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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Jornais, sites, revistas e telejornais

Quando minha família adquiriu seu primeiro aparelho de televisão com controle remoto, meu pai adotou um hábito que irritou a todos nós: a partir das 18h ele assistia todos os telejornais e se dois eram exibidos ao mesmo tempo, ele zapeava entre um e outro até o final de ambos. Após às 21h a “refém” era libertada e o resto da família poderia começar as discussões diárias sobre a escolha de uma programação que agradasse a todos. Depois que a doença dele se agravou e a locomoção passou a ser um problema, a televisão foi seqüestrada por um período maior. Ele lia o jornal local na parte da manhã, assistia os telejornais na parte da tarde e a noite repetia o mesmo rito. Quando os nossos até então tímidos protestos começaram a se tornar mais freqüentes, ele enfrentou a onda de suspiros e interjeições ao seu périplo jornalístico como uma necessidade de entender o que estava acontecendo, já que “faltavam” coberturas de notícias que ele tinha assistido durante o dia e que na verdade nenhum dos jornais era capaz de sanar esta deficiência.  

O passar do tempo faz com que o melhor ou o pior se sobressaia, e agora é interessante assistir os telejornais. A supressão de notícias que é uma prática antiga e constante, ficou evidenciada pelo silêncio de todas as redes abertas  ante os protestos que ocorreram depois das eleições. A novidade foi o acordo tácito selado entre elas. O jornal noturno, que antes era a menina dos olhos de todas as emissoras vem caindo em qualidade a olhos vistos. Assistindo à cobertura sobre os dez anos do Tsunami na Indonésia, informaram que houve uma “missa” em uma mesquita e em seguida,  a apresentadora, ao estilo de Lula, utilizou o advérbio “menas”. As notícias escritas que passam nas faixas durante os jornais transmitidos pelas emissoras fechadas tem erros de português e de conteúdo. Interessante também é a quantidade de matéria paga travestida de notícia também em todos os canais. Esta prática é comum em vários telejornais pelo mundo, mas deveria haver um certo controle quando o anunciante é o governo. As emissoras e jornais devem aperfeiçoar suas regras de compliance, afinal poder, pode, mas não deve, né?

O mesmo acontece com as revistas e sites. Com relação a este último, que detém a vantagem do tempo, dificilmente leremos uma notícia sem que abaixo dela venha um artigo com um título muito bem elaborado, mas que segue a tendência do soldo ou da empresa, o que torna quase impossível cumprir a determinação de ler apenas a manchete. Durante a última campanha eleitoral isto saltou aos olhos de todo mundo. O jornal impresso ou digital vem no dia seguinte cimentar a posição do que foi noticiado em seu site.

Interessante também é a adoção em massa do princípio que dois erros se anulam ou se justificam. O início teve um propósito nobre, que era mostrar o outro lado. Hoje, na prática, acaba sendo um artifício de nivelação ou mesmo de justificativa. Cito aqui dois exemplos: a crise hídrica da região sudeste que foi tratada por todos os veículos de comunicação como exclusiva de São Paulo e a contraposição diária entre o Petrolão e o Cartel de Trens que também é abordado nas manchetes como exclusivo de São Paulo. Não há o que se comparar e há o que se complementar. Para quem acompanhou o desenrolar da investigação da atuação dos cartéis, ela ocorreu sim em São Paulo e envolveu sim figuras de peso do Governo Paulista. Porém, na investigação que teve início no aparelhado Cade, há duas etapas distintas: A primeira, com a denúncia veio a carta de um ex-executivo da Siemens, entregue pelo Deputado do PT, Simão Pedro ao Ministro da Justiça que a repassou à Polícia Federal. A carta continha na tradução vários parágrafos sobressalentes em que se acusava diretamente a cúpula do PSDB pelo uso de vantagens recebidas para financiamento de campanha durante anos, divergindo totalmente da original em inglês. A investigação continuou com bastante estardalhaço até que surgiram os dados dos contratos firmados com as mesmas empresas pelo Governo Federal e também por outros Governos Estaduais, que ultrapassam em volume o que aconteceu em São Paulo. Ao que parece, o Cartel atuou também em outras obras do setor elétrico do Governo Federal. Onde estão as manchetes? Com relação ao Petrolão, a imprensa internacional o descreve como fonte da maior movimentação de volume financeiro de origem ilícita já apurada até hoje, deixando a única entidade passível de comparação, que é a Máfia Italiana em segundo lugar. Por que aqui há esta insistência em comparar alhos com bugalhos?

Hoje eu vejo que meu pai tinha razão em questionar e procurar outras fontes de informação. Estas práticas que estão presentes em todos meios de comunicação estão sendo identificadas por qualquer um que utilize redes sociais. Com o aumento dos serviços de streaming, onde qualquer um transmite o que quer em tempo real, todos formam sua opinião através do que realmente viu, sem filtros. Com o aumento do uso de smartphones e tablets, hoje assistimos quase tudo em duas telas. Basta um clique para que em tempo real seja possível acessar diversas fontes sobre o mesmo assunto. A notícia, independente do meio de divulgação não pode se transformar em peça de ficção ou de publicidade. Grupos empresariais que se tornaram verdadeiras instituições estão banalizando um de seus ativos mais importante que é a própria credibilidade. Sendo leitor ou telespectador, questione sempre e busque maiores informações sobre o que você lê e assiste, porque você sim é o maior ativo destes veículos.

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