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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sobre a Comissão da Verdade

O relatório final da Comissão da Verdade foi entregue à Dilma hoje, finalizando um trabalho de quatro anos, onde foram feitas  centenas de entrevistas com militares, testemunhas e parentes dos desaparecidos e dos mortos durante a repressão do regime, além da análise dos documentos do período. Antes de continuar, presto aqui minhas homenagens aos familiares destas pessoas, principalmente a Família Petit da Silva, que perdeu três filhos no Araguaia e pode recuperar o corpo apenas de Maria Lucia. Penso que ninguém deveria passar por tamanha dor e não poder enterrar seus mortos. Se há alguém vivo que possa de alguma maneira indicar onde estão os restos mortais destas pessoas, que se manifeste. São duas agonias insuportáveis que foram impostas às famílias: a morte racionalizada e a falta de encerramento deste capítulo. O que eu espero de fato é que nunca mais pessoas ou instituições se transformem em juízes e executores de ninguém e que nunca mais ninguém seja submetido à tratamento degradante ou tortura sob qualquer pretexto.

Sobre a Comissão da Verdade, acredito que ela já era nasceu contraditória. Em todos os países que passou pelo mesmo processo, os dois lados foram ouvidos, pois ambos cometeram crimes. Civis e militares também foram vítimas dos grupos armados e eles também têm direito à indenização. É preciso parar de tentar reescrever a história do Brasil de acordo com os vencidos ou vencedores de ocasião. Se na época da ditadura não se falava em Araguaia, hoje, quando se quer apagar as marcas do regime e mudar o nome da Ponte Rio Niterói é ir longe demais. É preciso que se tenha seriedade acadêmica e moral, além do distanciamento necessário para acalmar as paixões e as crenças políticas sobre o que de fato aconteceu no Brasil e se escreva a história como de fato aconteceu. É preciso que cesse o mito que os grupos armados que lutaram contra o Regime Militar estivessem defendendo a Democracia. Há discursos de pessoas como Carlos Marighela, textos, cartas, ações, viagens à então União Soviética para treinamento, enfim farto material que prova que o objetivo era a instauração de  um governo totalitário de esquerda, ou seja, uma ditadura do proletariado.Trocar meia dúzia por quatro. Negar isto é negar a verdade. Pode ser que de fato,  parte destas pessoas quisessem que o país voltasse a ser governado por civis, que a sociedade tomasse seu destino em suas mãos, mas eram minoria. Por outro lado, antes de condenar estes grupos  é preciso contextualizar os fatos . Na época havia uma divisão entre o comunismo e o capitalismo e o aparente sucesso da Revolução Cubana foi um catalisador para estes movimentos, que acreditavam que somente o comunismo traria o bem e a justiça social que a América Latina precisava. Quando Ernesto Che Guevara deixou Cuba em direção ao Congo e depois de fracassar e ir para a Bolívia, tinha por objetivo criar “um, dois, dez Vietnãs”.

Vidas foram perdidas em busca de um sonho e não há porque mascarar a realidade, dizer o contrário. Jovens com o futuro aberto, cheio de possibilidades optaram por lutar por aquilo que lhes parecia mais justo na época. O Osvaldão era um desportista e  recebeu uma bolsa para estudar em Praga. É louvável, é próprio da juventude buscar e lutar por seus ideais, mas também não podemos ignorar que foi bom para o Brasil que este sonho não se realizasse, principalmente depois da queda do Muro de Berlim. Em Abril, o escritor uruguaio Eduardo Galeano que escreveu um dos livros mais inspiradores da época, “As veias abertas da América Latina” confessou que não leria novamente este livro, porque o mundo mudou e que os regimes de esquerda cometeram crimes e erros tanto como os capitalistas e que o livro foi uma tentativa de um jovem em escrever sobre Economia Política quando não dominava o assunto.


Há que se rever também as disparidades entre indenizações. Há pessoas que estão vivas e receberam indenização e pensão vitalícia milionária, principalmente às concedidas nos primeiros anos da Comissão de Anistia, enquanto os familiares dos que perderam a vida receberam bem menos e ainda há as indenizações polêmicas como por exemplo, a de Lamarca. A verdade de todos e a reparação deve ter como medida o que cada um perdeu. Ditaduras nunca mais, inclusive as partidárias.

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