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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A questão não é local, é global

O contraste de idéias, situações, sentimentos, reações é uma arma poderosa para despertar a reflexão. Na terça-feira, o Arcebispo nigeriano Ignatius Kaigama pediu para que o Ocidente não se esqueça da África e falou que os  Governos da Nigéria, Niger e Camarões são impotentes para lutar e deter o Boko Haram,  principalmente após a tomada da cidade de Baga, onde mulheres e uma menina de 10 anos foram utilizadas para detonar explosivos que mataram centenas de pessoas. Publicações e declarações começaram a aparecer, comparando a comoção e a mobilização mundial causada pelos ataques em Paris ao descaso com a tragédia quase diária que a África como um todo enfrenta.

Não cabe comparação ou contraste, são dois problemas diferentes com uma causa comum, que é a atividade de grupos fundamentalistas islâmicos ou jihadistas. Este tipo de colocação é maniqueísta e resume a perda de vidas nos conflitos a uma questão de interesse e cobertura jornalística. Por sinal, a presença de estrangeiros, membros de organizações humanitárias e jornalistas na África e nos conflitos que ocorrem no Oriente Médio fez surgir uma nova barbárie: o seqüestro destes profissionais que são trocados entre os grupos. Alguns são liberados após o pagamento de resgates, outros foram enviados para o Iraque e na Síria para serem decapitados na frente de câmeras, como recado às nações de origem. A causa aqui é a vida e o interesse que deve prevalecer é a defesa dela, onde quer que ocorram ações deste tipo. Tratar como discriminação a reação da sociedade, que se comove com a morte dos ricos e brancos e abandona os negros e pobres à própria sorte é golpe baixo. O Ocidente deve compartilhar as informações dos serviços de inteligência para que estes países possam combater este inimigo poderoso, que ceifa vidas tão eficientemente quanto a falta de condições mínimas de saneamento básico, água potável, agricultura produtiva, a AIDS, o Ebola e principalmente a corrupção. Devemos contribuir também com ajuda humanitária, mas é através da educação e da conquista de condições melhores de vida que a África se libertará de boa parte destes problemas.

A Nigéria e outros países africanos são vítimas de crimes bárbaros e violações absurdas como às que o ISIS e o EI estão cometendo contra as populações civis do Iraque e da Síria. O ataque terrorista que ocorreu contra a Embaixada Americana no Sudão, país que abriu as portas para a Al-Qaeda, o seqüestro e morte de reféns no Shopping Center de Westgate em Nairóbi, Quênia orquestrado e executado pelo grupo terrorista Al-Shabaab e o seqüestro das 270 meninas nigerianas pelo Grupo Boko Haram são exemplo disso. Cada um destes grupos tem sua pauta de reivindicações e estão interligados tanto na origem como financeiramente à Al-Qaeda, que juntamente como o Al-Shabaab podem ser os financiadores das atividades do Boko Haram. Este grupo nasceu da luta contra a corrupção e descaso do governo nigeriano com algumas regiões do país e agora lutam contra a educação ocidental na Nigéria. O Al-Shabaab tem origem somalie e luta contra a intervenção de estrangeiros na região.

A luta contra estes grupos é uma questão de sobrevivência  para todos países africanos já que o  conflito em um país se alastra para outro rapidamente. Esta semana 143 homens do Boko Haran foram mortos por soldados de Camarões. Este tipo de ação pode trazer de volta conflitos que varreram o continente até bem pouco tempo atrás. O que está acontecendo na Europa é diferente, é a tentativa de trazer para o solo europeu o conflito que existe na Síria e no Iraque, como forma de represália pelos ataques que são feitos contra os extremistas. O inimigo é o mesmo, mas a luta contra ele demanda ações diferentes. E pode ser que uma ação vitoriosa em uma região contra um grupo acabe por fragilizar os demais. 

A guerra contra o terrorismo tanto na Europa e nos EUA dura anos e começou com o 11/09. Muitas vidas foram perdidas nos conflitos e ataques e muitos inocentes foram mortos. Descobrir como estes grupos aliciam soldados e sufocá-los financeiramente é uma nova frente desta batalha e pode dar mais resultados que invasões e bombardeios. A luta contra estes grupos deve ser contínua e severa, pois trata-se principalmente de combater o ódio, a intolerância e a incapacidade de viver em uma sociedade livre, que respeita seus cidadãos, sua individualidade e sua liberdade de pensamento e de expressão. E uma mensagem que ficou muito clara após os ataques em Paris é que ninguém está seguro.

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