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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Petrolão é judicialmente Mensalão II

A verdade teima em aparecer e às vezes utiliza meios peculiares. Quando Paulo Roberto Costa estava ainda decidindo se faria ou não sua delação premiada, ele disse que se falasse, não haveria eleições. O conteúdo tanto de seu depoimento como de Alberto Yousseff, realizados às vésperas da mais concorrida eleição presidencial dos últimos tempos, quando publicados na imprensa foram taxados por Dilma, no melhor estilo lacerdista, de “golpe”. Naquele momento, ela sabia que as narrações, valores e percentuais ali tornados públicos eram reais e que dificilmente ela e seu partido sobreviveriam a outro escândalo de dimensões infinitamente maiores do que o Mensalão. As revelações eram de fato um duro golpe em um esquema de fraudes, desvios, propinas e pagamentos a parlamentares, parte de um processo de manutenção e permanência no poder. Ela sabia também que as descobertas na Petrobrás eram apenas o começo, já que Paulo Roberto Costa disse que “os que se recusassem a cooperar com o esquema estariam fora de outras licitações para obras contratadas pelo Governo Federal e Ministérios, como o Programa Minha Casa, minha vida. É como a oração de São Francisco de Assis, é dando que se recebe.

Se hoje, ao contrário do que a própria Dilma e o PT temeram, eles continuam no poder é graças a três fatores: ao exímio trabalho do marqueteiro João Santana, à ignorância dos mais simples e mais dependentes dos programas sociais e da arrogância e má-fé dos que votaram na então candidata em defesa da continuidade de seus privilégios. Há também que se dar o devido crédito à máquina criminosa que semeou o pânico entre eleitores, difamação e uso abusivo de recursos financeiros que até hoje não foram explicados, como é o caso dos R$ 106.000,00 apreendidos em Brasília, vindos de Minas Gerais.

Agora, a defesa apresentada pelo Vice-Presidente da Engevix Gerson de Mello Almada, o mesmo que foi avisado por seu advogado um dia antes de sua prisão,  diz textualmente que os valores cobrados para pagamento de propinas por Paulo Roberto Costa destinavam-se a campanhas eleitorais e pagamento de vantagens a parlamentares para manter a base governista e garantir votos e que tal prática tem relação direta com os 12 anos que o PT governa o Brasil. Em outras palavras, é uma continuação ampliada das ações praticadas e julgadas como criminosas na Ação do Mensalão. Outra confissão às avessas foi feita no pedido  de afastamento do juiz Sérgio Moro feito pelo “laranja” de Alberto Yousseff João Procópio, que tem como base a participação do juiz  como auxiliar da Ministra Rosa Weber no julgamento do Mensalão no STF. Segundo a defesa, o juiz teve acesso á informações durante este julgamento que podem afetar sua imparcialidade. Se uma ação não fosse ligada à outra, não haveria este risco. Pelo menos judicialmente, o Petrolão é uma continuação do Mensalão, que segundo o Juiz Gilmar Mendes, do STF, quando comparados os valores movimentados faria que a segunda fosse uma ação de “ pequenas causas.

Os executivos das empreiteiras presos na Operação Lava-Jato têm hoje uma única certeza: cairão sozinhos e ninguém quer ser condenado a 37 anos de prisão como Marcos Valério foi. Quanto aos verdadeiros beneficiados e mentores é apenas uma questão de tempo para se chegar lá. É estranha a desenvoltura de José Dirceu e de José Genuíno, que desde o início do julgamento do Mensalão adotaram uma conduta silenciosa. Zé Dirceu criticou ontem a política econômica do atual governo e já começa a movimentar suas peças dento do PT, onde sempre deteve enorme influência. Pode ser que ambos estejam também enviando um recado à Dilma e a Lula que desta vez não pagarão por tudo sozinhos.

Para Lula a situação está se complicando. Em Portugal, o ex-presidente da Portugal Telecom Miguel Horta e Costa foi ouvido em juízo sobre o pagamento feito ao PT para facilitar a aquisição da Telemig. Segundo a investigação, o pagamento foi feito por uma empresa de Macau, que tinha uma divida de R$ 7 milhões com a Portugal Telecom ao PT, como doação de campanha eleitoral. As denúncias de Marcos Valério foram feitas em Setembro de 2012 e indicavam que Lula teria se beneficiado pessoalmente com dinheiro desviado do Mensalão. Lula só foi ouvido pela PF em Dezembro de 2014. O rito das negociatas e o destino da “colaboração” foram os mesmos verificados no Mensalão e no Petrolão. Será que agora e com atraso mais uma vez a verdade aparecerá?

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