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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 28 de dezembro de 2014

Movimento Passe Livre

Depois de alguns dias de férias absolutas (sem internet, sem telefone, sem televisão, sem jornais), com direito a flanar muito ao lado da família estou de volta. Estou tentando recuperar o tempo perdido, lendo os jornais que se acumularam em minha casa e minhas revistas semanais.  Alguns assuntos são novos, outros são variações do mesmo tema, mas entre as notícias que li até agora a que mais me surpreendeu foi a mobilização do Movimento Passe Livre nas redes sociais para novos protestos. Ao que parece a primeira mobilização acontecerá dia 09/01.

Participei das passeatas de Junho de 2013 porque acreditei que ali houve um despertar da população. As declarações de alguns políticos e membros da base governista beiravam o descalabro e aos poucos, nossas instituições, direitos e garantias estavam sendo tomadas por pessoas cujo único compromisso era com as regalias que o sistema oferecia. A revolta levou multidões para as ruas e o que se viu foi uma explosão de raiva que teve como catalisador a violenta repressão feita pela polícia de São Paulo contra os manifestantes. Acredito que houve três vitórias que a presença do povo nas ruas colheu: o arquivamento da PEC 37, um certo respeito temporário por parte dos políticos e a capacidade da sociedade em se mobilizar e protestar, em se fazer presente. Números não representavam mais as pessoas, elas estavam presentes. O que me atraiu foi o todo, não o MPL  e muito menos sua causa.

Transporte público sequer é barato em grandes países com economias fortes, porque sabe-se que o combustível que os alimenta é caro, seja petróleo ou eletricidade e além disso tem os custos agregados, com salários,manutenções e outros. O que é justo é exigir qualidade, quantidade, agilidade e segurança. É preciso que se abra as caixas pretas que os contratos de concessão são, é preciso ampliar a oferta afim de enfraquecer a cartelização informal do setor e é preciso também que práticas como as que ocorreram em Santo André na gestão de Celso Daniel não se repitam. Querer transporte público de graça e no grito é esquecer que para cada despesa tem que haver uma contrapartida, no caso aumento dos impostos. É ignorar que a sociedade em geral paga só na compra de alimentos 30% de impostos, é terceirizar custos.

Além disso, é querer se eximir da responsabilidade e fugir da realidade. Alguns animais não são mais iguais que outros. Os reajustes estão chegando para todos. As tarifas de transporte público são as primeiras e estão represadas há dois anos. Já estamos com bandeira vermelha na tarifa de energia, o que significa que o KWh ( a cada 100 KWh consumidos) custará R$ 3,00. Na prática, isto representa 8,3% de aumento. Já é esperado que a ANEEL funcione livremente, ou seja, todo descompasso na cadeia de fornecimento será repassado para o consumidor. Além disso, na transição de Mantega para Levy já ficou muito claro que o Tesouro Nacional não tem como fazer novos repasses. A Caixa Econômica e o Banco do Brasil provavelmente terão que receber aportes. No caso da CEF, graças a  uma pedalada, os dividendos pagos ao Tesouro e a conjuntura econômica atual enfraqueceram o banco. Essas “pedaladas” foram necessárias para cobrir as despesas causadas pelos “pacotes de bondades” implementados por Dilma ao longo dos últimos quatro anos. E prestem atenção nas perdas de arrecadação que a ampliação de ramos de atividade de empresas que hoje pagam tributos pelo regime de Lucro Presumido e que a partir de janeiro migrarão para o SIMPLES causará. A medida é justa, mas haverá perdas significativas de receitas tributárias.

A chuva está chegando e ela será para todos. Agora é bem tarde para reclamar, principalmente quando todo mundo sabia a economia precisava passar por reajustes profundos para que o país possa crescer. Só acreditou nas mentiras da campanha quem realmente não tinha condição de buscar por informações. Os demais, que votaram conscientemente e que dão a Dilma 40% de aprovação, são cúmplices. 

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