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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Ter o que é preciso

Após as eleições, o termo “polarizar” tem sido utilizado com freqüência para desacreditar qualquer debate de idéias que questione os métodos e a qualidade do Governo Dilma. Outra expressão que passou a ser freqüentemente usada é “descer do palanque”  quando a crítica é mais severa, e de comparar as realizações dos 12 anos de governo do PT com os 08 anos em que o PSDB comandou a política nacional, há 12 anos atrás. A disputa das eleições presidenciais ficou entre PT e PSDB porque os eleitores brasileiros se fizeram representar desta forma. De acordo com os resultados das últimas eleições, 49% da população brasileira acredita que eles fizeram um bom governo, ou como se diz no mercado de trabalho, terminaram de carregar o piano para que o país se desenvolvesse. É preciso lembrar que há mais de vinte partidos políticos no Brasil e há exatos doze anos não é lançado um candidato como um programa de governo que passe segurança e confiabilidade para o eleitor. O que há é falta de representatividade. Ainda sobre os jargões herdados do último pleito, todo mundo já desceu do palanque, os únicos que ainda estão lá são Dilma e o PT. Se há polarização neste momento, ela acontece entre os que estão tendo perdas reais e pagando a conta pelos desmandos que ocorreram na economia nos últimos quatro anos e os que se negam a ver a realidade. E saindo do terreno das comparações em que não se contextualiza o momento e discute-se fatos isolados como decisivos , vamos falar sobre fatos.

Se você procurar o significado de competência no dicionário, encontrará mais ou menos a seguinte definição: Conhecimento e capacidade em determinada área ou atribuição. Hoje no mundo corporativo o indivíduo é avaliado pelo conjunto de suas competências e a relação direta delas com os objetivos e resultados que se esperam alcançar quando seu detentor for ocupante de determinado cargo. Somos avaliados pela qualidade de nosso trabalho e pelos resultados alcançados. Esta avaliação é feita formal ou informalmente todos os dias, pelo quitandeiro da esquina ao examina o trabalho de seu auxiliar e decidir se ele continuará no “emprego” ou pelo “Departamento de Pessoas” de uma grande empresa em conjunto com o gestor da área. Tendo em vista os meios e resultados alcançados pelo Governo Dilma, concluímos que seu governo carece das competências ou qualidades para o exercício da função. A ausência de competências é definida também no dicionário como incompetência.

Isto é uma constatação, independente de minha ideologia, de meus conceitos, de minhas origens. Analisando os meios utilizados e os resultados obtidos, o Governo Dilma foi incompetente na economia, na aplicação e distribuição dos recursos em saúde, em educação na execução de uma de suas vitrines do governo, o Pronatec, quando contratou alguns prestadores de serviço pelo dobro do valor cobrado em mercado e agora não consegue pagar a conta, nos investimentos em infra-estrutura que foram superfaturados e alguns executados com qualidade questionável, na habitação pelo mesmo motivo, em segurança pública, no setor energético, na administração do tamanho da máquina administrativa e o peso dela no Orçamento, no desrespeito pelos princípios constitucionais, administrativos, econômicos, contábeis e orçamentários pelas “pedaladas” e na falta de transparência na administração do que é público. Todos os custos serão repassados para a sociedade e alguns deles pelo valor final, como é o caso das tarifas energéticas. Além disso, a inflação está de volta e a perspectiva de aumento do desemprego também.

Por mais que se fale da integridade de Dilma, que ainda não foi maculada constatamos também que, embora ela tenha uma história pessoal de luta e coragem, há uma imensa dificuldade em reconhecer seus erros, o que é uma pena, pois ela corre o risco de fundamentar decisões futuras em mentiras do passado. Quando reconhecemos um erro seguimos em frente renovados pelo aprendizado, quando insistimos no erro, repetimos o ciclo até a exaustão. Ao não prestigiar a posse dos membros da nova equipe econômica, ela começa a fazer oposição ao seu próprio governo e casa dividida não para em pé. Ao desautorizar declarações de Barbosa, Ministro do Planejamento, ela continua a manter mitos que cedo ou tarde serão desmentidos pela realidade.  Se chegamos onde estamos foi por obra e graça de Dilma. Se ela optou por fazer uma campanha baseada em mentiras e desconstruir seus adversários quando esses expunham seus planos de governo, ela mais do que ninguém sabia exatamente o que acontecia dentro do governo e deveria ter adotado outro discurso em pelo menos alguns momentos da campanha. Aécio Neves durante toda sua campanha disse claramente que o início do governo seria difícil para todos e que ajustes deveriam ser feitos. As cobranças feitas por Aécio durante a campanha começam a se tornar memes nas redes sociais. Se as vaias nas festas de abertura e encerramento da Copa foram difíceis, ainda temos as Olimpíadas em 2016...


Não é pessoal, não é partidário, não é coisa de momento. Os fatos se sobrepõem ao discurso. Espera-se de um Presidente da República seriedade, honestidade, confiabilidade, conhecimento da coisa pública e dos inúmeros setores que compõem um governo. É preciso que ele saiba um pouco de tudo e que consiga reunir em torno de sua figura os melhores e legítimos representantes de cada segmento ou os que conheçam os assuntos pertinentes a fundo. O discurso nem sempre será agradável, mas reconhece-se na figura e nas ações legitimidade e defesa pelo interesse maior. Dilma não tem o que é preciso para o cargo que ocupa e vai continuar assim. Hoje, ao invés de ir para Davos e mostrar aos representantes das grandes economias que os mesmos erros não serão cometidos, que eles podem investir no Brasil em uma hora que precisamos muito deles, ela preferiu ir para a Bolívia, prestigiar a posse de Evo Morales, que é mais uma das amizades caras de Dilma, como se não houvesse uma sombra de R$ 1 bilhão de dinheiro da Petrobrás e de seus acionistas pagos à Bolívia pela venda de produtos inúteis e não previstos em contrato. Decide-se fazer uma viagem oficial para prestigiar um aliado ideológico e perde-se a oportunidade de mudar imagem de relativismo moral que ronda a diplomacia brasileira em um evento como a Marcha de Paris.  Já passou da hora de descer do palanque, de polarizar as relações externas e de buscar comparações no passado.

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