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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 11 de janeiro de 2015

Procurar e destruir

Al Qaida significa “A Base” e foi criada para combater a invasão soviética no Afeganistão, o que de fato foi feito com ajuda americana. Após o sucesso da luta, o inimigo passou a ser o Ocidente, principalmente os EUA , o “Grande Satã”, que condenava os árabes à miséria através de sua política imperialista e apoio incondicional a Israel. Para enfrentar este inimigo, a estratégia escolhida foi a de implantar em vários países células quase autônomas, que despertariam para atacar um objetivo específico. Cada unidade cumpriria seu papel sem ter conhecimento exato do plano completo. Assim, se uma equipe fosse desarticulada, os membros saberiam o suficiente apenas sobre a tarefa que deveriam cumprir e não colocariam o plano, os outros integrantes e a organização em perigo.

Apó os eventos de 11/09, quando as esperanças de um mundo globalizado e pacífico ruíram  juntamente com os escombros dos prédios do World Trade Center, descobrimos que o perigo não era mais um país com um líder e exército regular, mas pessoas espalhadas pelo mundo que compartilhavam a idéia que em nome de Deus, a destruição, as mortes indiscriminadas de adultos, mulheres e crianças deveriam ser utilizadas para defender uma causa complexa e difusa. Em nenhum discurso extremista se fala em esperança, em ajudar os desamparados, em construir uma sociedade justa. Morre-se pela causa e mata-se o maior número de inocentes possível, de preferência da maneira mais cruel, covarde e insidiosa.

O primeiro ataque ao WTC e os ataques ocorrido no centro de Londres, no metrô de Madri e agora na França são exemplos desta estratégia. Mais uma vez o discurso do ódio e da morte é utilizado para arregimentar soldados, desta vez entre os que sofrem os efeitos da mais longa crise econômica da Europa, os que estão desempregados e desestruturados, os que não encontraram seu lugar na sociedade; todos se transformaram em munição nas mãos de fundamentalistas, que adaptam os preceitos de uma religião aos seus interesses e deixam um deserto coberto de sangue e escombros por onde passam.

Depois da invasão do Iraque e da Guerra no Afeganistão os EUA apostaram suas fichas na informação como forma de prevenção. Ao invés de gastar bilhões de dólares em guerras que se arrastaram por anos e custaram vidas de inocentes e de soldados, a estratégia militar “Seek and destroy” (procurar e destruir), que foi amplamente utilizada na Guerra do Vietnã, saiu dos campos de batalha e chegou ao mundo virtual e às telecomunicações. A NSA, que existe há mais de 60 anos, foi reestruturada e em parceria com a CIA passou a vasculhar impiedosamente as comunicações no mundo todo, identificando os alvos de interesse que posteriormente serão atacados por pequenas unidades especializadas ou por drones . Mais eficiente, segura e mais barata, os custos da segurança passaram a ser compartilhados diretamente com os cidadãos, que pagam o maior preço através da invasão de sua privacidade. Para muitos, um preço pequeno em nome da segurança e das vidas poupadas em eventuais ataques ou guerras, para outros, é a abrir mão de seu individualismo e a passagem para uma sociedade onde todos são suspeitos até prova em contrário, onde não há respeito pelo indivíduo e também não há limites claros entre o que é de interesse nacional e o que é privado.

De acordo com os Serviços de Inteligência americano e britânico, novos ataques poderão ocorrer em solo europeu e segundo investigações conduzidas pela Espanha, o objetivo é trazer a guerra para a Europa. No mês passado foram divulgados o conteúdo de documentos apreendidos com pessoas ligadas ao Estado Islâmico, que pretendiam reconquistar a Península Ibérica. Ontem a Al-Qaida do Iêmen assumiu a autoria dos ataques na França e o EI parabenizou os terroristas mortos. Os principais líderes de partidos islâmicos, que historicamente sempre se limitaram a emitir comentários anêmicos sobre este tipo de ação, condenaram com mais veemência as ações na França. No Líbano, o líder do Hezzbolah disse que os ataques causaram mais danos ao Islã que as charges do profeta. Talvez os pronunciamentos tenham sido feitos por sentimentos humanitários mas com certeza também foram guiados pelo instinto de sobrevivência. Ao verem o crescimento do Estado Islâmico e a destruição que eles têm espalhado pelo Oriente Médio, descobriram que ao continuarem incitando o ódio e o discurso fundamentalista eles perderiam seguidores para o EI, que vê suas fileiras aumentando todos os dias e não respeita limites.

Talvez, a “Primavera Árabe” e a ação de grupos ultraradicais façam com que os líderes mulçumanos, que prometiam aos homens-bomba o paraíso e 07 virgens, reconstruam seus discursos, conquistando adeptos pelo apelo à união, para a construção de um mundo melhor aqui na terra e  pelo respeito à vida. Todos nós precisamos de esperança. A partir de agora, de uma forma ou de outra, somos todos Charlie.
Gostaria de terminar este artigo fazendo uma observação que sai um pouco do tema: O Brasil precisa deixar a ideologia do PT de lado e olhar com muita atenção a Tríplice Fronteira e os grupos islâmicos em Foz do Iguaçu. É preciso rastrear as doações que são feitas em nome da caridade e verificar se elas não estão sendo feitas para alimentar organizações extremistas. É preciso ter em mente que alguns dos presos libertados de Guantânamo em Cuba, que foram presos em ações militares e de inteligência pelos EUA estão no Uruguai. Cautela nunca fez mal a ninguém. Na França, foram mobilizados 90.000 pessoas para neutralizar 04. Temos a mesma capacidade aqui?

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