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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 25 de janeiro de 2015

Impossível ser apenas incompetência

Nada como um dia atrás do outro para verificarmos a profundidade de algumas crenças defendidas a ferro e fogo durante a campanha eleitoral. Contradizendo Rilke, que uma vez disse “Procure o fundo das coisas, ali a ironia nunca chega”, quanto mais nos aprofundamos nas investigações das negociatas e desvios do que é público, encontramos sobretudo ironias.

O Pronatec, por exemplo. Considerado tão bom e importante que a própria Dilma chegou a aconselhar uma economista de 55 anos desempregada a escolher um dos cursos oferecidos para se recolocar no mercado de trabalho. A resposta da então candidata deixou claro que ela não entendeu o cerne da questão, que é a existência de regras informais no mercado de trabalho que priorizam jovens, desde que tenham experiência profissional e excluem os trabalhadores a partir de 40 anos, mesmo que tenham muita experiência e conhecimento. Bem, voltando ao assunto, o Governo Federal tem uma dívida de R$ 800 milhões com o Sistema S ( Senai, Sesi, Senar e Senat) relativa ao Pronatec.

Além dos problemas operacionais do programa, sendo um deles a incapacidade em identificar  os alunos que abandonaram os cursos e continuavam a ter suas mensalidades pagas, o Governo pagou valores superiores ao de mercado ao Sistema S para que eles atendessem o Pronatec. Interessante é que o próprio Senac, quando oferece cursos à empresas adota a diminuição dos valores dos cursos em relação ao número de alunos, ou seja, quanto maior a quantidade, menor o valor. Por que com o Pronatec foi adotada outra regra é um mistério. Talvez uma das explicações seja a incrível capacidade do Sesi principalmente em oferecer empregos atrativos para a companheirada. Gilberto de Carvalho, ex-ministro é agora Presidente do Conselho do Sesi. A nora de Lula e a esposa de João Paulo Cunha também trabalham lá, com horários flexíveis e bom salário.  Agora, depois do corte de 7 bilhões feito pelo Governo nas verbas do Ministério da Educação, vai demorar um pouco mais para a quitação da fatura.   

Outro ponto que já vinha sendo discutido com a discrição que o assunto merece era a venda de ativos da Petrobrás no exterior. A venda dos campos de petróleo na África nunca foram bem explicadas e hoje, em sua coluna na Folha de São Paulo, Elio Gaspari afirma que metade destes ativos foram vendidos ao Banco BTG. Segundo o colunista, o Brasil importa destes campos 25% do que refina. Pelo volume extraído e refinado, não há fundamento estratégico que explique a venda. Mas o que chama a atenção é o comprador. Mesmo que o Banco BTG tenha pagado um valor justo pelos campos, há que se questionar ainda os R$ 8,200 milhões doados pelo banco à Campanha de Dilma Rousseff. Para quem não sabe, o BTG Pactual foi o décimo maior doador de recursos para a campanha.


A Petrobrás enquanto empresa conseguiu um feito notável: registrou perdas em todas suas operações. Até o Fundo de Pensão dos funcionários registrou prejuízos. Chama atenção que não houve mudança da Presidência enquanto estas perdas foram registradas, a mudança só veio com a eleição de Dilma para o primeiro mandato. Há muitas explicações que o Conselho de Administração  da Petrobrás tem que dar a sociedade e muito a devolver também. A presidente da Petrobrás pode propor uma aquisição ou uma venda, mas quem chancela o negócio é o Conselho, que foi criado contando inclusive com a participação de um representante dos funcionários para que fatos como estes nunca acontecessem. Há muito o que explicar em muitos setores do Governo Federal, como por exemplo pagar o dobro por serviços prestados contratados em larga escala. É impossível que seja apenas incompetência, mais parece “modus operandi”.

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