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Graduada em Processamento de Dados
Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

sábado, 6 de dezembro de 2014

Capitão de seu destino

Ontem relembramos Nelson Mandela e celebramos sua vida, sua luta e lamentamos ainda mais sua partida. Quando penso em sua história, em suas dores e realizações, penso que seu maior legado foi sua extraordinária capacidade e disposição em aprender e em ensinar.  Sua primeira grande lição foi que a educação forma aprimora o homem e ele saiu de sua tribo e se formou em Direito o que, para um homem negro na África do Sul já era uma conquista impar. Vivenciando o dia a dia da maioria negra que já nascia subjugada pela cor de sua pele, não se conformou com o destino traçado pelos brancos; ao contrário, partiu para a ação, para os atos concretos. Naquela época, a ação se fazia pelo uso de armas e de táticas de guerrilha, a violência dos atos contra a violência diária. Foi preso e admitiu seus atos. É preciso ter mais coragem para assumir suas ações e as conseqüências advindas  do que as vezes é necessário para cometer um ato.

Segundo Mandela, os 27 anos de sua prisão tiraram dele o ódio e o fez refletir. A convivência com os guardas que eram responsáveis por seu encarceramento físico não impediu seu crescimento intelectual e moral. Dento da prisão, todos eram homens, com idéias e conceitos diferentes. Aprendeu que é preciso mudar a idéia e não exterminar o homem. Trabalhou em pedreiras, desenvolveu doenças e quando saiu graças ao clamor mundial e ao eminente esfacelamento de um país que sofreu sanções internacionais em defesa dos direitos da maioria negra, lamentou as condições de seu povo, que continuava segregado e vivendo ao largo da sociedade.

Ao concorrer  à presidência poderia agravar os ressentimentos e acirrar o ódio adormecido daqueles que foram brutalmente explorados e discriminados, mas Mandela tornou-se um gigante ao pregar a união de seu país e conclamar todos para trabalharem juntos neste processo. Afastou de seu convívio pessoas que cometeram crimes também, entre eles sua esposa que ele não deixou de amar, pois sabia que se queria ser ouvido por negros e brancos, além de denunciar as atrocidades cometidas pelos brancos, era preciso assumir e punir os excessos dos negros também. A igualdade de todos perante a lei se faz em direitos e obrigações. Em todas suas ações, em todos seus discursos havia o clamor pela mudança de idéias, pela união, pelo bem comum, pelo respeito e aperfeiçoamento das leis e das instituições. Ele fez uma revolução sem sangue, através de seus ensinamentos concretizados em ações e exemplos próprios.


Ao término de seu mandato achou que sua contribuição à política já era suficiente e enquanto teve saúde, dedicou-se a angariar fundos para causas sociais e educacionais. Fica aqui a lição do desapego ao poder e da missão maior de um homem público. Teve dissabores na vida familiar, conviveu pouco com os filhos e perdeu dois durante sua longa vida. Ao retirar-se  da vida pública, quis ter uma vida familiar e casou-se novamente. Ao morrer, quis voltar para suas raízes, para o coração de sua tribo, onde descansa no alto de uma colina. 

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