Quem sou eu

Minha foto

Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dois erros não fazem um acerto

Poderá ser hoje, amanhã, na próxima semana, não sabemos com certeza quando, apenas que em Fevereiro será divulgada a lista com o nome dos políticos que estão sendo investigados pela Operação Lava-Jato. Saberemos também os resultados práticos das reuniões dos advogados das empreiteiras com o Ministro José Eduardo Cardozo, que jamais deveriam ter ocorrido da forma como aconteceram. Sem registro na agenda, sem a presença de qualquer outra autoridade que possa atestar se foi o Ministro da Justiça ou o advogado do Partido acusado de se beneficiar dos crimes cometidos pelas empresas que os recebeu. Se o papel de José Eduardo Cardozo foi como Ministro, tudo o que ocorreu dentro do Ministério da Justiça durante as reuniões levanta dúvidas quanto a sua imparcialidade e inclusive sobre a necessidade dos encontros. Se ele os recebeu como membro do Governo e advogado do PT, elas jamais deveriam ter ocorrido dentro do Ministério da Justiça.

Conforme matéria publicada na Revista Veja, o assunto principal das reuniões foi a Operação Lava-Jato e ainda de acordo com a matéria, os advogados foram aconselhados a aguardar a divulgação da relação que está em poder do Procurador Geral Rodrigo Janot, que contêm  nomes de políticos e agentes públicos antes de fechar os acordos de delação premiada. A “lista negra” conteria nomes graúdos de políticos da oposição, o que inviabilizaria a continuidade da Operação. Pela quantidade de denúncias e suspeitas já apuradas, pelo teor das delações já realizadas, pelos cruzamentos de dados e principalmente pelo grande número de informações que são de domínio público, judicialmente será muito difícil anular o processo e mesmo que isto aconteça em virtude de erros cometido durante as investigações, nada poderá ser feito que não permita que um novo processo sanado seja montado rapidamente. Há ainda que se lembrar que a anulação de um processo deste porte despertaria um grande clamor na sociedade, que poderia despertar movimentos de turba que geralmente tem início quando o cidadão comum percebe que a justiça não será feita.

O que os advogados e o Ministro e mesmo o governo não percebem é que a Operação não é um movimento político, mas sim uma ação judicial iniciada por uma investigação policial. Na política, os “acordos de bastidores” salvam carreiras, na Justiça há dois resultados possíveis: absolvição ou condenação. Neste sentido, a Ação Penal do Mensalão deixou uma porção de lições que se não foram aprendidas, se repetirão novamente. Entre estas lições ficou claro que quando a coisa chega no Judiciário, não importa a influência de Lula, cujos movimentos poderão apressar conclusões sobre seu grau de participação. Condena-se ou absolve-se conforme o que diz a Lei e não conforme a vontade dos companheiros de lambança. Condena-se e prende-se José Dirceu, José Genuíno, Delúbio Soares e outros. Aliás, se as investigações comprovarem a participação de José Dirceu no Petrolão, a pena será cumprida em regime fechado e será bem maior.
Parece que o Governo não entendeu ainda a população anseia por justiça, doa a quem doer. Se de fato há nomes de políticos da oposição, que eles sejam investigados e que paguem por seus erros. Filiação partidária e biografia política não são pressupostos para impunidade. O que está em jogo é o patrimônio do povo brasileiro, suas fontes de riqueza que devem ser revertidas para a sociedade e não irem para o bolso de poucos escolhidos. Ou o sistema passa por um aprimoramento e onde cada um responde por seus crimes ou se condena a sociedade à exploração, aos desvios e aos propósitos sombrios de poucos.
Os advogados podem ter cometido um erro de grandes proporções ao confundir poder político com poder absoluto e podem ter perdido tempo e ocasião de negociar diminuição de pena e prejuízos . Esqueceram inclusive que há separação de Poderes e que garante-se ao Judiciário independência. Que o Governo tenha conseguido aprovar um projeto rasteiro no TCU, ainda vai. Mas eles se esquecem que o Tribunal de Contas é órgão autônomo, porém faz parte do sistema de controle e fiscalização do Legislativo? Até onde esta medida será benéfica para as empreiteiras?É preciso que Governo, Oposição e imprensa entendam que dois erros não fazem um acerto. Ambos devem ser punidos com todo rigor da lei. O que não é mais aceito é a nivelação por baixo, onde se o primeiro erra, o erro do segundo favorece os dois e todos são iguais. Doa a quem doer, chegue onde e em quem chegar, todos deverão pagar, sem exceções. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sobre Cindy Crawford

Cindy Crawford aos 47 anos é e sempre foi uma mulher belíssima. Mesmo se não fosse famosa, dificilmente passaria desapercebida. Um dos rostos mais famosos no mundo da moda nos anos 90, ao lado de belas modelos como Linda Evangelista, Naomi Campbel e Cristhy Turlington ela inclusive é uma das modelos que aparecem no icônico clip de “Freedon” de George Michael. Além de modelo, tentou a carreira de atriz e foi apresentadora da MTV com sucesso, quando isto era muito importante. Sempre se dedicou também a promover eventos e instituições para angariar fundos para o tratamento e cura do câncer em crianças. A grande polêmica de sua vida foi seu casamento com Richard Gere, que durou quatro anos e que sucumbiu ao peso das especulações sobre as preferências sexuais do ator. Cindy se aposentou da carreira de modelo ainda em ótima forma, casou-se e teve dois filhos.

Na última semana foi publicada uma foto da ex-modelo sem retoques que foi tirada de um trabalho feito para a revista Marie Claire do México. Na foto, ela exibe uma leve barriguinha e as marcas que o tempo deixa no corpo de qualquer mulher. Aparentemente, fruto de um “vazamento”, a foto tornou-se viral e ganhou elogios de várias mulheres, entre elas a atriz Jamie Lee Curtis que parabenizou Cindy pela foto e comentou que é assim que uma mulher real se parece aos 47 anos. A revista Marie Claire declarou que a foto não foi utilizada em 2013, quando foi feita e que, fruto de um vazamento ou não, “retrata um corpo que dispensa explicações, é real, é honesto e é lindo”.
Acho que na era do “anti-anging”, envelhecer é algo que acreditamos que aconteça só com os outros e de depois de muito tempo. As mudanças que o tempo traz são insidiosas e impiedosas. Não é só a falta do vigor, do tônus, é a mudança do ritmo, é um longo processo de aceitação e negação. Nossa sociedade exalta a juventude e seus atributos e em nosso país sequer sabemos conviver com os idosos, já que o crescimento da expectativa de vida é recente. Aceitar a pátina que o tempo vai depositando em nosso corpo e rosto é um processo lento. Alguns ( homens e mulheres) se rebelam com vigor. As clínicas dermatológicas estão cheias de pacientes que se submetem a tratamentos com laser, preenchimento, botox entre outros. Os cirurgiões plásticos oferecem técnicas diferentes e minimamente invasivas para a reversão deste processo. A indústria farmacêutica aposta neste segmento e desenvolve produtos que prometem não apenas frear o processo como em alguns casos reverter alguns sinais e também oferecer melhor qualidade de vida, sem as dores reais e problemas inerentes aos efeitos da passagem do tempo em nosso organismo. É um campo que vai crescer bastante e que tem milhões de dólares investidos anualmente para o desenvolvimento de novos produtos.
E há o lado comportamental também. Para alguns, a chegada dos sinais ou a percepção de que eles estão ali é um choque imenso. A famosa “idade do lobo” também atinge mulheres. Algumas freqüentam o mesmo ambiente que as filhas e em grupo às vezes se comportam como adolescentes. Freqüentam baladas, namoram homens mais jovens, participam animadamente de eventos em locais que em seu próprio tempo não iriam e às vezes cometem excessos que seriam imperdoáveis até para as filhas. Tempo não é sinal de sabedoria. Mais triste que negar a passagem dos anos é a velhice ridícula. A foto de Madonna no Grammy deu o que pensar, não?
Envelhecer é inevitável, ninguém ainda encontrou a fonte da juventude, embora tenhamos muitos Ponce de Leon em vários campos de pesquisa. Envelhecer com sabedoria e qualidade de vida está ao alcance de todos nós. Se a publicação da foto de Cindy Crawford foi um vazamento autorizado, se ela está em paz com seu corpo, ninguém sabe porque ela não se pronunciou. Se o debate é válido, em minha opinião é sim, porque naturalmente é assim que o corpo de uma mulher de 47 anos , depois do nascimento dos filhos e tudo mais. Cindy Crawford também é conhecida por sua dedicação aos exercícios e ao cuidado pessoal. O desafio é se amar e amar o parceiro, porque eles também mudam. E o importante é ser feliz e estar bem com você mesma e com os outros. Estar bem  gera bem-estar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Terceirização do custeio

Na última semana, os tolos que ainda não tinham entendido a dimensão do estelionato eleitoral aplicado contra os brasileiros mesmo após o Vice-Presidente da República Michel Temer afirmar que as medidas tomadas em relação ao seguro desemprego, auxílio-doença e pensão por morte foram discutidas em Agosto de 2014, dois meses antes das eleições portanto, começaram a pagar a conta. A cobrança do Pis e Cofins é para ser cobrada apenas na gasolina e no diesel, mas o preço do álcool subiu também. Nos supermercados é visível o aumento de preços e no comércio em geral a multiplicação das liquidações. Em todos os setores da economia já dá para perceber o corte de postos de trabalho. Boa parte destes trabalhadores que estão perdendo seus empregos tem no máximo 12 meses de tempo de serviço na empresa e quem está perdendo o emprego agora pelo menos terá direito ao Seguro, ao contrário dos que serão dispensados no final do mês, que é quando a Medida-Provisória começará a valer.
O impacto do aumento dos combustíveis e da conta de luz serão sentidos mais profundamente a partir de março e como se não fosse suficiente o aumento e as bandeiras, a Anaeel prevê um aumento extraordinário de 19,97% para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e de 3,89% para o Norte e Nordeste. Este aumento é para cobrir as despesas, que até então eram pagas pelo Tesouro Nacional da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE referente ao Programa Luz para todos, subsídios à conta de consumidores de baixa renda e do combustível utilizado nas termelétricas. Depois deste aumento, já foi aprovado os percentuais de reajuste de acordo com as distribuidoras que em alguns locais poderá chegar à 40%.

A transferência de custos para o trabalhador que também é consumidor é conseqüência direta da irresponsabilidade e do voluntarismo do Governo Federal. Não há a menor possibilidade de continuar contado com recursos do Tesouro para cobrir os rombos nas contas. A conta da Previdência Social, cujos recursos são utilizados não só para o pagamento de benefícios e aposentadorias, mas também para investimentos em saneamento básico é mais uma vítima da falta de planejamento das obras que se multiplicaram no país durante os últimos anos. Ao Governo Federal cabe apenas repasse da diferença deficitária, o resto é financiado por diversas fontes diferentes. Pesquise nos sites do Governo quantas leis alteraram o Orçamento da Previdência e abriram créditos suplementares com finalidades diversas, desde tratamento de água até integralização de contas em fundos e organismos financeiros internacionais ( Lei nº 12.938 de 27/12/1983). Esta é a conta correta para sair tantos recursos, já que a expectativa de vida do brasileiro cresceu? Em compensação, o Ministro do Trabalho se reúne hoje em São Paulo com a Força Sindical para discutir cortes e medidas que podem gerar R$ 10 bilhões em economia.

São repasses pesados na conta do trabalhador, cujo salário está sendo corroído por uma inflação média de 7% e sobra pouco para consumir. Sem consumo, não há comércio, não há industria. Como segurar empregos? Estamos caminhando para uma recessão profunda. Ao mesmo tempo não vemos cortes ou maior diligência na concessão de benefícios sociais ou sinal algum de austeridade e diminuição da máquina administrativa que obviamente está inchada. Estão penalizando os que trabalham e os que produzem.

Enquanto isto, multiplicam-se notícias sobre obras financiadas pelo Governo Federal que tinham graves falhas no projeto original e mesmo assim foram tocadas. Emblemático é o caso no VLT de Cuiabá, que não teve projeto executivo e nem calculo de tarifas e que para ser terminado custará mais R$ 800 milhões depois de já ter consumido R$ 1 bilhão. Curiosamente, entre as empresas que fazem parte do Consórcio, está pelo menos uma das denunciadas no famoso Cartel de trens de São Paulo e denúncias de pagamento de propinas para políticos. Já era de conhecimento geral que a atuação destas empresas não foi restrita a São Paulo e que o maior volume de obras contratadas foi com o Governo Federal, mas mesmo assim este assunto foi explorado durante toda campanha como contraponto ao Mensalão e agora ao Petrolão. Ao que tudo indica parece ser mais uma variante do esquema que ocorreu na Petrobrás.  O nome do consórcio vencedor da licitação foi divulgado um mês antes da apuração final e houve denúncias que era um jogo de cartas marcadas. A obra deveria ter ficado pronta para a Copa e ainda falta muito para sua conclusão.
Dinheiro jogado fora, sem critério, sem seriedade, sem planejamento e que agora o setor produtivo (trabalhadores e empresas) tem que cobrir os rombos. Dia após dia recebemos notícias sobre aumentos com percentuais que ninguém no mundo ousa aplicar. E a responsabilidade é de quem? Até quando Dilma se esconderá atrás de Joaquim Levy e deixará de dar as explicações reais sobre o que nos trouxe até aqui?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Sobre o parecer de Ives Gandra ou sobre o direito de saber

No domingo o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso publicou no jornal “Estado de São Paulo” o artigo “Chegou a hora”.  O artigo é claro, direto e faz uma análise detalhada do momento em que estamos passando, das oportunidades que perdemos e das sombrias perspectivas não só para o nosso futuro imediato como também para aquele que deixaremos para nossos filhos e netos. Entre outras causas que nos levaram a chegar onde estamos, ele destaca o atual sistema político, onde as alianças feitas são frágeis e se alimentam do que o governo pode oferecer. Além disso, ele afirma que é necessária uma mudança de dentro para fora, ou seja, que aconteça uma limpeza nas estruturas políticas e que o Petrolão é uma etapa deste processo.  Como ex-presidente e cidadão, ele pede que o processo vá até o fim, que a oposição não deixe o Judiciário sozinho nesta luta. Em determinado parágrafo ele cita que se as mudanças não forem feitas pelos que detém o poder, elas serão feitas de fora para dentro e que o Brasil já viu isto acontecer através das tomadas de poder pelos militares ao longo de sua história. Textualmente ele afirma que não é o caso, não é o que se deseja e que não se vêem sinais e que o caminho é a Justiça. São fatos, constatações, não são especulações ou palpites. Para os que não concordam, esqueçam o mensageiro e discutam a mensagem, argumentem, debatam. Democracia é isto, o artigo é um artigo e não um dogma ou uma bula papal.

Na segunda-feira, o Jornal Folha de São Paulo e o site Uol publicaram um artigo escrito pelo Jurista Ives Gandra S Martins em que ele faz um resumo de um parecer que ele elaborou a pedido do advogado José de Oliveira Costa. Em seu parecer, que por sinal já circula na internet há algum tempo, ele conclui que é possível o pedido de Impeachment Presidencial por improbidade administrativa decorrente de culpa. Para quem não sabe, em direito a culpa é caracterizada por omissão, negligência, imperícia e imprudência. Para os brasileiros que estão pagando a conta dos desmandos e desacertos do Governo Dilma, é um alívio saber que na política o inapto também pode ser punido. O problema maior é que quem encomendou o parecer foi o advogado José de Oliveira Costa que é advogado também do Instituto FHC. Hoje, Rui Falcão, Presidente do PT disse que o parecer é um “flerte com o golpismo”.
Nunca antes a palavra “golpe” foi utilizada tantas vezes em situações tão diferentes como no último ano. Petrolão? Golpe da oposição. Delação de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef? Golpe da oposição. Dilma e Lula sabiam? Golpe da Revista Veja. Na opinião do PT , todos tentam dar um golpe contra o governo, mas quem deu sucessivos golpes contra o Brasil, contra os brasileiros, contra o patrimônio dos brasileiros, contra a democracia não estão na oposição. São aqueles que lucraram direta ou indiretamente com o esquema que desviou milhões de uma empresa que tem papel-chave na economia do país. Os responsáveis pelo Petrolão são também aqueles que colocaram estas pessoas em posição e com poder para fazer isto ou que fecharam os olhos para o que estava acontecendo debaixo de seus narizes. O direito de saber é também obrigação. O saber nos dá responsabilidade, o desconhecimento nos transforma em cúmplices involuntários. Mesmo que Fernando Henrique Cardoso em pessoa tivesse encomendado e pagado pelo parecer de Ives Gandra, é direito dele como cidadão e é um favor que ele presta à sociedade. Saber não nos transforma em golpistas, esconder a verdade sim.      


Como disse o Ministro Marco Aurélio, do STF, vivemos tempos interessantes. A inversão de valores pregada pelo PT é absurda. Não há sequer acanhamento ou constrangimento em condenar os que buscam esclarecimento como forma de defesa de direitos, mas é louvável toda forma de intimidação como a ameaça velada de controle da imprensa. O sr. Rui Falcão deveria procurar conter seus rompantes autoritários e procurar guardar energias para o que o futuro trará para seu partido, que desde segunda-feira é citado como beneficiário em quase todos os depoimentos que estão sendo prestados na Justiça Federal sobre o Petrolão. Agora é hora de voar abaixo do radar, sem chamar muita atenção, porque em breve ele também terá que dar muitos esclarecimentos, não só à oposição mas também a todos os brasileiros.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Era necessário perder R$ 13 bilhões?

No próximo mês a Operação Lava-Jato completará um ano. Há motivos de sobra para lamentar o que aconteceu com a Petrobrás e para investigar até onde o esquema e as empresas envolvidas atuaram, mas de certa forma há motivo para celebração. Quando todos apostavam na falência de todas as instituições, a Polícia Federal e a Justiça Federal de Curitiba mostraram que não é bem assim. E graças à tenacidade de Joaquim Barbosa na condução do processo do Mensalão descobrimos que corrupção dá cadeia sim, e com penas que podem chegar a 47 anos de prisão, no caso específico de Marcos Valério. E graças ao instinto de sobrevivência do PT, sabe-se claramente que quando um companheiro cai os outros viram as costas e a saída é colaborar e negociar delações. Alguns dão até entrevista em Portugal falando que os amigos de longa data não eram pessoas de sua confiança...
Mas hoje, quase um ano depois do início das investigações e da prisão de Paulo Roberto Costa, dos depoimentos contraditórios e outros mentirosos em plenário, de dúvidas que precisam ser explicadas em obras de sua diretoria, como foi o caso do Gasene, de seu aparente conhecimento sobre as cobranças de propinas em pelo menos duas diretorias da Petrobrás, Graça Foster deixará a Presidência da Petrobrás. Ela poderia ter sido substituída na época em que PwC se recusou a assinar os balanços ou quando a Petrobrás passou a valer menos que seu valor patrimonial no mercado de ações, ou ao término do primeiro mandato de Dilma ou em Janeiro, no início do segundo mandato de Dilma ou semana passada após a divulgação do balanço, quando a Petrobrás perdeu R$ 13 bilhões em valor de mercado em um só dia.
Houve tempo e oportunidade para evitar todo este desgaste, para dar um recado claro ao mercado que a empresa caminhava rumo à transparência e a eficiência, para que todos os brasileiros soubessem que as mudanças seriam feitas independente de ideologia e de amizades. Durante este tempo desperdiçado seria mais fácil encontrar um nome de peso para a presidência da empresa e não ficaria este vácuo entre a demissão e a nomeação do substituto. Agora os requisitos para o novo presidente são maiores pois além da competência profissional e conhecimento na área que já são muito específicos, é preciso que seja alguém muito corajoso e muito bem articulado para explicar as perdas calculadas mas não incluídas no balanço de R$ 88 milhões.

A Presidente Dilma dá sinais contraditórios à população e ao mercado. Se por um lado, a nomeação de Gilberto Kassab para o Ministério das Cidades e a missão que lhe foi confiada de esvaziar o PMDB é digna de um Bórgia, por outro lado perdem-se oportunidades e dinheiro para mostrar quem de fato chefia o Governo, em um momento que é preciso mostrar e praticar austeridade, onde o caixa está tão baixo que a conta está sendo dividida com todos os brasileiros. A permanência de Graça Foster na presidência da Petrobrás contra tudo e todos passa uma imagem de capricho infantil, incompatível com o cargo que Dilma Rousseff ocupa. O povo brasileiro está pagando a conta (literalmente) do peso de uma máquina administrativa criada e ampliada para atender um projeto de poder, que troca cargos e acesso privilegiado por votos no Congresso. Os resultados das votações no Congresso prejudicam o cidadão que sustenta financeiramente este círculo vicioso e a aprovação da alteração da LDO foi um exemplo claro disso. Se forem aprovadas as Medidas Provisórias 664 e 665 pagaremos mais para que tenhamos menos direitos,  menos recursos disponíveis para a saúde pública, para cortarem R$ 7 bilhões do orçamento da educação entre outras coisas. É realmente preciso perder tanto para mostrar quem é que manda?

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Quando as passeatas se encontrarem

Na primeira quinzena de Janeiro, São Paulo assistiu a volta dos movimentos dos metalúrgicos. Diante da ameaça de demissão de empregados da Volks e da Mercedes, cerca de 11.000 metalúrgicos saíram em passeata e fecharam a Via Anchieta. Ainda no mesmo período, 300 trabalhadores do Consórcio Coeg,  que é um dos contratados para a construção da Refinaria de Abreu e Lima, fizeram uma greve em protesto contra 337 demissões ocorridas em Dezembro cujas indenizações trabalhistas não haviam sido pagas. Além disso, reclamam do atraso nos pagamentos de salários. Este consórcio é formado pelas empresas Conduto e Engesa e está sendo investigado na Operação Lava-Jato.

No interior de São Paulo, a cidade de Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, maior pólo sucroenergético brasileiro e que já foi considerada parte da “Califórnia brasileira” e que durante anos figurou na lista das 10 melhores cidades para se viver, graças aos índices alcançados na qualidade de emprego, renda, saúde e educação, parou em protesto contra as 2.000 demissões de metalúrgicos ocorridas somente em 2014. A demissão dos metalúrgicos afetou a indústria de base na região que também demitiu, afetando assim o comércio . Desde 2009 a região vem pedindo providências claras em relação ao setor ao Governo Federal e foi um dos mais afetados com o represamento artificial de preços feito pela Petrobrás. Foi elaborado um documento com sete pontos a serem considerados pelo Governo e um deles é o aproveitamento da biomassa para geração de energia elétrica, que poderia aumentar a demanda de energia, barateando as tarifas.

No dia 28 de Janeiro houve uma grande manifestação no Paraná, também de metalúrgicos protestando contra demissões e contra as Medidas Provisórias 664 e 665 que alteram as regras para concessão do seguro-desemprego, benefícios previdenciários e aumento de impostos. Calcula-se que cerca de 40.000 trabalhadores participaram do ato promovido pelas Centrais Sindicais. O Governo do Paraná se comprometeu a criar um fórum permanente para debates e acompanhamento destas demissões, já que muitas empresas têm benefícios fiscais concedidos pelo Estado. E no Rio de Janeiro, as empreiteiras Odebrecht, UTC e Mendes Junior pretendem demitir 1.600 funcionários ainda no primeiro trimestre de 2015, já que algumas etapas da obra já foram concluídas. As primeiras 600 demissões já foram realizadas e o total certamente será atingido já que após a divulgação do balanço da Petrobrás, Graça Foster  declarou que a empresa reduzirá ao mínimo os investimentos até 2016 e que os projetos de Abreu e Lima e do Complexo Comperj serão reavaliados. É importante salientar que neste ponto, ao contrário do que foi feito nos últimos anos, a Petrobrás acompanha o mercado internacional, já que há uma super-oferta de petróleo e as gigantes do setor como a Shell também anunciaram cortes nos investimentos.

Ontem em São Paulo manifestantes voltaram a tomar a Avenida Paulista pedindo o Impeachemnt de Dilma e apuração dos casos de corrupção. De norte a sul do país, os reflexos dos ajustes feitos na economia são sentidos. Em um efeito dominó, um setor leva o outro e agora é a vez do setor naval . Uma boa parte destes empregos perdidos é conseqüência direta das políticas equivocadas de Dilma em seu primeiro mandato e seriam desnecessários se ajustes pontuais, como o aumento dos combustíveis e da energia fossem feitos na época correta. É curioso um governo que acredita que aumentar os combustíveis quando o barril de petróleo chegou a ser negociado a U$ 100 dólares impediria sua reeleição como também é curioso o mesmo governo saber que o nível dos rios da região Sudeste do país estavam baixos e que não havia previsão de chuvas fortes o suficiente para reverter a situação, não autorizar aumentos de tarifa ou incentivar pelo menos o uso consciente de energia elétrica.  Mas a seca era só em São Paulo, afinal como eleger o Padilha nestas terras?

Todos os movimentos protestam contra medidas tomadas pelo Governo Federal. O problema para Dilma será quando eles perceberem que todos querem a mesma coisa: um governo decente que não financie partidos políticos com recursos públicos, condução coerente e séria da economia e o fim do populismo como fio condutor da política. Dilma ainda habita seu mundo bizarro e trata como boatos o que cada um está sentindo na pele. Para lutar contra todas as conseqüências de seus erros, só acelerando o processo de controle da mídia, afinal longe dos olhos, longe do coração.O problema será quando todas as passeatas se encontrarem.