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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Tancredo Neves

Há 30 anos atrás Tancredo Neves foi eleito Presidente da República ainda que indiretamente pelo Colégio Eleitoral. Nosso primeiro presidente civil após 20 anos de ditadura, era um profundo conhecedor da história política contemporânea do Brasil e um político habilidoso, que reuniu em torno de sua candidatura desde dissidentes da base governista que apoiavam a candidatura de Paulo Maluf a membros da esquerda brasileira, que na época era representada por Miguel Arraes, além da oposição em geral, que unia no PMDB, grandes nomes como Ulysses Guimarães, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon entre outros. Tancredo foi Primeiro-Ministro após a renúncia de Jânio Quadros, quando o Parlamentarismo foi adotado no Brasil como uma alternativa para que Jango assumisse, mas não governasse.

No início de sua carreira política recusou uma indicação para um cargo feita pelo lendário Governador Valadares (autor de expressões únicas, que durante  anos foram utilizadas para explicar a alma do político mineiro. Entre elas, há uma antológica: “ Segredo é guardado por uma pessoa. Quando se conta para outra, é discurso e para três já é comício.”)dizendo que não servia a ditaduras.  Ministro da Justiça de Vargas em seu segundo mandato, foi considerado por Getúlio como “o amigo certo para as horas incertas” e foi também membro do Governo de Juscelino, de quem também era próximo. Foi leal a Jango até o final, tendo sido um dos poucos políticos a irem ao aeroporto para se despedir do presidente deposto. Mesmo indo para a oposição, não teve seus direitos políticos cassados, porque era respeitado pelos militares.

Homem de ação e de conciliação, o que nunca para ele foi sinônimo de fraqueza, coerente com seus compromissos, com seus ideais, mas conhecedor das dificuldades de sua época, hoje seria considerado um político pragmático. A maior diferença de Tancredo e de muitos políticos atuais foi a adoção sistemática da defesa dos valores fundamentais e de sempre estar cercado pelas melhores pessoas que representavam os diversos segmentos da sociedade brasileira. Em sua trajetória política não há a luta do poder pelo poder, mas o uso daquilo que o poder podia proporcionar  para um bem maior. Durante sua eleição pelo Colégio Eleitoral, vários deputados e senadores durante seu voto diziam votar em Tancredo, pela volta à democracia e pela convocação de uma Assembléia Constituinte, que foi uma de suas promessas de campanha. Há uma curiosidade aqui: O PT expulsou do partido os deputados que votaram em Tancredo Neves. Após sua eleição, fez uma viagem ao exterior onde visitou diversos países, convidando seus líderes para sua posse, de olho em futuras oportunidades econômicas para o Brasil. Já doente e sentindo fortes dores abdominais, esperava pela posse para cuidar de sua saúde, pois temia que o presidente Figueiredo fizesse a passagem para José Sarney, que era seu Vice-Presidente.

Morreu depois de passar por um calvário que incluiu sete cirurgias e processos infecciosos. Seu funeral reuniu multidões que foram se despedir daquele pequeno senhor em estatura, mas um gigante em coragem. Sua morte em 21 de Abril de 1985, dia em que relembramos o legado e morte de Tiradentes é uma coincidência, mas foi extremamente simbólica quanto à importância em se manter uma luta contínua por um país melhor. Quase 30 anos depois, seu neto Aécio Neves conseguiu reunir multidões em torno de sua candidatura e enfrentou dificuldades, artimanhas e o poder bélico do Governo PT, que cometeu contra os adversários políticos atos de perseguição e difamação que só encontram paralelo na cassação dos direitos políticos de Juscelino Kubitscheck pelos militares. Com o tempo eles se tornaram piores do que aqueles que eles lutavam contra.


A vida e trajetória política de Tancredo Neves devem ser relembradas e repassadas aos jovens, herdeiros do destino político de nosso país. Um herói não é apenas aquele que tomba no campo de batalha, mas aquele que mantém a luta pelos ideais nos períodos mais sombrios e buscam incessantemente pela luz, que eles sabem que com certeza voltará a brilhar. Para finalizar, deixo aqui uma das frases mais profundas de Tancredo e vale a pena refletir sobre ela: “Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, como nas praças públicas, com  a mesma emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão. Se todos quisermos, dizia-nos, há quase duzentos anos, Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, podemos fazer deste país uma grande nação. Vamos fazê-la”

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