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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sobre o Porto de Mariel


Pouco se vê e se ouve de Dilma nestes dias. Depois da declaração captada por um microfone aberto onde ela e Cristina Kichener falavam sobre as dificuldades em montar um ministério, ontem após o anúncio do restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, ela celebrou o acordo e justificou os investimentos do Brasil na reforma do porto cubano como “estratégicas”. Alguns jornais hoje classificaram o investimento no porto como um “golaço” do Brasil, apostando no volume de cargas que será movimentado após o fim do embargo. Esqueceram que os Republicanos detêm a maioria no Congresso Americano e que são a favor da manutenção do embargo até que Cuba de fato torne-se uma democracia, ou seja, só após a morte dos irmãos Castro. Esquecem-se também que a opinião dos dissidentes cubanos tem peso nos EUA, que também são favoráveis à manutenção dos embargos.

O embargo já durou mais do que o necessário para cicatrizar as feridas causadas pela invasão da Baia dos Porcos e pela Crise dos Mísseis Cubanos, que foi o momento histórico onde a humanidade realmente se aproximou da aniquilação total. Não culpo exclusivamente os EUA pelo relacionamento ou falta de um com Cuba. Fidel cometeu erros absurdos como permitir a instalação dos mísseis soviéticos em Cuba e apoiou governos totalitários como o da Coréia do Norte. Aliás, a primeira carga que passou pelo porto como com destino à Coréia, foi interceptada no Panamá e verificou-se que se tratava de um carregamento de armas e peças de jatos. Os EUA cometeram atos absurdos como a malfadada invasão e as tentativas de assassinar Castro. Na verdade, os americanos serviram de bode expiatório de todos insucessos que ocorreram no país após a Revolução. Ficaram famosos os discursos de Fidel, que duravam horas, a cada pequena vitória dos cubanos contra as medidas isolacionistas dos EUA.

Mas voltando ao Porto de Mariel, por parte do Brasil não há o que se comemorar, pelo menos por agora. O que é preciso é garantir condições favoráveis ao Brasil no funcionamento do porto. Se Cuba estiver honrando os pagamentos à Odebrecht, e esta ao BNDES, é o esperado, é o cumprimento de um acordo. Aliás, acredito que as condições deste financiamento devam ser exaustivamente investigadas, pois ao que parece, houve uma certa “engenharia” para tornar particular um investimento feito pelo Governo Federal, que não foi aprovado pelo Congresso e com cláusulas e lastro bem “maternais”. O porto não pertence aos brasileiros, o porto é cubano. Mesmo que o embargo caia amanhã, economicamente nada significará para o Brasil que em 12 anos de governo petista nunca fez um esforço diplomático sério para estreitar as relações comerciais com os americanos; pelo contrário, fizeram acordos com o Irã e deixaram bem claro que o posicionamento ideológico deles era mais importante que as relações comerciais. Não é a toa que Israel acusou o Brasil de adotar um certo relativismo diplomático. Os EUA por sua vez fizeram seu acordo em particular. Com o aumento das viagens de brasileiros ao exterior, o volume de dólares injetado pelas volumosas compras dos turistas chegou em boa hora e foi muito bem vindo.


A geração de 150.000 (números de Dilma... ) empregos não justifica o investimento. Se os portos brasileiros estivessem funcionando a pleno vapor, estes empregos seriam fixos e desenvolveriam cidades e regiões inteiras. É preciso saber separar ideologia de economia e investimento de ajuda humanitária. Um investimento particular pressupõe um ganho monetário no final, um investimento público exige em contrapartida melhoria nas condições de vida da população afetada, tanto na qualidade como variedade dos serviços ofertados. Eles são a justificativa dos impostos, é quando eles se tornam palpáveis. Os investimentos públicos brasileiros devem ser feitos primeiro no Brasil. Se todos nossos portos estivessem devidamente equipados e funcionassem com excelência e nada mais houvesse a fazer com estes recursos internamente, justifica-se o investimento internacional. O BNDES não pode concorrer com o Banco Mundial e não pode oferecer recursos subsidiados à grandes empresas apenas. As condições, prazos e taxas dos empréstimos concedidos devem beneficiar setores e empresas que também precisam crescer,  garantindo qualidade, padrões e volume de forma a serem atraentes para o consumidor internacional. Os investimentos externos devem também ter como foco a defesa dos interesses brasileiros, o pagamento pontual e taxas bem diferenciadas das oferecidas internamente. Amigos, amigos, negócios a parte. E é muito cedo para Dilma comemorar seus “investimentos” externos, há mais explicações a serem dadas do que resultados. Por enquanto, o estilo “low profile” parece que vai continuar.

Com relação à vitória diplomática, o mérito é do Papa Francisco, que incentivou a reaproximação e do Canadá, que sediou as rodadas de negociação. Obama escreveu um artigo este ano para a Revista Forbes, na matéria sobre as pessoas mais influentes do mundo. Ele escolheu o Papa Franciscoe em seu texto ele dizia que o Papa o que há de melhor nas pessoas. Contudo, não desmereço os esforços do Brasil para esta reaproximação, pois além da identificação ideológica, ocupamos a terceira posição entre os países de maior fluxo comercialcom Cuba.

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