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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Desconstruindo a Operação Lava-Jato

As alianças formadas pelo PT para a reeleição foram costuradas com base na quantidade de minutos que o partido poderia dispor no horário eleitoral e no número de cadeiras no Congresso para garantir a aprovação de seus projetos. Em troca, eles deram as chaves de todos os cofres do governo e ao que tudo indica, tinham direito a 3% de “taxa de concessão”. Sem nenhuma identidade ideológica ou projeto em comum além daquele que coloca o Governo à disposição de partidos, tudo o mais os separam. Temos 39 ministros e alguns não têm conhecimento, experiência e intimidade com as áreas que o Ministério representa. Outros têm posições antagônicas e há os que estão ali para prestar outros tipos de serviço. Resultado de um grande esforço para conciliar interesses e cotas, a nova equipe ministerial representa o que há de pior na maneira que se faz política no Brasil, onde alguns partidos tratam pastas como feudos,como é o caso do Ministério dos Transportes nas mãos do PR.

Para se livrar dos compromissos assumidos na campanha e que são impossíveis de serem cumpridos uma vez que todo mundo só tem uma alma se quiser vender, está em curso uma operação que ataca em duas frentes: a primeira está sendo alinhavada com Gilberto Kassab para criar um novo partido, cooptando os descontentes do PMDB e de outros partidos da base e a segunda é utilizar depoimentos da Operação Lava-Jato para desacreditar e enfraquecer oponentes,  oposição e a própria operação.

A criação de mais um partido político no Brasil sem base ideológica e propostas concretas, nascido apenas para atuar na base do escambo é uma vergonha, uma fraude e um desperdício de dinheiro público que eles receberão através do Fundo Partidário. É um instrumento sórdido para igualar político e política fisiológica e fazer o eleitor desprezar ainda mais a figura de um partido, acreditando que todos são iguais. É um alerta púrpura para a necessidade de se fazer uma reforma política que não permita o uso destes instrumentos. Provavelmente, com a criação de um novo partido teremos mais um “Caso Tiririca”, ou seja, um candidato folclórico que atrai milhões de votos dos que não levam a sério suas obrigações e que acabam por levar ao Congresso deputados que não conseguiriam se eleger por via direta e precisam do saldo do partido.

A segunda frente utiliza a máxima de Dilma: “Pau que bate em Chico também bate em Francisco”. Utilizando o depoimento de Jayme Alves de Oliveira Filho, o policial federal que fazia “entregas de numerário” para Alberto Yousseff, estão acusando Eduardo Cunha, que está em plena campanha pela Presidência da Câmara e o Senador Antonio Anastasia. Eduardo Cunha aparece na delação de Alberto Yousseff  e tem ampla experiência na arte de emparedar o governo para conseguir seus objetivos, que pouco ou nada tem em comum com o que é ou será bom para o país. O deputado responde a vários processos, entre eles um chama atenção. Segundo a Procuradoria Regional da República, o deputado utilizou documentos falsos para arquivar um processo em curso no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro que apurava irregularidades cometidas por ele na época que era presidente da Companhia de Habitação do estado. Mestre na arte de impor seus interesses e dos que ele representa, conforme a conveniência levanta um “cirquinho”, como foi a convocação de ministros e de Graça Foster no ano passado, antes da Operação Lava-Jato. Há muito já devia ter deixado o cargo e jamais poderia ter pensado em concorrer ao posto novamente. No caso de Anastasia, o mesmo policial o reconheceu por foto e disse que entregou R$ 1 milhão para sua campanha. Tanto Eduardo Cunha como Anastasia negam com vigor terem recebido qualquer valor.

A estratégia é inteligente, mira-se em Eduardo Cunha, levanta-se uma dúvida contra Anastasia. Qualquer um que prove sua inocência fará com que o depoimento do policial perca a credibilidade, influenciando os rumos das defesas e da acusação no processo. Se um dos depoimentos é falso e foi fornecido em delação premiada, e os outros? A dúvida levantada sobre um pode derrubar os demais, como um efeito cascata.Teremos então a paralisação das investigações para que tudo seja analisado novamente. Assim, os culpados e os beneficiários do esquema continuarão soltos.  As investigações devem ser feitas e ambos devem lutar para provar sua inocência. No caso de Eduardo Cunha, que deveria utilizar o slogan de Tiririca em sua campanha (“Pior do que está não fica”), ele deveria retirar sua candidatura, afinal a culpa do Presidente da Câmara afetará a imagem do Congresso. Este movimento seria benéfico para Arlindo Chinaglia, candidato pelo PT , o que seria péssimo para o Brasil. O melhor candidato é Julio Delgado do PSB de Minas Gerais, que tem o apoio do PSDB, PV e do PPS.

Cartas colocadas na mesa, é preciso torcer e esperar por aqueles erros de avaliação e execução que a turma do PT é perita e de onde partiu a ofensiva. Foi assim com o Mensalão, com o Petrolão, com os dólares na cueca, com os escândalos dos dossiês falsos que por sinal teve em Berzoini um de seus mentores, com a CPI do Cachoeira entre outros. Ou então, torcer para que desta vez, simplesmente vença o melhor homem.

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