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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

De cócoras

Acompanhei a votação do PNL 36 através da TV Senado e da TV Câmara. Acompanhei a entrada dos manifestantes na segunda, a expulsão deles, a acusação ridícula feita por Renan Calheiros de que a oposição queria partidarizar as galerias e o movimento dos deputados e deputadas em direção a Aécio Neves no momento da confusão. Realmente, a política é uma arte, porque dentre os que foram manifestar sua insatisfação estava a Deputada Mária do Rosário, a mesma que fez de seu comitê uma central de Telemarketing para contactar os beneficiários do Bolsa-Família avisando que eles perderiam o benefício se Aécio fosse eleito. Se tivesse princípios ou vergonha na cara, evitaria aquele pedaço do Congresso. Por outro lado, nesta correria ridícula ficou explícito que reconhecem em Aécio a força do eleitorado,  que provavelmente teria sido eleito se não fosse a utilização despudorada da máquina pública e de outras falcatruas.

De Jandira Feghali vai se dizer o quê? Não é a primeira vez que ela recorre ao autoritarismo para calar os que pensam e agem diferente dela.  Alguém já se esqueceu do episódio com a apresentadora do telejornal do SBT,  com a Arquidiocese do Rio? Duvido, por um minuto sequer que de fato ela confundiu “Vai para Cuba“ com “Vagabunda”, o que ela queria mesmo era esvaziar as galerias. Aliás, a manobra dos partidos da base de reter senhas já prenunciava o que viria pela frente. A esquerda brasileira tem uma necessidade voraz de se apoderar da história e Jandira mostrou este lado quando  mesmo sabendo que a PNL31, que abria o orçamento da Previdência para pagar os pensionistas do Aeros, que já tinham garantido na Justiça o direito de receber o que lhes foi surrupiado pela administração do Fundo de Pensão, era só mais uma manobra do Governo do qual ela faz parte da base de sustentação, para protelar o cumprimento de uma decisão judicial. A deputada tomou o microfone e fez um discurso dizendo que a PNL 31 é um ato concreto do Governo para reparar as injustiças cometidas pelo governo FHC. Tenha dó!

Sobre a oposição, se perdeu, não foi por falta de esforço. Todos os deputados e senadores usaram todos os recursos possíveis e imaginários para obstruir a pauta. Os discursos proferidos por Aécio Neves foram certeiros. No primeiro, ao colocar em ordem cronológica todas as mentiras de Dilma, como candidata e como presidente, deixou bem claro para todos que o Governo padece de falta de credibilidade crônica para que se dê um cheque em branco como o que foi dado pelo Congresso. No segundo, quando alertou que o Decreto Presidencial que condicionava a liberação de emendas à aprovação do Congresso diminuía e colocava os parlamentares de cócoras, além de pregar um cifrão com o valor de R$ 748mil reais na testa de cada um deles, foi profético. Engraçado é que a maioria da base aliada, que provavelmente tem entre seus membros alguns dos 70 nomes que estão na mesa do Ministro Teori Zavascki, se sentiu humilhada pela expressão usada, mas o que não se viu foi constrangimento pela atitude que tomariam a seguir. Mesmo após um dos discursos do Deputado Antonio Imbassahy, que falou sobre o aumento da Taxa Selic que na mesma noite foi para 11,75%, o mesmo patamar que estava em 2002 e sobre as delações premiadas dos executivos da Toyo Setal, onde um deles indicou o nome da conta no exterior e disse claramente que as doações oficiais feitas ao PT eram lavagem de dinheiro. Nada foi capaz de mudar a posição de nenhum dos parlamentares da base aliada, exceto a promessa de liberação ao PMDB de mais um ministério.


O que eu vi foi o Presidente do Congresso advogar pelo Governo usando o Regimento quando lhe convinha e a maior parte dos congressistas em atitude subserviente, utilizando para debate os mesmos argumentos que Dilma usou em campanha e que agora nos enojam diante da falsidade, da estratégia deplorável  de usar dados manipulados e esconder muito bem as informações reais que o Brasil foi conhecer a partir de 27 de Outubro. Ainda utilizam o Governo de Fernando Henrique Cardoso, que terminou há 12 anos, como se fosse ele que guiado o Brasil rumo ao abismo que estamos adentrando. No mínimo, precisam aprender a ler e interpretar os indicadores econômicos do Governo que defendem. De cócoras, subservientes e sem constrangimento nenhum, de olho em verbas, nomeações e ministérios. Não é de se espantar que o Decreto de Dilma, que tirava a autonomia e o peso de decisão do Congresso e os substituía por conselhos populares tenha ficado em vigor até 30 de Outubro e não tenha sido derrubado ainda no Senado. Se arvoram contra o STF quando este é acionado para solucionar os problemas que eles mesmos criam, acusam interferência, mas são incapazes de derrubar um decreto que em uma canetada os torna obsoletos.

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