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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O decreto, o projeto e a CPMI

Hoje está sendo  o “Dia D” para o Governo e base aliada em Brasília. Na parte da manhã,  o Decreto-Dilma  (feito de supetão, sem medir as conseqüências e que pode provocar um estrago daqueles mais para frente) começou a repercutir.  No decreto ela aumenta as verbas ministeriais de R$ 7 bilhões para R$ 10 bilhões, reservando R$ 444 milhões para atender as emendas de deputados e senadores, desde que o PNL 36, que é o projeto que muda o cálculo do superávit na LDO seja aprovado. Para firmar o compromisso, ele foi publicado no Diário Oficial. Pode-se falar muita coisa de Dilma, menos que ela não tem coragem. Colocar no papel e ainda por cima no Diário Oficial uma chantagem explícita, que é crime, não é coisa para qualquer um. O pior é que estes recursos terão como condição a aprovação do projeto que a livra de responder por Crime de Responsabilidade, não fundamentos técnicos como necessidade, alcance, viabilidade e economia em tempos de crise. É por estas e outras que chegamos ao ponto que chegamos. Graças a negociações como estas que há o desequilíbrio imenso nas contas públicas. E foi por trocas como estas que a Petrobrás chegou onde está.

Na parte da tarde, a CPMI da Petrobrás fez uma acareação entre Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, sobre as discrepâncias entre o depoimento dado à Justiça Federal por Costa e dos depoimentos de Cerveró às diversas comissões do Congresso, que foram dados ao longo deste ano. Esperava-se que Paulo Roberto Costa ficasse em silêncio para não prejudicar seu acordo de delação premiada e que portanto, Cerveró poderia manter seus depoimentos. De fato ele manteve, mas deixou bem claro que a responsabilidade pela compra de Pasadena é do Conselho de Administração da Petrobrás. É preciso lembrar que Dilma foi a presidente do Conselho que autorizou a compra de Pasadena, ou seja, foi a caneta dela que assinou a compra. Paulo Roberto da Costa surpreendeu desde o início. Afirmou que o esquema que ocorreu na Petrobrás também ocorreu em outros setores como construção de hidrelétricas (Eletrobrás), estradas (Dnit), aeroportos, obras do PAC, obras da Copa, enfim, em tudo. Depois, quando perguntado sobre os pontos de contradição confirmou tudo o que disse à Justiça Federal. E por último, esclarecendo a história do e-mail, falou que ele foi enviado a pedido de Sérgio Gabrielle para Dilma, então Ministra da Casa Civil, por solicitação dela. Com isso, apareceu mais uma pergunta:  Por que Dilma pediria uma relação das obras que estavam com problemas no TCU e mais importante,  sabendo os motivos, por que não agiu? No final da sessão, Erenice Guerra, que era a pessoa mais próxima de Dilma antes da Presidência e que foi afastada porque ela vendia taxas de sucesso, foi chamada para para depor. Dificilmente a coisa toda não chegará em Lula e Dilma.

Acredito que a característica mais marcante de Dilma, que é a decidir tudo a impede de ter uma visão ampla dos problemas. Este decreto acaba por humilhar inclusive os deputados e senadores da base e o Congresso como um todo, já que fica claro que as votações são trocadas por verbas. Ela jamais poderia expedir um decreto deste teor. E sem ter visão, não percebe que ao lotear os cargos, distribuir ministérios, colocar pessoas de seu partido em tribunais e órgãos colegiados, aumenta a distância entre o Governo e o povo, aumentando no mesmo grau a antipatia que cresce a cada dia contra ela.


Neste momento, Renan Calheiros impede a entrada de pessoas que foram à Brasília, através da concentração de senhas para alguns partidos que de má-fé  seguraram estas senhas para distribuir a apoiadores de sua base. As galerias estão quase vazias, mas os que conseguiram entrar insistem em dizer que a “casa é do povo”. Os parlamentares da oposição são aplaudidos, os da base governista são vaiados ou inclusive ofendidos.  A deputada Jandira Feghalli pede a retirada de todos da galeria. O que ela não sabe é que o que se vê nas galerias é o que se vê nas ruas do Brasil Real e não aquele que ela insiste em censurar, como fez com a jornalista do SBT. Microfones cortados, confusão na casa, ordem de retirada dos manifestantes sob o pretexto que a oposição quer partidarizar as galerias. De fato, a casa é nossa, mas alguns que estão lá não nos representam de forma alguma. Gostaria realmente que Dilma prestasse mais atenção nas manifestações destas pessoas. Talvez, ao ouvir o que eles tem a dizer ela consiga poupar sua equipe, sua base e seus auxiliares de tantos constrangimentos.

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