que sustenta financeiramente este círculo vicioso e a aprovação da alteração da LDO foi um exemplo claro disso. Se forem aprovadas as Medidas Provisórias 664 e 665 pagaremos mais para que tenhamos menos direitos,  menos recursos disponíveis para a saúde pública, para cortarem R$ 7 bilhões do orçamento da educação entre outras coisas. É realmente preciso perder tanto para mostrar quem é que manda?

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