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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

domingo, 7 de dezembro de 2014

A imprensa precisa nos tutelar?

Integrantes de partidos de oposição ao governo Dilma convocam a população para protestar contra a corrupção e contra a chantagem feita com o Congresso para aprovação na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Em São Paulo, 8.000 pessoas atendem ao chamado e entre eles estão dois Senadores da República. Se isto acontecesse, vamos supor, na Venezuela ou Na Argentina, todos veículos de comunicação transmitiriam a marcha e haveria inclusive a participação de especialistas para discutir o assunto. A rede CNN já mostrou as passeatas que estão ocorrendo no Brasil, mas a imprensa nacional não. Algumas notícias em jornais e sites, sempre pendendo para a caricatura, como se todos ali quisessem a volta dos militares. 
E mesmo assim, há que se olhar estas pessoas com atenção,pois por que, de livre e espontânea vontade preferem ser governadas por uma junta militar em tempos de Comissão da Verdade, onde os crimes e excessos cometidos pelos militares são denunciados e levados ao conhecimento das pessoas?

Estas pessoas são as que não acreditam que a sociedade civil possa se governar e ilustram seu pensamento quando vêm a tona os desvios do poder.  Os desvios se apresentam na forma de corrupção, desmandos, desrespeito às leis e instituições. Quando a Presidente da República falha em seu papel de administrar com responsabilidade o país, apela-se para Congresso. Quando um  decreto que condiciona a liberação de verbas para emendas de parlamentares sem critérios é publicado nas vésperas da votação e os congressistas votam com o governo, aumenta a impunidade com a prática de outro crime, que é a chantagem. Se a apelação contra a votação segue para o Supremo Tribunal Federal, há desconfianças em virtudes das nomeações feitas. De fato, os que estão em posição de governar e de fiscalizar o governo tem falhado seguidamente com a sociedade, mas não é através das Forças Armadas que estes problemas serão resolvidos.Não é preciso dar um shutdown no sistema, é preciso aperfeiçoá-lo. O aperfeiçoamento se faz pelo voto.

Voltando ao início do artigo, a sociedade brasileira é capaz de julgar o que é melhor para ela. Foi assim no processo eleitoral, foi assim com as manifestações que tomaram as ruas em 2013. Houve a hora de começar e a hora de parar, exceção feita aos pequenos grupos que agiam a mando e soldo de outras pessoas e mesmo o movimento destes grupos foi acompanhado de perto pela mídia, custando inclusive a vida de um cinegrafista. Se for feita uma matéria sobre as passeatas, o que poderá acontecer? Por que nenhuma das grandes redes transmite os protestos ou exibem matérias sobre eles. Porque há a necessidade de diminuir o número de participantes? Quando e por que houve o acordo entre elas? A quem interessa? Quem é beneficiado? É melhor colocar sua credibilidade em risco ao se constatar que há uma seleção e edição de notícias, já que fotos e imagens dos protestos correm o mundo todo? A sociedade brasileira precisa ser tutelada e dirigida por formadores oficiais de opinião? É por medo dos seguidos discursos que falam em regulação da mídia?


O quer que esteja por trás desta omissão é algo extremamente pernicioso e que também precisa ser noticiado. Quando um brasileiro vê imagens de seu país em uma rede norte-americana é porque há algo de muito errado internamente. Em todas campanhas eleitorais há uma mistura que não traz benefício a ninguém entre propaganda oficial e jornalismo. Até hoje paira uma nuvem sobre a Rede Globo pela campanha descarada que foi feita na eleição de Collor. Venha o que vier por aí, as reputações de alguns jornais e revistas já estão xeque, por serem extremamente tendenciosas. A imprensa pode opinar, através do âncora do telejornal ou do desenvolvimento de uma reportagem, mas não pode distorcer ou formar fileiras. A informação deve ser transmitida na íntegra, sem censura. O juízo de valor sobre o conteúdo será feito pelo leitor ou telespectador, através de seu conhecimento sobre o assunto e de seus valores. Não há lugar no mundo, a partir do momento em que se constata que um telespectador ou leitor está com um celular ou tablet na mão, checando e buscando maiores informações sobre o que lê ou assiste, para a edição e omissão de notícias. Isto é andar para trás, de volta a 1964.

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