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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 6 de dezembro de 2015

Minha mensagem aos deputados





Este é o e-mail que enviei aos deputados da base aliada sobre o posicionamento deles na votação do Impeachment:

Mensagem para os deputados enviada por mim, 06/12/2015:
Espero que neste momento, o senhor pense no Brasil e nos milhões de desempregados, nas contas públicas e na incapacidade que este governo tem demonstrado, no decorrer deste ano, de enfrentar e indicar um caminho que vá além do ajuste fiscal, que sequer conseguiu aprovar. O senhor, que está em Brasília, sabe melhor do que ninguém que o primeiro semestre do próximo ano será pior do que tudo o que enfrentamos no decorrer deste ano. O senhor sabe que os brasileiros mais pobres lutam, mês a mês, contra uma inflação de dois dígitos que afeta principalmente o setor de alimentos. O senhor sabe que toda esta crise poderia ter sido evitada se no decorrer do primeiro mandato de Dilma, fossem feitos ajustes graduais nos preços e na política econômica.O senhor sabe que a corrupção retirou dos brasileiros aquilo que de direito pertencia ao povo e beneficiou poucos. O senhor sabe que os desvios só ocorreram em virtude da política estabelecida pelo Governo Lula e Dilma, que lotearam todos os setores do governo em troca de apoio político para implantar um projeto fracassado e ultrapassado de poder, que não responde aos desafios econômicos e sociais que a realidade mundial impõe.
O seu voto no processo de Impeachment definirá seu lugar na história e será a herança que deixará para seus filhos. O senhor poderá ser reconhecido como um homem de coragem, honesto e comprometido com o povo brasileiro ou como um inquilino do poder, que pensando a curtíssimo prazo e no benefício que poderia gozar, trocou o bem estar de milhões por um cargo ou vantagem, que pelo interesse em ofertar e o prazer em receber já o torna indigno, como outrora ocorreu om um outro personagem histórico aceitou 30 moedas de prata para realizar determinada tarefa. Termino aqui com uma citação extraída de uma carta aberta de Euclides da Cunha, que dedicou um amor profundo à República: "É necessário que tenhamos postura forte! Há no sentimento que ambos tributamos à República, uma diferença enorme: S.Exa tem por ela um amor tempestuoso, cheio de delírios de amante, eu tenho por ela os cuidados e afeição serena de um filho."
E-mail para os deputados:
dep.eduardodafonte@camara.leg.br,
dep.marceloaro@camara.leg.br,
dep.givaldocarimbao@camara.leg.br,
dep.sarneyfilho@camara.leg.br,
dep.andersonferreira@camara.leg.br,
dep.kaiomanicoba@camara.leg.br,
dep.hugomotta@camara.leg.br,
dep.edinhoaraujo@camara.leg.br
dep.leonardopicciani@camara.leg.br,
dep.esperidiaoamin@camara.leg.br,
dep.celsorussomanno@camara.leg.br,
dep.silviocosta@camara.leg.br,
dep.domingosneto@camara.leg.br
É uma de minhas conttribuições em busca de um brasil melhor.

Boa semana a todos!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O brasileiro é antes de tudo um ser apático


Depois de dez meses, um pedido de Impeachment foi aceito e cerca de trinta foram rejeitados. É preciso lembrar que a aceitação do pedido só foi possível graças a uma manobra do PT, capitaneada por Lula, que retirou os votos de três deputados petistas que votariam contra o avanço das investigações contra Cunha.

O bem estar do brasileiro, preocupações com a mais grave crise econômica que o Brasil enfrentou depois do Plano Real, 10 milhões de pessoas desempregadas, corte nos benefícios previdenciários , endividamento e desvalorizações que empresas brasileiras sofreram ao longo deste ano não foram levadas em conta e muito menos a triste constatação que temos um governo fraco e incapaz de lidar com este cenário. Aliás, quem governa?O fator decisivo foi o sentimento de vingança de Cunha, que se sentiu enganado em um dos acordões que rolam em Brasília. Ontem, quando Dilma fez seu pronunciamento, já iniciou sua defesa com mentiras. As da campanha eleitoral nos trouxeram até aqui, o que mais falta acontecer?

Para o PT e os partidos da base que apoiam o governo, quanto mais rápido ocorrer o processo melhor. Para que o pedido seja arquivado ainda na Câmara dos Deputados é preciso que 171 deputados votem contra. No discurso de ontem Dilma comentou que teve 341 votos na aprovação da PLN 5/2015, ou seja, que as chances do processo avançar são mínimas. Agora, as barganhas serão maiores ainda e serão escancaradas.

Estamos em uma recessão que já tem contornos de depressão. Quem garante que você estará empregado no próximo ano? Com uma inflação de 10%, quem garante que você manterá o mesmo padrão de vida? Para quem já cortou tudo o que podia, o que virá agora? Se você fica tranquilo em saber que tem gente indo às ruas protestar enquanto você está em casa "curtindo" alguns posts, saiba que esta é a última chance de abreviar o sofrimento que vem se delineando no horizonte. 

Político gosta de propaganda boa e palanque e a hora é de encurralar estes caras, principalmente os eleitos pelo PMDB, PDT, PP e PTB. É hora de encher a caixa postal deles com cobranças, de telefonar para os gabinetes (a ligação é gratuita e o telefone é 0800-619 619) de fazer valer seu voto. A hora é de barulho. Ninguém vai querer se queimar com as eleições de 2016 chegando. Quer mudanças? Saia de sua zona de conforto e participe.

Deixe a preguiça, o conformismo e a má vontade de lado e faça algo pelo seu país e por você mesmo. Brasileiro gosta de dizer que não desiste nunca, de assistir comercial com jogador de futebol que superou dificuldades mas não gosta de se mexer. Gente que não tem índole para lutar não tem têmpera para enfrentar necessidade. Vem para a rua, porque eles medem uma manifestação pelo número de participantes. O parâmetro para eles foi a de 15/03, as de agora tem que ser maiores. Ou você se levanta e luta ou passará quatro anos de joelhos. A escolha é sua.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Dar a mão para não perder o braço


Não foi uma surpresa para o Governo, para a Oposição, para os jornalistas ou para quem acompanha o mundo das notícias políticas. Quando os  três deputados  petistas que compõe a mesa do Conselho de Ética decidiram votar pelo avanço das investigações sobre Eduardo Cunha, já era fato praticamente consumado que ele iria aceitar o pedido de Impeachment formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale. Não há grandeza no gesto de Cunha, há sim vingança de um homem que viveu sua vida no mundo político e fez seu patrimônio pessoal crescer muito através dos subterrâneos das nomeações, dos cargos de confiança, dos apadrinhamentos e que teve certeza absoluta que ficaria impune.

O PT deu a mão para salvar o braço. De olho nas eleições de 2016, chegaram a conclusão que apoiar Eduardo Cunha neste momento equivale ao suicídio político no pleito do ano que vem. As "bases" que foram ouvidas foram a sobrevivência política e o "fator Lula" em 2018. Para quem está apostando em um Natal sem Dilma, más notícias: o Natal e Ano Novo serão com ela


O rito será longo, passará pela Câmara dos Deputados e se aprovado, será realizado o julgamento no Senado, com a presença do Presidente do STF que é o Lewandovski. Provavelmente, terá início somente em 2016 e Dilma irá se defender com muito empenho, já que para ela e para os membros do governo, "não há base legal para o pedido". O processo será longo, traumático e turbulento, pois os apoiadores do PT ( CUT, MTST, MST) vão querer radicalizar. Se houvesse grandeza em Dilma ou de bom senso, ela não faria o pronunciamento de hoje, renunciaria pelo bem do país.

Para o PT, este governo na prática já está morto. Quem ocupa os ministérios e os cargos de segundo e terceiro escalão é o PMDB. O PT padece de um mal que corrói alguns setores da  sociedade brasileira, que é o excesso de debate e a ausência de ação. Este governo é uma vergonha, é a coroação da incompetência e da falta de qualquer limite ético. Fosse em qualquer outro lugar do mundo, o próprio partido já teria aconselhado Dilma a renunciar.

Estamos entrando em depressão econômica com previsão de recuperação somente em 2018. Após a votação no PL 5/2015, que foi aprovado hoje pelo Congresso, que aceita o rombo de R$ 119 bilhões no Orçamento ao invés de superávit, com certeza haverá queda nas notas dadas pelas agências internacionais. Se não souberam governar com ventos positivos na economia, que dirá em depressão. Falta confiança e credibilidade, ninguém acredita na presidente da República.

Há um ano atrás, eu disse que estávamos mergulhando em um dos períodos mais sombrios da História do Brasil. Posso dizer que em 2015, colocamos apenas os pés dentro da água turva. O PMDB será o fiel da balança e terá que decidir  se quer governar ou quer ocupar. Para eles também é uma questão de sobrevivência. Decidindo governar, com certeza haverá um expurguinho aqui e outro ali. Ainda ouviremos falar da Família Picciani...

No próximo ano, as coisas vão piorar e muito. Há que sermos forte e saber o que fazemos e para onde vamos para passar por esta imensa tempestade de areia que está pela frente. Para quem ainda não colocou os pés no chão, chegou a hora. Vem ai um período de depuração. 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sobre Charlie Sheen e a AIDS


Nesta terça-feira Charlie Sheen participará do programa "Today" na rede NBC. Segundo algumas fontes, ele revelará que é portador do vírus HIV há alguns anos.  Charlie, 50 anos, avô e pai de cinco filhos, filho de Martin Sheen e irmão de Emilio Estevez, atuou em filmes como "Platoon", "Wall Street" e "Jovem demais para morrer", além de marcar presença  na televisão com o personagem Charlie, da série "Two and half men" . Por este papel, ele chegou a ser o ator mais bem pago da TV americana durante dois anos. Charlie também teve problemas com drogas desde a juventude, além de ser também um ativo cliente de prostitutas. No julgamento da cafetina Heidi Fless, escândalo que expôs  políticos e celebridades , ele foi arrolado como testemunha.

Em algumas entrevistas, Charlie Sheen se gabava de ter estado com mais de 5.000 mulheres durante sua vida e engatou romances com atrizes pornôs, tendo tido um noivado relâmpago com uma delas em 2014. Polêmica, promiscuidade e problemas com a polícia o acompanham e agora descobre-se que mesmo sabendo ser portador do vírus HIV, ele continuou a manter relações sexuais sem avisar as parceiras que estava contaminado. Segundo ainda as mesmas fontes, ele acreditou que,  por fazer tratamento com o coquetel e pelo vírus já não poder ser detectado em  exames de sangue, que ele não precisaria comunicar ninguém. Fala-se em U$ 10 milhões em indenizações já pagas por ter exposto parceiras ao risco de contaminação,  valor que pode ser aumentado se novas queixas surgirem.

Há vários fatos que chamam  atenção: Charlie não é uma pessoa desinformada e vivenciou todo pânico que surgiu em com o avanço da doença. Provavelmente perdeu amigos e viu outros definharem.  Já sabia há muito tempo que não havia grupo de risco e sim comportamento de risco. Por relacionar-se com atrizes da indústria pornográfica americana, sabia que os atores atores devem obrigatoriamente passar por testes periodicamente, pois atuam sem preservativos. Por ter alto poder aquisitivo, sempre teve acesso ao melhor sistema de saúde, onde provavelmente pôde obter informações mais do que suficientes para evitar não só a Aids mas outras doenças sexualmente transmissíveis também. Mesmo assim, ele não sabe como e exatamente quando foi contaminado. 

O uso do coquetel e a associação com  uso drogas

A interação entre os medicamentos que compõem o coquetel e o uso de drogas pode ser desastrosa. O uso de álcool inibe a ação de algumas drogas em até 41%. Anfetaminas podem ter seus efeitos potencializados e o uso Ecstasy pode ser fatal. Charlie Sheen tem problemas sérios com álcool e drogas diversas.

Desinformação e comportamento de risco

Promiscuidade e o uso de drogas pesadas explicam esta tragédia pessoal e talvez estejam também por trás do número crescente de novos casos no Brasil, que atingem principalmente jovens. Por aqui, há dois agravantes: o primeiro é o quase desconhecimento da doença e o segundo é a crença que a AIDS é curável. Não só o número de soropositivos cresceu, mas também de contaminações por DST, o que evidencia que não há uma grande preocupação com o uso de preservativos em relações sexuais com parceiros novos e habituais, que não tenham sido testados. Aliás, muitos jovens não tem a cultura dos exames periódicos, que detectariam  a doença precocemente e auxiliariam na eficácia tanto do tratamento como no controle da proliferação da doença.

Uso do coquetel e transmissão do vírus

Antes que as drogas imunossupressoras fossem reunidas em um coquetel, que aparentemente conseguiu conter a evolução da doença tornando-a tratável, a AIDS foi o grande flagelo da humanidade e ainda o é na África. No Brasil, graças à quebra de patentes e o fornecimento pela rede pública destes medicamentos, conseguimos ser uma das referências mundiais no controle da doença.  O número de casos baixou tanto que perdeu-se a cautela. Esquece-se que os medicamentos imunossupressores serão eficientes até o momento  que o organismo os aceite assim. Quando eles deixam de ser efetivos, a pessoa está sujeita a todos os problemas decorrentes da AIDS, entre eles às infecções oportunistas que atacam um corpo já fragilizado.  E o maior erro é a crença que uma pessoa com carga viral zerada deixa de ser um transmissor da doença.  As chances que ele não transmita o vírus é pequena, mas ainda assim existem. A medida que a carga viral aumenta, o risco de transmissão também cresce, por isso é necessário repetir exames para verificação da carga viral com frequência.

Um novo símbolo na luta contra a AIDS?

Por ser portador do vírus e pelo seu estilo de vida, Charlie Sheen pode se transformar em um símbolo do comportamento de risco e de suas consequências. Há muito tempo a AIDS deixou de chamar atenção, não vendia muitos jornais e revistas. Pode ser que a popularidade de Charlie ajude que pessoas prestem mais atenção em seu comportamento, que se submetam a testes e que adotem uma postura mais cautelosa em seus relacionamentos. Particularmente, acredito que ele esteja vindo a publico mais para se proteger de possíveis processos e para resguardar o que sobrou de sua carreira do que para alertar sobre os riscos da doença.  Alguma coisa de bom tem que vir disto, então, que seja a conscientização e o cuidado redobrado com a vida de cada um e dos parceiros. O amor deve transcender o ato físico e deve começar pelo cuidado que cada um tem consigo.

domingo, 15 de novembro de 2015

Ou isto ou aquilo

As manhãs de domingo para mim são um prazer. Gosto de acordar cedo e ler meus jornais e revistas sem pressa, passando depois para sites e minhas redes sociais. As notícias se repetem mas é sempre possível encontrar um ângulo novo e checar na internet o desenrolar dos fatos. Nos dois últimos anos, tenho sentido um profundo desprazer quando chego na metade do caminho.

Primeiro você se depara com a notícia, em seguida com um artigo, de preferência politicamente correto, que explica de acordo com um ponto de vista muito particular o fato e de quebra levanta uma certa polêmica. Depois vêm os infindáveis debates, contra ou a favor. Para concluir, os rótulos. Ou você é reacionário e de direita (não há como excluir um do outro) ou você é de vanguarda e da esquerda. Ou você se importa pelo desastre ambiental ocorrido em  Mariana ou lamenta pelas mortes em Paris, polêmica que já tinha sido levantada no início do ano, contrapondo os ataques à capital francesa e as atrocidades cometidas pelo grupo Boko Haram na Nigéria. Ou assiste a um filme que aborda um fato histórico ou se vê mergulhado em um debate interminável sobre as minorias. Li um artigo em um site americano em que o autor protestava contra as mortes de atores asiáticos em filmes de Hollywood, bem como li algumas críticas ao filme "Stonewall", porque a história é contada a partir de personagem branco.

O tempo todo estamos escolhendo causas e lados, usando argumentos novos para repetir paradigmas antigos e comportamentos detestáveis. Assim, se você protesta contra a corrupção, a ineficiência do governo atual, a forma como poder foi tomado e loteado, você é reacionário e golpista. Não importa os R$ 42 bilhões apurados em desvios da Petrobrás, investigações sem fim, delações, provas e a repetição dos mesmos nomes em crimes diferentes.  Não importa se a máquina do governo e milhões pagos em impostos foram utilizados para garantir um novo mandato. O pedido, acatado pela Justiça Eleitoral para investigar o abuso de poder econômico que obviamente ocorreu nas eleições passadas é golpe.

Da mesma forma, há que se elogiar os programas sociais, isto não faz de mim uma bandida, mas há que se concluir que o viés ideológico que o governo petista escolheu para governar o Brasil está ultrapassado, é letra morta. Na política externa, lados foram escolhidos, foram criadas alianças ineptas com países como Irã, Venezuela, Argentina e ditaduras africanas. Deram "o pé" nos EUA o tempo todo, esquecendo que é o país que mais compra produtos industrializados brasileiros. Ou isto, ou aquilo. Resultado: o Irã e Cuba negociaram seus acordos com os americanos, a Venezuela é uma ditadura escancarada, com um pé calcado no narcotráfico, a Argentina é a Argentina; Os EUA estão em negociação para implantar o Tratado de Comércio Transpacífico (TPP), que beneficiará o Chile, o Peru, a Austrália e até o Vietnã...

Com relação à França e Mariana, tem gente agindo como se fosse uma partida de futebol. Um é alvo da intolerância, travestida de religião e do desejo de impor e de conquistar território, de espalhar um conflito mundo afora. Ignorar isto é ignorar a História. No mínimo, o que estamos vendo requer reflexão. O que aconteceu em Mariana foi obra do descaso, da falta de vigilância, que custou até agora 23 vidas, um distrito, a sobrevivência de um rio, de um ecossistema completo. É resultado da política do progresso pelo progresso, dos erros de engenharia, do descaso com o meio ambiente e com os habitantes. Há que se lembrar que há mais barragens em Minas Gerais que também podem se romper a qualquer momento. E há que se lembra do viaduto que caiu, do estádio que precisa de reformas um ano depois de ter sido inaugurado, dos conjuntos habitacionais com falhas estruturais em seus projetos que precisaram ser demolidos antes da inauguração.

Há portanto várias coisas que aproximam Mariana e Paris, sendo que a principal é o valor da vida humana. Nas duas, a possibilidade de perdas são imensas, seja pelo agravamento de um conflito que pode se tornar global, seja por outro "tremor" que derrube uma barragem ou uma obra.  Não há que se escolher causas, há muito o que se lamentar e temer. Para os que acham que os atos terroristas estão longe de nós, procurem saber mais sobre o que acontece na Tríplice Fronteira e saiba que o Brasil não tem controle nenhum de quem entra em nosso país. Lembrem-se do atendado à Sinagoga na Argentina, há 21 anos atrás, lembrem-se que nossas aeronaves fazem vôos internacionais. 

A questão aqui é de humanidade e de amor. Quanto você é capaz de amar, quanto você é capaz de se importar. Para terminar, deixo aqui o poema de Cecília Meireles, publicado em um livro do mesmo nome, no ano de 1964, há 51 anos atrás. Bom domingo a todos!

 Ou isto ou aquilo
"Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo."
Cecília Meireles, 1964

domingo, 1 de novembro de 2015

O novo movimento de Consciência Negra no Brasil


Há coisa de uns três meses,  um novo "movimento social" está crescendo na surdina, com todas as distorções inerentes aos que já conhecemos, que são criados, patrocinados e utilizados conforme a conveniência de  alguns  que  insistem  em utilizar uma causa "contra a sociedade", mas que exigem dela prerrogativas que ferem normas, direitos e enfrentamento e posteriormente criarão despesas. Como alguém disse a "rebeldia no Brasil é paga pelos cofres públicos".

O novo Movimento de Conscientização Negra
Composto por jovens e nascido nas universidades, principalmente nas de São Paulo que adotaram o sistema de cotas para estudantes negros, estes movimentos tem feito manifestações que em nada contribuem para o debate da causa, pelo contrário, por suas atitudes criam um sentimento de antipatia em quem os vê em ação.  Em setembro, 300 estudantes participavam de um debate na PUC-SP sobre Programas Assistenciais, quando foram interrompidos por 6 a 7 militantes do movimento "Coletivo de Negros e Negras da PUC", que invadiram o auditório reclamando por não terem sido convidados para o debate. Mesmo após serem chamados pelos palestrantes para que um deles participasse da mesa, não houve negociação. Houve sim discursos sobre a situação dos negros no Brasil e o término do debate decretado por um deles. A ação do grupo causou indignação nos alunos que assistiam ao debate, a mesma descrita pelos estudantes da USP Ribeirão Preto que tiveram suas aulas invadidas e foram acusados de "dever até a alma para os negros", em Maio. Duas semanas atrás, veio a público uma inscrição em uma parede de um banheiro da Faculdade Mackenzie que dizia que "lugar de negro é no presídio e não na faculdade". Na sexta-feira, dia 20/10,  um novo incidente aconteceu na  Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, precisamente no banheiro feminino. A mensagem dizia: "Faculdade não é coisa de preto. Turbante não é coisa de faculdade. FDSBC sem pretos."

Ku Klux Kan tupiniquim
Quem será que foi o autor destas pichações, já que há mais de 20 anos sabe-se que o racismo é um crime inafiançável? A quem interessa a propagação do ódio explícito, da denúncia de segregação, do estabelecimento de "lugares" pré-determinados pela "sociedade branca", impossíveis de serem superados pelos negros? Quem ganha com a divisão?
Será que os autores não são aqueles que mais se beneficiariam da visibilidade, ganhariam justificativas e seguidores para a "luta", que servirão aos propósitos de quem  criou, organizou e está financiando estes grupos? Dividir para conquistar ou para se manter no poder. O preconceito racial existe e é forte no Brasil, mas ocorre de maneira velada, rasteira e na surdina, se manifestando em situações de emoção ou que envolvem riscos da perda do "status quo" imaginário. Cruzes não são queimadas, ninguém anda por aí de camisolão e máscara. Não é declarado, não é assumido, porque ninguém quer ir para a cadeia por ter cometido um crime inafiançável. Alguém já viu passeatas, organizações que atuam à luz do dia para defender a exclusão ou o cerceamento de direitos dos negros?

Não temos leis segregatórias e a Constituição Federal, aquela senhorita quase balzaquiana,  defende a igualdade e condena o preconceito de cor, pele e religião. Pela lei somos iguais, ao contrário dos personagens do livro "Revolução dos Bichos", que concluíram que alguns animais são "mais iguais" que os outros. Qualquer lei que diga o contrário deve ser questionada quanto ao caráter inconstitucional de sua natureza, geralmente pelas "Adins" (Ações Declaratórias de Inconstitucionalidade) que são julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição . No ordenamento jurídico, as leis tem que estar de acordo com o previsto na CF, que é a lei maior.

O lado trágico destes movimentos é a criação de polêmicas, o acirramento de posições, as ofensas de cunho pessoal, que tem por objetivo criar lutas, com base em mentiras. Guardadas as devidas proporções, este foi o objetivo de Dyllan Roof, aquele rapaz que matou negros em uma igreja de Charleston, no sul dos EUA fara fomentar a guerra racial. Charles Mason acreditava que os assassinatos que cometia serviriam de combustível para o "Helter Skelter" uma guerra apocalíptica entre brancos e negros.

Estudos questionáveis
Em 2013 foi publicada uma pesquisa feita pelo Dieese, indicando que os salários dos negros é menor do que os pagos aos funcionários brancos que exercem a mesma função, de acordo com dados do SPED (Sistema de Emprego e Desemprego).  Gostaria que este estudo fosse realizado com empresas, já que os dados do sistema não são minuciosos. É preciso levar em conta o salário médio pago pela empresa, função, etc. Para que possamos chegar a uma conclusão clara sobre o papel do racismo nas relações profissionais é preciso comprovar que funcionários que exerçam a mesma função na mesma empresa recebam salários diferentes. Este cenário precisa ser replicado em várias empresas, em várias cidades, em diversos estados para que a afirmação seja consistente.  Para início de conversa, a afirmação que uma empresa adota uma prática destas é confirmação de crime. Questiono e muito este estudo, porque por exemplo, se o ramo de atuação da empresa é Construção Civil e eu tenho curso superior em  Psicologia, não significa que meu título me dará direito à remuneração de um engenheiro. De qualquer forma,  a afirmação final foi de que sob qualquer perspectiva o negro ganha menos que o branco.

Ao mesmo tempo, não me lembro da publicação de nenhum estudo que mostra o percentual de negros em cargos de chefia, cuja presença cresceu e pode ser facilmente verificada em várias empresas.
Individualmente, poucos devem algo a alguém.
Em uma sociedade em que a presença de imigrantes é forte e temos a miscigenação como característica preponderante na formação da população,  é desrespeitoso abordar indivíduos e acusá-los de racismo por sua posição social ou pela cor de sua pele.

Tomo como exemplo minha família. Boa parte dela chegou ao Brasil depois da libertação dos escravos. Temos italianos, portugueses e libaneses nesta turma. A parte mais antiga da família é produto da miscigenação entre brancos, índios e negros. Em algum ponto, alguém passou a ser classificado como branco, o que não foi suficiente para que os bebês que nascessem carregassem até hoje uma mancha negra, como se fosse um hematoma, no quadril e nas costas. Esta mancha tem vários nomes, entre eles, "Mancha de Caim", "Mancha mongólica", 'jenipapo" e revela ascendência africana (80%) ou asiática (90%), que não é o caso. Nas conversas de algumas tias antigamente, quando um bebê nascia, era comum perguntar se tinha a "bunda roxa". Meus filhos, que carregam a herança genética de minha família e da do pai, eram crianças louras com alguns pontinhos pretos no bumbum. Embora tenhamos este sinal ao nascer, ninguém foi beneficiado por nenhum sistema de cotas.

Ninguém em minha família conheceu ou manteve escravos, mesmo a parte mais antiga, que está no Brasil há mais tempo. Perguntei a minha mãe e a minha avó se elas conheceram pessoas que os possuíam ou sabiam de histórias do período da escravidão. Ninguém sabia. Perguntei a amigos e a resposta foi a mesma. Curiosamente, a parte que veio do Líbano poderia saber algo, já que no Oriente Médio, a servidão foi recorrente até o início do século passado. Por este prisma, não devemos "nossa alma a ninguém".

Uma questão de consciência e de justiça
A sentimento que temos em relação à comunidade negra nasce da consciência, do respeito ao semelhante e do amor pela justiça. Houve sim escravidão, muitos foram tratados como "peças", famílias foram separadas, pessoas foram vendidas como animais em praça pública e após a abolição eles saíram da  escravidão para a miséria. A dívida com os negros é da sociedade em geral e é preciso criar e manter instrumentos de inserção e de fortalecimento do conceito de cidadania, onde todos são sabedores de seus direitos e obrigações, que é preciso respeitar uma pessoa pela sua condição humana, sem apostos. Uma sociedade justa se constrói principalmente pelo respeito.  As cotas nas universidades são um caminho, mas não são a solução. As cotas nos concursos públicos, em minha opinião, são injustas, porque colocam em xeque o mérito.

Devemos estudar nossa história racionalmente e entender como as coisas aconteceram e lembrar que ao fazer este estudo é preciso contextualizar o fato com o que ocorria no mundo. A escravidão é um capítulo vergonhoso na história da humanidade e jamais deverá ser repetida, em circunstância alguma com ninguém e isto inclui os bolivianos que trabalham em confecções e os haitianos que vêm para cá em busca de uma vida melhor. Punir os que exploram imigrantes e trabalhadores em geral, que oferecem condições de trabalho análogas à escravidão é um dever permanente da sociedade. A radicalização destes movimentos de defesa dos negros não é positiva para ninguém e não pode crescer baseada em mentiras, em fatos construídos para dar visibilidade a situações irreais. Toda luta deve ser baseada na verdade e nada se aproveitará do confronto construído e alimentado por interesses escusos.

Chegamos até aqui, o desafio é saber como e para onde vamos. Aproveitar as conquistas de muitos que lutaram com muita dignidade por seus direitos e não desperdiçar esta caminhada com factoides e embates pessoais. Para os pichadores, fica aquele velho ditado repleto de sabedoria: Nenhuma mentira dura para sempre. A última coisa que o Movimento Negro precisa é ter sua legitimidade questionada por pessoas que dizem agir em defesa, mas na verdade, não respeitam sua luta.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Sobre o fechamento de escolas em São Paulo


A taxa de crescimento da população brasileira vem caindo e a expectativa de vida do brasileiro é hoje de 81,3 anos. As famílias já não são numerosas e é comum nos surpreendemos com casais com mais de dois filhos. Em parte devido à urbanização, em parte devido a uma política de   controle de natalidade mais eficiente e em parte também por ser possível escolher o momento  certo e se um casal deseja ter filhos.  A "multiplicação" já não é uma demanda obrigatória em um casamento. Filho é um assunto sério, é para a vida inteira, demanda cuidados, educação, investimentos constantes e literalmente não é para qualquer um. É preciso querer e se comprometer com este ser que não pede para nascer, mas cuja presença será sentida, com maior ou menor intensidade até o final dos seus dias.  
Crescimento das escolas particulares
Há dez anos atrás participei de um simpósio sobre o setor de educação particular e a diminuição do número de alunos já era prevista. Em várias cidades do interior de São Paulo pré-escolas municipais foram fechadas pelo número baixo de alunos matriculados. Os prédios foram utilizados paras outras funções, como por exemplo para apoio à população de rua.

O crescimento do número de alunos matriculados em escolas particulares explica-se pelo crescimento econômico que o Brasil teve entre 2008 e 2010.  Com a ascensão da nova classe média, os pais optaram por qualidade em educação e em saúde, o que levou vários alunos da rede pública para a rede particular. Da mesma forma que a melhor estratégia de marketing na área de saúde é o medo do SUS, a baixa qualidade de ensino oferecida pela rede pública e o aumento dos casos de violência envolvendo alunos e professores não deixaram para os pais muito espaço para escolha

O mundo se transforma em uma velocidade assombrosa, conhecimento é indispensável e o aperfeiçoamento deve ser constante. O mercado de trabalho é extremamente competitivo. Quantas pessoas não conhecemos que tem dois cursos superiores? Quantos alunos mal terminam a faculdade e já ingressam em cursos de especialização e pós-graduação? Em tempos de poucas oportunidades de emprego, o critério de escolha levará em conta a experiência e a  formação do candidato.
Distribuição de alunos por escolas e ciclos.
Há aproximadamente 15 anos, esta distribuição já é feita na rede pública no interior de São Paulo. Foi uma transição relativamente tranquila. Enquanto mãe, achei que foi melhor para meus filhos. Eles tiveram a escola para eles, puderam desenvolver seus padrões de comportamento mais livremente, sem aquela pressão do grupo. Há mais espaço para o reforço que vem de casa. Para os alunos da primeira fase do ensino fundamental, a escola é mais limpa, os intervalos são separados e foi o fim dos "encontrões" . As turmas se fortaleceram e formaram amizades que duraram até o fim do Ensino Médio.

Não posso comparar a realidade de uma cidade de 300.000 habitantes com a Grande São Paulo. Se meus filhos percorriam praticamente a mesma distância, nos grandes centros a história é diferente. O próprio transporte público já expõe o aluno a riscos. Uma solução possível seria os ônibus escolares gratuitos. O custo do  fornecimento de transporte é bem inferior ao custo de uma escola com número pequeno de alunos, afinal, há que se pagar professores, coordenadores, inspetores de alunos e todos os outros membros da equipe, além das contas de água, luz, telefone e as despesas com a manutenção predial.

Outra coisa que é preciso levar em conta é o número de alunos por sala de aula. Classes numerosas são sinônimo de problemas, de baixo aproveitamento e de alta rotatividade de professores. Acho que esta é uma daquelas medidas que terão seus resultados avaliados a médio prazo e a participação dos pais é fundamental.

Evasão escolar
Uma vez que a questão do transporte, do número de alunos por salas de aula, da qualidade das instalações e do corpo docente não implique em perdas para os alunos, é uma tentativa válida em solucionar alguns problemas crônicos do ensino público. Os professores advindos de escolas que obtiveram bons resultados devem obrigatoriamente continuar a ter condições de desenvolver um bom trabalho. Através de sua experiência profissional, de seus resultados eles passarão a ser um modelo para os demais. É uma questão de respeito e reconhecimento do mérito de cada um. O que não pode é jogar todos na mesma vala comum, há que se ter muito cuidado com o corporativismo da classe, que é forte.

Com relação à possibilidade de evasão escolar, há leis para manter o aluno na escola até o término do Ensino Fundamental. Com relação ao Ensino Médio, que é o grande gargalo da educação, a transformação dos prédios das escolas que serão desativadas em ETECs e FATECs é um ganho e um incentivo imenso para os alunos, já que neste tipo de escolas eles aprendem uma profissão. É a tão almejada ligação entre o ensino teórico e a vida profissional, além de ser uma política extremamente positiva em relação ao mercado de trabalho, que precisa de mão de obra qualificada. Neste quesito, acho que a mudança é extremamente positiva, pois traz para perto de casa e gratuitamente, a oportunidade de construir um futuro melhor.

Escolas da periferia
Como dizia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". O critério foi o número de alunos e não o desejo maligno de punir os mais pobres, que alguns acreditam que figuras políticas tem e que alguns órgãos da imprensa, principalmente aqueles que recebem fartas "verbas publicitárias" do Governo Federal propagam. Por que não questionar se depois eles não irão querer dominar o mundo?

Acho que se de fato houver a transformação destas unidades em ETECs e FATECs, é um ganho para a população da região em geral. Nada impede que um adulto faça seu curso técnico à noite, que ele volte a estudar. As FATECs oferecem cursos de excelente qualidade, inclusive com programas de especialização e pós-graduação, além de serem gratuitas. É  democrático e justo a instalação delas nas periferias das grandes cidades, onde elas são mais do que necessárias. 

Agora é hora de dialogar, de negociar, de superar as dificuldades e não de acirrar posições. O que o Estado de São Paulo não pode de forma nenhuma é reduzir ainda mais a qualidade do ensino oferecido à sua população. 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Nuvem negra no horizonte - Os planos de saúde


Quando ouvimos uma notícia ruim na economia, temos uma imensa dificuldade em entender o impacto daquilo que acreditamos ser um fato isolado para o nosso dia a dia. Foi assim com a realidade econômica disfarçada e repleta de subsídios em 2014 e com as análises econômicas de então.  Todos economistas sérios diziam já em 2013 que deveriam ter ocorridos ajustes setoriais, que uma vez não feitos gerariam um efeito cascata: inflação, recessão, desemprego, rebaixamento das notas do Brasil e de empresas brasileiras pelas agências internacionais e a saída dos investidores e de empresas do país.

Estelionato intelectual
Além da crença absoluta no "governo do povo", somos vítimas também dos estelionatos intelectuais cometidos por  determinados meios de comunicação, que se pautam mais pelas verbas publicitárias vindas do Governo do que pela veracidade e importância dos fatos. Repito aqui o que todos dizem: Esta crise será longa e veremos ainda muitas consequências da irresponsabilidade e incompetência dos que  dirigiram nosso país pelos últimos 12 anos. Isto precisa ficar claro nas notícias dadas, não adianta tapar o sol com a peneira, não adianta colocar matérias sobre cinco empresas que estão desafiando a crise e esconder as próprias demissões e dificuldades que alguns destes grupos, donos destes veículos de comunicação, estão passando.

O desemprego está crescendo comprovadamente, não é "quanto pior, melhor". O índice de setembro está aí para provar. Lentamente, o que ouvíamos falar que tinha acontecido lá no Nordeste ou em algumas capitais vai chegando perto de nossa realidade. Já estamos naquele patamar onde todo mundo conhece alguém que está desempregado porque a empresa cortou postos, porque fechou, porque diminuiu as vendas e assim vai. A empresa que mais cresce no Brasil é a "Aluga-se". Tem placas em quase todos os bairros deste país.

Corte nos planos de saúde empresariais
Os que perderam emprego perderam também o convênio ou seguro saúde. Os que ficaram perderam também este benefício ou passaram para a categoria co-participação, onde pagam um valor acordado por cada procedimento médico realizado. Faz todo sentido iniciar o corte de despesas por ai, já que não se pode diminuir aleatoriamente salários,  que é uma medida meio que extrema, que  precisa ser acordada entre empresa e sindicatos, requer diminuição da carga horária ou,  para se enquadrar no programa do governo que permite até 30% de diminuição dos salários, é preciso comprovar a precariedade da saúde financeira da empresa. O convênio médico é o primeiro benefício a ser cortado e não há muito o que fazer porque a concessão não está prevista em lei. 

Do outro lado, temos as operadoras, que apostaram forte no seguimento empresarial, já que o plano familiar ou individual é caro para o padrão de renda do brasileiro e é trabalhoso para as operadoras. Há dois meses atrás, na cidade de São Paulo havia três operadoras que aceitavam beneficiários individuais. Uma delas era a Unimed Paulistana. Temos ainda no meio da relação a ANS, que atualiza o rol de procedimentos que os planos devem cobrir, o aumento dos custos de procedimentos e insumos e por fim, a importação de muitos equipamentos e materiais utilizados diariamente em muitos atendimentos. Importar com dolar a R$ 2,00 é uma coisa, a R$ 4,00 é bem outra.

Efeito dominó
A intervenção feita na Unimed Paulistana foi a medida mais desastrada que já se viu em um setor cujo indicador é o número de vidas. Os beneficiários estão até hoje vendo para onde vão correr. Interessante é que a saúde financeira da Unimed Paulistana não era segredo para ninguém e justamente por isso a ANS deveria ter tido mais cautela com os beneficiários, que deveriam ter sido informados em primeiro lugar. Aliás, no comunicado que deveria ter sido enviado a eles, já deveria haver a sugestão de quais  Unimeds iriam assumir a carteira. Teve gente que ficou quase dois meses esperando pela liberação de uma cirurgia. Teve gente que foi atrás de liminar para obrigar a Unimed Brasil a atender. Agora, a Unimed Rio de Janeiro também está com problemas.

É preciso levar em conta também a diminuição de receita ocasionada pelas baixas nas carteiras das operadoras está causando nos prestadores de serviço. Algumas empresas médicas investiram pesado na compra de equipamentos, muitos deles importados e na ampliação do atendimento. As demissões neste setor serão inevitáveis e algumas destas empresas estarão financeiramente comprometidas por anos. É preciso lembrar que em um mesmo dia, foram demitidos na cidade de São Paulo, 1.500 funcionários da Unimed Paulistana e 1.500 da Santa Casa de São Paulo. Foram eliminadas 3.000 vagas no setor de saúde em um só dia!

Tabela do SUS e diminuição de leitos
Além dos problemas com as operadoras, que chegaram a crescer 10% em um ano, há uma realidade que ninguém pode esconder: O Sus é incapaz de absorver este contigente todo que está saindo da Saúde Suplementar, ou seja, dos convênios. A tabela do SUS não é reajustada desde 2007 e o número de leitos oferecidos pela rede pública caiu drasticamente.Entre 2010 e 2014 o SUS perdeu 13.000 leitos.

Para que qualquer hospital possa atender SUS ele tem estabelecer uma quota e contar com atrasos no repasse dos recursos. Um hospital tem que ter outras fontes de renda e gerenciar muito bem os atendimentos, caso contrário ele quebrará. Há anos a situação das Santas Casas está parada no Congresso sem solução. Da mesma forma que aconteceu em outros setores da economia, o Ministério da Saúde passou complementos para algumas instituições, de acordo com o número e complexidade dos atendimentos. O que se pagava por uma consulta médica em 2007 hoje não cobre o custo de um curativo.

Cortes no orçamento do Ministério da Saúde
Ampliar a rede do SUS este ano é impossível. No esteio do Ajuste Fiscal, o Ministério da Saúde teve um corte de R$ 11 bilhões. Sendo pouco "administrar a escassez" como disse a Presidente Dilma no início do ano, este Ministério foi passado de porteira fechada para o baixo clero do PMDB, como moeda de troca para manter a maioria no Congresso, manobra esta que beira a imoralidade. As declarações do atual Ministro da Saúde já dão uma amostra de sua capacidade em administrar a pasta.

E os beneficiários?
Para quem tem doenças crônicas, carências cumpridas e previsão de cirurgias ou de tratamentos clínicos caros, é fundamental manter seu plano de saúde. É importante pesquisar preços em outras operadoras e lembrar que há uma norma de portabilidade de carências, assim não é preciso começar do zero. Os planos que oferecem co-participação são interessantes, mas é preciso manter uma reserva para os casos de emergência .  As operadoras terão que negociar diretamente com os beneficiários que perderam os planos, oferecendo condições para que eles continuem contribuindo, mesmo em planos diferentes. 

A ANS poderia também editar normas que autorizem a criação de planos para atender por exemplo, somente internações ou que estabeleça limites de consultas. Talvez um híbrido dos produtos que estão no mercado.
O importante é que as cooperativas, a Associação Brasileira de Medicina em Grupo ( Abramge) e a ANS cheguem a um acordo e se antecipem ao efeito dominó. Basta lembrar que o maior incentivo para se optar por um plano de saúde é o medo que todo mundo tem do SUS.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Eike Batista e o Petrolão


De dono de uma das maiores fortunas do mundo ao maior fiasco no já visto no mundo dos negócios brasileiro, Eike Batista vem enfrentando os problemas decorrentes da derrocada de seu grupo, que captou milhões no mercado de ações e deu um prejuízo também milionário aos investidores que acreditaram em seus projetos. Em agosto, Eike e e seu sobrinho foram convocados pela CPI do BNDES. Segundo o Deputado Antonio Jordy (PPS-PA), autor do requerimento, Eike Batista e as empresas de seu grupo receberam do banco R$ 10 bilhões e foram "selecionadas" pelo governo para se tornarem gigantes em seu setor e competir globalmente. Agora, o empresário passará também a ocupar as páginas do noticiário dedicado à operação Lava Jato.

A homologação da delação premiada de Fernando Soares, o Fernando Baiano que acreditava-se ser o operador do PMDB vem trazendo surpresas em série. Primeiramente, por seu papel junto a Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Jader Barbalho e também por revelar que Fernando foi o representante da OSX para promover a participação do estaleiro na Sete Brasil, empresa criada pela Petrobrás para construção de navios sonda. Para obter sucesso, Fernando precisou dos serviços prestados por Luís Carlos Bumlai. Os dois dividiriam a comissão paga pela OSX pela intermediação. Bumlai é  aquele amigo pecuarista de Lula, a segunda pessoa autorizada a entrar na sala do então presidente sem bater. A primeira era Dona Marisa.  

Segundo Lula, Bumlai pode ter se aproveitado de sua amizade para fazer negócios, ele não sabe de nada. Segundo Fernando Soares, ocorreram duas reuniões no Instituto Lula, com a presença de Lula, João Carlos Ferraz, ex-presidente da Sete Brasil e Luís Carlos Bumlai, para tratar da participação da OSX. O dinheiro pago à nora de Lula, R$ 2 milhões, que seriam utilizados para pagar uma dívida de um imóvel, foram pagos  a Bumlai, por Fernando , como um "adiantamento".  Trocando em miúdos, o dinheiro pago à nora de Lula veio de Eike Batista e da OSX. Em sua delação, ele já se comprometeu a apresentar o comprovante da transação, que foi realizada através da "engenharia" peculiar a este tipo de negócio.

A ascensão de Eike Batista nos círculos do poder é marcada por várias coincidências. Uma delas  é sua atuação em áreas que agora sabe-se que movimentaram milhões em propinas. O Grupo EBX era composto principalmente pela OGX, criada para atuar na  extração de petróleo do pré-sal , MPX , no setor de Energia, MMX  em mineração, OSX, empresa naval, LLX em logística  e responsável pela construção do Superporto do Açu, no Rio de Janeiro. Provavelmente serão também investigadas nos inquéritos do Petrolão e Eletrolão. Boa parte destas empresas atuou no âmbito de Minas e Energia, cuja Ministra da pasta foi Dilma Rouseff

Eike Batista foi tão poderoso no Governo PT que foi usado por Lula e Dilma para acelerar a queda de Roger Agnelli frente à Vale. É importante lembrar que durante a gestão de Agnelli que foi indicado pelo Bradesco para o cargo, a empresa cresceu e muito,  aproveitando principalmente a expansão da China. Ele foi demitido em 2011, depois de forte pressão exercida por Guido Mantega, como representante do governo junto ao Bradesco. 

Espero que a CPI do BNDES não termine de forma lamentável, como foi a da Petrobrás. Os "campeões nacionais" não surgiram por acaso. Quais foram os critérios de "seleção" para o recebimento de tanto dinheiro do banco por estas empresas?  Quem são os intermediários e como agiram para o sucesso destes grupos? A coisa é tão vasta, que faltam inclusive perguntas, mas os que devem responder estão aparecendo lentamente, através das investigações e delações. Será que não seria melhor aplicar uma certa engenharia reversa e investigar a lista dos beneficiários dos maiores empréstimos concedidos pelo BNDES?

terça-feira, 20 de outubro de 2015

É preciso querer mais


Hoje, infelizmente, assistimos a mais uma tragédia no Rio de Janeiro ocasionada pelo uso incorreto de gás de cozinha. Infelizmente, porque estas explosões ocorrem no Brasil inteiro e embora o que aconteça no Rio  naturalmente tenha uma maior visibilidade, esta é a segunda grande ocorrência em menos de um ano. 

A primeira aconteceu em um prédio residencial e tirou uma vida. Em ambas, o prejuízo material foi imenso e dificilmente poderá ser reparado por quem foi responsável. Como estamos acostumados a ver depois de uma tragédia destas, a irresponsabilidade e a falta de fiscalização são sempre apontadas como fatores que favorecem estes tipos de acidentes. Veja bem a conclusão que chegamos: o indivíduo que possui um estabelecimento comercial não tem responsabilidade para lidar com gás, que é explosivo, que vem com várias advertências no lacre, que poderia ocasionar sua própria morte ou de pessoas em seu estabelecimento. Será que foi só neste quesito que faltou responsabilidade? E no manejo dos produtos que ele serve?

Se pensarmos que há mais de 20 anos somos assolados pela dengue, que muitas cidades deste país não tratam o próprio esgoto e o despejam em rios, às vezes perto de nascentes,  que nas comunidades carentes há um problema crônico com lixo, que a Baia de Guanabara tem qualidade da água muito próxima a de um despejo de esgoto, que na época das chuvas há inúmeros relatos de deslizamentos e soterramentos em locais onde não poderiam ter construções, que bueiros explodem em ruas, não uma, mais diversas vezes, enfim, na quantidade absurda de tragédias, doenças e mortes que temos anualmente ocasionada pelos mesmos problemas, chegaremos a conclusão que falta responsabilidade ao poder público e ao cidadão.

Todos nós sentimos que a justiça foi feita quando um empresário, um político ou outro figurão responde processo, é obrigado a ressarcir os prejuízos que causou ou é preso por corrupção ou outros crimes. Quantos de nós ouviram falar em alguém que pagou uma multa ou foi obrigado a pagar os custos de tratamento de alguém que teve dengue por manter em sua casa um criadouro de mosquitos? Quantas vezes ouvimos falar que um condomínio foi multado por despejar esgoto sem tratamento em rios? Quantos prefeitos perderam seus mandatos por não tratarem esgoto e não cuidarem da coleta de lixo? Quantas pessoas foram impedidas de construir casas em áreas com risco de contaminação ou desabamento? As leis são para todos e a Justiça também, para os grandes e pequenos, para educar a sociedade através dos erros e falhas que se transformaram em tragédias, de forma que elas não se repitam.

No caso da fiscalização, ela tem que ter um caráter educacional, mas se há reincidência, há que se punir o rico e pobre igualmente. Se toda pessoa que se recusasse a abrir sua porta para os agentes de saúde ou que tivesse criadouros em sua casa fosse multada e processada, não teríamos epidemias cavalares como as que temos anualmente. Se a multa fosse recolhida para a Previdência Social, a dengue já estaria erradicada no Brasil, uma vez que os encargos por atraso ou não pagamento de débitos relativos à Previdência são gigantescos. Se os poucos fiscais que vistoriam estabelecimentos comerciais recebessem uma remuneração digna, com metas de visitas e fosse acrescida alguma verba por produtividade, as únicas explosões que ouviríamos seriam de fogos de artifício
É preciso querer mais, basta de falar "que é difícil, que as coisas não vão mudar, que é assim mesmo". Este tipo de pensamento mata a vontade de se fazer melhor, é conformista, justifica a omissão. É preciso querer ter uma vida melhor e para isso é preciso denunciar o que está errado, cobrar pelo prejuízo que se sofreu em virtude do descaso alheio e começar a agir. Culpar o Poder Público é cômodo, denunciar o vizinho já é outra coisa. É preciso deixar de lado também o "coitadismo". Quantas vezes não escutamos as pessoas justificarem os erros das outras com frases como: "Coitado, ele não fez por mal", "Coitado, tão gente boa". Ter boas intenções e ser uma pessoa do bem não o absolve de seguir a lei, de ter responsabilidade naquilo que faz, de agir de forma a não prejudicar o próximo. Além de não ajudar em nada, este sentimento é muito bem explorado por aqueles que fazem divisão ridículas entre classes sociais, estados, ect, o famoso "nós contra eles".

E embora tenhamos uma presidente e um ex-presidente que justificam todos seus erros na base do "eu não sabia de nada", é preciso que a sociedade entenda que não se pode evocar o desconhecimento da lei e das normas como motivo para o seu não cumprimento.  Neste caso, talvez, a título didático, seria melhor começar a punir os de cima.

domingo, 18 de outubro de 2015

Sharon Tate Recollection


Como a história terminou,  todos sabem. Em uma noite, uma gangue de jovens liderada por Charles Mason, assassino já condenado e líder espiritual de um seita invadiu uma casa em
Los Angeles e assassinou todas as pessoas presentes na casa. Entre elas, estava um jovem de rara beleza, grávida de 8 meses e meio, que chamou por sua mãe nos últimos minutos de sua vida.
A jovem é a atriz Sharon Tate, esposa do então já consagrado diretor Roman Polanski. Na época ela tinha 26 anos e além da aparência, era muito talentosa. Embora tenha tido uma curta carreira, sua participação no filme "O Vale das bonecas" lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro. Sobre suas conquistas e quão longe chegaria  é uma pergunta em aberto, comum quando pensamos nos jovens que partem cedo demais. Durante anos seu nome e sua existência para muitos sempre esteve associada a Mason, mas passados quarenta e cinco anos de sua morte, em 2014, sua irmã, Debra Tate lançou um livro de memórias, para que Sharon possa ser lembrada pela pessoa que foi, por suas realizações, pelos amigos e familiares que deixou.

Sharon e Polanski 

Eles se conheceram em Londres, através do agente de Sharon que sabia que Polanski iria filmar  " A dança dos vampiros".  Durante o jantar de apresentação, Polanski não falou com ela o tempo todo. Quando a levou para sua casa, pediu que ela esperasse na sala e voltou usando uma máscara de Frankestein, agindo como um louco. Após ela partir aos gritos ele ligou para o agente e disse que ela tinha ganhado o papel. Durante as filmagens, eles se apaixonaram e depois de viverem um tempo morando juntos, se casaram. Sobre ela, Polanski deu um depoimento tocante no livro: " Ela não era inexperiente ou ingênua, o clichê de uma jovem atriz. O que mais me impressionou nela não foi sua beleza, mas a gentileza e bondade que ela irradiava.  Viver comigo naquela era época já demonstra sua paciência porque era uma provação. Ela nunca foi temperamental, nunca teve variações de humor. As pessoas e a imprensa destacavam sua beleza, mas poucos sabiam que ela tinha uma belíssima alma e isto é algo que somente seus amigos mais próximos sabiam.
Ela gostava da vida de esposa, era uma dona de casa nata que gostava de cozinhar e fazia pratos maravilhosos. Gostava de cortar meus cabelos, de arrumar minha mala quando eu viajava, sabendo exatamente o que colocar. Até hoje para mim é impossível fazer ou desfazer minhas malas sem pensar nela. Mesmo depois de tantos anos, eu não consigo assistir um pôr do sol, entrar em uma adorável casa antiga ou ver uma paisagem sem pensar instintivamente que ela adoraria isto. E são coisas como estas que me manterão fiel a ela até o dia de minha morte."

Tess

Ela queria ter o bebê perto de sua família e Polanski precisava ficar em Londres por mais tempo, pois estava procurando locações para o filme "O dia do golfinho". Quando Sharon partiu para os Estados Unidos a bordo do navio "Queen Elizabeth", ela deixou para ele o livro " Tess of the D'Ubervilles" de Thomas Hardy com um bilhete pedindo sua opinião sobre uma possível adaptação da obra para o cinema. Polanski filmou "Tess" em 1979,dez anos após a morte de Sharon. O filme, até então a mais cara produção da França, foi sucesso mundial, com Nastassja Kinski interpretando Tess. Na abertura há uma dedicatória para Sharon. Este é o único filme de amor que ele dirigiu.

Barbie Malibu

A boneca lançada em 1971 foi baseada no personagem que Sharon fez no filme "Não faça onda". Certa vez ela disse que gostaria de ser uma princesa de contos de fadas, com asas delicadas e usando um vestido esvoaçante, cheio de pequenos objetos brilhantes.




Os amigos

Os amigos e os que conviveram  Sharon destacam sua gentileza,  docilidade, a amizade e o carinho que tinha por todos. Mia Farrow é uma das amigas que deixou seu depoimento no livro, pois Sharon às vezes visitava Polanski no set de "O bebê de Rosemary", onde colaborou com algumas sugestões para o projeto. Além dela, o livro traz também os depoimentos de Jane Fonda, Warren Beatty, Joan Collins entre outros. Todos falam também sobre o amor e a felicidade do casal.

O livro não chegou a ser lançado no Brasil, mas é possível comprá-lo pela Amazon. É uma leitura interessante sobre uma época distante. Foi feito para celebrar a vida de Sharon, sua beleza, suas conquistas e sua juventude.  O prefácio é de Roman Polanski e traz fotos lindas da atriz, do marido e amigos. Tanto a mãe como as irmãs de Sharon dedicaram a vida a ajudar mulheres vítimas de violência. Durante muitos anos foi como se Mason tivesse conseguido matar não só a pessoa, mas também a memória de Sharon. O livro celebra a vida e encerra o ciclo.

sábado, 17 de outubro de 2015

Ray Donovan


Na última promoção da HBO, onde todos os canais foram abertos, pude assistir alguns episódios da série Ray Donovan. Embora o Canal Cinemax exiba a série, é virtualmente impossível assistir qualquer filme ou programa neste canal. Se o filme tem 1h30 de duração, no Cinemax você levará 2h30 para assistir. São tantos cortes absurdos, tantos comerciais que é possível você assistir o mesmo comercial no mesmo intervalo duas vezes, pelo menos, e a maioria deles é sobre a própria programação. Mesmo assim, consegui assistir a pelo menos três episódios de uma série que está indo para a quarta temporada e já tinha gostado muito. Com áudio original e sem intervalos, ela é imperdível.

A série acompanha a vida de Ray, um faz-tudo das pessoas importantes de Los Angeles. Ele é aquela pessoa que é chamada para consertar situações, um "fixer".  Assim,  se há um incidente que pode provocar um escândalo, ele e sua equipe "limpam" as evidências, pagam ou ameaçam testemunhas, cuidam das vítimas. Embora ele ganhe bastante dinheiro com esta "prestação de serviços", ele enfrenta dificuldades em sua família. Seu casamento está chegando ao fim, a filha adolescente está cheia de problemas, o pai, interpretado magistralmente por Jon Voight e vencedor do Globo de Ouro por sua atuação na série, foi libertado da prisão é um canalha, que manipula os filhos, extremamente problemáticos, conforme suas conveniências. Os irmãos tem recorrem sempre a  Ray, que é o único que vê o pai como ele realmente é,  o enfrenta, desarma seus truques, mas vez ou outra o pai leva a melhor.

O ator Liev Schreiber, conhecido pelo papel de Victor Creed, o Dente de Sabre no filme X-Men Origens: Wolverine, não tem longas linhas de texto ou mesmo os monólogos brilhantes de Red Reddington em The Blacklist. É uma atuação contida, mas ele usa o olhar como ferramenta de trabalho. Através deste olhar, você percebe a dor, a violência e a solidão do personagem. Há três anos ele tem sido indicado para o Globo de Ouro e infelizmente ainda não venceu, embora tenha merecido. Aliás, ele é um excelente ator de teatro, especialista em Shakespeare e vencedor de um Tony.

Os maiores problemas de Ray estão no passado e naquilo que ele se recusa a aceitar. Neste ponto, o espectador sabe mais sobre o personagem do ele mesmo.  Na próxima temporada, que estreará apenas em 2016, a trama se passará em outra cidade, não abandonando totalmente Los Angeles. Vale a pena acompanhar a série.