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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Não se esqueça de Auschwitz

A primeira alternativa encontrada pelos nazistas para se livrar do “problema judeu” na Europa era mandá-los para a ilha de Madagasgar, na África.  Esta opção foi apresentada em uma conferência do Partido Nazista, após a derrota da França, em 1938. A alternativa seguinte era enviá-los para regiões remotas da Rússia. Com as dificuldades da campanha e a feroz determinação de Stalin em não se deixar conquistar, o plano foi abandonado. Em 1941 o Centro de Extermínio de Chelmno, na Polônia, começou a operar. No dia 17/10/1941 Hitler ordenou a Heinrich Himmler, Comandante da SS que cuidasse e eliminasse toda ameaça física ao domínio alemão. Em 31/07/1941 o líder nazista Hermann Goering autorizou o General da SS Reinhard Heydrick a tomar todas as providências necessárias para implementar a “solução final para a questão judaica”. Himmler designou o General Odilo Globocnick para colocar o plano em funcionamento  e assim, cinco campos de concentração foram construídos, entre eles o maior era o Complexo de Auschiwitz-Bierkenau na Polônia. Hitler portanto, nunca deu a ordem direta e não há relatos que comprovem a extensão de seu conhecimento sobre o genocídio em massa praticado pela Alemanha. Mas também é sabido que ele participava de tudo e que muitas vezes tomou decisões pessoalmente, como parte de seu caráter centralizador e paranóico. Da mesma forma que não sabemos com certeza sobre sua participação, não há como descartá-la.
O Complexo de Auschwitz incluía três campos grandes, sendo um deles, o Campo de AuschwitzII-Bierkenau destinado ao extermínio de prisioneiros e 45 pequenos campos de concentração. O campo recebeu primeiramente presos políticos poloneses e depois passou a receber judeus, poloneses, ciganos, homossexuais, comunistas e outras pessoas cuja existência o III Reich considerava uma ameaça. Em 3 anos e 08 meses de atividade, foram mortos neste campo mais de um milhão de pessoas em suas câmaras de gás. De lá apenas 144 fugiram com vida. Além da vigilância cerrada, das cercas de arame farpado, da alimentação escassa, doenças como o tifo ajudaram os nazistas em seus propósitos. Os prisioneiros eram mantidos sob controle também através de um elaborado conjunto de regras que despersonalizava as pessoas, transformando-as em números, os mesmos tatuados em seus braços na chegada. Algumas regalias eram concedidas a alguns presos, que se transformavam em vigias dos demais e cultivando a vaga esperança de que um dia sairiam de lá, sem saber ao certo o destino dos que desapareciam, a ordem era mantida nos campos.

Na porta de cada campo de concentração havia uma inscrição simbólica: “O Trabalho liberta” e a mão de obra escrava dos prisioneiros sustentou boa parte da industria alemã na época. Os despojos dos mortos, como brincos, dentes de ouro, cabelo e óculos eram separados cuidadosamente e as roupas eram reaproveitadas nos campos. Em Auschwitz havia um jovem médico que tinha um interesse especial por gêmeos e que conduziu várias experiências dignas de histórias de terror com os prisioneiros. Era Joseph Mengele e acredita-se que ele morreu no Brasil, já idoso e impune.

Quando os soviéticos começaram a se aproximar da Polônia, ordens foram dadas para que todos os papéis, câmaras de gás e crematórios fossem destruídos, bem como todo e qualquer vestígio das atrocidades que foram ali cometidas. Depois disso, começaram as “marchas da morte”, onde os prisioneiros que estavam em melhores condições marchavam juntamente com os soldados na neve, para serem realocados em outros campos. Os mais doentes ficaram para trás. Em 27/01/1945 o campo foi libertado. Para alguns, a morte veio logo após a libertação, pois estavam em condições gravíssimas de saúde.  

Com a libertação dos campos, o mundo tomou conhecimento das atrocidades que lá foram praticas. As valas comuns com centenas de corpos e as pilhas de cadáveres empilhados para sepultamento assombrou a vida dos soldados e de pessoas a redor do mundo. Era preciso assegurar que nunca mais algo semelhante acontecesse e era preciso manter a história viva, dos mortos e sobreviventes , bem como a estrutura dos campos, como memória do mal que o homem pode causar ao seu semelhante. A Alemanha mantém esta lembrança viva através de programas onde jovens alemães visitam os campos e são apresentados à História como de fato ela aconteceu. Todos estes cuidados não foram suficientes para evitar o genocídio contra os mulçumanos e minorias que ocorreu em 1995,  na Guerra da Bósnia, em Srebrenica e em Zepa.

Negar o Holocausto é negar a verdade, relativizar as mortes que ocorreram neste período é buscar justificativas para novos genocídios. O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que foi recebido no Brasil com honras pelo ex-presidente Lula negava o Holocausto, que em sua opinião foi maximizado como forma de propaganda para pressionar a ONU a criar e reconhecer o Estado Judeu. Ontem, em uma cerimônia que contou com a presença de vários líderes europeus, comemorou-se os 70 anos de libertação do campo, quando uma nova onda anti-semita começa a invadir a Europa e muitos judeus europeus começam a voltar para Israel. Os Atentados de Paris deixaram claro que o preconceito continua vivo. Mais do que nunca, não devemos esquecer Auschwitz. 

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