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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Ainda sobre Marcos Archer


Marcos Archer  foi traficante. Marcos Archer cumpriu pena por tráfico de drogas durante onze anos e foi executado no último sábado. Ele não deve nada mais à Justiça da Indonésia ou ao Brasil. Para os que acreditam que há algo depois da morte, é para lá que foram sua alma e seus problemas.  O que restou de sua família, já que ele perdeu a mãe durante o período na prisão, merece paz e conforto por parte dos amigos; a viagem foi longa e a despedida dolorosa.

A família de Marcos Archer recorreu ao Itamaraty e ao Governo Brasileiro na época de sua prisão e condenação, como o fizeram a seus governos o  holandês e provavelmente o vietnamita que foram executados no sábado, junto com Marcos. A maioria das pessoas que enfrentam problemas legais no exterior recorrem às embaixadas ou ao equivalente ao Ministério das Relações Exteriores em cada país. A Holanda também condenou a aplicação da pena de morte, pois julga ser um retrocesso.

Os apelos de Lula e Dilma são normais e quem quer que fosse que estivesse ocupando a Presidência da República  faria o mesmo, como outros presidentes de outros países já apelaram ao presidente americano, por exemplo. Inclusive, havendo tratado de extradição assinado entre os países  é possível que o detento possa cumprir no Brasil a pena aplicável aqui pelo crime cometido, com desconto do período cumprido no exterior. Os pedidos de clemência são normais, porque podem ser atendido até o último minuto. Aliás, a aplicação da pena de morte é também um processo político sim, já que o último recurso é feito ao Presidente. No caso da Indonésia, as execuções da pena de porte por tráfico de drogas estavam suspensas  e a retomada foi objeto de promessa eleitoral do atual presidente. Há que se questionar sim o rigor da lei aplicada aos traficantes, já que pena por homicídio é de 20 anos e os autores do atentado em Bali, que mataram mais de 200 pessoas, a maioria composta por jovens turistas autralianos que estavam em uma casa noturna, foram condenados inicialmente à pena de morte que depois foi comutada para prisão perpétua.Qual o peso da vida humana?

Diante disso tudo, acredito que muitas das manifestações que inundaram as redes sociais desde o último sábado juntaram as várias etapas do processo ao sentimento de ultraje que inunda a sociedade brasileira pelas externações de indignação e consternação de Dilma, que em ocasiões anteriores, diante de fatos que provocaram clamor na sociedade, receberam seu silêncio ou seus protestos anêmicos. É a bendita falta de indignação que Aécio denuniou nos debates. Se é para se sentir consternada e indignada, por que não com as decapitações que ocorreram em no Sistema Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, com a corrupção que assola este país, com os constantes de desvios do que é público e acaba em mãos e contas de terceiros, com o Sistema Único de Saúde que condena milhões à morte e que em 12 anos de Governo PT teve mais de 13.000 leitos cortados, com a violência que assola este país, com os 529 mil estudantes que zeraram a redação no Enem e que vão para o mercado de trabalho sem conseguir escrever e compreender um texto? 
Mais grave que os sentimentos manifestados por nossa presidente foi a ordem dada ao embaixador brasileiro para vir ao Brasil para consultas. Isto é um desrespeito ao governo da Indonésia que cumpriu o que a lei determina em seu país. Outro fato que me chamou a atenção foi o apelo ao Papa Francisco. Pedir para o representante máximo da Igreja Católica intervir em um problema com um país de maioria mulçumana é desproporcional, ainda mais nos tempos em que vivemos e diante do crime que Marcos Acher cometeu.É desconhecer por completo os esforços que o Papa vem fazendo para estabelecer um diálogo saudável com todas as religiões.

Há batalhas que são inúteis e para Dilma, seria mais do que suficiente externar sua consternação e destacar que foi feito o impossível nas áreas judicial, diplomática e política para salvar Marcos. Perdeu-se aqui também uma oportunidade de dizer em alto e bom som aos brasileiros que evitem levar drogas, ainda mais em grande quantidades para países de maioria mulçumana, pois não há o que se fazer. O maior responsável pelo problema de Marcos foi ele mesmo. E é preciso aplicar em algumas situações uma frase de Fernando Henrique Cardoso: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa

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