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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Os protestos e as concessionárias de veículos

Os estrangeiros em visita ao Brasil e as publicações internacionais que acompanham o que acontece no Brasil devem acreditar que as concessionárias de veículos, principalmente os importados são nosso maior problema. Em todos os protestos onde os Black-blocks compareceram, elas foram o alvo principal ao lado dos bancos. Protesto contra as despesas do Governo com a Copa no ano de realização do evento? Depreda-se concessionárias e bancos. Aumento das tarifas de transporte público? Depreda-se concessionárias e bancos. Até agora não ouvi ninguém questionar o aumento dos gastos com a construção e reforma das instalações que serão utilizadas na Rio-2016, que por sinal já estão atrasadas, o que certamente implicará gastos maiores para que tudo esteja pronto a tempo.

Entender os protestos que ocorrem no Brasil é um desafio à crença que há vida inteligente nestes movimentos. Os “ativistas” do Rio de Janeiro, que chegaram a confeccionar artefatos explosivos como os que mataram o cinegrafista Santiago Andrade protestavam contra os gastos com a Copa e pediam “padrão Fifa de qualidade” na saúde e educação. Em março do mesmo ano foi deflagrada a Operação Lava-Jato, que a princípio investigava os desvios de cerca de R$ 10 bilhões na Petrobrás para abastecer partidos políticos. Quanto deste dinheiro que pertence a uma empresa estatal brasileira e portanto ao Governo brasileiro poderia ter sido revertido em escolas e hospitais?  Quantos protestos ocorreram? Agora sabemos que o esquema que assolou a Petrobrás atuou em vários outros setores do Governo como no programa “Minha casa, minha vida”, no setor elétrico entre outros. Não há notícia de protestos em lugar nenhum deste país.

Veio o período eleitoral, os ânimos foram direcionados para a campanha e Dilma venceu. Na mesma semana que sua vitória foi anunciada, houve aumentos no preço dos combustíveis e nas tarifas de energia. Poucos saíram às ruas e os que foram receberam o título de reacionários e mesmo quando ficou claro que não se tratava de um movimento das “elites”, não houve sequer menção na mídia. No final do ano, para fugir de qualquer possibilidade de processo por crime de responsabilidade pelo não cumprimento da Lei de Diretrizes Orçamentárias, o Governo fez uma chantagem via Diário Oficial, onde foi oferecida a importância de R$ 748 mil reais aos parlamentares para gastarem em emendas em suas bases políticas se a proposta de alteração da lei fosse aprovada. Ninguém foi às ruas protestar. Duas sessões depois, o Congresso reajustou seus salários. Ninguém foi às ruas protestar. Dias antes da posse de Dilma é anunciado um pacote que afeta diretamente os trabalhadores, com cortes de até 50% em alguns benefícios previdenciários. Isto atinge quem está no mercado de trabalho e quem vai entrar. Ninguém foi às ruas protestar.

Na semana passada, 5.000 pessoas foram ás ruas protestar contra o aumento das tarifas dos transportes públicos e para reivindicar “passe-livre” para os estudantes. Ai sim, foi o fim do mundo. Concessionárias e bancos depredados, enfrentamento com a polícia, registros de prisões e de feridos. É uma ilusão acreditar que as passagens serão gratuitas. Para pagar este benefício, tem que ter uma contrapartida, que geralmente é feita através do aumento de impostos como o IPTU ou realocação de verbas destinadas a outros programas. Interessante também é um adulto acreditar que ele recebe alguma coisa de graça de um governo. Tudo é pago, direta ou indiretamente. Quem não sabia que as tarifas de transporte público iriam subir depois do reajuste dos combustíveis e depois de dois anos de “congelamento”? E ainda por cima dizem que estes protestos são organizados por estudantes...

Manifestações estúpidas como estas tiram a legitimidade dos protestos da população frente aos problemas reais que estamos enfrentando e a infiltração de vândalos inibe a participação das pessoas de bem que estão perdendo direitos adquiridos, renda diante do problema que é a inflação, ameaça de desemprego, aumento de tarifas que podem chegar até 40% e de impostos para cobrir rombos deixados nas contas públicas por erros cometidos pelo Governo, principalmente pelas medidas eleitoreiras, os chamados pacotes de bondades. Nesta semana, 11.000 metalúrgicos organizaram protestos contra as demissões na Volkswagen e na Mercedes e as montadoras já avisaram que é impossível manter os empregos na produção quando os pátios estão cheios. Motivo para protestar é o que não falta neste país, mas há que se ter coerência. Com relação aos vândalos, todo rigor da lei e reparação ao patrimônio privado e público. Aliás, a lei publicada em Setembro de 2014 que proíbe o uso de máscaras em manifestações já está em vigor para evitar que estas pessoas se aproveitem do anonimato para cometer crimes. Que ela também seja cumprida integralmente.

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