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Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Negócios

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sobre Samuel Klein

Um dos comerciais mais bonitos produzidos no Brasil foi um das Casas Bahia em que Samuel Klein falava sobre sua vida. Polonês, judeu,  sobrevivente do horror nazista e de Auschiwitz,  perdeu a mãe e quatro irmãs em outro campo de concentração. Após a guerra, acreditando no sonho americano, ele queria ir para os Estados Unidos, mas acabou vindo para o Brasil, com U$ 6.000,00 e fixou residência em São Caetano.

Comprou uma carteira de clientes e passou a vender tecidos e roupas. Anos mais tarde, abriu sua primeira loja, a primeira de muitas “Casas Bahia” que tornaram-se extremamente populares por oferecer mercadorias com preços competitivos e crediário a pessoas pobres, que de outra forma não poderiam adquirir um bem. Hoje poderíamos dizer que foi o primeiro "case" de sucesso com a Classe C e D. Correu riscos imensos em uma época em que o Brasil passava pelos efeitos da inflação que acabou em hiperinflação. Foi em frente, oferecendo crediário e aceitando sua sorte, pois acreditava no homem simples, cujo único patrimônio é o nome. De pouco mais que um mascate,  ao longo da vida Klein construiu um imenso patrimônio, sendo considerado em 2013 pela Revista Forbes como o 78º homem mais rico do mundo. Sobrevivente da  Segunda Guerra Mundial, Samuel também era um homem dedicado à caridade, tendo feito grandes doações para a comunidade judaica e para outras instituições ao longo de sua vida.

Sua experiência empresarial foi amplamente copiada, algumas vezes com sucesso. Ficou famoso o refrão de uma das músicas dos Mamonas Assassinas, “Chopis Center” : “ A minha felicidade é ter crediário nas Casas Bahia”. Enquanto dono do grupo, acompanhou de perto o dia a dia da empresa e nunca foi bater às portas do Governo Federal pedindo linhas de crédito exclusivas ou pleiteando Bolsas-Empresário, que este governo que temos se tornou especialista em conceder a quem não precisa. Após a venda para o grupo Pão de Açúcar, passou a ser membro da diretoria e depois se arrependeu do negócio. A família ainda fez algumas tentativas para comprar novamente as Casas Bahia, mas não foi possível.

A vida de Samuel Klein é uma inspiração para todos os brasileiros que acreditam na dedicação, no empreendedorismo, no esforço individual e na vitória contra a pobreza pelo trabalho e com trabalho. Em um país em que muitos estão aguardam iniciativas do governo,  a trajetória de vida de Samuel provou que vencer depende antes de tudo do individuo. Com tantos motivos para desistir, persistiu sem se lamentar publicamente da sorte, da perda de parte da família condenada a horrores extremos pela intolerância e desumanidade de um regime, dos horrores que jovem ainda viveu. Seguiu em frente, sem desanimar fazendo sua hora e seu destino. Homem de vida simples, nunca foi tomado pela febre da ostentação que toma algumas pessoas que conseguem um relativo sucesso na vida e que é na verdade é uma mistura de falta de princípios com falta de educação.

Morto hoje aos 91 anos, sua vida é inspiração principalmente para os jovens. Se você for analisar cuidadosamente, há mais motivos para desistir do que para continuar, mas para os que continuam e vencem primeiramente seus medos, suas tragédias e desafiam o destino com trabalho e perseverança, é possível conquistar coisas inimagináveis, ir a lugares incríveis e ser uma fonte para os outros que também querem ir em frente. Polonês por nascimento, mas brasileiro por adoção. Hoje, sem dúvida,  enterramos um grande homem. 

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